Arquivo

2007

Posts em 2007.

Estratégia & Análise #5

Mais uma quarta-feira, a última do ano. E mais uma nota do Estratégia & Análise republicada aqui.

Arte-ativismo, a sabotagem de Minerva Cuevas.

Minerva Cuevas nasceu em 1975 na Cidade do México, lugar onde vive e trabalha até hoje. Ingressou na Escuela Nacional de Bellas Artes em 1993. É conhecida pelo humor ácido e provocador de seu trabalho, o qual chega mesmo a confundir-se com uma forma de ativismo político. O intento é fazer a obra refletir sua desconformidade e luta contra as relações capitalistas. Partindo desse pensamento ela cria, em 1998, a “Mejor Vida Corp” (MVC) composta por ela mesma.

Mantendo uma imagem simbólica de empresa privada ela oferece produtos e serviços de forma gratuita na página da corporação. Atos de generosidade que objetivam atender a demandas, pequenas necessidades, da população e contradizer as relações comerciais atuais. A artista realiza intervenções urbanas e virtuais, sob forma de micro políticas de ação social em campanhas pacíficas e declaradas contra o capitalismo. Minerva é particularmente a favor da sabotagem.Paralela às suas atividades da MVC, Cuevas participa de atos e campanhas sempre de forma criativa. Estetizando suas ações ela é hoje uma auto-intitulada artista-ativista. Sua arte é focada em aspectos sociais e com forte apelo afetivo, as obras da artista usam a mídia de massa, a performance, a intervenção pública e o próprio espaço museológico como difusores de mensagens simbólicas que buscam atentar o cidadão comum para as estruturas políticas e econômicas que participam seu cotidiano.

Parte do caráter irônico de seus projetos pode ser atribuída à apropriação que Cuevas faz dos códigos do sistema que critica, tomando-os como base para a criação e divulgação de seu ativismo artístico.

é quase natal e o mundo está um caos

Depois de reagir a um assalto, ler boa parte do maravilhoso A Sangue Frio e conspirar contra meio mundo pensei: “nada melhor do que escolher como disquinho de quinta dessa semana uma trilha bem punk“. Então escolhi Dead Kennedys, na minha opinião uma das melhores (se não a melhor) do gênero. Esse disco eu tenho em vinil. Agora compartilho a versão digital com todos. Claro que eu não digitalizei porque nem tenho a aparelhagem ou o quer que seja necessário para fazer tal operação, mas outros o fizeram e eu pequei emprestado o link!

Fresh Fruit for Rotting Vegetables (1980)
Faixas:

1. Kill The Poor

2. Forward To Death

3. When Ya Get Drafted

4. Let’s Lynch The Landlord

5. Drug Me

6. Your Emotions

7. Chemical Warfare

8. California Uber Alles

9. I Kill Children

10. Stealing People’s Mail

11. Funland At The Beach

12. Ill In The Head

13. Holiday In Cambodia

14. Viva Las Vegas

DOWNLOAD (zShare) Via A Taverna do Bárbaro.

Estratégia & Análise #4

Mais uma semana se passou e já estamos na quarta-feira de novo. Buenas, para os desavisados, hoje é dia de republicar a minha nota semanal do Estratégia & Análise por esses pagos. Quinta pasada publiquei por lá a seguinte nota:

Alvaro Oyarzún, um nome da arte contemporânea chilena.

O artista plástico Alvaro Oyarzún organiza seu trabalho de forma bastante fragmentada. Formatos, assuntos e técnicas variados, que se dispersam e se acumulam na parede. Sua obra acaba por desconstruir a polaridade da pintura: superfície e representação. No entanto denota uma investigação rigorosa referente ao meio pictórico. Disseca seus diferentes aspectos. O gesto, a cor, a narração, o retrato, o desenho e, inclusive, a fotografia.

Em sua proximidade as pequenas histórias que ele cria e os cruzamentos entre elas articulam diminutos lotes que se ligam e formam um jogo com todo o seu material. Com as circunstâncias que ele propõe se abre a possibilidade tradicional para ser uma pintura, mas não é. Oyarzún faz um exame, como uma operação, da experiência humana. Percorre uma caminhada sem riscos pelos estilos e desta história do ficcional constrói seu trabalho.

