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janeiro 2011

Posts em janeiro 2011.

Memórias da Emília e Peter Pan, de Monteiro Lobato

Memórias de Emília e Peter Pan, Monteiro LobatoO universo infantil criado por Monteiro Lobato é referência para muitas pessoas. Para os que viveram a infância nas décadas de 1980 e 1990 a série do Sítio do Pica Pau Amarelo ainda está na lembrança. Para os mais novos, a Globo tratou de fazer uma nova versão do programa que trouxe esse universo mágico para os mais novos. E como muitos, meu conhecimento das obras infantis de Monteiro Lobato vieram da televisão. Até meus 16 anos eu nunca tinha lido nenhuma obra do escritor, então comecei a fazer hora do conto para os alunos da quarta série na escola em que estudava e contei algumas das histórias de Dona Benta. Depois disso só voltei a ler algo do senhor Lobato agora em 2011. E é muito interessante ler um livro infantil escrito há tantos anos: a idade faz com que prestemos atenção em coisas que  quando crianças deixaríamos de lado. No entanto, o mundo criado por Lobato é tao encantador que é impossível nao se envolver de corpo e alma e voltar a ser criança.

A edição que tenho é da coleção Obras Completas de Monteiro Lobato onde  a 1ª série contém os livros de Literatura Geral (18 volumes) e a 2ª série contém os livros de Literatura Infantil (17 volumes).  Memórias da Emília e Peter Pan é o quinto volume da 2ª série, em uma edição de 1952. Apesar da ortografa diferente (acentos entre outras coisas), nao tive dificuldades com a leitura. Pelo contrário, tal característica deu um charme a mais para a leitura. O livro consiste, na verdade, em duas histórias distintas: Memórias De Emília é um livro e Peter Pan é outro, embora Peter apareça nas duas histórias.

Em Memórias de Emília, Lobato narra mais uma reinação de Emília. A boneca resolve escrever suas memórias e para isso usa a mão e a cabeça do Visconde de Sabugosa. Então temos uma narração dentro da narraçao: o sabugo de milho narra as aventuras de Emília e a turma o sítio no episódio do anjo capturado pela boneca e da visita das crianças inglesas para vê-lo. Emília começa ditando para o Viconde, mas acaba deixando tudo por conta de seu “ajudante”. As “participações especiais” de Peter Pan e Alice – a do País das Maravilhas – são fantásticas. O livro é bastante simples e ingênuo, mas apesar disso, muito instigante. Emília é terrível, apronta e fala coisas que deixam todos loucos, mas acaba se mostrando uma boa boneca. É uma personagem cativante, e mesmo com todas as suas contradições, é minha personagem favorita.

Peter Pan é a história original do personagem Peter Pan contada para os moradores do sítio por Dona Benta. Ela compra o livro de J. M. Barrie para descobrir quem é o menino que até o Gato Félix sabe da existência, menos ela e os habitantes do sítio. Depois de ler a história, Dona Benta passa a contar um pedacinho por noite para todos. E entre um pedaço e outro, Emília apronta das suas, é claro. É muito bacana ver personagens que já estao no imaginário das crianças brasileiras sendo contados por outros que fazem parte de nosso folclore. Além disso, as referências à história original é feita a todo momento, portanto a história não é um plágio da obra original, é sim uma contação de Dona Benta, com gostinho de Brasil interiorano.

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Novidades de ano novo

In My Mailbox

O trecos & trapos começa 2011 com uma porção de novidades. Tem a nova coluna Na Minha Caixa de Correio, que começou na última semana de 2010 e já teve duas edições nesse ano. Aos domingos publico um vídeo contando sobre os livros e DVDs que ganho ou compro.

Ontem não teve vídeo, pois não comprei ou ganhei nada durante a semana, e nas próximas duas semanas também não publicarei os vídeos, pois estarei viajando.

Mas na volta farei uma edição especial com todas as aquisições da viagem – que serão significativas, pois em Buenos Aires os livros são mais baratos.

Book Tour

Outra novidade é a parceria com a Editora Underworld. Na semana passada a editora abriu inscrições para novos blogs parceiros para participarem de Book Tours com suas publicações e não perdi tempo e fiz minha inscrição.

Fui selecionada e fiquei no grupo 4. Nas próximas semanas receberei um exemplar de um livro para ler, resenhar e enviar para uma das outras blogueiras do meu grupo do Book Tour.

