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2013

Posts em 2013.

Livro velho ou livro antigo?

Old Books

Old Books Por Morten Jess Nielsen

No início desse ano eu fiz uma capa para o meu Kindle a partir da capa de um livro. E ainda não sei se digo que o livro que usei é antigo ou velho. Porque as duas palavras podem parecer a mesma coisa (uma até aparece como definição da outra no dicionário), mas no fundo existe uma grande diferença.

velho | adj. | s. m. | s. m. pl.
ve·lho |é|
adjetivo
1. Avançado em idade.
2. Obsoleto.
3. Antigo.
4. Muito usado; antiquado.
substantivo masculino
5. Homem velho.
6. [Informal] Pai (ex.: Que idade tem o teu velho?).
7. [Brasil] Nome de um peixe que parece gemer quando o apanham.
velhos
substantivo masculino plural
8. [Informal] O pai e a mãe (ex.: Os meus velhos viajam imenso).
9. Aquilo que é antigo, que não constitui novidade (ex.: a autora mistura velho e novo, criando um estilo muito próprio). ? NOVO
dançar de velho
• Brigar.
• Jogar capoeira.
de velho
• [Agricultura] Em descanso (ex.: o terreno ficou de velho).
velho de guerra
• Homem experimentado, valente, perito em algum mister.
velho e relho
• Muito antigo.
“velho”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/velho [consultado em 16-11-2013].

A diferença está no uso. Se eu digo que determinado carro é velho, eu estou afirmando que ele não tem mais (ou tem muito pouco) condições de uso. Se eu digo que ele é antigo, eu estou atribuindo um valor a ele, afirmando que ele é um objeto do passado que ainda possui utilidade, seja ela a mesma que originalmente foi pensada para ele (no caso do carro, a de se locomover) ou estética, ou quem sabe ainda atribuindo uma nova função (como, por exemplo, a de objeto de coleção).

Pensando dessa forma, um livro velho seria aquele que não tem mais condições de ser lido? Nesse caso, uma grande parte das coleções de arquivos e bibliotecas de raridades espalhadas pelo mundo seria apenas uma porção de entulho que não serve para mais nada. Porém, acontece exatamente o contrário: as coleções de raridades já não podem ser manuseadas com frequência, pois podem danificar o objeto livro, mas seu conteúdo – o texto que ele contém – possui um valor inestimável para a história.

Sendo assim, um livro velho não é aquele que não possui mais condições de ser utilizado, pois, como disse anteriormente, não é seu uso que determina seu valor, mas o que ele contém: o texto. Esse  seria, portanto, um livro antigo. Então, o que é um livro velho? Essa pergunta é bem espinhosa. Ao meu ver não tem uma única resposta correta. Entretanto, acredito que um livro velho é aquele que já foi publicado há muito tempo, que está desgastado pelo uso  e que, no entanto, possui uma quantidade razoável de novas edições que repõem seu conteúdo nas livrarias e bibliotecas (públicas ou particulares). E que, talvez o mais importante, não tenha valor sentimental: não tenha aquela dedicatória linda de alguém especial, ou não é presente de uma pessoa importante, não representa nenhum momento marcante de sua vida.

Nesse sentido, o que fazer com os livros velhos que invariavelmente aparecem na nossa vida? Primeiro,doá-lo para alguém que precise mais ou tentar recuperá-lo, afinal de contas a maioria das pessoas não tem dinheiro para repôr livros na prateleira. Mas e se eu não conseguir/puder/quiser? Pensando racionalmente (o que é bastante difícil para quem tem um apego aos livros como eu e muitos outros leitores espalhados por aí), o ideal seria reciclar. Afinal tudo que é velho ou vira lixo, ou ainda melhor, pode ser reaproveitado. Amantes de livros ficam com brotoejas quando um livro é utilizado para um fim que não seja a leitura, no entanto, voltando a pensar racionalmente, se o que interessa é o seu conteúdo, o texto, não é necessário se apegar tanto a um objeto que pode facilmente ser encontrado em qualquer livraria, biblioteca ou sebo em melhores condições e com o mesmíssimo conteúdo (às vezes atualizado, com uma nova revisão ou tradução, ou ambos).

