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Doctor Who em eBook!!! <3

No ano que marca os 50 anos da mais maravilhosa das séries, Doctor Who, nós fãs somos presenteados com mais uma novidade incrível do universo Who: a contratação de 11 autores britânicos para escrever 11 histórias de Doctor Who e serem publicadas em ebook. Não é o máximo?

Vai funcionar assim: cada autor escreverá uma história contemplando um dos doutores. As histórias serão liberadas aos poucos, uma por mês, sempre no dia 23 (pois o dia do aniversário de doctor Who é 23 de Novembro), sendo que a primeira será sobre o primeiro Doutor e sai em Janeiro, a segunda será sobre o segundo Doutor e sai em Fevereiro e assim sucessivamente até a 11ª história sobre o 11º Doutor em Novembro.. Os livros digitais serão publicações da editora britânica Puffin e o primeiro deles já está em pré-venda na Amazon para Kindle pela bagatela de US $ 2,68. Uma maravilha. Quem não tem Kindle também pode comprar e ler nos aplicativos disponibilizados gratuitamente na própria Amazon, ou converter para epub no Calibre, é claro.

E como se apenas essa novidade não gerasse expectativa o suficiente, a identidade dos autores será mantida em sigilo até a data de lançamento de cada livro. E sabemos também que os autores serão grandes nomes da literatura infanto-juvenil britânica. Quem chuta que um deles será nosso querido, amado, salve salve Neil Gaiman?

Como eu já citei anteriormente, o primeiro livro com a história sobre o primeiro Doutor já está em pré-venda, portanto já é de conhecimento público o nome do autor: Eoin Colfer, autor dos livros Artemis Fowl e o escolhido para dar continuidade aos livros de Douglas Adams, O Guia do Mochileiro da Galáxia. Não é incrível? Nunca li o autor, mas sempre ouço e leio muitos elogios sobre sua obra, então acredito que será um grande livro.

E para continuar com números cabalísticos e referenciais de Doctor Who, sempre no dia 11 (sacou? 11 doutores, dia 11…) o canal do Youtube  da BBC especial sobre Doctor Who publicará um vídeo promocional apresentando o autor da história seguinte. O vídeo sobre Eoin Colfer sairá nessa sexta (popularmente conhecido como amanhã) dia 11/01.

O título desse primeiro ebook é A Big Hand For The Doctor, e eu mal posso esperar para ler! Gente, US $ 2,68 é muita pechincha. Eu já baixei minha amostra grátis do livro e estou me coçando para comprar logo… Para falar a verdade eu não sei o que estou esperando! Felicidade define!

Olha a capa, que coisa mais linda:

Fonte: BBC América / Anglophenia

Desafio Literário 2013: participação não-oficial

Desafio Literário 2013

Minha lista foi feita hoje, 04 de Janeiro de 2012. Atrasada, eu sei, como sempre. Mas eu não vou fazer uma participação oficial, não quero me prender muito esse ano, pois falhei miseravelmente em 2012. Pelo menos a vida pessoal foi muito bem obrigada, com uma porção de novas atividades (emprego novo, pós, casa nova, gatos novos etc.etc.etc.). Mas de qualquer forma eu quis fazer leituras baseadas nos temas do Desafio Literário de 2013. Primeiro porque eu participo desde a primeira edição. Depois porque eu participei (escassamente, diga-se de passagem) da organização em duas edições anteriores. e ainda porque considero um desafio muito bacana e que merece ser prestigiado. Além disso, os temas esse ano estão muito bons.

Como eu organizei a lista de livros?

Eu olhei os temas e fui percorrendo minha estante e vendo o que eu tenho e ainda não li que se encaixa no tema X. Eu também priorizei livros que já tinham sido eleitos nas edições anteriores e que por um motivo ou outro eu não consegui ler (nem durante o desafio, nem depois). Eu escolhi apenas um título por tema, pois minha experiência de escolher mais de um livro por mês mostrou que eu não consegui vencer a empreitada. É claro que alguns dos temas eu não consegui encontrar na estante e eu tive de roubar um pouco na regra que eu mesma criei.

E então, vamos a lista per se?

