Estante nova no pedaço

Não consigo lembrar em que ano comprei minha primeira estante, daquelas bem simplesinhas, amarela, tinha até um tamanho bem bom. Por anos ela foi filha única de mãe soteira. Lembro que eu não tinha vinte anos ainda (ah, como o tempo passa). Ela era a parte mais importante do meu quarto, porque nela eu guardava as coisas mais preciosas da minha vida: meus livros. Poucos no começo, mas aumentando lentamente.

Então, dois anos atrás eu finalmente tinha meu próprio apartamento e MUITOS livros a mais. Comecei a me apossar das estantes do namorado e enchi três delas em um piscar de olhos. Acontece que mesmo essas três já não eram suficientes e as coisas começaram a ficar um pouco bagunçadas, depois muito bagunçadas. A ideia de ter um home office, com uma estante linda foi saindo da cabeça e indo para o papel. O projeto estava lá, só faltava dinheiro para colocar em prática.

No final do ano passado o passo maior foi dado e encomendamos a estante e uma mesa de trabalho, do jeitinho que eu sempre sonhei. Ela demorou para ficar pronta (mais do que o que constava no contrato, mas tudo bem), e quando ela ficou pronta nós estávamos viajando. Somente uma semana depois de voltarmos de viagem ela foi instalada. E está arrasando desde então. Foram dois meses e meio de espera desde o dia que assinamos o contrato da encomenda, mas valeu toda a espera.

Mas chega de falar sobre a estante dos sonhos, vamos ver juntos como ela ficou?

Estante em processoE eu ainda resolvi gravar um mini tour pela estante nova e postar lá no canal do blog no youtube Também renascido das cinzas. Confere aí:

Se você não estiver visualizando, assista direto no vídeo no youtube. Não esqueça de comentar :)

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Livro velho ou livro antigo?

Old Books

Old Books Por Morten Jess Nielsen

No início desse ano eu fiz uma capa para o meu Kindle a partir da capa de um livro. E ainda não sei se digo que o livro que usei é antigo ou velho. Porque as duas palavras podem parecer a mesma coisa (uma até aparece como definição da outra no dicionário), mas no fundo existe uma grande diferença.

velho | adj. | s. m. | s. m. pl.
ve·lho |é|
adjetivo
1. Avançado em idade.
2. Obsoleto.
3. Antigo.
4. Muito usado; antiquado.
substantivo masculino
5. Homem velho.
6. [Informal] Pai (ex.: Que idade tem o teu velho?).
7. [Brasil] Nome de um peixe que parece gemer quando o apanham.
velhos
substantivo masculino plural
8. [Informal] O pai e a mãe (ex.: Os meus velhos viajam imenso).
9. Aquilo que é antigo, que não constitui novidade (ex.: a autora mistura velho e novo, criando um estilo muito próprio). ? NOVO
dançar de velho
• Brigar.
• Jogar capoeira.
de velho
• [Agricultura] Em descanso (ex.: o terreno ficou de velho).
velho de guerra
• Homem experimentado, valente, perito em algum mister.
velho e relho
• Muito antigo.
“velho”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/velho [consultado em 16-11-2013].

A diferença está no uso. Se eu digo que determinado carro é velho, eu estou afirmando que ele não tem mais (ou tem muito pouco) condições de uso. Se eu digo que ele é antigo, eu estou atribuindo um valor a ele, afirmando que ele é um objeto do passado que ainda possui utilidade, seja ela a mesma que originalmente foi pensada para ele (no caso do carro, a de se locomover) ou estética, ou quem sabe ainda atribuindo uma nova função (como, por exemplo, a de objeto de coleção).

Pensando dessa forma, um livro velho seria aquele que não tem mais condições de ser lido? Nesse caso, uma grande parte das coleções de arquivos e bibliotecas de raridades espalhadas pelo mundo seria apenas uma porção de entulho que não serve para mais nada. Porém, acontece exatamente o contrário: as coleções de raridades já não podem ser manuseadas com frequência, pois podem danificar o objeto livro, mas seu conteúdo – o texto que ele contém – possui um valor inestimável para a história.

