O outro 11 de Setembro

O outro 11 de Setembro

Antes de dois aviões baterem nas Torres Gêmeas no EUA, um outro 11 de setembro marcou a história da America Latina. Ambas datas são traumáticas, e ambas têm a participação dos Estados Unidos.

Em 1973 um golpe militar executado pelo general August Pinochet, preparado e financiado pelo imperialismo norte americano derruba o governo legitimo, constitucional e democraticamente eleito do Presidente Salvador Allende, provocando vários milhares de assassinatos e de prisões, o exílio de duzentos mil chilenos e uma feroz ditadura que durou 17 anos.

E a foto mostra o assalto e ataque dos golpistas ao Palácio de La Moneda.

45 anos do Golpe Militar no Brasil

45 anos do Golpe Militar no Brasil

Dando um intervalo nas postagens sobre a série televisiva O Guia do Mochileiro das Galáxias para escrever sobre um assunto bastante sério, embora aparentemente muito distante no tempo. Hoje, 1º de abril de 2009, completam 45 anos do Golpe Militar no Brasil.

A percepção de distância em relação ao dia em que o país acordou sob um regime ditatorial é válida, afinal são 45 anos. No entanto, as gerações ainda estão bastante contaminadas pelos anos do regime militar. Muitas questões ainda estão em aberto:

Os corpos dos desaparecidos, onde estão enterrados? (se é que foram enterrados) – porque já não há mais dúvida de que estão mortos, mas para não ser generalista digo que pelo menos a maioria dos desaparecidos morreram durante o processo ditatorial instalado no Brasil durante duas décadas.

Um pedido de desculpa por parte do Exército Brasileiro pelos anos de horror e sofrimento que muitas famílias, indivíduos e organizações políticas e culturais passaram. Pelos mortos e pelas tantas barbáries cometidas.

A abertura dos arquivos da ditadura.

Operação Condor.

Além disso, a ditadura deixou inúmeros resquícios na sociedade brasileira. Um deles é sem sombra de dúvidas a repressão policial e o uso de instrumentos de tortura por parte da polícia (antes escondido dentro das instalações da polícia, hoje visível nas ruas de todo o país).

E recentemente as discussões sobre a ditadura fervilharam (ganhou até ato público). O editorial da Folha de São Paulo do dia 17 de fevereiro designou os anos de opressão política, policial, de direitos civis e políticos, de censura, torturas e desaparecimentos como ditabranda. Deixo claro minha posição em relação a esse publieditorial:

Ditabranda é o catzo!

Ilustração de Carlos Latuff

 E por tudo isso que é sempre importante repetir:

Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça!