Sobre fazer 33 anos

Cheguei aos 33. Posso dizer que durante muito tempo nem imaginei como seria ter 30 anos. E não é que já estou nos 33. E estou muito feliz com isso. Não estou dizendo que foi ou está sendo fácil. Muito pelo contrário. Passei por momentos, presenciei acontecimentos e lidei com situações que nem sempre foram fáceis. Mas não poderia estar mais agradecida. A jornada foi tão desafiadora e tive tantos aprendizados com ela que hoje posso dizer que essa é a melhor idade. Estou feliz, mesmo com (ou apesar de) todos os percalços do passado e do presente. Acho que essa é minha melhor idade. Tudo o que eu sou hoje eu devo ao caminho que percorri e ele foi lindo.

A vida é como todas as outras, cheia de problemas. A diferença? Me sinto muito mais preparada para lidar com eles. Estou no caminho para me encontrar, em uma jornada de auto conhecimento. A quantidade de coisas que vivi – e as que deixei de viver também – me  fizeram ser quem eu sou hoje. E nesse caminho de descobrir uma força que nunca imaginei ter, ser capaz de coisas que sempre ficaram no campo das ideias, de realizar sonhos, valorizar a vida e me aceitar, me amar, sinto que vou chegar lá. Vou me descobrir, me aceitar, me amar por completo. Estou, de verdade, na minha melhor fase. E daqui 10 anos será ainda melhor, daqui 20, 30, 40. Essa jornada é sobre crescimento e autoaceitação. E a cada ano que passa me sinto melhor, mais feliz.

E eu ganhei festa surpresa dos alunos do 7A à tarde e da T2A, à noite 🙂 Tem como não ficar feliz?

dias de preguiça

Tem dias que a preguiça bate forte mesmo. E com ela vem a culpa. Uma voz interior dizendo que eu estou procrastinando, deixando de lado as coisas importantes, não realizando as tarefas que preciso, deixando de fazer o que é importante e etc. E hoje foi um desses dias. Cada segundo foi regado a pouca vontade de sair do lugar e muita culpa por não estar me dedicando tanto quanto devo ao BEDA e ao VEDA. E muito menos às atividades do dia a dia que exigem um mínimo de comprometimento.

Como lidar com isso? Como lidar com a preguiça? Com a falta de inspiração? Com a culpa? Eu não tenho respostas, e talvez eu demore muito para descobri-las. Tudo o que eu sei é que esses dias acontecem. E muitas vezes mais do que posso suportar. Então, hoje o post é um desabafo. Além da falta de tempo e de todas as coisas que eu já falei em outro momento, a preguiça também pode ser um “dificultador” (nem sei se essa palavra existe) para a realização do BEDA + VEDA. Mas eu não vou desistir! Ah, isso não.

Ansiedade

Fonte: gemmacorrell.com

Oi. Cheguei no blog Dona Vader por conta do BEDA e devorei os posts sobre ansiedade. Eu desconfio de ter ansiedade desde a infância já faz uns dois anos, principalmente porque dos sintomas citados, eu tenho vários desde criança. Eu fico adiando a ida ao médico por medo de isso ser verdade. Mas os posts da Line tem me ajudado a pensar no quanto isso é ainda mais prejudicial. O máximo que vou ter é uma confirmação do que já desconfio. Ou, na melhor das hipóteses, vou sair da consulta sem diagnóstico de ansiedade, o que seria ótimo.

Dos sintomas que ela menciona nos posts eu tenho:
– Dores de cabeça constante;
– Dificuldade para dormir (minhas insônias são terríveis);
– Diarréia;
– Taquicardia (tem vezes que eu tenho quase tudo junto, aí a taquicardia tbm aparece);
– Dores no estômago;
– Dores musculares;
– Excesso de choro;
– Apatia/ às vezes, e às vezes oscilo de humor muito rápido;
– Já passei por uma fase longa de falta de libído;
– Hiperatividade;
– Fadiga (tenho isso muito);
– Dificuldade de concentração;
– Irritabilidade (chega a ser dificil me relacionar com pessoas próximas por conta disso).

E além disso tenho manias estranhas de cutucar o rosto, arrancar pedacinhos de pele em volta das unhas, apertar meu nariz com muita frequência… Outro problema sério que tenho é a maneira como me relaciono com a comida. Tem dias que eu chego a comer uma barra inteira de chocolate simplesmente porque sim. Em algumas semanas eu faço isso todos os dias. E certamente essa não e uma maneira saudável, nem normal, de se relacionar com a comida.

Sofro muito com isso desde pequena e as manias foram os primeiros sintomas de que me lembro. Agora, escrevendo esse comentário me dei conta de como eu preciso procurar um médico e deixar de ficar postergando algo tão importante. Parece que só agora eu me dei conta de verdade de como isso afeta minha vida. Mas junto com a ansiedade eu tenho essa coisa de não sair do lugar, de saber que tenho de fazer uma coisa e ficar ali, parada, esperando e deixando pra depois.

