and oscar goes to…

Eu sou uma apaixonada por cinema, mas estou longe de ser uma cinéfila profissional, uma crí­tica ou uma personagem d’Os Sonhadores com seus joguinhos sensuais que infelizmente não vem ao caso nesse momento.

Estou aqui para falar da grande premiação do cinema, a maior de todas, o Oscar. “And Oscar Goes To…”. Tudo pronto, a transmissão global dá o pontapé inicial. A 79ª edição do Oscar aconteceu com um recorde de indicações para as comunidades hispânica e negra, as duas principais minorias dentro dos Estados Unidos. Além de contar com uma apresentadora abertamente homossexual. Será uma Hollywood mais liberal?

Ellen DeGeneres foi a segunda mulher a apresentar o Oscar, e uma coisa é certa, sua apresentação foi fantástica. Um tempo super bom para todas as piadas e absolutamente preparada para a improvisação. Adorei quando ela entregou um roteiro para Martin Scorsese e Clint Eastwood com ciúmes cobrando um roteiro enquanto ela pedia para Steven Spielberg: “Steven, tira uma foto minha com Clint?”.

Outro ponto foram os clipes relembrando todos os filmes de lí­ngua não inglesa que já ganharam a cobiçada estatueta, o clipe das trilhas de Ennio Morricone e o jogo de sombras para representar alguns filmes indicados.

Mas como nem tudo são flores, a monotonia deu o ar de sua graça em muitos momentos, como as interpretações das indicadas como música original. Tenho que admitir que foi hilário ver as “mocinhas cantando” e os grandes seios de uma delas saltando para fora do vestido vermelho. Mas a monotonia voltava sempre a tona quando o assunto era os comentários totalmente dispensáveis do tambêm dispensável José Wilker!

E as premiações? Bom, as premiações foram interessantes, algumas um pouco óbvias e algumas injustiças figuraram na escolha da Academia. No entanto, eu não posso dar a minha modesta opinião, pois ainda não tive a oportunidade de assistir a todos. Alguns dos premiados certamente me deixaram feliz, Scorsese foi o melhor diretor e seu filme foi o melhor do ano, bem já estava na hora de um gênio como ele ganhar a estatueta dourada, e foi bem merecida.

No mais o glamour de Hollywood se deixou levar pela emoção do momento e não deixou de fazer uma propaganda eleitoral gratuita para o ex vice presidente e ativista ecológico Al Gore. Ele apresentou prêmio, ganhou prêmio e… era só deixar uma brechinha e alguém fazia questão de dizer o quanto ele o inspirou, o grande militante que era, o grande homem e blá-blá-blá. And Oscar goes to: lá vem Al Gore mais uma vez. A campanha foi descarada, ou pré campanha dele que fez questão de salientar não é candidato. Ainda. Entretanto, serviu pra dar um recado: Bush, nem a Academia te agüenta!

O glamour cinematográfico e a pompa da cerimônia entraram na onda política de alguns dos últimos filmes produzidos lá pelas bandas de Hollywood.

Janeiro é tempo de curtir o Sol?

O mês de Janeiro é: Porto Alegre, 40º, gente tostando no litoral, gente curtindo o mar, gente viajando, surfando, coçando. Mas e eu? Eu trabalhei o mês inteiro! Além disso, já li três livros, vi 26 filmes e fiz dreads nas madeixas.

Aqueles que se dão ao trabalho de ler o que escrevo perceberam que não nomeei filme algum este mês. Isso porque adotarei uma nova estratégia (quem lê pensa que estou em uma guerrilha): todo último dia do mês farei uma listagem de todos os filmes que vi naquele mês. Isso os poupará de ter de aturar meus comentários chatos cada nova sessão de cinema ou filmes vistos em DVD. O que não significa o fim das mau escritas e totalmente não profissionais crí­ticas que por vezes me aventuro a publicar. Se fosse o caso, teria de acabar com uma das minhas categorias por aqui, e não é minha vontade.

