elvis & madona [uma novela lilás], de Luiz Biajoni

elvis & madona [uma novela lilás]Um livro que nasceu de um roteiro. Assim surgiu Elvis & Madona [uma novela lilás]. Luiz Biajoni foi convidado pelo cineasta Marcelo Laffitte para escrever um livro a partir do roteiro para o filme homônimo (que eu ainda não assisti). Biajoni topou e daí nasceu esse livro que é um libelo pela tolerância, pura diversão e um texto para reflexão.

Eu recebi esse livro na minha casa porque ganhei numa promoção no twitter d’O Pensador Selvagem. Demorei um pouco para ler porque a fila é grande, mas quando resolvi começar não parei mais. E a experiência foi super bacana porque li ao lado do Ju numa viagem de trem. A viagem terminou e o livro não. Sem problemas, nos aninhamos na cama com nossa gata e continuamos a leitura. E nos divertimos muito.

Elvis & Madona é um livro pra se ler assim, de um gole só (no nosso caso foram dois goles, mas que valeu por um só), porque ele te prende do início ao fim. A narrativa é dinâmica, cheia de diálogos e os personagens são carismáticos e te conquistam logo de cara. A novela de Biajoni trata de um caso de amor diferente, entre a travesti Madona e a lésbica Elvis. O cenário? Copacabana. Uma Copacabana diferente daquela que estamos habituados de ver e ouvir nas novelas e canções da bossa nova. Uma Copacabana decadente, suja, cheia de personagens marginais e muito, muito mais interessante.

Madona é uma travesti rodada, já fez programa, filme pornô, apresentações em casas de show, teve alguns companheiros e o último deles, João Tripé, levou tudo que ela tinha para pagar dívida de droga. Sem nada ela começa a trabalhar em um salão de beleza para juntar grana e realizar seu grande sonho: criar e interpretar em show transformista. Elvis é um guria miúda que sai do interior de Minas Gerais porque sabe que não se encaixa nos padrões de lá. Ela é lésbica e pensa que em Copacabana poderia viver sossegada e realizar seu sonho: trabalhar em um grande jornal. Enquanto esse dia não chega, ela faz bico fotografando books para adolescentes e entregando pizza.

Elvis e Madona se conhecem em uma situação bastante complicada na vida de Madona. O traficante João Tripé retorna depois de muitos anos para atormentar a vida da travesti. Ele faz juras de amor para ela e a engana mais uma vez. Rouba todo o dinheiro de Madona e a deixa num estado deplorável. Elvis a encontra assim, descabelada, chorando na soleira da porta, inconformada. Estava indo entregar pizza no apartamento dela e acaba ficando para consolar a travesti. A “sapata” conquista a travesti e eles – ou elas – ficam muito amigas. A amizade evolui para uma vontade de estar sempre juntos.

Nesse caso de amor as diferenças não importam. Eles, ou elas, se amam e vivem um lindo caso de amor que supera qualquer rótulo. E é a abordagem delicada e tolerante acerca da sexualidade de Biajoni que faz desse livro um grande libelo pela tolerância (como o autor assinou no meu livro). E talvez seja essa a maior importância desse livro, o respeito às diferenças, a tolerância e o não estranhamento desse relacionamento. Elvis e Madona não forma um casal peculiar, eles são um casal e ponto. Eles se amam, querem estar juntos e assim o fazem.

Biajoni narra toda essa história de amor, que tem uma pitada de romance policial, de forma leve e divertida. Usa uma linguagem popular sem forçar a barra e adiciona muitos diálogos à narrativa. A leitura rápida não deixa de ser profunda e de abrir caminho para uma reflexão sobre o temas abordado no livro: o amor, a amizade verdadeira e a tolerância às diferenças. Ademais, Biajoni consegue fazer com o leitor se sinta em Copacabana durante a leitura do livro, é possível sentir o calor carioca, ouvir o chiado na fala dos personagens, capturar a atmosfera do lugar. Prefiro muito mais a Copacabana de Biajoni do que aquela das novelas ou da bossa.

Elvis & Madona é uma narrativa inusitada, contemporânea e seus personagens podem ser seus vizinhos, amigos, seu cabeleireiro, o entregador de pizza de toda sexta. Ou até mesmo você pode ter sido desenhado naquele quadro tão natural e urbano. Elvis & Madona é verdadeiro, não que fosse baseado em uma história real, nada disso, é porque pode acontecer com qualquer um. Minha primeira vez com Biajoni me fe querer ler imediatamente suas outras obras: Sexo Anal – Uma Novela Marrom, e Buceta – Uma Novela Cor-de-rosa, além de Virgínia Berlim – Uma Experiência. Se todas forem assim, tão gostosas de ler, ficarei imensamente feliz. Biajoni é mais um dos autores contemporâneos que dá gosto de ler.

elvis & madona [uma novela lilás]
Luiz Biajoni
Editora Língua Geral
Coleção Ponta de Lança
216 páginas
Skoob
[xrr rating=5/5]

Desafio Literário 2011

Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Desafio Literário 2011, proposto pelo blog Romance Gracinha. A resenha corresponde ao mês de Julho, cujo objetivo é ler novos autores só um tantinho atrasada com a resenha).

Confira no blog do desafio as resenhas dos outros participantes para este mês. Ou descubra quais foram as minhas escolhas.

Participe, comente, leia.

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Aproveita e segue a equipe do Desafio Literário 2011 no twitter também:

@vivi, @danihaendchen, @queromorarlivr e eu, @clandestini.

Confira as outras leituras feitas para o Desafio Literário 2011:

Janeiro:
Coraline, Neil Gaiman
Memórias da Emília e Peter Pan, de Monteiro Lobato

Fevereiro
Che Guevara – a vida em vermelho, de Jorge G. Castañeda
O que é isso, companheiro?, de Fernando Gabeira

Março
As Brumas De Avalon Livro 1 – A Senhora Da Magia, de Marion Zimmer Bradley
As Brumas De Avalon Livro 2 – A Grande Rainha, de Marion Zimmer Bradley

Abril
O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams
O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams
A Vida, o Universo e Tudo Mais, de Douglas Adams
Até mais, e obrigado pelos peixes!, de Douglas Adams
Praticamente Inofensiva, de Douglas Adams

Maio
A Última Trincheira, de Fábio Pannunzio
Esqueleto na lagoa verde, de Antonio Callado

Junho
Calabar – o elogio da traição, de Chico Buarque Ruy Guerra
Gota D’água, Chico Buarque e Paulo Pontes
As Relações Naturias: três comédias, Qorpo Santo

Julho
Nunca fui a garota papo-firme que o Roberto falou, de Cristiane Lisbôa
Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky

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Cat lady, bookworm, roller derby, vegan, professora de história, amante de histórias. apaixonada por cinema, séries e tem uma baita queda por histórias de zumbis.

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