Janeiro – Tema Livre

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós! O tema mais difícil? Quase. Acabei optando por um livro que está há muito tempo na lista de necessidades literárias e catei na estante do Ju (olha a Daniela roubando já no primeiro mês) A Invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares.

Fevereiro – Livros que nos façam rir

Optei por um livro que está na estante desde a Feira do Livro de Porto Alegre de 2010: Coisa de Louco, de John O’Farrel. Tiro no escuro, a compra e a escolha.

Março – Animais protagonistas

A escolha óbvia seria A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Mas eu já li duas vezes, então não vale. E não é que olhando mais atentamente para a estante eu vi A Vez do Bola de Neve, do John Reed, uma espécie de continuação de A Revolução dos Bichos, que uma amiga muito querida me presenteou. Escolha feita.

Abril – Uma ou mais das quatro estações no título

Eu – e muitas outras pessoas – escolhi O Rei do Inverno (As Crônicas de Artur #1). Ganhei de presente do Ju ano passado (2012) e já tem data marcada para leitura. E é o único da estante com estação do ano no título, eu acho.

Maio – Livros citados em filmes

Mais uma compra da Feira do Livro de Porto Alegre (dessa vez a de 2011). Única leitura em inglês do desafio, o que será um verdadeiro desafio: The Adventures of Tom Sawyer, de Mark Twain, citado em Dogville.

Junho – Romance Psicológico

Esse tema foi difícil. Todos os romances psicológicos que eu tenho eu já li. Acabei escolhendo um que não tenho e terei de comprar (o único!): Solar, de Ian McEwan.

Julho – Cor ou cores no título

Eu tinha dois vermelhos na estante. escolhi A Virgem Vermelha, do Fernando Arrabal. Arrabal faz parte da estática do absurdo, então tenho que me preparar para viajar com esse livro.

Agosto – Vingança

Olha o desfile de obviedades começando. O único com a temática que tem na minha estante (juro!!!) é V de Vingança, de Alan Moore e David Lloyd. E já passou da hora de ler.

Setembro – Autores Portugueses Contemporâneos

Ai ai ai. A dúvida mortal. De autores contemporâneos eu fico devendo leitura. Que vergonha. Não tenho nada na estante e vou apelar para os ebooks. O Problema é que não encontro nenhum arquivo de Livro, do José Luis Peixoto. Nem de Cemitério de Pianos (do mesmo autor) que são os livros que eu gostaria de ler para esse mês. Então, se alguém tiver ou souber de um arquivo .mobi dando sopa (ou um e-pub mesmo, porque o Calibre tem a força e eu posso converter) eu agradeço. 🙂

Outubro – Histórias de superação

Mais um probleminha. Estante não tem nada com o tema, Aliás, tenho Julie & Julia, mas eu já li. Então eu escolhi um que eu não tenho: Um Otimista Incorrigível, do Michael J. Fox. Um livro que eu fiquei bem a fim de ler na época que todos comentaram e que não deu por uma série de motivos. Então eu resolvi ler no Kindle. O problema: também não acho o ebook. Alguém tem ou sabe onde conseguir?

Novembro – Livros que foram banidos

Apesar de não achar que Ponte para Terabítia (Katherine Paterson) mereça realmente estar nessa categoria, foi minha escolha por ser o único não lido na minha estante que atendia aos requisitos mínimos.

Dezembro – Natal

A escolha óbvia: Um Conto de Natal, de Charles Dickens. Para ler no Kindle.

E então, animação total com as leituras em 2013 que, eu espero, sejam muito mais do que em 2012 (ano magro em leituras e gordo em tantas outras coisas). Alguém mais vai participar do DL 2013? Vale participação oficial e não oficial como a minha. Deixa nos comentários a opinião sobre o desafio, sobre a minha lista e sobre a vida, o universo e tudo mais que eu adoro ler.

Brinde de aniversário para nosso querido Tolkien

Nada melhor para começar o ano do que comemorar o aniversário de um dos mais importantes escritores do século XX (e da minha vida!). Hoje, 03/01/2013, Tolkien completaria 121 anos e como já é tradição na Tolkien Society é dia de brindar ao professor.