Os blogs que participam do grupo quatro são:

  1. My Everything
  2. Loge Demais
  3. Melancólico Mundo
  4. Aqui Perto de Mim
  5. Trecos & Trapos
  6. Tijolinha, Books & Fanfics
  7. Ops!
  8. The Eaters of Books
  9. Tea Coffe and Cupcakes
  10. Janine Stecanella
  11. Coolture News
  12. Kellen Baesso
  13. Acordei com Vontade de Ler
  14. Sobre Amores e Livros
  15. Shelf Junkies
  16. Manuelices
  17. London Sweet London
  18. Murphy’s Library
  19. Okay Cult
  20. Fútil mas inteligente

Estou ansiosa para receber as publicações, os títulos são bem atrativos.

E em breve mais novidades virão.

http://trecosetrapos.org/weblog/tag/na-minha-caixa-de-correio/

A menina que brincava com fogo, Stieg Larsson

A menina que brincava com fogo, Stieg Larsson

Para dar continuidade à leitura da Trilogia Millennium, li o segundo livro da série: A menina que brincava com fogo. A expectativa era grande, tendo em vista o quanto gostei do primeiro livro. E eu gostei muito desse também.

Dois anos depois dos acontecimentos traumáticos narrados em Os Homens que não amavam as mulheres, a revista Millenium encontra um novo colaborador que está prester a publicar um artigo e um livro sobre o tráfico de mulheres. Esse colaborador e sua companheira pesquisam o tema há anos e procuram a revista para publicar e denunciar os envolvidos – que vão desde policias do serviço secreto sueco à jornalistas conhecidos.

Somos apresentados aos novos personagens na primeira parte do livro enquanto a rotina no exterior da protagonista Lisbeth Salander é narrada também. Muito embora Larsson demore bastante para engrenar o cenário no qual o desenrolar a história se passará (quase 200 páginas), essa primeira parte do livro é deliciosa e conseguiu me prender por horas a fio. E o cenário é bastante complicado. Dag Svenson e Mia Bergman são assassinados no apartamento em que moravam e a suspeita recai sobre Lisbeth. A situação para ela piora ainda mais quando seu tutor também é encontrado morto.

Mikail e Lisbeth não se viam desde os eventos na Ilha de Hedeby. Ele acredita na inocência da mulher que outrora salvou sua vida e resolve realizar uma investigação paralela ao cerco que a polícia montou para prendê-la. Acontece que Salander não é uma mulher fácil de ser localizada e é muito mais inteligente do que seus perseguidores.

Entretanto, uma das melhores coisas do primeiro livro se perde na narrativa: o mistério em torno de Salander. Todo o passado da heroína é desvendado, pois mesmo que Mikail acredite na inocência dela, Lisbeth está envolvida com tudo o que aconteceu. Mesmo que eu já soubesse o desfecho da história quando li (afinal, eu já tinha visto o filme, que é fantástico, por sinal) eu não contarei se ela é inocente ou não.

Mesmo que a vida de Salander seja destrinchada com as pesquisas que Mikail, a polícia e ela mesma fazem para desvendar o mistério dos assassinatos, a personagem desaparece da narrativa por um bom trecho na metade do livro. Esse sumiço compromete um pouco a história, afinal ela é a minha personagem preferida e eu fiquei o tempo todo muito curiosa para saber o que Lisbeth andava aprontado no seu esconderijo.

A citação que eu destaco do livro é a seguinte:

 Lisbeth Salander era a mulher que odiava os homens que não gostavam de mulheres. (p.560)

Apesar desses dois problemas (a enrolação inicial e o sumiço da protagonista – acompanhada do fim do mistério que a cercava) o livro é muito bom, me cativou desde o princípio e a melhor definição para minha leitura é o verbo devorar. Eu devorei as 608 páginas em três dias e com muita excitação.

A menina que brincava com fogo
Trilogia Millennium Volume 2
Autor: Stieg Larsson
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 608
Compre: Submarino

Rating: ★★★★★ 

O sabor nas telas

Eu adoro tudo o que diz respeito a culinária. De comer a preparar receitas diferentes. E gosto muito de ler livros de receitas ou histórias relacionadas a comida. E esse gosto é válido também para o cinema. Fiz uma pequena lista de filmes que se passam na cozinha, e que dão vontade de sair cozinhando ou, melhor ainda, comendo.

Os que pretendo ver em breve:

A Festa de Babette (1987)
Babettes gæstebud; Dir: Gabriel Axel

Duas irmãs dinamarquesas dão abrigo a uma refugiada francesa que, depois de descobrir que ganhou na loteria, prepara um banquete com os pratos e as bebidas mais tradicionais da culinária francesa.