Sua obra aparenta ser um anedotário, uma espécie de reinvenção do artístico banalizado. Um caderno de anotações, cheio de referências que podem passar pelas mais simplórias atividades humanas até as complexas relações entre o homem e as grandes demandas da humanidade. O humor de Oyarzún consiste supor esta alternativa errática e ingênua, produzindo um efeito geral da confusão no receptor onde a capacidade da arte gerar o sentido é hoje ironizada pelo relaxamento e pela distração da pintura como o lugar comum.

Um natal um pouco mais geek

Mesmo com a querela moral das árvores natalinas batucando na minha cabeça eu tive de “me abrir” (gauchês) pra árvore mais geek do mundo. Em Madri montaram uma árvore inspirada no clássico jogo do famoso Atari, o Pac-Man!A árvore é composta por milhares de luzes LEDs coloridas e é uma autêntica réplica do jogo. Traz as imagens características do game, como o personagem principal – chamado de Come-Come, no Brasil e Comecocos, na Espanha – os fantasmas e todas as pílulas coloridas. Ela é toda iluminada e parcialmebte animada, mas infelizmente não é interativa. Imagina poder jogar na árvore…

Querela moral acerca do tempo de natal

ImageShack

 Como muitos já sabem, eu não sou cristã, não creio em deus. Conseqüentemente não acredito em natal. Mas isso não vem ao caso nessa discussão. O que coloco na roda são as luzes piscantes que vem aos milhares nessa época do ano. Fico pensando o que passa na cabeça das pessoas ao enfeitarem suas casas com aquelas lâmpadas bregas tapando a casa inteira, fazendo competições da casa mais iluminda ou da maior árvore de natal (toda coberta com as tais luzes).

Em tempos de aquecimento global (sem contar o apagão de um passado recente), onde o papo do ano foi economizar energia e poupar o meio ambiente, imaginei por alguns segundos que esse ano o natal seria diferente. Menos iluminado e mais consciente. Ledo engano. Recordes em números: árvores ainda mais altas, mais iluminadas e mais admiradas. Quanto maior e mais brilhante melhor. E dá-lhe dinheiro público em toda essa baboseira.

Fico pensando em alternativas pra essa cultura que já está tão incutida na sociedade. Em Belo Horizonte a prefeitura está usando lâmpadas econômicas. Trabalho de formiga, mas já é alguma coisa em meio a tanto desperdício (de dinheiro e energia). Mesmo assim minha indignação não diminui.

É claro que encanta, é bonito de se ver e as crianças (principalmente) adoram. Porém a querela moral permanece. Quem arca com este gasto é o povo. Quem perde com tudo isso é o meio ambiente. Quem ganha com isso? Um punhado de gente que quer uma atração para suas noites fúteis? Não sei, alguém me responde?

Os mortos invadirão Porto Alegre novamente!

ImageShack

Hoje à tarde uma legião de mortos vivos sairá pelas ruas de Porto Alegre, assutanto e procurando por miolos. É a segunda Zombie Walk de Porto Alegre. Um movimento público que ocorre em grandes centros urbanos do mundo todo em forma de caminhada, reunindo fãs de filmes de horror. A idéia é ser um zumbi durante a caminhada, agindo como tal: interpretando e se comunicando como “mortos vivos”, vestidos a caráter, grunhindo, gemendo e gritando “miolos” ou “cérebros”.

O evento é uma flashmob, divulgado quase que somente pela internet. A primeira foi no Canadá, em 2003, com apenas seis participantes. A primeira caminhada dos mortos do Brasil foi em Belém e a maior Zombie Walk da América Latina foi a de Porto Alegre, com 400 participantes no dia 9 de dezembro de 2006. E foi tão bacana que rendeu muitas fotos e vídeos.

Quem estiver disposto a se caracterizar de zumbi e passar por lá, se divertir horrores e terrores é só comparecer no vão da Casa de Cultura Mario Quintana de Porto Alegre lá pelas 16 horas e 30 minutos. A saída (o início da caminhada) será às 18h, caso tenha de se vestir ou se “zumbificar” no local, chegue antes!