Temos que azedar o projeto do Azeredo!

A Era do Grande Irmão para muitos é pura ficção. Um mundo onde cada gesto, cada pensamento, cada intenção é podado e recriminado não passa de um futuro longínquo na cabeça de muitas pessoas. No entanto, fatos como os da noite passada me deixam ainda mais apreensiva com o futuro que nos é guardado.

O Senador Eduardo Azeredo do PSDB de Minas Gerias (guardem bem a legenda deste futuro candidato à reeleição ou a outro cargo qualquer) criou um projeto de lei que transforma grande parte dos interneutas brasileiros em criminosos, sujeitos a pena de três anos de reclusão (como se o sistema carcarário no Brasil possuísse condições para tal feito). Baixar músicas da internet (mesmo que tenha o original em casa), baixar um livro em formato eletrônico (mesmo que a versão impressa estaja na sua estante da sala) entre outras atividades podem te levar para trás das grades.

Convenhamos que ninguém aqui quer ver o Sol nascer quadrado. Me desculpe o senador, mas esse projeto é tão estúpido que parece piada. E é justamente aí que mora o perigo. As pessoas podem não levar a sério e quando menos esperarmos o Grande Irmão estará vigiando cada passo seu.

Enquanto todos dormiam (como é de praxe destes políticos quando não querem levantar muita poeira) o projeto foi aprovado e será encaminhado para a Câmara de Deputados. Na calada da noite, como de costume é a ação de bandidos sanguinolentos dos livros de ficção policial.

Na lei, essas praticas já eram crime. No entanto os meios legais de vigilância não existiam. São esses meios estão em discussão. Vigilância acirrada não é a solução para os problemas de uma sociedade, pelo contrário, a torna vulnerável a qualquer regime totalitário sobre a pena de proteção. O pior de tudo é que é exatamente esse o sentimento que a nota oficial so Senado deixa transparecer.

EU TENHO MEDO!

Existe uma petição online, um manifesto contra o projeto. A primeira batalha nós perdemos. Mas a guerra ainda não acabou e sua assinatura é bem vinda. Além disso, o @fzero criou uma mobilização interessante: Fale com os deputados.

Carlos Castilhos fala sobre o assunto de uma maneira bem mais clara, afirmando que essa atitude está na contramão da inovação tecnológica.

Saiba mais no Digital Drops, no Pedro Dória e no Centro de Mídia Independente.

O Maio de 1968

Em 1968 o mundo inteiro se viu sacudido por uma série de mobilizações de estudantes e trabalhadores. Nesse ano o mundo foi palco da luta dos Panteras Negras nos Estados Unidos, lutas estudantis e operárias em quase toda a Europa, no Canadá e no Japão e da Primavera de Praga. Na América Latina esse ano também deixou marcas profundas, inclusive no Brasil. Mas o acontecimento mais lembrado é, sem sombra de dúvidas, o Maio de 1968 na França. E o cinema teve uma imporatância muito grande como estopim de toda a turbulência política, econômica e cultural em que a França se encontrava. Foi a explosão de um processo de lutas da juventude e dos trabalhadores contra o governo francês. Greves, ocupações, manifestações, barricadas, contra cultura e enfrentamentos se espalharam por toda a França naquele mês e abalaram o país.

Mas engana-se aquele que atribui tais acontecimentos à espontaneidade das massas. O ano de 1968 foi fruto de um processo histórico. A França viva uma profunda crise pós 2º Guerra Mundial, um regime político semi-ditatorial (General De Gaulle), a perda de suas principais colônias (Argélia e Vietnã) e o envolvimento em guerras de efeitos desastrosos. A população vivia em crise econômica: baixos salários e uma jornada de trabalho muito longa, índices de desemprego assustadores, problemas de habitação e infra-estrutura, e uma crise no sistema educacional (falta de vagas nas universidades, o anúncio de uma reforma que introduziria um sistema de seleção e exames de ingresso e desqualificação de diplomas de algumas Universidades). A própria constatação dessa crise descarta a tese de que tal revolta tenha sido motivada apenas pela busca de liberdade da juventude.

É envolto neste clima que estudantes e trabalhadores de toda a França levantam barricadas pelas ruas, ocupam fábricas e universidades, gritam aos quatro ventos que é proibido proibir, fazem greves e são duramente reprimidos pelas tropas de choque da polícia. As ocupações nas fábricas ocorrem contra o interesse reformista da maior central sindical francesa da época, a CGT, que era burocraticamente controlada pelo Partido Comunista Francês (PCF). O reformismo e a burocracia do PCF são refutados pelos estudantes, no entanto consegue manter controle sobre as fábricas ocupadas, sufocando as lutas. O anarquismo, ou melhor dizendo uma parte do que se teoriza como anarquismo, reaparece publicamente nesse momento e era utilizado como base para negar o economicismo do PCF. Bakunin e outros anarquistas históricos enxergaram a necessidade de se construir instâncias de organização popular para a luta reivindicativa e a construção de um programa revolucionário. Mas em 1968, os estudantes confundiram todas as formas de organização com a burocracia, e tal confusão em parte se deve ao PCF, que estava a todo momento tentando aparelhar o movimento estudantil.