Sendo assim, um livro velho não é aquele que não possui mais condições de ser utilizado, pois, como disse anteriormente, não é seu uso que determina seu valor, mas o que ele contém: o texto. Esse  seria, portanto, um livro antigo. Então, o que é um livro velho? Essa pergunta é bem espinhosa. Ao meu ver não tem uma única resposta correta. Entretanto, acredito que um livro velho é aquele que já foi publicado há muito tempo, que está desgastado pelo uso  e que, no entanto, possui uma quantidade razoável de novas edições que repõem seu conteúdo nas livrarias e bibliotecas (públicas ou particulares). E que, talvez o mais importante, não tenha valor sentimental: não tenha aquela dedicatória linda de alguém especial, ou não é presente de uma pessoa importante, não representa nenhum momento marcante de sua vida.

Nesse sentido, o que fazer com os livros velhos que invariavelmente aparecem na nossa vida? Primeiro,doá-lo para alguém que precise mais ou tentar recuperá-lo, afinal de contas a maioria das pessoas não tem dinheiro para repôr livros na prateleira. Mas e se eu não conseguir/puder/quiser? Pensando racionalmente (o que é bastante difícil para quem tem um apego aos livros como eu e muitos outros leitores espalhados por aí), o ideal seria reciclar. Afinal tudo que é velho ou vira lixo, ou ainda melhor, pode ser reaproveitado. Amantes de livros ficam com brotoejas quando um livro é utilizado para um fim que não seja a leitura, no entanto, voltando a pensar racionalmente, se o que interessa é o seu conteúdo, o texto, não é necessário se apegar tanto a um objeto que pode facilmente ser encontrado em qualquer livraria, biblioteca ou sebo em melhores condições e com o mesmíssimo conteúdo (às vezes atualizado, com uma nova revisão ou tradução, ou ambos).

Então, não é preciso entrar em pânico quando eu disser que fiz uma capa para meu Kindle a partir de um livro que pode ser chamado, agora sim, de velho. Nem quando aquela bolsa linda feita com uma capa de livro aparecer em algum blog ou rede social. No meu caso, foi bem difícil encontrar um livro com as dimensões necessárias para o meu propósito, e quando encontrei, fiquei com os dois pés atrás para utilizá-lo. Afinal, é uma edição dos anos 50 de uma compilação de contos de Machado de Assis, que faz parte de uma coleção estilo Biblioteca Folha de hoje em dia, bastante comum na época e que hoje não possui valor comercial para colecionadores, pois não é raridade, e nem teria porque ser guardada em um Museu ou Biblioteca de livros raros ou antigos. Mas mesmo assim, uma compilação de contos de Machado de Assis. Ponderei muito antes de colocar em prática o projeto “Proteja Seu Kindle Com Estilo” justamente por se tratar de uma obra do Machadão.

Depois de muito pensar, cheguei a conclusão de que antologias de contos de Machado saem pelo ladrão em bibliotecas e livrarias, e que, portanto, esse exemplar não faria falta. E finalmente coloquei em prática meus dotes crafters e fiz a tal capa. Mas o coração ainda ficou apertado, o que me fez guardar as páginas do livro. Agora ele está na estante, sem capa, mas guardado para a posteridade. Essa questão da conservação e preservação de livros (e documentos, objetos, obras de arte, etc., de qualquer tipo) é muito importante para qualquer historiador (categoria na qual me encaixo) e deveria ser para qualquer cidadão do mundo. Afinal de contas, são através dessas fontes históricas, da qual o livro faz parte (seja como objeto, seja como texto), que podemos construir nossa história e nossa memória.