Então, não é preciso entrar em pânico quando eu disser que fiz uma capa para meu Kindle a partir de um livro que pode ser chamado, agora sim, de velho. Nem quando aquela bolsa linda feita com uma capa de livro aparecer em algum blog ou rede social. No meu caso, foi bem difícil encontrar um livro com as dimensões necessárias para o meu propósito, e quando encontrei, fiquei com os dois pés atrás para utilizá-lo. Afinal, é uma edição dos anos 50 de uma compilação de contos de Machado de Assis, que faz parte de uma coleção estilo Biblioteca Folha de hoje em dia, bastante comum na época e que hoje não possui valor comercial para colecionadores, pois não é raridade, e nem teria porque ser guardada em um Museu ou Biblioteca de livros raros ou antigos. Mas mesmo assim, uma compilação de contos de Machado de Assis. Ponderei muito antes de colocar em prática o projeto “Proteja Seu Kindle Com Estilo” justamente por se tratar de uma obra do Machadão.

Depois de muito pensar, cheguei a conclusão de que antologias de contos de Machado saem pelo ladrão em bibliotecas e livrarias, e que, portanto, esse exemplar não faria falta. E finalmente coloquei em prática meus dotes crafters e fiz a tal capa. Mas o coração ainda ficou apertado, o que me fez guardar as páginas do livro. Agora ele está na estante, sem capa, mas guardado para a posteridade. Essa questão da conservação e preservação de livros (e documentos, objetos, obras de arte, etc., de qualquer tipo) é muito importante para qualquer historiador (categoria na qual me encaixo) e deveria ser para qualquer cidadão do mundo. Afinal de contas, são através dessas fontes históricas, da qual o livro faz parte (seja como objeto, seja como texto), que podemos construir nossa história e nossa memória.

E o post que era para ser um Do It Yourself de como fazer uma capa bacana reciclando um livro virou um texto sobre questões linguísticas e, de certa forma, relativas a história, conservação, preservação de patrimônio material e cultural. Gostei. Espero que seja útil, no sentido de suscitar reflexão e questionamento. Se eu ainda vou fazer o DIY com a capa do Kindle? Sim,claro, mas essas são cenas do próximo capítulo. 😉

O evangelho segundo a serpente, de Faíza Hayat

Faíza Hayat, O Evangelho Segundo a SerpenteA edição muito bem feita, com todo zelo e cuidado da Língua Geral encanta qualquer amante de livros: parece um moleskine, com direito a elástico para prender as páginas, corte roxo, páginas creme, fonte com o espaçamento ideal e páginas pretas para separar as partes do pequeno livro de 142 páginas da escritora de família portuguesa e católica pelo lado da mãe e indiana e muçulmana pelo lado do pai. Além disso, a orelha tem a indicação de Mia Couto. Quem não gostaria de levar um livro assim para casa.

No entanto, minha consciência sempre me diz: não leve um livro apenas pela capa. Ok, não foi isso que eu fiz. Fiquei curiosa pelas palavras de Faíza Hayat depois da indicação de Juliana Gervason, em um de seus Tudo Junto e Misturado (aqui e aqui) e saí procurando no Estante Virtual. O livro chegou aqui em casa e foi para a estante, e lá permanceu por quase um ano sem que eu sequer tocasse nele. Um sacrilégio, pois ele deveria ter sido devorado na mesma hora que adentrou minha porta. Infelizmente a vida adulta chegou e eu não estava (e continuo não estando) preparada para ela, e fui consumida pela minha desorganização monumental e a consequente falta de tempo para respirar.

Algumas, poucas, leituras depois, eu resgato da estante o livro de título curioso e aparência belíssima. Comecei a ler despretensiosamente. As primeiras páginas possuem uma beleza incomparável, aliás, o livro todo é assim. Cheio de possíveis citações em livros, blogs, facebook e até tatuagem.

O que me sustenta é a beleza. Rezo ao deserto para que continue a receber-me; rezo ao mar, e em especial ao grande e sereno Oceano Índico, para que não deixe nunca de me consolar com a sua voz de espuma; rezo às papaias pela sua carne e às goiabas pelo seu perfume. Rezo ao deus indiferente dos gatos porque os fez magníficos e ao das baleias e das vacas pela sua mansidão. Sou mulher: rezo a tudo o que floresce e frutifica – nada que cante ou que dance me é indiferente. Nada que fira ou destrua me é semelhante. (Faíza Hayat)

Mas mesmo com a beleza da narrativa de Faíza, o livro não me prendeu logo de início. Porém as coisas começaram a mudar e a narrativa – que de início era mais reflexiva – começou a ganhar mais ação e quando a leitura passou para a segunda das seis partes da história eu não consegui mais largar o livro.

