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fevereiro 2012

Posts em fevereiro 2012.

It’s Alive! Frankenstein, de Mary Shelley

Frankenstein, de Mary ShelleyFrankenstein é um clássico da literatura, não apenas por ter sido concebido por uma mulher de apenas 19 anos em pleno século XVII, mas por sua inovação. E para falar francamente, a leitura foi muito diferente do que eu esperava. Muito diferente inclusive do que eu imaginava da própria história. E é claro que a fala mais famosa do cinema quando o assunto é Frankenstein, “It’s Alive!”, não está presente no livro. Eu nunca vi um filme baseado na obra, apenas vi referências à películas antigas em produções mais recentes do cinema e da televisão. Talvez por isso a história da criatura criada por Frankenstein fosse uma grande nuvem de fumaça na minha cabeça, cheia de referências confusas sem ponto de apoio.

É bem verdade que eu não me entendi muito com o estilo do livro e o ritmo de leitura foi muito mais lento do que eu esperava. No entanto, o esqueleto da história é muito interessante. O Dr. Victor Frankenstein cria um monstro a partir de restos mortais que ele coleta por aí. Mas até chegar nesse ponto da história é um martírio. Primeiro tem um sujeito mandando cartas para a irmã contanto o quanto ele precisa viver uma aventura e como todas as outras pessoas são ignorantes, vulgares e sem um pingo de cultura, tornando impossível travar um diálogo no mínimo interessante com qualquer ser humano na face da Terra (eu conheço uma porção de gente assim!). Além do cara se achar a última bolachinha do pacote, ele está envolvido em uma viagem ao Pólo Norte, e conta como essa viagem de navio rumo ao desconhecido está correndo.


Não consegue ver? Acesse o vídeo diretamente no Youtube.

Até ele encontrar no meio do nada o Doutor Frankenstein demora uma era. E quando ele encontra o tal Doutor começa a contar sua vida desde a mais tenra infância. Entretanto, quando ela finalmente começa tudo fica muito melhor. Claro que a história continua prolixa e cheia de voltas que parecem inoportunas. Shelly não conta a história de uma maneira fluida, mas usa um mecanismo de enquadramento inteligente (história dentro da história, dentro da história) que faz o final muito mais pungente dando mais emoção para os momentos finais da obra, na reviravolta derradeira da narrativa. Nesse emaranhado de histórias tem um momento em que a palavra está com a criatura criada por Frankenstein, e mesmo sendo confuso (quem narra é o próprio Doutor como se fosse a criatura) é uma das mais belas passagens do livro.  Continue lendo →

Uma belíssima homenagem aos livros

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

Muita gente já postou em seus blogs, perfis em redes sociais, compartilhando com amigos e ilustres desconhecidos um pequeno vídeo que é um curta metragem de animação sobre livros criado por William Joyce e Brandon Oldenburg: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore. Eu acompanhei em algumas postagens de amigos os elogios sobre o tal filme, mas ainda não tinha assistido. Pura pregiça? Não. Internet lenta? Também não. Aparentemente não teve nenhum motivo para que eu parasse por algum minutos e clicasse no botãzinho em formato de flecha que desencadeia o início do filme no Youtube ou Vimeo. Ainda não sei porque não tinha assistido antes. Só sei que o tal filme foi indicado ao Oscar e nada de eu clicar naquele botão. E o Oscar passou, e o tal curta ganhou o tão famoso prêmio.

Buenas, depois de tanto ler sobre, notícias e elogios, hoje eu finalmente cliquei. Cliquei e durante 15 minutos eu fui transportada para um mundo diferente. Um curta mudo, com uma trilha sonora de encantar e imagens lindas, com uma história enternecedora. Um mundo de Oz dos livros, onde Mr. Morris Lessmore e eu fomos arrebatados por um furacão e depois disso seguimos, não por uma estrada de tijolos amarelos, mas por uma estrada de páginas de livros. Onde o mundo em cores fica preto e branco e só volta a ter cores por conta dos livros. Onde os livros voam e contam histórias e onde eles só sobrevivem se são lidos.

Uma história curtinha (como só poderia ser!, afinal é um curta-metragem) que, no entanto é tão comovente como são todas as grandes histórias. Fiquei muito emocionada com as descobertas desse mundo novo, que de fato é mágico e que existe dentro de cada amante de livros e de boas leituras, de bons textos e momentos inesquecíveis. Os livros proporcionam tanta magia para quem vive entre eles, que uma homenagem dessas é linda e merecida. E o Oscar então, nem se fala. Mais do que merecido. Então chega de falatório e vamos assistir na íntegra esse filme lindo ganhador do Oscar de Melhor Curta-metragem de Animação:

“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”


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O Continente vol. 2 (O Tempo e o Vento #1), de Erico Verissimo

O Continente, vol. 2No segundo volume de O Continente a saga das famílias Terra e Terra Cambará continua. Os capítulos abrangem os períodos de 1850 a 1895. Bem menos do que no primeiro tomo, que vai de 1750 a 1836 mais o ano de 1895 com O Sobrado. A estrutura do livro é a mesma do primeiro volume, trechos de O Sobrado intercalam os capítulos A Teinaguá, A Guerra e Ismália Caré. Três grandes capítulos que, ao contrário dos integrantes da primeira parte da obra, não são tão independentes e, portanto, não dariam muito certo como publicações avulsas (lembra que Ana Terra e Um Certo Capitão Rodrigo foram lançados como livros?). O tom épico ainda é marcante, porém diferente do primeiro tomo, em que a atmosfera da narrativa era mais vibrante e vigorosa, o segundo volume possui um ritmo mais vagaroso e marcado por perfis e guerras psicológicas. No entanto, mesmo com ritmos distintos, ambos são livros incríveis e completam um ao outro perfeitamente.