FÃS DE TODO MUNDO UNAM-SE PARA COMEMORAR O ANIVERSÁRIO DO ESCRITOR
Em 03 de janeiro, os fãs de Tolkien de todo o mundo vão unir-se para comemorar o Centésimo Vigésimo Primeiro aniversário de nascimento do professor JRR Tolkien CBE.
Os aficionados em Tolkien no Brasil, EUA, Canadá, Espanha, Austrália, Japão, Itália e Holanda estarão se unindo com eventos realizados de um pólo a outro no Reino Unido, para realizar festas em honra de JRR Tolkien. No Reino Unido ocorrerão eventos em diversas cidades, incluindo Brighton, London, Oxford, Bristol, Milton Keynes, e York. Este é o décimo segundo brinde anual em razão do aniversário do professor, e ocorrerá as 9 (nove) horas da noite (19:00 horas no Brasil com fuso horário) em 03 de Janeiro de 2013.
Este ano, para o aniversário de 121 anos do professor, a Tolkien Society está incentivando o público a ler o livro escrito em 1937 por JRR Tolkien “O Hobbit”, tendo em conta o sucesso monumental do filme “O Hobbit, uma jornada inesperada” dirigido por Sir Peter Jackson. O Brinde deste ano pretende unir o homem, os livros e os filmes – a Tolkien Society incentivará as pessoas a falarem sobre tudo isso no Facebook, Twitter e no site www.tolkiensociety.org.
A tradição da Tolkien Society de comemorar o aniversário de Tolkien decorre do épico best-seller O Senhor dos Anéis. No livro, depois que Bilbo desapareceu em seu onzentésimo primeiro aniversário , Frodo continuou a comemorar o aniversário de Bilbo a cada ano. The Tolkien Society foi fundada em 1969 dedicada a promover a vida e as obras de JRR Tolkien. O professor permanece Presidente Honorário da Sociedade in perpetuo, enquanto sua filha, Priscila, é a vice-presidente honorária da Sociedade.
J.R.R. Tolkien nasceu em Bloemfontein, África do Sul em 3 de janeiro de 1892 e morreu em Oxford em 02 de setembro de 1973. Ele foi o autor dos best-sellers O Hobbit e O Senhor dos Anéis.
—THE TOLKIEN SOCIETY (retirado de Tolkien Brasil)

E para comemorar basta reunir os amigos, fazer um brinde com qualquer bebida (não precisa ser alcoólica) erguendo seus copos e dizendo The Professor e beba. Borá lá? E quem quiser, pode ler os livros dele nesse mês, nada melhor para homenagear um escritor do que lendo seus livros.

Tradicionalmente, e como está no site da Tolkien Society, o brinde é “Ao professor!” ou “O professor!” (em inglês, “The Professor!”) porque além de um grande escritor, poeta, artista plástico e filólogo, Tolkien foi professor na universidade de Oxford. Ele colaborou em uma série de publicações acadêmicas, inclusive o Dicionário Oxford. Tolkien é mestre porque escreve maravilhosamente bem e é mestre porque foi um grande professor também!

Então, hoje às nove da noite brindarei ao mestre. Quem quiser, pode me acompanhar.

Casa Glass (The Morganville Vampires #1), de Rachel Caine

Depois de finalmente conseguir terminar Casa Glass, só posso dizer que achei o livro muito mais do mesmo, isto é, uma história lugar comum, sem nenhuma novidade. Muitos clichês românticos e personagens sem nenhuma profundidade. O velho drama adolescente que além de ser chato, é irreal (me recuso a acreditar que todas as adolescentes passam o tempo todo pensando em meninos, pois eu não fui esse tipo de adolescente).

A livro fala sobre uma adolescente precoce na universidade em Morganville: a protagonista Claire Danvers. A guria de 16 anos é um pequeno gênio e vai parar em uma universidade localizada numa cidade infestada de vampiros, apesar de obrigada pelos pais ela não gostou muito da ideia. Ok, ela tem pais preocupadíssimos que não a deixam viajar quilômetros de distância para estudar em um lugar decente, mas bem capaz que um gênio estudaria em uma universidade qualquer no fim do mundo. Não bastasse a protagonista ser inteligentíssima (o que ao longo do livro se mostra uma inverdade, pois ela é muito estúpida nas decisões que toma), ela é também uma excluída, ninguém gosta dela no lugar de onde ela veio e também no dormitório onde vive. Já não passou o tempo de excluir os CDFs? Algumas meninas no dormitório a querem morta, pelo motivo mais imbecil que eu já vi em toda a minha vida!

