Histórias do mundo para crianças, de Monteiro Lobato

Histórias do mundo para crianças, de Monteiro Lobato

Histórias do mundo para crianças, de Monteiro LobatoHistórias do Mundo para as Crianças
Monteiro Lobato
Editora: Brasiliense
Páginas: 184
Skoob | Goodreads | Submarino
[xrr rating=4/5]

Em Histórias do mundo para crianças, Dona Benta conta para os netos e para a boneca Emília toda a História do mundo até a II Guerra Mundial (já que o livro foi escrito logo depois de seu término). O formato é de contação de histórias, ela conta um pouquinho dos fatos e dos personagens importantes da nossa História um pouquinho por noite, com algumas interrupções de Emília e diálogos com Narizinho e Pedrinho.

A leitura do livro ocorreu aos poucos, eu lia aos poucos, um pouquinho de História sempre que sobrava tempo. A narrativa é leve e fácil, pois Dona Benta está falando de algo bastante complexo de forma que as crianças entendam, tanto as personagens do livro quanto aquelas que lerão o livro. Eu já não sou mais criança, mas nem por isso deixei de aproveitar o livro, de curtir as piadas de Emília, de entender os questionamentos das duas crianças e das posições de Dona Benta. E isso é uma das melhores coisas do livro: a História não é tratada como algo estático, único e imparcial. Fica muito claro no discurso de Dona Benta que a História é contada por alguém e que, portanto, ela narra a partir do ponto de vista de quem narra.

Além de ser um excelente livro para quem gosta de História, eu acredito que ele deveria ser lido por todas as crianças, seja para conhecer a História, seja para tirar aquela marca de que estudar essa disciplina é muito chato, fato é que é um livro importante para a formação intelectual de todas as crianças. Uma pena que eu não o li quando era criança. Mas antes tarde do que nunca.

Além disso, como sou formada em História eu prestei bastante atenção em trechos que eu poderia usar em sala de aula. Sou uma entusiasta do uso da Literatura na aula de História e muitas das histórias de Dona Benta são ótimas para usar com alunos dos 6º e 7º anos. Pensei em muitos usos didáticos para o livro de Lobato. A própria definição de História dada por Dona Benta é muito boa, ela faz uma interessante metáfora que explica porque a História Universal é na verdade a História do Ocidente.

Esse livro me agradou de muitas maneiras: por ser uma narrativa gostosa de ler, por trazer questões importantes para reflexão, por possuir uma versatilidade que permite diversos usos de seu texto (a sala de aula é apenas um deles, que eu me apeguei devido as minhas escolhas pessoais). E não importa se o leitor não é mais criança, Monteiro Lobato é leitura obrigatória.

Memórias da Emília e Peter Pan, de Monteiro Lobato

Memórias da Emília e Peter Pan, de Monteiro Lobato

Memórias de Emília e Peter Pan, Monteiro LobatoO universo infantil criado por Monteiro Lobato é referência para muitas pessoas. Para os que viveram a infância nas décadas de 1980 e 1990 a série do Sítio do Pica Pau Amarelo ainda está na lembrança. Para os mais novos, a Globo tratou de fazer uma nova versão do programa que trouxe esse universo mágico para os mais novos. E como muitos, meu conhecimento das obras infantis de Monteiro Lobato vieram da televisão. Até meus 16 anos eu nunca tinha lido nenhuma obra do escritor, então comecei a fazer hora do conto para os alunos da quarta série na escola em que estudava e contei algumas das histórias de Dona Benta. Depois disso só voltei a ler algo do senhor Lobato agora em 2011. E é muito interessante ler um livro infantil escrito há tantos anos: a idade faz com que prestemos atenção em coisas que  quando crianças deixaríamos de lado. No entanto, o mundo criado por Lobato é tao encantador que é impossível nao se envolver de corpo e alma e voltar a ser criança.

A edição que tenho é da coleção Obras Completas de Monteiro Lobato onde  a 1ª série contém os livros de Literatura Geral (18 volumes) e a 2ª série contém os livros de Literatura Infantil (17 volumes).  Memórias da Emília e Peter Pan é o quinto volume da 2ª série, em uma edição de 1952. Apesar da ortografa diferente (acentos entre outras coisas), nao tive dificuldades com a leitura. Pelo contrário, tal característica deu um charme a mais para a leitura. O livro consiste, na verdade, em duas histórias distintas: Memórias De Emília é um livro e Peter Pan é outro, embora Peter apareça nas duas histórias.

Em Memórias de Emília, Lobato narra mais uma reinação de Emília. A boneca resolve escrever suas memórias e para isso usa a mão e a cabeça do Visconde de Sabugosa. Então temos uma narração dentro da narraçao: o sabugo de milho narra as aventuras de Emília e a turma o sítio no episódio do anjo capturado pela boneca e da visita das crianças inglesas para vê-lo. Emília começa ditando para o Viconde, mas acaba deixando tudo por conta de seu “ajudante”. As “participações especiais” de Peter Pan e Alice – a do País das Maravilhas – são fantásticas. O livro é bastante simples e ingênuo, mas apesar disso, muito instigante. Emília é terrível, apronta e fala coisas que deixam todos loucos, mas acaba se mostrando uma boa boneca. É uma personagem cativante, e mesmo com todas as suas contradições, é minha personagem favorita.

Peter Pan é a história original do personagem Peter Pan contada para os moradores do sítio por Dona Benta. Ela compra o livro de J. M. Barrie para descobrir quem é o menino que até o Gato Félix sabe da existência, menos ela e os habitantes do sítio. Depois de ler a história, Dona Benta passa a contar um pedacinho por noite para todos. E entre um pedaço e outro, Emília apronta das suas, é claro. É muito bacana ver personagens que já estao no imaginário das crianças brasileiras sendo contados por outros que fazem parte de nosso folclore. Além disso, as referências à história original é feita a todo momento, portanto a história não é um plágio da obra original, é sim uma contação de Dona Benta, com gostinho de Brasil interiorano.

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