Arquivo

abril 2012

Posts em abril 2012.

Abril rojo, de Santiago Roncagliolo

O livro de Santiago Roncagliolo é sobre um serial killer, mas é um thriller político antes de tudo. O mistério que é relatado é assustador e ao mesmo tempo cativante, pois vai além dos crimes em série e retrata a vida política e cultural do Peru do início do século XXI. Esse foi o primeiro livro de autor peruano que eu li e também o primeiro ambientado no Peru que eu tive o prazer de ter em mãos. Foi muito interessante entrar em contato com uma realidade completamente diferente, na qual a cultura indígena ainda é bastante presente no dia a dia da população e rituais católicos convivem com rituais indígenas, embora não tão pacificamente, mas lado a lado e influenciando fortemente a vida de todos.

A narrativa toma lugar em uma pequena cidade peruana, Ayacucho, nos meses de Março e Abril de 2000 e centra-se na busca por um assassino em série. O investigador é um homem comum, Félix Chacaltana Saldívar, um promotor distrital adjunto que recentemente retornou à sua cidade natal depois de mais de vinte anos de trabalho em Lima (capital do Peru). Ao se deparar com um crime terrível, precisa escrever seu relatório e mandar para outro departamento que se nega a receber o documento ao mesmo tempo que o departamento responsável por fornecer as informações necessárias dificulta a vida do procurador que acaba se transformando portanto em investigador. Nesse processo Félix acaba descobrindo algumas verdades sobre a realidade política de seu país e sobre si. O promotor descobre, entre tantos outros segredos de Estado, que o grupo Sendero Luminoso (considerado terrorista pelas Forças Armadas de seu país) ainda está em atividade, contrariando todos os pronunciamentos oficiais.

Depois do primeiro assassinato demora um pouco para que outros crimes relacionados aconteçam, o que me deixou um tanto ansiosa. A espera pelos crimes não prejudicou em absoluto o andamento da narrativa, mas no meu caso quebrou um pouco o clima da leitura, pois minha expectativa era de que o livro tratasse de assassinatos em série. E foi apenas depois da metade do livro que a expectativa se concretizou e muito sangue e membros começaram a rolar. É claro que a maneira como os acontecimentos foram narrados foi muito sofisticada e com uma trama muito bem amarrada, nada de cenas escatológicas. A tensão que o autor me deixou a cada nova descoberta e a cada novo retrocesso na investigação foi incrível, deixando a leitura mais frenética a cada página, sem, é claro, descolar o ritmo enérgico da trama política muito bem amarrada que acompanhava a busca por novas pistas.

Com sua narrativa, Santiago Roncagliolo faz uma análise da violência em muitos aspectos: a violência com que os crimes eram cometidos, a violência dos grupos Senderistas, a violência do governo, a violência das desigualdades, a violência da dominação cultural e política… A investigação leva Félix a se embrenhar cada vez mais fundo nas contradições do governo e ele precisa a todo momento enfrentar a negação do governo da violência existente no país que ele próprio testemunha. Um dos pontos interessantes da narrativa é a intersecção feita entre os crimes e as datas cristãs que antecedem a Páscoa, um tempo de morte e ressurreição para a cultura católica. A violência cometida está o tempo todo ligada e contrastando com essas celebrações que são muito tradicionais e de presença forte no calendário peruano (coisa que eu nao fazia ideia), e há uma forte conexão entre a forma como os assassinatos são realizados e o simbolismo religioso.

O protagonista Félix Chacaltana não é menos interessante do que a história que vive. No início ele parece monótono e metódico, mas conforme os fatos se apresentam para ele, é preciso reagir e tomar atitudes que não combinam com sua personalidade. Com isso ele sofre uma transformação muito interessante e mesmo sendo o investigador, deixa dúvidas de sua honestidade a respeito de suas conclusões sobre os crimes. É difícil ignorar suas peculiaridades ao mesmo tempo em que é difícil acreditar nele. Ele começa sua investigação não porque quer fazer justiça, mas porque é empurrado por uma obrigação que beira um transtorno obsessivo-compulsivo. Além disso, ele tem um fascínio bizarro por sua falecida mãe (reconstruiu o quarto dela exatamente como era antes de mudar-se para Lima, fala com as fotos e se comporta como se ela ainda estivesse viva – perturbador, não?). É terrivelmente ingênuo quando se trata do funcionamento das autoridades locais e também faz o tipo obstinado, os obstáculos colocados pelo exército para barrarem sua investigação não o impedem de seguir adiante e ele