Na tentativa de fugir das doidas do dormitório, Claire acaba conhecendo o trio de moradores da Casa Glass, uma casa super antiga na cidade e para enganar suas perseguidoras, acaba indo morar com eles. Os amigos que ela faz não são menos caricatos: uma gótica, um garoto perfeitinho/lindo e outro lindo/com problemas para se abrir. E cada vez que Claire soltava um pensamento do tipo: “minha nossa como ele é lindo” eu quase vomitava em cima do livro. Ela descobre que a cidade não é apenas infestada, mas administrada por vampiros e apenas os que possuem proteção estão a salvo. Os outros (principalmente os alunos da universidade) podem servir de lanche aos caminhantes noturnos a qualquer momento. Claire e seus amigos, é claro, não possuem proteção. A história gira em torno da tentativa dos amigos de Claire tentando salvá-la dos vampiros e das meninas más do dormitório e para isso resolvem confeccionar ou encontrar um livro que é muito precioso para os vampiros para barganhar por suas vidas.

Nas últimas 50 páginas o livro começa a ficar interessante (não muito), pois são narradas mais cenas de ação e o ápice da história, mas não chega a ser grande coisa em nenhum momento. O final foi uma surpresa, um alívio até, depois de tantas páginas cheias de clichês, personagens mal estruturados e uma narrativa ruim. Simples assim. Além disso, a tradução tem muitos erros. Não sei se faltou revisão ou se foi mal feita mesmo, fato é que tem erros de digitação, pontuação, ortografia, concordância verbal e nominal. Mais uma vez a editora Underworld se esforça demais na apresentação (capa e projeto gráfico) e de menos na tradução/revisão.

Casa Glass (The Morganville Vampires #1)
Rachel Caine
Editora Underworld
288 páginas
Goodreads | Shelfari | Skoob | Submarino

Rating: ★☆☆☆☆ 

Recebi e resenhei esse livro para o Book Tour da Editora Underworld, do qual participo.

Book Tour da Editora Underworld

Teatro dos Lírios, de Lulu Wang

Teatro dos Lírios é o livro de estreia da escritora chinesa radicada na Holanda Lili Wang. Não conheço a fundo a biografia da autora para afirmar (como alguns fizeram em suas resenhas) que ela conta sua história através do olhar Lian Shui, a menina de 12 anos que protagoniza o livro. Fato é que a história narrada por Wang é rica em detalhes e ganha muita força pelo seu plano de fundo histórico. Lian Shui é filha de uma professora de História e de um médico e ambos sofrem com as arbitrariedades da Revolução Cultural Chinesa. O pai é banido para uma província distante e a mãe vai para um campo de reeducação para burgueses (um campo de trabalhos forçados). Lian descobre que tem vitiligo e sua mãe a leva para o campo para que a menina não ficasse sozinha e sofrendo preconceito por sua doença no internato para o qual foi mandada depois da punição de seus pais ser executada.

O livro é dividido em quatro partes nas quais as duas primeiras narram a vida de Lian no campo ao lado de sua mãe e de outras centenas de professores, médicos, psicólogos e outros diversos profissionais considerados intelectuais e, portanto, perigosos para o regime de Mao Tsé-Tung e o momento imediatamente anterior a esse, quando ela conhece e tenta desesperadamente ajudar e ser amiga de uma menina da última casta (a mais baixa de todas). A narrativa é um pouco diferente, eu nunca tinha lido nada de um autor oriental antes e fiquei bastante surpresa com a delicadeza e todas as sutilezas que uma autora chinesa pode trazer para o texto. No entanto, a leitura acabou sendo diferente, mais lenta para ser sincera. Falta de costume, talvez, mas tenho que admitir que a leitura não fluiu tanto quanto eu gostaria e demorei muito mais do que o normal para ler o livro. Esse estranhamento inicial não se dissipou conforme a leitura transcorria apesar da quantidade de páginas e do tempo que fiquei com o livro nas mãos, infelizmente.