O Tempero da Vida (2003)
Politiki kouzina; Dir: Tassos Boulmetis

Um menino em uma família dividida entre a Turquia e a Grécia resolve virar cozinheiro para homenagear seu avô, um filósofo da culinária.

Os que já vi:

Chocolate (2000)
Chocolat; Dir: Lasse Hallström

Um mulher chega a uma pequena cidade francesa e abre uma loja de chocolates. As iguarias causam imenso impacto na conservadora comunidade.

Como Água Para Chocolate (1992)
Como agua para chocolate; Dir: Alfonso Arau

Baseado no livro homônimo da autora Laura Esquivel, narra a história de um camponês que, em plena Revolução Mexicana, se apaixona por Titi. Ele quer voltar para a guerra, mas ela o enfeitiça com seus dotes culinários e seu amor.

Os meus preferidos:

Ratatouille (2007)
Dir: Brad BirdJan Pinkava

Remy é um rato que sonha se tornar um grande chef. Só que sua família é contra a idéia, além do fato de sempre ser expulso das cozinhas que visita. Um dia, enquanto estava nos esgotos, ele fica bem embaixo do famoso restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau. Ele decide visitar a cozinha do lugar e lá conhece Linguini, um atrapalhado ajudante que não sabe cozinhar e precisa manter o emprego a qualquer custo. Remy e Linguini realizam uma parceria um tanto inesperada.

Ratatouille

Julie & Julia (2009)
Dir: Nora Ephron

Baseado nos livros de Julie Powell (homônimo ao filme, que por sua vez se originou do blog da autora) e Julia Child (My Life in France, autobiográfico). Julie resolve testar as 524 receitas de culinária francesa do livro Mastering the Art of French Cooking da famosa cozinheira Julia Child. O filme brinca com as histórias de vida dessas duas mulheres apaixonadas pela cozinha.

Julie & Julia

E então, gostou da lista? Tem mais alguma dica de filme que te ceixa com água na boca? Compartilhe através dos comentários. Eu vou ali preparar alguma coisa bem gostosa para comer…

Coraline, Neil Gaiman

Coraline, Neil Gaiman

Coraline é uma guria interessada em explorar. Curiosa por natureza, ela resolve conhecer a fundo o novo lugar onde foi morar com os pais. De repente ela descobre que sua casa abriga uma porta. Uma porta diferente de todas as outras que ela já viu. Através dela ela pode chegar a um outro mundo, onde existem outra mãe, outro pai, que são tão diferentes dos seus verdadeiros quanto ela possa imaginar. Não que seus verdadeiros pais não gostassem de Coraline, eles só não tinham muito tempo para demonstar isso. Sua outra mãe e seu outro pai, assim como os outros vizinhos, possuiam grandes e inexpressivos botões no lugar de seus olhos.

Coraline adorou a ideia de explorar um outro mundo, porém, aos pouco ela foi descobrindo que esse mundo era mais perigoso do que poderia imaginar. E ela descobre também que um gato preto podia ir e vir entre os dois mundos quando quisesse. E eesse gato resolveu ajudar Coraline nos perigos e provações pelas quais ela passaria. Ao enfrentar tais perigos a criativa e exploradora Coraline se mostra também astuciosa e corajosa. Nessa aventura, Gaiman explora elementos fantásticos com uma destreza ímpar e me conquistou com seus gatos, botões e universos paralelos.

Uma narrativa bem estruturada e uma linguagem fácil, a leitura foi divertida e bastante rápida. Em alguns momentos senti uma pontinha de medo e o suspense em relaçãoaos destino de Coraline me deixava angustiada. Sentimentos que só um bom livro pode despertar durante sua leitura e fazendo jus ao título de novela fantástica de terror para jovens. Em menos de duas horas já havia terminado de devorar as belíssimas páginas desse livro que se tornou um dos meus preferidos.

Uma curiosidade: eu vi o filme (de Henry Selick, visionário Diretor de The Nightmare Before Christmas) antes de ler o livro, e amo a animação. Acabei descobrindo que a história foi modificada em muitos aspectos na adaptação. O que eu não acho nenhum problema, afinal de contas não são apenas suportes diferentes para a mesma história, não é obrigação do Diretor e do Roteirista reproduzirem fielmente um livro. Isso é impossível. Cinema, assim como a Literatura, é arte, e arte é criação. Discussões artísiticas a parte, eu sou fã do filme e recomendo tanto quanto o livro. A estética escolhida para o filme é o meu número! Dá uma olhada no trailer:

Coraline
Autor: Neil Gaiman
Editora: Rocco
Páginas:  160
Compre: Submarino

Rating: ★★★★★ 

Desafio Literário 2011

Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Desafio Literário 2011, proposto pelo blog Romance Gracinha. A resenha corresponde ao mês de Janeiro, cujo objetivo é ler um livro de Literatura Infanto-Juvenil.