A lição que fica é a necessidade de aprender que não se pode contar apenas com a espontaneidade, nem desprezar a organização popular, que nasce no seio do povo (fruto de uma consciência, e não trazida de fora por intelectuais: aquilo que chamamos vanguarda).

1º de Maio é dia do TRABALHADOR!

Um dia de rebelião, não de descanso! Um dia não ordenado pelos vozeros arrogantes das instituições que tem aprisionado o mundo do trabalhador! Um dia em que o trabalhador faz suas próprias leis e tem o poder de executá-las! Tudo sem o consentimento nem aprovação dos que oprimem e governam. Um dia em que com tremenda força a unidade do exército dos trabalhadores se mobiliza contra os que hoje dominam o destino dos povos de toda nação. Um dia de protesto contra a opressão e a tirania, contra a ignorância e a guerra de todo tipo. Um dia para começar a desfrutar oito horas de trabalho, oito horas de descanso, oito horas para fazer o que nos dê vontade.

Essa era a convocatória do 1° de maio de 1886, dia em que 5.000 greves com 340.000 grevistas, se espalharam pelos Estados Unidos. Chicago foi palco de muita luta, repressão, mortes e injustiças. É importante resgatar a memória do 1º de Maio e recuperar a história para entender que o Dia do trabalhador não é dia de festas é o dia de lembrar nossos mortos, dia de luta e resistência!

Visita de peso

Nesse último fim de semana tive a oportunidade de conhecer pessoalmente alguém que merece todo o respeito por sua história e pela história que ele ajudou a construir. Tive a oportunidade de conversar inúmeras vezes e sobre assuntos diversos com um homem, um senhor, que viveu e fez muitas coisas das quais sempre tive vontade de ter vivido. Que agora fazem parte da História, que só posso acompanhar pelas leituras, pelo curso na universidade, pela viagem temporal que faço na minha mente.

Ele participou do famoso Maio de 68 na França (que completa 40 anos agora em 2008), conheceu Che, foi um ferrenho militante anti-franquista e pegou os últimos anos da Guerra Civil Espanhola. Mas antes de tudo ele era pedreiro. Conheci pessoalmente, abracei, comemorei seu aniversário, fiz bolo para ele, cantamos canções libertárias. Nada mais, nada menos que Lucio Urtubia. O anarquista irredutível fez sua primeira visita ao Brasil aos 77 anos de idade.

Festa surpresa para Lucio (de preto).

Sua vida virou documentário, e tive o prazer de conhecer também um dos diretores, José María Goenaga. Foram momentos inesquecíveis para mim e para todos os que comigo desfrutaram da mais bela e inspiradora companhia. No filme, intitulado Lucio, se recordam os apoios que ele concedeu a Quico Sabaté, um dos máximos expoentes da guerrilha urbana na Catalunha; a Eldridge Cleaver, o líder dos Panteras Negras, e vários grupos revolucionários da época. Também se traz à memória os encontros que manteve com André Breton e Albert Camus.

Lucio, com um sorriso estampado em seu rosto, prometeu voltar. Para nos falarmos mais, para rever os novos amigos. Ganhei um amigo, um companheiro de ideais. Fiquei muito emocionada com sua presença, e mais ainda com sua partida. Foram três dias convivendo, conversando e sobretudo aprendendo.

Trailer do filme:

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Permacultura

Sempre tive um interesse muito grande em viver em harmonia com a natureza. Descobri a Permacultura e encontrei nela um modo de por em prática esse desejo antigo. Mas afinal de contas o que é Permacultura? Buenas, existe uma literatura bastante grande sobre o assunto. Deixo como uma introdução uma citação muito significativa com a definição de Bill Mollison para o desenho que simboliza a Permacultura:

“O formato oval, do símbolo da permacultura, representa o ovo da vida; aquela quantidade de vida que não pode ser criada ou destruída, mais que é expressada e emana de todas as coisas vivas. Dentro do ovo está enrolada a serpente do arco-íris, a formadora da terra dos povos aborígines. No centro está a árvore da vida, a qual expressa os padrões gerais das formas de vida. Suas raízes estão na terra e sua copa na chuva, na luz do sol e no vento. O símbolo inteiro e o ciclo que representa, é dedicado à complexidade da vida no planeta Terra.” (Extraído de “Introdução a Permacultura” de Bill Mollison)

Para entender melhor, essas são as bases fundamentais da permacultura urbana: Reduzir, reutilizar e reciclar. Definitivamente essas são as melhores maneiras de começar.

Reduzir: Pensar se realmente é necessário consumir.

Reutilizar: Pensar quais as novas funções que uma coisa pode adquirir depois que a função primordial já foi exercida.

Reciclar: pensar que se não pode reutilizar, recicle.

Espero que este texto sirva de inspiração para iniciar pelo menos alguns dos princípios da permacultura aí na tua casa.