É surpreendente o que a mistura de arqueologia, religião, amor, escrita em línguas antigas, mistério e poesia pode fazer. Um livro que mesmo ao acelerar o ritmo da narrativa não perde a beleza e a delicadeza. Fiquei realmente emocionada com a escrita de Faíza e certamente quero ler outras coisas da autora. Esse foi seu romance de estreia, mas os próximos que virão estão na minha lista de espera para futuras ótimas leituras.

O evangelho segundo a serpente
Faíza Hayat
Editora Língua Geral
Coleção Ponta de Lança
144 páginas

Rating: ★★★☆☆ 

Coisa de Louco, de John O’Farrell

Coisa de LoucoCoisa de Louco do escritor  britânico John O’Farrell tem uma premissa muito interessante: pais desesperados que fazem tudo por seus filhos. TU-DO. Escolhi ler esse livro para o Desafio Literário no tema comédia, porque as indicações da contracapa diziam que o livro é hilário. Infelizmente não foi bem essa a impressão que tive da obra.

Infelizmente a parte inicial da narrativa é bem monótona. Vale a leitura, é claro, principalmente por umas sacadas muito boas e em especial pelos três últimos capítulos que são realmente interessantes e fazem o livro todo valer a pena de ser lido – mesmo que a classificação de livro de humor não seja verdadeira, pelo menos no meu caso, que não achei o livro tão engraçado a ponto de dar gargalhadas, apenas alguns sorrisos em trechos esparsos. Eu gostei das personagens, achei a ideia maluca de assumir o lugar da filha para fazer uma prova sensacional, mas graça que é bom veio em doses homeopáticas.

O bacana do livro são as questões sociais que ele levanta: o comportamento de pais super protetores, a classe média se fechando cada vez mais em prisões particulares em casa, na escola, no carro blindado, a diferença gritante entre aqueles que podem pagar pelo seu bem estar e proteção e aqueles que vivem à margem desse mundo, sujeitos a violência, poucas chances de mudar de vida, etc. Mas uma das coisas mais interessantes e que me fez refletir foi a opção final dessa mãe surtada. Não vou contar para não dar spoilers, mas fiquei muito feliz com a imagem de escola pública que o autor descreve e principalmente com a reflexão sobre os motivos de se frequentar a escola, foram impecáveis.

Para ter uma ideia, demorei dois meses para terminá-lo, pois a cada capítulo lido eu ficava pelo menos uma semana sem tocar no livro simplesmente porque ele não me atraía. Já os três últimos capítulos me prenderam tanto que nem dei bola para o mundo acontecendo ao meu redor. E eu fiquei bem feliz com o final. Várias vezes durante a leitura fiquei me perguntando como poderia terminar um livro em que a mãe é capaz de se travestir de criança para fazer um exame de admissão no lugar da filha. Felizmente o final não decepciona, e apesar de não acontecer o mais esperado (o que seria também um desapontamento), o que acontece deixa uma sensação de acalento, um afago leve no leitor.

Coisa de Louco (May Contain Nuts)
John O’Farrell
Editora Record
382 páginas
Goodreads | Skoob

Rating: ★★★☆☆ 


trecos & trapos, o retorno

notebookJá perdi as contas de quantas vezes escrevi um texto (de tudo quanto é tamanho) para anunciar o retorno do blog. Esse é mais um deles. Tomara que seja o último, que nunca mais uma fase atribulada tome conta da minha vida e me deixe afastada do blog e de todas as outras atividades internéticas.

Desde o final do ano passado até junho deste ano eu estive envolvida em mais uma monografia. Estava encerrando essa etapa da vida e me acostumando com a vida adulta que tardou em chegar, mas quando veio apareceu com tudo o que tem direito: casa nova, emprego full time, pós graduação, enfrentando problemas de saúde, mudança de ares, de endereço, de tudo. Agora estou mais calma, enfrentando um leão por dia na escola, em casa e na cabeça.