Além do protagonista, vários personagens são introduzidos ao longo do romance e figuram a lista prováveis assassinos, colaborando para aumentar a tensão. Embora alguns desses personagens possam parecer estereotipados num primeiro momento, as circunstâncias os tornam mais profundos à medida que o narrativa avança. Uma personagem importante é Edith, uma garçonete com a qual Félix acaba se envolvendo amorosamente. A relação entre eles não é simples e a tensão do romance entre eles acompanha a investigação do promotor e culmina com cenas bastante fortes. Só o qe posso dizer é que Chacaltana sucumbe à violência que o rodeia.

O final é bastante surpreendente, mas um tanto decepcionante. Não completamente, é claro, mas o suficiente para que eu não o avaliasse melhor nas redes sociais para leitores. O livro não é uma obra prima da ficção de mistério justamente pelo final, pois a narratia como um todo é bastante metódica e cheia de amarras que garantem o estado de tensão até o final. E o que o torna um romance acima da média são as questões que emergem da narrativa: a conexão da busca pela responsabilidade moral do governo, dos indivíduos, da sociedade, a escolha entre o menor dos males e os temas históricos, políticos e religiosos com o abuso de poder e a repercussão que isso tem na vida das pessoas.

Abril Rojo
Santiago Roncagliolo
328 páginas
Editora Alfaguara (Espanha)
Goodreads

Rating: ★★★½☆ 

Desafio Literário 2012

A resenha mais atrasada de todas, mas a leitura foi feita em dia. Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Desafio Literário 2012. A resenha corresponde ao mês de Março, cujo objetivo é ler um livro sobre um Serial Killer.

Confira no blog do desafio as resenhas dos outros participantes para este mês. Ou descubra quais foram as minhas escolhas.

Participe, comente, leia. Gostou da ideia? Siga o @DL_2012 no twitter. Aproveita e segue a equipe do Desafio Literário 2012 no twitter também: @vivi@danihaendchen@queromorarlivr e eu, @clandestini.

Confira as leituras feitas para o Desafio Literário 2012:

Janeiro – Literatura Gastronômica: Julie & Julia: 365 dias, 524 receitas e 1 cozinha apertada, de Julie Powell.

Fevereiro – Nome Próprio: Frankenstein, de Mary Shelley

Março – Serial Killer: Abril rojo, de Santiago Roncagliolo

Mr. Postman #29

Bem vind@ ao Mr. Postman!

Esse é um meme criado pela Kristi, do The Story Siren, no qual mostrarei tudo o que recebi, comprei ou ganhei durante a semana.

Parece tanto tempo desde o último vídeo. E realmente é. O último foi no início do ano e já estamos quase no final de Abril e só agora apareço com o segundo vídeo. Mil desculpas. Expliquei rapidinho no vídeo e em um post os motivos do sumiço e agora é continuar de onde parei e voltar a ativa com força máxima. Espero que goste do vídeo e do retorno. Assista, comente e faça essa blogueira muito feliz. 🙂

Não consegue visualizar o vídeo? Assista direto no Youtube!

Meet Gandalf

Gandalf, umExotic carente que ganhou um lar e pais com muito amor para dar.

Ontem (17/04/2012) um novo membro chegou na nossa família. A Starbuck ganhou um irmãozinho lindo. Adotamos um gato adulto que estava para doação em uma Agropecuária/Pet Shop no centro de Canoas. Um gato da raça Exotic que estava tão carente e abatido numa minúscula gaiola. Demos o nome Gandalf para ele.

Mas a história é bem triste. Primeiro que ele está muito doente e acredito que foi só por isso que a dona da loja resolveu doá-lo. Ela usava o bichano para reprodução e, segundo ela, ele já é pai de umas quatro ninhadas. Ela demonstrou um orgulho tão grande ao falar isso, entretanto a imagem do animal na minha frente desmentia a pose de dona orgulhosa que ela tentava passar. Ela falou que ele tinha pego pulga recentemente e tinha alergia e por isso se coçava demais criando algumas lesões. Claro que eu sei que nem todo local de reprodução de animais preza pelo bem estar dos bichinhos e os donos estão mais preocupado é com o lucro que terão. E por isso não caí na lábia da dona da pet.