As duas primeiras partes narram uma história contínua e que faz o leitor refletir junto com Lian sobre as transformações pelas quais ela está passando, sobre tabus da sociedade chinesa e sobre a política, a corrupção, a dominação e o sentido do contexto histórico que vivia. As aulas de história que Lian teve no campo com um dos professores que lá trabalhavam foi uma das coisas que mais gostei do livro, pois essas aulas não repetiam os ensinamentos que ela teve desde que nasceu e olhava para a história da China de maneira crítica, sem idealizar um país e um partido que suprisse todas as necessidades físicas e espirituais da população como era ensinado para todos na escola durante o regime de Mao. Puxando brasa para o meu assado, as aulas de história são realmente um dos pontos altos do livro, principalmente porque elas falavam muito de teoria da história e do raciocínio histórico e não de um empilhado de fatos de milênios de história chinesa.

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Feliz Dia da Toalha

Hoje é dia de comemorar o item mais essencial de todo bom mochileiro das galáxias, e de todo nerd também. O Dia da Toalha, é celebrado como uma homenagem dos fãs ao autor da série O Guia do Mochileiro das Galáxias, o genial Douglas Adams. E eu como boa fã da saga e do autor estou aqui para prestar minha homenagem!

E para completar a celebração, uma lista com a resenha de todos os livros que eu li da série (só não tem o último, que foi lançado recentemente e é de outro autor!) e dos episódios da série de TV lançada nos anos oitenta na televisão britânica (IM-PER-DÍ-VEL!):

Os livros

A série de TV

Então Feliz Dia da Toalha pra você e aproveite para ler os livros, ver a série, o filme e até mesmo as resenhas aqui do blog.

Abril rojo, de Santiago Roncagliolo

O livro de Santiago Roncagliolo é sobre um serial killer, mas é um thriller político antes de tudo. O mistério que é relatado é assustador e ao mesmo tempo cativante, pois vai além dos crimes em série e retrata a vida política e cultural do Peru do início do século XXI. Esse foi o primeiro livro de autor peruano que eu li e também o primeiro ambientado no Peru que eu tive o prazer de ter em mãos. Foi muito interessante entrar em contato com uma realidade completamente diferente, na qual a cultura indígena ainda é bastante presente no dia a dia da população e rituais católicos convivem com rituais indígenas, embora não tão pacificamente, mas lado a lado e influenciando fortemente a vida de todos.

A narrativa toma lugar em uma pequena cidade peruana, Ayacucho, nos meses de Março e Abril de 2000 e centra-se na busca por um assassino em série. O investigador é um homem comum, Félix Chacaltana Saldívar, um promotor distrital adjunto que recentemente retornou à sua cidade natal depois de mais de vinte anos de trabalho em Lima (capital do Peru). Ao se deparar com um crime terrível, precisa escrever seu relatório e mandar para outro departamento que se nega a receber o documento ao mesmo tempo que o departamento responsável por fornecer as informações necessárias dificulta a vida do procurador que acaba se transformando portanto em investigador. Nesse processo Félix acaba descobrindo algumas verdades sobre a realidade política de seu país e sobre si. O promotor descobre, entre tantos outros segredos de Estado, que o grupo Sendero Luminoso (considerado terrorista pelas Forças Armadas de seu país) ainda está em atividade, contrariando todos os pronunciamentos oficiais.

Depois do primeiro assassinato demora um pouco para que outros crimes relacionados aconteçam, o que me deixou um tanto ansiosa. A espera pelos crimes não prejudicou em absoluto o andamento da narrativa, mas no meu caso quebrou um pouco o clima da leitura, pois minha expectativa era de que o livro tratasse de assassinatos em série. E foi apenas depois da metade do livro que a expectativa se concretizou e muito sangue e membros começaram a rolar. É claro que a maneira como os acontecimentos foram narrados foi muito sofisticada e com uma trama muito bem amarrada, nada de cenas escatológicas. A tensão que o autor me deixou a cada nova descoberta e a cada novo retrocesso na investigação foi incrível, deixando a leitura mais frenética a cada página, sem, é claro, descolar o ritmo enérgico da trama política muito bem amarrada que acompanhava a busca por novas pistas.