E o post que era para ser um Do It Yourself de como fazer uma capa bacana reciclando um livro virou um texto sobre questões linguísticas e, de certa forma, relativas a história, conservação, preservação de patrimônio material e cultural. Gostei. Espero que seja útil, no sentido de suscitar reflexão e questionamento. Se eu ainda vou fazer o DIY com a capa do Kindle? Sim,claro, mas essas são cenas do próximo capítulo. ;)

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O evangelho segundo a serpente, de Faíza Hayat

Faíza Hayat, O Evangelho Segundo a SerpenteA edição muito bem feita, com todo zelo e cuidado da Língua Geral encanta qualquer amante de livros: parece um moleskine, com direito a elástico para prender as páginas, corte roxo, páginas creme, fonte com o espaçamento ideal e páginas pretas para separar as partes do pequeno livro de 142 páginas da escritora de família portuguesa e católica pelo lado da mãe e indiana e muçulmana pelo lado do pai. Além disso, a orelha tem a indicação de Mia Couto. Quem não gostaria de levar um livro assim para casa.

No entanto, minha consciência sempre me diz: não leve um livro apenas pela capa. Ok, não foi isso que eu fiz. Fiquei curiosa pelas palavras de Faíza Hayat depois da indicação de Juliana Gervason, em um de seus Tudo Junto e Misturado (aqui e aqui) e saí procurando no Estante Virtual. O livro chegou aqui em casa e foi para a estante, e lá permanceu por quase um ano sem que eu sequer tocasse nele. Um sacrilégio, pois ele deveria ter sido devorado na mesma hora que adentrou minha porta. Infelizmente a vida adulta chegou e eu não estava (e continuo não estando) preparada para ela, e fui consumida pela minha desorganização monumental e a consequente falta de tempo para respirar.

Algumas, poucas, leituras depois, eu resgato da estante o livro de título curioso e aparência belíssima. Comecei a ler despretensiosamente. As primeiras páginas possuem uma beleza incomparável, aliás, o livro todo é assim. Cheio de possíveis citações em livros, blogs, facebook e até tatuagem.

O que me sustenta é a beleza. Rezo ao deserto para que continue a receber-me; rezo ao mar, e em especial ao grande e sereno Oceano Índico, para que não deixe nunca de me consolar com a sua voz de espuma; rezo às papaias pela sua carne e às goiabas pelo seu perfume. Rezo ao deus indiferente dos gatos porque os fez magníficos e ao das baleias e das vacas pela sua mansidão. Sou mulher: rezo a tudo o que floresce e frutifica – nada que cante ou que dance me é indiferente. Nada que fira ou destrua me é semelhante. (Faíza Hayat)

Mas mesmo com a beleza da narrativa de Faíza, o livro não me prendeu logo de início. Porém as coisas começaram a mudar e a narrativa – que de início era mais reflexiva – começou a ganhar mais ação e quando a leitura passou para a segunda das seis partes da história eu não consegui mais largar o livro.

É surpreendente o que a mistura de arqueologia, religião, amor, escrita em línguas antigas, mistério e poesia pode fazer. Um livro que mesmo ao acelerar o ritmo da narrativa não perde a beleza e a delicadeza. Fiquei realmente emocionada com a escrita de Faíza e certamente quero ler outras coisas da autora. Esse foi seu romance de estreia, mas os próximos que virão estão na minha lista de espera para futuras ótimas leituras.

O evangelho segundo a serpente
Faíza Hayat
Editora Língua Geral
Coleção Ponta de Lança
144 páginas

Rating: ★★★☆☆ 

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Coisa de Louco, de John O’Farrell

Coisa de LoucoCoisa de Louco do escritor  britânico John O’Farrell tem uma premissa muito interessante: pais desesperados que fazem tudo por seus filhos. TU-DO. Escolhi ler esse livro para o Desafio Literário no tema comédia, porque as indicações da contracapa diziam que o livro é hilário. Infelizmente não foi bem essa a impressão que tive da obra.

Infelizmente a parte inicial da narrativa é bem monótona. Vale a leitura, é claro, principalmente por umas sacadas muito boas e em especial pelos três últimos capítulos que são realmente interessantes e fazem o livro todo valer a pena de ser lido – mesmo que a classificação de livro de humor não seja verdadeira, pelo menos no meu caso, que não achei o livro tão engraçado a ponto de dar gargalhadas, apenas alguns sorrisos em trechos esparsos. Eu gostei das personagens, achei a ideia maluca de assumir o lugar da filha para fazer uma prova sensacional, mas graça que é bom veio em doses homeopáticas.

