O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams

O Restaurante no Fim do Universo

No segundo volume da trilogia de quatro livros que na verdade são cinco, O Restaurante no Fim do Universo*, Douglas Adams narra a continuação da aventura de Arthur Dent e seus quatro amigos (se é que ele pode considerar o robô maníaco-depressivo Marvin como um amigo). Eles estão em busca de um lugar para comer, afinal de contas aventuras deixam todo mundo com fome.

Mas o que seria apenas uma refeição tranquila acaba por transforma-se em mais uma aventura incrível. E Arthur, que já descobrira coisas incríveis e bastante tristes sobre sua existência, terá outras surpresas no seu caminho. E tudo começa com uma xícara de chá.

Uma xícara de chá bem feita requer muito conhecimento, pelo menos assim pensam o computador e a Sintetizadora Nutrimática de Bebidas. O desejo de Arthur por uma boa xícara de chá faz com que todos os sistemas da nave parem para que a Nutrimática e o computador possam realizá-lo. Porém, essa decisão ocorre ao mesmo tempo em que a nave Coração de Ouro sendo bombardeados por uma dúzia de Canhões Fotrazônicos Megadeath de 30 Destructions de uma nave Vogon. Como saída para esse desastre, Zhapod chama seu bisavô morto para ajudá-los. Ele os ajuda, mas o resultado é uma viagem no tempo até o dia em que o universo acabará. Felizmente eles chegam ao Restaurante no Fim do Universo.

O Restaurante do Fim do Universo é um dos acontecimentos mais extraordinários em toda a história do abastecimento. É construído a partir dos restos fragmentários de um planeta ocasionalmente destruído que é (seraria tendo a ser) fechado numa vasta bolha de tempo e projetado adiante no tempo até o momento preciso do Fim do Universo.

Além de comerem um ser bovino que se oferece como jantar (exceto por Arthur, que prefere comer vegetais que não escolheram estar em seu prato, segundo a vaca com quem conversava), eles foram atração principal no show da banda mais barulhenta de toda a Galáxia, a Disaster Area.

O grupo divide-se mais uma vez. Zaphod e Trillian procuram pelo homem que rege o Universo e Arthur e Ford, bem eles caem em uma nave Arca B, que carrega um terço de uma raça, justamente o terço inútil, para colonizar outro planeta.

Uma narrativa ainda mais vertiginosa e alucinante que a primeira, cheia de viagens no tempo, teletransporte, humor e crítica social. Poderia descrever o livro como nonsense, mas acredito que ainda seja pouco. Há passagens realmente deliciosas e cheia de sarcasmo e ironia nas quais Douglas Adams demonstra o que pensa em relação às instituições no geral e à ordem social.

O Restaurante no Fim do Universo levanta questões filosóficas, sociais e políticas de forma leve e descontraída, mas sem deixar a crítica de lado. Esse é, talvez, seu maior mérito. Pois Adams critica como se batesse em nosso rosto com luvas de pelica. E faz o leitor pensar na vida, no universo e tudo mais que precisa ser pensado e discutido, ao invés de dar uma grande teoria para resolver os problemas do mundo.

Uma leitura altamente recomendável para pessoas inteligentes, que entenderão as ironias e o sarcasmo do autor. Mas também pode ser lido por todas as outras pessoas que não entenderão, mas acharão igualmente divertido.

* Li o livro dois anos atrás e senti que era preciso retomá-lo para realizar as três leituras que escolhi para o mês de Abril no Desafio Literário – os três últimos da série.

O Restaurante no Fim do Universo
Douglas Adams
240 páginas
Editora Sextante
Skoob | Submarino
[xrr rating=4/5]

Desafio Literário 2011

Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Desafio Literário 2011, proposto pelo blog Romance Gracinha. A resenha corresponde ao mês de Abril, cujo objetivo é ler um livro de Ficção Científica.

Confira no blog do desafio as resenhas dos outros participantes para este mês. Ou descubra quais foram as minhas escolhas.

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Confira as outras leituras feitas para o Desafio Literário 2011:

Janeiro:
Coraline, Neil Gaiman
Memórias da Emília e Peter Pan, de Monteiro Lobato

Fevereiro
Che Guevara – a vida em vermelho, de Jorge G. Castañeda
O que é isso, companheiro?, de Fernando Gabeira

Março
As Brumas De Avalon Livro 1 – A Senhora Da Magia, de Marion Zimmer Bradley
As Brumas De Avalon Livro 2 – A Grande Rainha, de Marion Zimmer Bradley

Abril
O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams

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Cat lady, bookworm, roller derby, vegan, professora de história, amante de histórias. apaixonada por cinema, séries e tem uma baita queda por histórias de zumbis.

12 comments / Add your comment below

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  1. Pingback: Mobilidade é tudo
    1. @Vivi, que pena Vivi, eu acho esse livro super bacana, mas certamente não é porque lhe falta inteligência que você não se deu com ele. Imagine, você é super inteligente, basta ler seu blog e saber do DL…

      Beijos

  2. Ei Dani!
    Esta série tá bombando no DL, né?!
    Eu li o primeiro e segundo, mas a série não me conquistou.
    Assim como vc, achei algumas partes engraçadas, as críticas bacanas, mas eu não o achei bom o suficiente para eu ler os outros da série.
    Bjins

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