Com sua narrativa, Santiago Roncagliolo faz uma análise da violência em muitos aspectos: a violência com que os crimes eram cometidos, a violência dos grupos Senderistas, a violência do governo, a violência das desigualdades, a violência da dominação cultural e política… A investigação leva Félix a se embrenhar cada vez mais fundo nas contradições do governo e ele precisa a todo momento enfrentar a negação do governo da violência existente no país que ele próprio testemunha. Um dos pontos interessantes da narrativa é a intersecção feita entre os crimes e as datas cristãs que antecedem a Páscoa, um tempo de morte e ressurreição para a cultura católica. A violência cometida está o tempo todo ligada e contrastando com essas celebrações que são muito tradicionais e de presença forte no calendário peruano (coisa que eu nao fazia ideia), e há uma forte conexão entre a forma como os assassinatos são realizados e o simbolismo religioso.

O protagonista Félix Chacaltana não é menos interessante do que a história que vive. No início ele parece monótono e metódico, mas conforme os fatos se apresentam para ele, é preciso reagir e tomar atitudes que não combinam com sua personalidade. Com isso ele sofre uma transformação muito interessante e mesmo sendo o investigador, deixa dúvidas de sua honestidade a respeito de suas conclusões sobre os crimes. É difícil ignorar suas peculiaridades ao mesmo tempo em que é difícil acreditar nele. Ele começa sua investigação não porque quer fazer justiça, mas porque é empurrado por uma obrigação que beira um transtorno obsessivo-compulsivo. Além disso, ele tem um fascínio bizarro por sua falecida mãe (reconstruiu o quarto dela exatamente como era antes de mudar-se para Lima, fala com as fotos e se comporta como se ela ainda estivesse viva – perturbador, não?). É terrivelmente ingênuo quando se trata do funcionamento das autoridades locais e também faz o tipo obstinado, os obstáculos colocados pelo exército para barrarem sua investigação não o impedem de seguir adiante e ele

Além do protagonista, vários personagens são introduzidos ao longo do romance e figuram a lista prováveis assassinos, colaborando para aumentar a tensão. Embora alguns desses personagens possam parecer estereotipados num primeiro momento, as circunstâncias os tornam mais profundos à medida que o narrativa avança. Uma personagem importante é Edith, uma garçonete com a qual Félix acaba se envolvendo amorosamente. A relação entre eles não é simples e a tensão do romance entre eles acompanha a investigação do promotor e culmina com cenas bastante fortes. Só o qe posso dizer é que Chacaltana sucumbe à violência que o rodeia.

O final é bastante surpreendente, mas um tanto decepcionante. Não completamente, é claro, mas o suficiente para que eu não o avaliasse melhor nas redes sociais para leitores. O livro não é uma obra prima da ficção de mistério justamente pelo final, pois a narratia como um todo é bastante metódica e cheia de amarras que garantem o estado de tensão até o final. E o que o torna um romance acima da média são as questões que emergem da narrativa: a conexão da busca pela responsabilidade moral do governo, dos indivíduos, da sociedade, a escolha entre o menor dos males e os temas históricos, políticos e religiosos com o abuso de poder e a repercussão que isso tem na vida das pessoas.

Abril Rojo
Santiago Roncagliolo
328 páginas
Editora Alfaguara (Espanha)
Goodreads

Rating: ★★★½☆ 

Desafio Literário 2012

A resenha mais atrasada de todas, mas a leitura foi feita em dia. Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Desafio Literário 2012. A resenha corresponde ao mês de Março, cujo objetivo é ler um livro sobre um Serial Killer.

Confira no blog do desafio as resenhas dos outros participantes para este mês. Ou descubra quais foram as minhas escolhas.

Participe, comente, leia. Gostou da ideia? Siga o @DL_2012 no twitter. Aproveita e segue a equipe do Desafio Literário 2012 no twitter também: @vivi@danihaendchen@queromorarlivr e eu, @clandestini.

Confira as leituras feitas para o Desafio Literário 2012:

Janeiro – Literatura Gastronômica: Julie & Julia: 365 dias, 524 receitas e 1 cozinha apertada, de Julie Powell.

Fevereiro – Nome Próprio: Frankenstein, de Mary Shelley

Março – Serial Killer: Abril rojo, de Santiago Roncagliolo