O Sobrado continua relatando os dias de junho de 1895, em pleno cerco ao sobrado de Licurgo Cambará, onde seus aliados e sua família passam a base de laranja e farinha, sua esposa agoniza depois de um parto complicado, seus dois filhos ainda crianças vivem como podem, ouvindo as histórias de Laurinda – empregada, escrava liberta – e Fandango, Maria Valéria tenta esconder seu amor pelo cunhado Licurgo e se divide entre cuidar dos sobrinhos e da irmã. A velha Bibiana fica no quarto, ouvindo o vento e esperando, como sempre fez em sua vida. Os outros, moradores e “hóspedes” do sobrado esperam que os federalistas se entreguem, pois a guerra está ganha em quase todo o Estado. Os conflitos da família, a personalidade de Licurgo e as relações entre eles são elevadas a um grau extremo, devido ao confinamento. A tensão domina toda a narrativa nesses trechos. E como leitora, também aguardava ansiosa pelo fim do cerco, queria respirar aliviada junto com aqueles personagens, e o último trecho é de arrepiar, muito comovente tanto pelos acontecimentos que ele narra como pela reação a eles por parte dos diferentes personagens e suas personalidades tão distintas.

No capítulo A Teinaguá, a narrativa conta a origem da misteriosa mulher que casou com Bolívar Cambará, filho de Bibiana e do Capitão Rodrigo. Luzia Cambará é uma figura atormentada, angustiada torturada pela vida que leva e ao mesmo tempo intimida seu marido, que muito pouco lembra o pai, pois Bolívar é um homem titubeante e fechado ao contrário da personalidade valente e espontânea de seu pai. E é aqui que se descobre como o Sobrado foi construído e por quem, e como ele foi parar nas mãos da família Terra Cambará. A narrativa é pontuada por um observador de fora, o médico Carl Winter, um alemão que chegou a Santa Fé de passagem e foi ficando, ficando, ficando, até não conseguir mais ir embora. Um sujeito bem diferente dos outros moradores de Santa Fé. É através dos olhos desse médico, intelectual e viajante que muitos dos acontecimentos são narrados. Inclusive algumas questões da História do Rio Grande do Sul e dos moradores do Sobrado são relatadas em cartas que ele envia para um amigo, também alemão, que se instalou na colônia alemã de São Leopoldo. Além disso, é o médico que faz a relação entre a mulher que gera discussões infindáveis em Santa Fé a respeito de seu caráter e personalidade e a figura lendária da Teinaguá. Através de seu olhar estrangeiro o médico traça um perfil dos personagens e das situações apresentadas por quase todo o livro.

No capítulo A Guerra o foco narrativo está no dia a dia de Bolívar, Luzia e Bibiana no Sobrado. Como pano de fundo a Guerra do Paraguai, apesar dessa não ser a única guerra narrada, pois existe uma disputa surda entre Luzia e Bibiana por Bolívar, pelo Sobrado e pelo neto, Licurgo Cambará – que representa para Bibiana a expressão máxima da continuação de sua família e, por conseguinte de seu amado e falecido Rodrigo Cambará. Nessa guerra íntima eu tomei o partido de Bibiana, pois Luzia não é uma pessoa fácil de conviver, além de ser racista e de possuir uma visão de mundo que não me agrada nem um pouco. Porém, tenho de admitir que em muitas de suas falas eu tive de concordar com ela. Luzia odiava a vida naquele lugar, pois ela era o contraste de tudo aquilo que Santa Fé representava, o que não é de todo ruim (ou de todo bom, depende do ponto de vista), mas uma das questões mais marcantes que ela levanta é o machismo e o papel da mulher naquela sociedade. E nisso eu tenho de dar o braço a torcer, já que o Rio Grande do Sul tem uma História de machismo e submissão da mulher que infelizmente perdura em alguns lares gaúchos. A figura de Luzia é contraditória e gera ódio dos moradores e dos leitores (pelo menos no meu caso), mas ainda assim tem um papel fundamental para a narrativa e também para lembrar que mesmo narrado sob uma perspectiva feminina O Continente retrata uma sociedade machista.

