Pelo fim da polícia literária

Eu estava em uma aula de estudos literários no semestre passado, lá no Instituto de Letras da UFRGS, e além de sair pensando muito sobre o tema da aula – uma discussão sobre valor estético e cânone literário – também refleti bastante sobre a fala de uma colega durante a aula.

Estávamos no momento do debate em que uma espécie de jogo foi instituído e alguns colegas precisaram “convencer” o professor a ler um livro, qualquer livro. As respostas eram então listadas em forma de tópicos no quadro e os argumentos seriam utilizados ao lado de outros pré selecionados pelo professor para refletir e compreender um pouco melhor o tema da aula, ou seja, o que constitui o cânone. Pois então, para contrapor uma visão de que muitas pessoas selecionam suas leituras dentro do cânone pela satisfação, para sentir-se bem, para experienciar uma certa catarse, relaxar, ou seja, um certo sentido místico da leitura em si, a colega em questão prontamente falou: – “Eu acho que esse tipo de pessoa não iria ler literatura para relaxar, para sentir-se bem. Ela leria Zíbia Gasparetto”. Depois da resposta do professor a guria ainda não estava contente e ainda citou Bridget Jones para reforçar seu argumento: – “Esse tipo de pessoa não lê literatura pra isso, vai escolher no máximo Bridget Jones”.

O professor então pergunta: “Bridget Jones não é literatura?” – “Não”. – Responde ela. – “Zíbia Gasparetto também não?” – “Não”. Como bom provocador, o professor cita que, uma pessoa pode chegar em casa e relaxar lendo fernando pessoa. Prontamente a colega diz que não. Que é preciso ter um esforço para ler, para entender, que com essa atitude de leitura não é possível captar a obra. Esse tipo de ato de leitura, segundo ela, só é valido para alguns livros, outros podem ser lidos de qualquer forma, e de preferência que não sejam lidos, por que não são literatura. Historinha finalizada, Isso me deixou profundamente incomodada.

Motivos:

Não é de hoje que muitos leitores acreditam estar um patamar acima dos pobres mortais que não compartilham o “gosto pela leitura”.E isso é um problema, porque ao invés de aproximar as pessoas dos livros, as afasta ainda mais. Quem gostaria de ser um arrogante “sabe tudo”? É obvio que ler é maravilhoso e possuir esse hábito traz muitos benefícios para o indivíduo e cria inúmeras possibilidades de ver/ler/enfrentar/compreender/opinar sobre/transformar a vida. Mas esse hábito não existe na mesma proporção, nem é igual ou tem os mesmo significados para todo mundo. É preciso ter algo em mente: todos nós lemos. São o que lemos, como lemos, por que lemos que variam de pessoa para pessoa. “O problema” é que as pessoas não leem o que alguns acham/definem que elas devem ler, nesse caso, quem precisa de mais leitura (de mundo) são esses alguns!

Sujeitos com “pouca instrução formal” não são incapazes de ler Crime e Castigo, por exemplo. Pelo contrário, elas terão uma leitura completamente diferente daquela feita por um Doutor em Literatura, um médico, um professor, ou um russo! E isso é maravilhoso! De um anúncio de jornal ou um post no Facebook ao cânone literário, tudo é passível de ser lido por qualquer pessoa. Somos livres para escolher o que precisamos ou desejamos ler. E, principalmente, qual será a finalidade dessa leitura. Nesse sentido, o que esses seres iluminados desejam não são mais pessoas lendo ou que leiam mais (se é que eles realmente querem deixar de fazer parte de um restrito grupo de prestígio) e sim que elas leiam as coisas “certas”.

Não bastasse a atribuição de valor àqueles que leem e aos que “não leem”, existe uma tendência entre certos grupos, de defender ferrenhamente a ideia de que só possuem valor aqueles que compartilham do mesmo gosto (não só pela literatura, mas pela música, pelo cinema, etc.) que o deles. Se é funk, é ruim e quem gosta é (para sermos delicados) idiota, ignorante, pobre, incapaz intelectualmente. Se é rock (não qualquer rock, é claro) é bom. Se é sertanejo, é ruim, se é MPB é bom. A moda agora é desqualificar os livros ditos para adolescentes. Mas já foi moda (e ainda tem bastante gente que faz isso) desqualificar autoajuda, livros espiritas, best seller, entre outros. Isso nada mais é do que um preconceito tão besta que chega a dar nojo.Esse tipo de atitude tem nome, é preconceito literário. Tem um vídeo ótimo do canal Capitu Já Leu (saudade dos vídeos…) que fala sobre isso. Aliás, tem muita gente bacana falando sobre o assunto no Youtube.

Preconceito é um fenômeno social tão antigo quanto a humanidade. Temos a tendência de julgar os outros (seus atos e preferências) de acordo com nossos padrões, nossas verdades. E para alguns, as próprias verdades precisam ser, obrigatoriamente, veneradas pelos outros. O preconceito, de qualquer tipo, é extremamente perigoso, pois exclui e violenta quem não segue (ou não se enquadra em) determinados padrões estabelecidos por determinados grupos sociais. Criticar uma obra por seus méritos ou problemas (de qualquer espécie, sejam eles estruturais, formais, etc.) não é a mesma coisa que julgar quem lê essa obra. Eu tenho todo o direito de gostar ou não gostar de alguma coisa, e meu gosto não me faz melhor do que ninguém. Não tenho direito de julgar as pessoas que gostam daquilo que eu não gosto como seres inferiores, e nem de colocar em xeque a inteligência delas. Nossos padrões, valores e verdades não são únicos e nem são melhores que os padrões, valores e verdades dos outros. Temos que parar de achar que só o que a gente gosta é cultura.