Na verdade, apesar de conviver com isso desde a infância, eu sempre deixei pra lá porque não me incomodava tanto. Aliás, incomodar não é a palavra correta, está mais para atrapalhar. Porém, hoje tudo isso tem me atrapalhado muito (em especial a insônia e a dificuldade de concentração!) e eu preciso fazer algo para mudar. O problema é saber o que fazer, já que dinheiro para ir ao médico agora eu não tenho, vai ficar pro ano que vem mesmo.

O jeito é tentar métodos alternativos para combater o sintoma até eu conseguir chegar na causa. Se isso é o correto? Provavelmente não, mas por enquanto é o que eu posso tentar fazer. Então, preciso de ajuda para saber o que fazer para levar essa situação por mais uns dois ou três meses…

Novidades antigas

Chegando de mansinho para compartilhar algumas novidades que deixei passar em branco aqui pelo blog.

Para quem ainda não viu meus comentários nas redes sociais, eu não sou mais frequentadora do curso de Letras da UFRGS, o que me deixa muito triste, mas com mais tempo e disposição (afinal acordar 5 horas da madrugada todos os dias não é lá muito agradável).

No entanto, apesar de ter trancado um curso que eu sempre quis muito fazer, eu iniciei uma nova etapa na vida. Em março começaram as aulas da pós-graduação no curso “O Ensino da Geografia e da História: Saberes e Fazeres na Contemporaneidade” que já está na sua quarta edição e é oferecido pela Faculdade de Educação da UFRGS. Estou gostando bastante das aulas e com muitas expectativas. As aulas vão até dezembro e depois vem mais uma monografia.

EGH

Pois essas não foram as únicas notícias que “esqueci” de compartilhar por aqui. Finalmente estou de CEP novo, a reforma no apartamento que eu e o @cavalca compramos ficou pronta e desde o dia 03 de Maio nós somos os mais novos moradores de Canoas/RS.

Felicidade é pouco para descrever esse momento da minha vida. 🙂

Tragédia Particular

Luto

No dia 07 de Abril desse ano um acontecimento foi notícia em diversos programas de televisão. Um jovem homem entrou em uma escola do Rio de Janeiro e disparou contra os alunos e matou doze adolescentes e a si próprio. Tal notícia, uma tragédia, tocou diversos brasileiros e também a mim. Chorei com os depoimentos e me solidarizei com as vítimas e seus familiares.

Entretanto, não pude deixar de relacionar essa tragédia coletiva, compartilhada e chorada por muitos brasileiros, com nossas tragédias particulares. No mesmo dia das mortes lá no Rio de Janeiro completavam onze anos da morte de meu pai. Era um dia de luto, mesmo antes dessa triste notícia chegar a meus ouvidos.

Meu pai também morreu sob circunstâncias trágicas. Mas ao contrário das mortes das crianças cariocas, sua morte não virou notícia de jornal. Ninguém, além da família e amigos, choraram sobre seu corpo no velório. Ninguém deixou flores no local em que ele foi assassinado. A polícia não montou nenhuma força tarefa para encontrar o assassino, mesmo com provas bastante evidentes de quem poderia ter encomendado o crime. Ele estava envolvido em um complexo triângulo amoroso. Um dos integrantes estava envolvido em atividades ilícitas, e não era o meu pai.

Sua morte não virou comoção nacional. Não há romaria em direção ao seu túmulo todos os anos. A porta do hospital no qual ficou em coma por três dias não foi interditada pela multidão clamando por notícias do açougueiro que foi assassinado em sua própria cama.

Sua morte foi silenciosa, mas nem por isso menos sentida, menos chorada, menos trágica. Ele era um homem de 43 anos, jovem aos olhos de seus irmãos. Vivia com uma mulher que eu sempre vi como a verdadeira madrasta de contos de fadas. Minha mãe já não era mais a esposa e não gostava muito que eu fosse visitá-lo. Mas eu ia, e adorava passar uma ou duas horas com ele em alguns fins de semana.

Assim foi até meus 16 anos, ainda estava no colégio e foi lá, durante o recreio, que recebi a notícia de que meu pai estava internado em estado grave no Hospital de Pronto Socorro em Porto Alegre depois de receber um tiro na nuca e ser encontrado pela esposa horas depois. Foi isso, sem tirar nem pôr, que me falaram ao telefone. Não consigo lembrar como reagi. Foi um choque. Lembro apenas que essa foi a pior notícia que já recebi.

Aquela semana de incertezas, lágrimas e de um vazio que dificilmente será preenchido, ainda é um borrão de memória. Mas minha tragédia particular permanece, sofro com ela há onze anos e penso em todos os verbos no futuro do pretérito que sua ausência me obriga a conjugar.

Texto produzido para a disciplina de Leitura e Produção Textual do curso de Letras Bacharelado – UFRGS em 2011/1. Publicado hoje porque reflete meu sentimento sempre que o Dia dos Pais se aproxima desde 07/04/2000.