Em Ismália Caré o salto no tempo é um pouco maior. O filho de Bolívar e Luzia, Licurgo Cambará, já cresceu e vive com a mãe e a avó no Sobrado, no meio do fogo cruzado. A disputa segue e o adolescente Licurgo sente na pele as faíscas que elas soltam. Ele vive dividido entre a vida no Sobrado e a vida no Angico, as terras da família no interior da cidade. E dividido entre e avó e a mãe, Licurgo cresce e se envolve com uma moça de nome Ismália Caré, filha dos empregados do Angico. A relação entre eles é bastante complicada, Bibiana não aceita o envolvimento de seu neto com a menina, ele próprio sabe que precisa casar com uma “moça de família”, mas o romance proibido entre eles dura até mesmo depois do casamento com a prima Alice Terra.

Maria Valéria, irmã de Alice é apaixonada por Licurgo, mas reprime o sentimento por respeito à irmã e à tia Bibiana, a grande figura de todo o livro. Se no primeiro volume Bibiana é apresentada como mulher submissa ao marido, sofrida e apaixonada, nesse tomo ela está mais madura, endurecida pela vida, passando a demonstrar sua personalidade forte e dominante, onde se tornam claras sua semelhança e afinidade com a avó Ana Terra. E Bibiana também se mostrou misteriosa, mordaz, cáustica, ferina e manipuladora quando necessário, e fez de tudo para defender a continuidade dos Terra Cambará. Na difícil decisão entre ela e Ana Terra, elejo as duas como minhas personagens preferidas nessa primeira parte da saga familiar de Erico, duas das personagens mais fascinantes da Literatura Brasileira.

O Continente vol. 2 (O Tempo e o Vento #1)
Erico Verissimo
Companhia das Letras
440 páginas
Skoob | Goodreads | Submarino

Rating: ★★★★★ 

Não leu ainda O Continente volume 2? Que tal começar pela resenha do primeiro volume?

1. O Continente vol. 1 (O Tempo e o Vento #1), de Erico Verissimo

Construa sua própria TARDIS

Acho que vou embarcar em um projeto assim. Quem sabe. Um dia. Talvez. Depois de aprender os princípios básicos da carpintaria. Como serrar. Plainar (???). Ou colar madeira (na verdade essa é uma solução muito conveniente). Pregar eu já sei. Perfeccionismo eu tenho de sobra. Mau humor também. Mas quem se importa. Falta mesmo é o material adequado. Só isso. Hã hã. Sei. Acredito. Acho que falta também alguma habilidade. Qualquer uma. Ah, eu também sei lixar. Tá bom, só pregando e lixando eu não vou construir uma TARDIS. Mas eu posso aprender. Tem até página na internet com dicas, moldes e outras coisas necessárias para começar. Muitas. Eu sei, demora. Mas eu quero. Tudo bem. Sério? Sério. Eba!. Eu vou construir minha própria TARDIS. Um dia, Quem sabe. Talvez. Mas eu quero. E muito.


Assista o vídeo no Youtube

* Não sabe o que é TARDIS? Em que planeta tu vive? Em outa dimensão, só pode, porque o Doutor e conhecido em todo o Universo! Ok, eu te dou uma chance: leia e saiba o que é a TARDIS, ou Time and Relative Dimension(s) in Space.

Literatura nacional em destaque na editora Dracaena

Editora Dracaena

A Literatura Nacional vem ganhando espaço nas estantes dos novos leitores. Muitos estão olhando para autores consagrados, clássicos e contemporâneos, mas estão também de olho nos novos autores. E os novos autores parecem estar de olho nos novos leitores. É inegável o investimentos em escrever histórias voltadas para os gostos das gerações atuais. E dois autores da nova geração que publicaram pela editora Dracaena concederam entrevistas para dois blogs bacanas:

Danilo Barbosa do Blog Literatura de Cabeça entrevistou Roque Neto autor do livro Porque eu amei. Gostou da entrevista e quer comprar o livro Porque eu amei: Saraiva | Cultura | Dracaena.

Já a Márcia Rios do Blog Apaixonada por livros entrevistou Hermes M. Lourenço, autor do livro Faces de um anjo. Gostou da entrevista e quer comprar o livro Faces de um anjo: Saraiva | Cultura | Dracaena.

Autores da editora Dracaena

O Alma

O escritor José Oliveira lançará O Alma pela Editora Dracaena. Depois de publicar dois livros (O Réu dos Sonhos e Amargo Pecado), pela editora Novo Século, o escritor José Oliveira da cidade de Indaiatuba assina contrato com a editora Dracaena, que está promovendo autores nacionais no mercado editorial. O terceiro livro do autor: O Alma — A face de um outro mundo, e o primeiro de Literatura Fantástica, será publicado entre Abril/Maio de 2012. “Estou muito feliz em ter assinado com a editora Dracaena, tive todo suporte necessário para publicar meu novo livro, além de chegar a comum acordo rapidamente, sobretudo, a capa superou qualquer expectativa.” Afirma José Oliveira, que aguarda ansioso pelo lançamento. Confira a página do autor: www.autorjoseoliveira.com

E as novidades da editora não param por aí. Tem dois book trailers novinhos saindo do forno:

Book trailer do livro Terra sem lei do autor Luis Boto, próximo lançamento da Editora Dracaena.


Link direto para o vídeo no Youtube

Book trailer do livro Faces de um anjo do autor Hermes M. Lourenço.


Link direto para o vídeo no youtube