A lista prometida (pause o rato sobre os links e leia minha modesta opinião): V de Vingança, A queda – As últimas horas de Hitler, Espí­ritos – A morte está ao seu lado, Linha Mortal, Procura-se um amor que goste de cachorros, O Chamado 2, Amaldiçoados, Dia dos Mortos, American Pie – O Último Stifler Virgem, A casa dos mil corpos, Coisas Belas e Sujas, O Jardineiro Fiel, Os Sonhadores, O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, O Senhor dos Anéis – As Duas Torres, O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei, Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, Indiana Jones e o Templo da Perdição, Indiana Jones e a Última Cruzada, Nêmesis, A Vida e a Morte de Peter Sellers, Xeque Mate, Apocalypto, Amor aos Pedaços, Pela Vida de Um Amigo.

Em tempo, estou felizinha e ao mesmo tempo com uma “preguiça mor” porque esta semana terei de trampar dobrado para compensar horas negativas. Mas vai passar rápido.

Filmes da temporada internet out

Buenas, como estou sem a maldita da internet em casa, me sobrou tempo pra ver filmes, muitos filmes. E isso foi maravilhoso porque eu adoro cinema e pude colocar em dia algumas pendências… Então lá vai a lista:

A Era do Gelo 2, A Névoa, Damien – A Profecia II, A Profecia III, Alexandre, Alta Fidelidade, Basquiat – Traços de uma Vida, Camisa de Força, E La Nave Vá, Melhor é Impossível, Plano de Vôo, Pollock, Ray, Será que ele é?, Um Sonho de Liberdade, Venom.

Insulto hollywoodiano

Ontem à  noite, em um momento de ócio nada cirativo, ligo a televisão e me deparo com um filme nauseante: Bad Boys 2. Filme ruim, preconceituoso, xenófobo (os traficantes do filme são todos cubanos, haitianos ou russos). Em linhas gerais, o que Bad Boys 2 promove é um assalto à  sensibilidade do espectador. Para piorar, os roteiristas ainda tentam incluir uma mensagem polí­tica rasteira e fora de propósito ao citarem que o vilão da história, um cubano, apóia o regime de Fidel Castro. Um absurdo foi dizer que até o exército cubano protegia o traficante, foi um desrespeito total para com os cubanos e isso é inaceitável. Não que eu seja uma comunista defensora de Fidel, mas tenhamos um pouco de bom senso, um traficante fornecendo drogas e dinheiro lavado nos Estados Unidos para Fidel, parecia filme de 007 em época de guerra fria: fazer chacota para descarecterizar o governo de Cuba. Um total desfavor à  população.

Tudo isto por quê? Quando o filme chega no seu clímax, as coisas começam a ficar mais claras. É aí que a máscara de filme de guerra urbano que Bay, o péssimo diretor, havia imposto cai e percebemos que estamos mesmo num filme de guerra. A meia hora final explica todo o fascismo e xenofobia que acompanharam o bombardeio visual das duas horas anteriores. Estamos mesmo diante de uma grande peça de propaganda: uma apologia do direito americano de invadir quem quiser para eliminar o mal (com direito a cena que justifica a falta de utilidade das saí­das diplomáticas). O clí­max do filme é uma invasão de Cuba (onde os heróis enfrentam inclusive o exército daquele país, com o máximo de explosões e destrução possí­vel). O final inclui a cena mais impressionante do filme pela forma calhorda que ela se apresenta: os heróis Will Smith e Martin Lawrence destróem toda uma favela no meio de uma perseguição de carro. A imagem que vemos é a de um bando de barracos sendo prontamente destruídos. “Só isso”. Imaginamos que as pessoas levando suas vidas ali dentro estão sendo sumariamente destruí­das junto com os barracos. Sobre isso, o filme não se pronuncia. O pior é que a seqüência é construí­da entre a alternância de planos externos, do carro destruindo a favela, e internos, onde Smith e Lawrence parecem estar se divertindo muito com aquilo tudo. É tudo uma grande piada.

E sobre o tal vilão cubano, vale dizer que ele possui uma filha pequena, a quem ama loucamente. Porém, se você acha que a criança foi incluída na trama para conferir dimensão dramática ao bandido, esqueça: por incrível que pareça, ela só aparece para que o filme possa fazer piada com seu excesso de peso. Sem contar o atropelamento de corpos mortos e as piadas terrí­veis. Em suma, quase tive um infarto ontem à  noite… Preciso me livrar das cenas terrí­veis que vi e das coisas abomináveis que ouvi!