Confira no blog do desafio as resenhas dos outros participantes para este mês.

Participe, comente, leia.

Siga o @DL_2011 no twitter.

Aproveita e siga também a equipe do Desafio Literário 2011 no twitter também:

@vivi@danihaendchen@queromorarlivr e eu, @clandestini.

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (Stieg Larsson)

Os homens que não amavam as mulheres, Stieg Larsson

Os homens que não amavam mulheres é o primeiro volume da trilogia Millennium, do sueco Stieg Larsson. O autor foi um jornalista e ativista político muito respeitado. Nasceu em 1954, em Skelleftehamn, na Suécia, trabalhou na agência de notícias TT, e à frente da revista Expo, fundada por ele, denunciou organizações neofascistas e racistas. É co-autor de Extremhögern, livro sobre a extrema direita em seu país. Morreu de infarto aos cinqüenta anos, em 2004 pouco depois de entregar para a editora os três volumes de sua trilogia. Acabou não conhecendo seu póstumo e estrondoso sucesso: um best seller em mais de 10 países (Suécia, Itália, Dinamarca, Alemanha, Noruega, França, Espanha, Inglaterra, Estados Unidos).

No último dia de 2010 eu terminei de ler Os homens que não amavam mulheres, um romance policial e de mistério que lida com diversas facetas da sociedade contemporânea e explora o que de pior ela tenta esconder. Devorei as 522 páginas em pouco mais de três dias, e a gama de sentimentos que tive ao longo da leitura são indescritíveis. Protagonistas cativantes, dramas impensados, desfechos intrigantes e uma trama cheia de suspense e pistas que me deixaram ligada da primeira à última página. Há muito tempo que não lia um livro de mistério que me deixasse assim.

Millennium é o nome da revista que Mikael Blomkvist trabalha e está ameaçada depois que ele foi condenado por difamação ao escrever um artigo sobre um poderoso empresário. A complexa personalidade de escoteiro sexy inteligente do jornalista (uma espécie de alter ego do autor?) Mikael Blomkvist e a perturbada, rebelde e superdotada hacker Lisbeth Salander se cruzam na tentativa de resolver um desaparecimento ocorrido 40 anos antes em uma poderosa, porém decadente, famíla sueca. Mikael não imaginava o que esse trabalho lhe reservaria, Lisbeth tão pouco. Ambos tiveram sua integridade física comprometidas em algum momento do livro, mas não foi apenas as cenas fortes e violentas que uniram seres tão distintos entre si, algo mais fez com que se encontrassem, trabalhassem juntos e enfrentassem os perigos que remexer no passado pode representar.

O livro é fantástico, um dos melhores que já li em toda minha vida (e olha que não digo isso para qualquer livro), tem intrigas familiares, sexo, estupro, morte, perseguição, investigação, violação de privacidade, desaparecimento, assassinatos, violência, política e Lisbeth Salander.

Eu não posso dizer que não me identifiquei com Mikael (por sua integridade e posicionamento político), mas foi Lisbeth Salander quem me cativou. A personagem é um misto de fragilidade infantil coma força e a determinação de uma mulher que já sofreu muito (e continou sofrendo durante a narrativa). O que ela enfrentou não foi pouco, e é praticamente impossível não tomar partido a seu favor com tudo que Larsson lhe reservou em seu romance. Uma mulher para ser admirada. Corajosa, inteligente e independente. Longe de viver de acordo com os padrões impostos pela sociedade ela é contantemente julgada e vigiada, apemas três pessoas não o fazem: Holger Palgren, seu ex-tutor; Dragan Armanskij, seu patrão; e Mikael Blomkvist, seu amante e parceiro. Apesar de estimar cada um deles, não permitia que se aproximassem ou soubesse de seus sentimentos positivos em relação à elas, com excessão de Mikael Blomkvist.

A vivência política do autor certamente é um dos fatores para o realismo da obra ser tão vivo e intenso. Pode parecer ficção tudo o que ele narra, se eu apenas te contar aqui, mas lendo acreditamos vivamente em suas palavras. Ele escreve com autoridade de quem já estudou e escreveu sobre o assunto.

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