O bacana do livro são as questões sociais que ele levanta: o comportamento de pais super protetores, a classe média se fechando cada vez mais em prisões particulares em casa, na escola, no carro blindado, a diferença gritante entre aqueles que podem pagar pelo seu bem estar e proteção e aqueles que vivem à margem desse mundo, sujeitos a violência, poucas chances de mudar de vida, etc. Mas uma das coisas mais interessantes e que me fez refletir foi a opção final dessa mãe surtada. Não vou contar para não dar spoilers, mas fiquei muito feliz com a imagem de escola pública que o autor descreve e principalmente com a reflexão sobre os motivos de se frequentar a escola, foram impecáveis.

Para ter uma ideia, demorei dois meses para terminá-lo, pois a cada capítulo lido eu ficava pelo menos uma semana sem tocar no livro simplesmente porque ele não me atraía. Já os três últimos capítulos me prenderam tanto que nem dei bola para o mundo acontecendo ao meu redor. E eu fiquei bem feliz com o final. Várias vezes durante a leitura fiquei me perguntando como poderia terminar um livro em que a mãe é capaz de se travestir de criança para fazer um exame de admissão no lugar da filha. Felizmente o final não decepciona, e apesar de não acontecer o mais esperado (o que seria também um desapontamento), o que acontece deixa uma sensação de acalento, um afago leve no leitor.

Coisa de Louco (May Contain Nuts)
John O’Farrell
Editora Record
382 páginas
Goodreads | Skoob

Rating: ★★★☆☆ 


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trecos & trapos, o retorno

notebookJá perdi as contas de quantas vezes escrevi um texto (de tudo quanto é tamanho) para anunciar o retorno do blog. Esse é mais um deles. Tomara que seja o último, que nunca mais uma fase atribulada tome conta da minha vida e me deixe afastada do blog e de todas as outras atividades internéticas.

Desde o final do ano passado até junho deste ano eu estive envolvida em mais uma monografia. Estava encerrando essa etapa da vida e me acostumando com a vida adulta que tardou em chegar, mas quando veio apareceu com tudo o que tem direito: casa nova, emprego full time, pós graduação, enfrentando problemas de saúde, mudança de ares, de endereço, de tudo. Agora estou mais calma, enfrentando um leão por dia na escola, em casa e na cabeça.

Quem disse que seria fácil? Não está sendo, não mesmo. Estou completamente diferente, vivendo e sentindo coisas diferentes a cada dia. Acostumar com elas não é moleza, mas o desafio é instigante. A cada vitória uma alegria, a cada derrota litros de lágrimas e um empurrão nada sutil para vencer na próxima. Tem dias que bate aquela saudade da adolescência, principalmente porque vejo todos os dias os sabores e dissabores dessa etapa da vida. Tem dias que penso em largar tudo e voltar correndo para a barra da saia da mãe. Tem dias que quero ficar quietinha no meu canto e outros que quero gritar para o mundo o que estou sentindo. Tem ainda aqueles dias que sequer sei o que estou sentindo. Cheia de incertezas, cheia de dúvidas, cheia de contas para pagar. Ah esses vinte e poucos anos que estão indo embora.

E assim como tudo na minha vida, o blog também foi alvo de reflexão e reformulação. Pretendo mantê-lo atualizado, com tudo que vier na minha cabeça. Filmes, livros e série sempre terão seu lugar garantido nas postagens, mas eu também quero falar sobre outros assuntos, sobre aquilo que me faz feliz, que me faz refletir, que me faz mudar. enfim, meus temas de interesse sempre terão lugar garantido. Afinal, esse é e sempre foi um blog pessoal. Não tenho pretensões financeiras ou profissionais como ele. Quero apenas escrever o que penso sobre o que gosto (e o que não gosto também). Quero apenas compartilhar, incentivar o debate, refletir e me divertir.

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