E se não bastasse o grupo dos que dizem o que eu tenho que ler, agora me aparece essa, querem ditar como eu devo ler. Está instituída de vez a Polícia da Leitura. E ela está a solta. Ela tem a tarefa de proteger o “bom leitor” e combater o “mau uso da literatura”. Nada de ler por diversão. Isso só é permitido com “baixa literatura”, aquela que está no limiar, que quase não pode ser chamada de literatura. Ler é tarefa árdua, feita apenas para enobrecer o espírito, de forma compenetrada e com muito esforço. Apenas para adicionar ainda mais conhecimento nas mentes brilhantes dos leitores. Não está permitido se misturar com a “gentalha que não lê”. Não está permitido sentir prazer lendo Proust ou aprender lendo Harry Potter. Parece piada, mas e o que muita gente anda pensando por aí. Estou cansada do argumento de que as pessoas não leem, cansada de ver julgamentos de valor baseados naquilo que as pessoas leem. Apenas parem! Cuidem de suas leituras, incentivem outros a ler, mas sem emitir juízos de valor das pessoas e/ou dos livros.

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Fantasiada de Fênix, retorno das cinzas!

Nossa, foram tantas coisas nesse tempo todo sem dar as caras por aqui. Tanto recheio para esse bolo chamado vida (argh, que breguice!). Nem todas foram boas. As boas foram MARAVILHOSAS, e as ruins foram realmente péssimas.

E mais uma vez dou uma chance para esse mundo virtual e retomo o blog. Ando com vontade de tomar essa atitude já faz um tempo. Tenho tanto a dizer, tanta coisa para contar e espero poder fazer isso nos próximo dias. Colocar em dia a vida vai ser difícil, mas o blog é possível. Então, logo logo esse bichinho será atualizado. E espero que a vontade não morra com o tempo, mais uma vez. Mas acho que agora vai. Sinto muita falta desse cantinho aqui. Até breve. :)

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6 on 6 (julho, 2014)

O dia seis chegou mais uma vez e com ele o projeto 6 on 6. Adorei participar no mês passado e continuo esse mês com mais algumas fotos. De última hora, admito. Todas experimentando o foco com a 18-55 mm com a minha Canon T3. Esse mês, com exceção das fotos do 6 on 6, fotografei apenas com o celular novo (um Moto G, que por sinal tem uma câmera péssima) e acabei relaxando com a ideia de treinar mais a fotografia. As fotos desse mês foram tiradas com a câmera apenas nos 45 do segundo tempo, ou seja, acabei fotografando para o 6 on 6 no dia de postar. Fiquei sem ideias e resolvi brincar com o foco. De noite a luz não ajuda muito, mas até fiquei satisfeita com algumas das fotografias. :)


Quer participar? A brincadeira é simples: você precisa postar seis fotos no seu blog, todo dia 6 do mês! Acompanhe todos os blogs participantes na página do Facebook. :)

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DIY: capa para Kindle (ou Kobo) a partir de um livro

Eu tenho um amor pelos livros que já é de conhecimento público. Por isso não foi fácil começar com esse DIY quase um ano e meio atrás. Quando eu ganhei meu Kindle a primeira coisa que fiz – depois de baixar muitos títulos e antes de começar a carregar ele por aí – foi pensar em uma capa para protegê-lo. Pesquisei algumas para comprar e achei pouca variedade em lojas virtuais nacionais. Comprar em lojas da gringa não era uma opção devido ao imposto absurdo que teria de pagar, praticamente dobrando o preço da peça. Então comecei a procurar tutoriais super bacanas pra criar minha própria capa. Foi então que encontrei como fazer uma case a partir da capa de um livro.

Depois de muita reflexão eu resolvi começar. Adorei exercer meu lado craft há muito esquecido e fiquei super feliz com o resultado. Mas ainda não é a capa ideal para carregá-lo por aí na bolsa, pois a capa do livro é sensível. Ainda quero uma capa de tecido para carregá-lo e vou deixar a capa de livro para guardar o e-reader na estante. Fica muito bacana. Gostaria de ter gravado um vídeo tutorial, mas minhas habilidades não são das melhores e demorei muito para fazer, além de que não tenho um tripé e não conseguiria gravar e fazer ao mesmo tempo. Então fotografei cada parte do processo para mostrar como faz e o resultado final. Espero que goste e faça a sua própria capa. Continue reading →

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6 on 6: junho de 2014

Minha primeira participação no projeto 6 on 6! Adoro esse projeto. Sempre olho os blogs participantes para ver as fotos do mês e buscar inspiração.

O projeto é super simples: todo dia 6 é preciso postar 6 fotos. Tema livre. Barbada, né?! Para saber mais e conhecer outros blogs que participam da brincadeira é só acessar o grupo do Facebook.

E na minha estreia eu trouxe fotos das minhas paixões, meus filhos felinos. As fotos foram tiradas para testar a lente 50mm que eu adquiri recentemente. Ainda estou me acostumando com ela :)

.Gandalf

Starbuck

Willow

Salém

Smeagol

Hora de comer!

Apenas a última foto foi editada. Por ordem de idade: Gandalf, Starbuck, Willow, Salém e Smeagol.

E então, gostou? Eu adorei participar do projeto. Mês que vem tem mais 6 on 6.

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