Quem disse que seria fácil? Não está sendo, não mesmo. Estou completamente diferente, vivendo e sentindo coisas diferentes a cada dia. Acostumar com elas não é moleza, mas o desafio é instigante. A cada vitória uma alegria, a cada derrota litros de lágrimas e um empurrão nada sutil para vencer na próxima. Tem dias que bate aquela saudade da adolescência, principalmente porque vejo todos os dias os sabores e dissabores dessa etapa da vida. Tem dias que penso em largar tudo e voltar correndo para a barra da saia da mãe. Tem dias que quero ficar quietinha no meu canto e outros que quero gritar para o mundo o que estou sentindo. Tem ainda aqueles dias que sequer sei o que estou sentindo. Cheia de incertezas, cheia de dúvidas, cheia de contas para pagar. Ah esses vinte e poucos anos que estão indo embora.

E assim como tudo na minha vida, o blog também foi alvo de reflexão e reformulação. Pretendo mantê-lo atualizado, com tudo que vier na minha cabeça. Filmes, livros e série sempre terão seu lugar garantido nas postagens, mas eu também quero falar sobre outros assuntos, sobre aquilo que me faz feliz, que me faz refletir, que me faz mudar. enfim, meus temas de interesse sempre terão lugar garantido. Afinal, esse é e sempre foi um blog pessoal. Não tenho pretensões financeiras ou profissionais como ele. Quero apenas escrever o que penso sobre o que gosto (e o que não gosto também). Quero apenas compartilhar, incentivar o debate, refletir e me divertir.

Drawing: A drawing a day.

Eu sempre gostei de desenhar. Desde muito pequena rabiscava qualquer pedaço de papel que estivesse por perto (menos nos meus livros, porque desde cedo eu olhava para esses objetos como algo sagrado). Desenhava mais paisagens, porque eu achava mais fácil e um primo meu com pretensões de artista me ensinou alguns truques. Não que meus desenhos fossem bons. Pelo contrário. Eram desenhos bem feinhos. Cheguei a fazer um curso, na escola, de cartoon com o Jerry. Foi uma experiência maravilhosa, que me ensinou muito sobre traço, como usar o lápis e, claro, a desenhar os personagens que o professor ensinava.

Na adolescência eu desenhei bastante. Tinha agenda, como toda guria de 13/14 anos (e eu tive até os 17!), mas não deixava ninguém assinar (por favor, todos sabem o que isso significa, né?! ou então eu estou MUITO velha). O que eu fazia com minha agenda se eu nao anotava compromissos (agenda de adolescente não é para anotar compromissos) e ninguém deixava o seu recadinho especial para mim? Eu desenhava. Fazia colagens. Inventava moda com têmpera. Todos os dias eram preenchidos com isso.

Então eu dei um tempo no desenho. Não sei o motivo, simplesmente fui parando. Foi perdendo a graça. É que eu não sabia desenhar, e ficava só tentando. Então eu ganhei um Moleskine. Lindão. Enchi o caderninho mais devagar do que gostaria. Mas experimentei outras coisas, como o giz pastel. Eu nunca tinha usado giz pastel antes. Fiz até um vídeo mostrando minhas tentativas desenhísticas (muitas delas foram olhando desenhos de outras pessoas nos grupos do Flickr e tentando fazer parecido). E o Moleskine virou febre. Passava horas assistindo vídeos de artistas e centenas de pessoas comuns mostrando seus desenhos também. Aí terminou o caderninho de desenho mais estiloso do mundo. Parei de novo.

 Ganhei mais três Moleskines, não os bonitões com capa de couro. Uns mais simplesinhos, mas com a mesma qualidade de papel. E deles eu usei apenas a metade de um até hoje. Pois é. Não tenho desenhado muito. E o mais engraçado de tudo isso é que eu adoro desenhar. E gostaria de aprender, de verdade.

Nessa semana, revisitando algumas assinaturas antigas no Youtube, redescobri um canal muito bacana que ensina a desenhar! O Shoo Rayner Drawing School. Olhei uma porção de vídeos do Shoo Rayner e decidi que vou fazer um desenho por dia (começando com os primeiros vídeos postados / aulas mais antigas) e fazendo todas as aulas que couberem nesses 365 dias que tenho para desenhar um desenho por dia. Já fiz alguns desenhos e estou super empolgada com esse novo projeto.

A drawing a day é uma meta até o final do ano, um projeto que visa principalmente praticar. Porque desenho e isso, prática. E os vídeos são super bacanas e incentivam bastante, e um dos lemas do artista é: qualquer um pode desenhar. E se qualquer um pode, eu posso! Vamos ver como eu me saio. Assim que terminar esse Moleskine que estou usando agora (o segundo) eu faço outro vídeo, que vai mostrar os desenhos feitos antes e os feitos durante o projeto.