Ontem ele chegou aqui em casa e testemunhamos ele “se coçando demais”, ele arranca pedaços de pele com a boca de tanta coceira e dor que sente, está tomado de pulgas e com três feridas enormes pelo corpo e uma no lábio esquerdo. O olho direito não abre e corre secreção o tempo todo. Hoje eu levei ele na veterinária que cuida da Starbuck para ver qual é a real situação do Gandalf e ela ficou horrorizada com o estado dele. A veterninária disse que fazia tempo que não via um animal tão maltratado e começamos um tratamento intesivo hoje mesmo para amenizar a dor do pobrezinho.

Passamos remédio contra pulgas nele e assim que cheguei em casa passei na Starbuck também. Ele está medicado e voltarei com o mais novo membro da família a semana inteira na clínica para continuar o tratamento e depois ele tomará remédios em casa, conforme orientações da própria veterinária. Depois do tratamento ele será castrado e faremos uma cirurgia plástica para corrigir a pálbrebra do olho direito que está enrolando para dentro e impedindo que ele abra o olhão azul lindo que ele tem.

Dormi tão mal essa noite preocupada com ele e depois da consulta fiquei um pouco mais aliviada sabendo que ele ficará melhor, mas minha indignação com a pessoa responsável pelos maltratos é muito grande e mesmo ele ficando 100% bom (o que não vai acontecer, pois o estado dele é muito crítico e algumas coisas – como uma úlcera indolente no lábio – não têm cura) eu não perdoarei o que fizeram com ele. Ele é tão carinhoso e carente, já está bem apegado a nós e dá tanta dor de ver ele assim.

Mas os problemas não param por aí. A Starbuck não gostou muito de ter um maninho. Ela vê o Gandalf mais como um invasor do que como irmão e a aproximação entre eles não será nada fácil. Ela emite ruídos estranhos quando o vê, mas não chegou a atacá-lo. Estamos com medo de deixá-los sozinhos e tentamos mantê-los em ambientes separados com alguns momentos de aproximação controlada. Mas ela ficou bem estressada com ele e não come, não faz suas necessidades e anda bem desconfiada. Pelo menos quando ela está sozinha ela ainda apresenta o mesmo comportamento dócil e carinhosa de sempre.

O final dessa história triste ainda será contado, mas temos esperança de que o Gandalf fiquei bom, que ele e a maninha se deem bem e que eles sejam muito felizes ao nosso lado.

estou de volta

Olá.

Devo tantas desculpas que nem sei por onde começar. Um mês. Isso mesmo, um mês sem postar nada, nadinha de nada, nesse blog tão humilde e abandonado. Na verdade um tantinho mais de um mês, mas quem se importa com coisas como tempo, não é mesmo? Ok, eu estive um tanto ocupada nesses meses de março e abril. Ocupada com uma crise existencial que me fez rever e reavaliar várias decisões que eu tomei nos últimos meses e também ocupadíssima com uma novidade tão grande e tão maravilhosa que facilitou minhas reavaliações de uma maneira inexplicável: eu e o Ju compramos um apartamento. Quem me acompanha pelo twitter deve ter visto um twitt tímido que soltei por  contando a novidade. Abril começou com uma correria, comprando metros de fios e canos, escolhendo padrões de cerâmicas, marcando milhões de orçamentos de mudança, eletricista e colcoador de piso laminado, móveis planejados. Estou tão ansiosa com a mudança e se tudo correr dentro do cronograma, no dia dois de maio embarcamos para uma vida mais espaçosa inaugurando o novo cep.

Então é isso, deixo essa pequena confissão para justificar meu desaparecimento e prometer que essa semana tem post quentinho saindo do forno e em breve muitas novidades na minha vida e no blog 🙂

Uma prévia de como começou a obra no apartamento:

reforma na cozinha

Obrigada a todos que mandaram mensagens de apoio nesses dias de silêncio.