Help Me!

O medo tem seus encantos e suas formas de enfeitiçar quem o procura e quem não quer nem saber dele também, e ele é importante para podermos estabelecer limites próprios dentro da sociedade. Medo de altura faz com que não nos arricamos pular de um prédio de 10 andares sem equipamentos próprios para isso.

Os filmes de horror são considerados, por muitos, coisas terrí­veis que propagam um medo desnecessário e uma violência absurda, mas acredito serem eles uma espécie de válvula de escape. Com eles podemos transpor para uma tela desejos escondidos ao invés de materializarmos. Será que se o Sr. Presidente dos Estados Unidos não precisa de uma sessão bem reforçada de filmes de terror?

Indignada

“Vamos celebrar a estupidez humana.
Celebrar a juventude sem escolas, as crianças mortas.
Vamos comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado, todos os mortos nas estradas.
Vamos celebrar epidemias, é a festa da torcida campeã.
Vamos celebrar a fome.
Vamos celebrar nossa bandeira.
Vamos cantar juntos o hino nacional (a lágrima é verdadeira).
Vamos festejar a violência.
Vamos celebrar o horror de tudo isso com festa, velório e caixão.”
(Legião Urbana – Perfeição)

Estou cansada dessa onda de hipocrisia, de pessoas que batem no peito e gritam “viva o Brasil” vestindo o verde e o amarelo, gastando horrores, pixando ruas e calçadas, enquanto falta um prato de comida às muitas crianças esquecidas pelas ruas do paí­s…

“Ser brasileiro está na moda?”

Vamos expressar nossa indignação e nosso repúdio a essa modinha babaca de verde e amarelo, pois ser patriota nãoo é pintar a cara e pendurar bandeirinhas nas janelas.

Enquanto isso os marajás do futebol continuam enchendo os bolsos e o povo largado ao léu. Os empresários não estão nem aí­, e os jogadores ganham dinheiro pra usar os pés. E a cabeça fica atrofiada!

100% CRIME!

Na noite de ontem, no programa “Fantástico” da TV Globo, uma matéria chamou muito a minha atenção, a disputa entre os criminosos do latifúndio, os ambientalistas do Greenpeace e os moradores do Pará.

Me intrigou muito o espaço destinado a esse tipo de matéria. As imagens são chocantes. A disputa vem de tempos, e apesar de a ONG Greenpeace, ter deixado o lado ONG pra trás e ter se transformado em empresa, eu admiro o trabalho dos seus militantes e em especial o trabalho que fazem no Pará em prol da Floresta Amazônica. Eu fico indignada com esses latifundiários com seus argumentos estúpidos para justificar o desmatamento da floresta. Um deles inclusive chegou a afirmar que desmatar não é crime. O argumento principal desses criminosos diz respeito à produção do soja. Eles afirmama que desmatam para alimentar o paí­s e diminuir a fome. Ora, se a produção fosse feita realmente para o país, mas é produto para exportação, e como bem disse uma das moradoras, o dinheiro não fica para a comunidade, fica tudo no bolso dos fazendeiros ricos. O pior é que esses latifunndiários são dos Sul e Sudeste do país, na sua maioria, e vão pra lá justamnete para ganhar mais dinheiro, pois são terras federais, irregulares.

Os criminosos do latifúndio querem que o governo regularize suas terras, o IBAMA fica quase sem ação, pois de um lado há a pressão dos fazendeiros, que matam pra conseguir o que querem (lembre-se da irmã americana assassinada ano passado), de outro os ambientalistas que exigem a expulsão desses que matam e desmatam, e os moradores que cada vez mais são excluí­dos e obrigados a migrarem de seus locais de origem. Ao manifestarem-se, os militantes ecológicos são ameaçados e presos, como foi o caso do porto de 20 milhões de dólares construí­do para facilitar a exportação desses produtos plantados ilegalmente. Os ecologistas foram barrados pelos seguranças e tiveram seu navio destruído pelos fazendeiros. Quem foi preso pela Polícia Federal? Os militantes, é claro, levando em consideração que a polí­cia só existe para um único fim, proteger, mas não a população em geral, e sim a classe e burguesa e sua propriedade.

A imagem que ficou como sí­mbolo dessa luta foi a enorme faixa amarela, com a escrita “100% CRIME” estendida em uma das plantações, logo após destruí­da pelo fazendeiro e seu carro (o mesmo que afirmou: “desmatar não é crime”). Essa é uma luta que deve ser incorporada ao nosso cotidiano. Em pequenos atos, em militância ou apoio às entidades ou organizações ambientais. Essa luta é nossa, e não deles. Estamos distantes geográficamente, mas isso não pode impedir de nos solidarizarmos com nossos companheiros, a Amazônia é de todos.