Empolgação é meu nome. Borá lá, fazer um desenho por dia?

Meet Willow and Salem – my cute kittens

Poucas coisas são mais fofas que um gatinho. Mas a fofura de um gato não pode ser o único motivo para adotar um gato. Adoção de animais é uma grande responsabilidade e deve ser levado a sério. Em 2011 eu adotei a Starbuck, uma tricolor linda que está cada dia mais linda e carinhosa. Em Abril de 2012 eu adotei o Gandalf, um Exotic Short Hair que foi vítima de maus tratos e estava em uma situação lamentável com sua antiga dona que usava o bichinho para reprodução e venda dos filhotes. Hoje ele está gordo, lindo e mesmo que ainda precise de alguns cuidados médicos (pois seu tratamento tem de ser feito por etapas) ele está feliz e saudável. Também em 2012 eu tentei adotar o Cenoura (que chamaria de Van Gogh), mas ele não se adaptou aos gatos que já vivam comigo e os meus gatos também não se adaptaram. Pelo bem estar a saúde dos três decidimos que o melhor a fazer era devolvê-lo para a madrinha dele, que se encarregou de encontrar outro lar para o ruivo lindo.

No entanto, meu espírito de cat lady é incontrolável e no dia 07 de outubro de 2012, enquanto prestava serviço como presidente de sessão nas eleições municipais, eu me deparei com uma bolinha de pelo minúscula entrando na sala de votação e se enroscando nos meus pés. Peguei no colo e fiquei fazendo carinho naquela fofura. Fui informada de o filhote estava na rua, abandonado e algumas crianças tentaram alimentá-lo com salgadinho. A intenção pode até ter sido boa em dar alimento para o gatinho, mas os resultados poderiam ter sido catastróficos. Resolvi ligar para o Juliano e pedir para que ele viesse buscar o bichano alegando que depois decidiríamos o que fazer. Ele veio.

Fato é que nem eu, nem ele, resistimos aos encantos da mocinha e ficamos três dias com ela até que finalmente decidimos: vamos ficar com ela definitivamente! E a partir desse momento ela ganhou um lar, pais que a amam e um nome lindo: Willow (em homenagem a personagem homônima no seriado Buffy – A caça vampiros de Joss Whedon). Ela está conosco até hoje e de acordo com as recomendações do veterinário, tomará vacina essa semana e daqui algumas semanas poderá ser castrada. Ela chegou aqui com a idade aproximada de um mês e hoje tem quatro meses e está enorme.

Se não conseguir visualizar, assista direto no youtube.

Não bastasse o amor incondicional que nutro por esses três, uma outra novidade pintou no ar. Por ocasião da virada do ano minha sogra foi viajar com a família e perguntou se eu e o Juliano poderíamos ficar com a Alice, uma pretinha que ela retirou da rua dias antes, logo após presenciar uma cena horrível (uma senhora jogando água no filhotinho assustado acoado em um canto, com seu cão de guarda latindo enfurecido para ela do lado de dentro do pátio). Nós concordamos em acolher a fofura e a trouxemos para casa. Acontece que, ao chegar aqui, constatei que não se tratava de uma fêmea, e sim de um machinho lindo.

Ele ficou sem nome até quarta-feira (08/01), quando minha sogra ligou, já de volta da praia, perguntando se por acaso nós não ficaríamos com o pretinho em definitivo, pois ela já tem dois cachorros – Pinscher – que brincavam muito com o gatinho, mas as brincadeiras machucavam a ambos. Eu não creio que as brincadeiras seriam um problema, afinal com o tempo eles aprendem a controlar a força das mordidas e a intensidade da brincadeira, mas entendo a preocupação dela. É claro que aceitei. E de pronto já rebatizei o pretinho, agora ele é Salem (homenagem ao gato preto da bruxinha Sabrina na série Sabrina – aprendiz de feiticeira, que eu adorava quando era pré-adolescente).

Sei que quatro gatos pode parecer demais para algumas pessoas e que só amar os bichanos não adianta, mas também acredito que quem ama de verdade é responsável. Starbuck e Gandalf já estão castrados e assim que os novos bebes da casa chegarem na idade também serão. Eu garanto, assumindo um compromisso público que os quatro sempre receberão vacina, ração, água, remédio quando for necessário, carinho, mimos, caixinha de areia sempre limpa, espaço para brincadeiras e muio amor.