Arquivo

Erico Veríssimo

Posts em Erico Veríssimo.

O Continente vol. 2 (O Tempo e o Vento #1), de Erico Verissimo

O Continente, vol. 2No segundo volume de O Continente a saga das famílias Terra e Terra Cambará continua. Os capítulos abrangem os períodos de 1850 a 1895. Bem menos do que no primeiro tomo, que vai de 1750 a 1836 mais o ano de 1895 com O Sobrado. A estrutura do livro é a mesma do primeiro volume, trechos de O Sobrado intercalam os capítulos A Teinaguá, A Guerra e Ismália Caré. Três grandes capítulos que, ao contrário dos integrantes da primeira parte da obra, não são tão independentes e, portanto, não dariam muito certo como publicações avulsas (lembra que Ana Terra e Um Certo Capitão Rodrigo foram lançados como livros?). O tom épico ainda é marcante, porém diferente do primeiro tomo, em que a atmosfera da narrativa era mais vibrante e vigorosa, o segundo volume possui um ritmo mais vagaroso e marcado por perfis e guerras psicológicas. No entanto, mesmo com ritmos distintos, ambos são livros incríveis e completam um ao outro perfeitamente.

O Sobrado continua relatando os dias de junho de 1895, em pleno cerco ao sobrado de Licurgo Cambará, onde seus aliados e sua família passam a base de laranja e farinha, sua esposa agoniza depois de um parto complicado, seus dois filhos ainda crianças vivem como podem, ouvindo as histórias de Laurinda – empregada, escrava liberta – e Fandango, Maria Valéria tenta esconder seu amor pelo cunhado Licurgo e se divide entre cuidar dos sobrinhos e da irmã. A velha Bibiana fica no quarto, ouvindo o vento e esperando, como sempre fez em sua vida. Os outros, moradores e “hóspedes” do sobrado esperam que os federalistas se entreguem, pois a guerra está ganha em quase todo o Estado. Os conflitos da família, a personalidade de Licurgo e as relações entre eles são elevadas a um grau extremo, devido ao confinamento. A tensão domina toda a narrativa nesses trechos. E como leitora, também aguardava ansiosa pelo fim do cerco, queria respirar aliviada junto com aqueles personagens, e o último trecho é de arrepiar, muito comovente tanto pelos acontecimentos que ele narra como pela reação a eles por parte dos diferentes personagens e suas personalidades tão distintas.

No capítulo A Teinaguá, a narrativa conta a origem da misteriosa mulher que casou com Bolívar Cambará, filho de Bibiana e do Capitão Rodrigo. Luzia Cambará é uma figura atormentada, angustiada torturada pela vida que leva e ao mesmo tempo intimida seu marido, que muito pouco lembra o pai, pois Bolívar é um homem titubeante e fechado ao contrário da personalidade valente e espontânea de seu pai. E é aqui que se descobre como o Sobrado foi construído e por quem, e como ele foi parar nas mãos da família Terra Cambará. A narrativa é pontuada por um observador de fora, o médico Carl Winter, um alemão que chegou a Santa Fé de passagem e foi ficando, ficando, ficando, até não conseguir mais ir embora. Um sujeito bem diferente dos outros moradores de Santa Fé. É através dos olhos desse médico, intelectual e viajante que muitos dos acontecimentos são narrados. Inclusive algumas questões da História do Rio Grande do Sul e dos moradores do Sobrado são relatadas em cartas que ele envia para um amigo, também alemão, que se instalou na colônia alemã de São Leopoldo. Além disso, é o médico que faz a relação entre a mulher que gera discussões infindáveis em Santa Fé a respeito de seu caráter e personalidade e a figura lendária da Teinaguá. Através de seu olhar estrangeiro o médico traça um perfil dos personagens e das situações apresentadas por quase todo o livro.

No capítulo A Guerra o foco narrativo está no dia a dia de Bolívar, Luzia e Bibiana no Sobrado. Como pano de fundo a Guerra do Paraguai, apesar dessa não ser a única guerra narrada, pois existe uma disputa surda entre Luzia e Bibiana por Bolívar, pelo Sobrado e pelo neto, Licurgo Cambará – que representa para Bibiana a expressão máxima da continuação de sua família e, por conseguinte de seu amado e falecido Rodrigo Cambará. Nessa guerra íntima eu tomei o partido de Bibiana, pois Luzia não é uma pessoa fácil de conviver, além de ser racista e de possuir uma visão de mundo que não me agrada nem um pouco. Porém, tenho de admitir que em muitas de suas falas eu tive de concordar com ela. Luzia odiava a vida naquele lugar, pois ela era o contraste de tudo aquilo que Santa Fé representava, o que não é de todo ruim (ou de todo bom, depende do ponto de vista), mas uma das questões mais marcantes que ela levanta é o machismo e o papel da mulher naquela sociedade. E nisso eu tenho de dar o braço a torcer, já que o Rio Grande do Sul tem uma História de machismo e submissão da mulher que infelizmente perdura em alguns lares gaúchos. A figura de Luzia é contraditória e gera ódio dos moradores e dos leitores (pelo menos no meu caso), mas ainda assim tem um papel fundamental para a narrativa e também para lembrar que mesmo narrado sob uma perspectiva feminina O Continente retrata uma sociedade machista.

Em Ismália Caré o salto no tempo é um pouco maior. O filho de Bolívar e Luzia, Licurgo Cambará, já cresceu e vive com a mãe e a avó no Sobrado, no meio do fogo cruzado. A disputa segue e o adolescente Licurgo sente na pele as faíscas que elas soltam. Ele vive dividido entre a vida no Sobrado e a vida no Angico, as terras da família no interior da cidade. E dividido entre e avó e a mãe, Licurgo cresce e se envolve com uma moça de nome Ismália Caré, filha dos empregados do Angico. A relação entre eles é bastante complicada, Bibiana não aceita o envolvimento de seu neto com a menina, ele próprio sabe que precisa casar com uma “moça de família”, mas o romance proibido entre eles dura até mesmo depois do casamento com a prima Alice Terra.

Maria Valéria, irmã de Alice é apaixonada por Licurgo, mas reprime o sentimento por respeito à irmã e à tia Bibiana, a grande figura de todo o livro. Se no primeiro volume Bibiana é apresentada como mulher submissa ao marido, sofrida e apaixonada, nesse tomo ela está mais madura, endurecida pela vida, passando a demonstrar sua personalidade forte e dominante, onde se tornam claras sua semelhança e afinidade com a avó Ana Terra. E Bibiana também se mostrou misteriosa, mordaz, cáustica, ferina e manipuladora quando necessário, e fez de tudo para defender a continuidade dos Terra Cambará. Na difícil decisão entre ela e Ana Terra, elejo as duas como minhas personagens preferidas nessa primeira parte da saga familiar de Erico, duas das personagens mais fascinantes da Literatura Brasileira.

O Continente vol. 2 (O Tempo e o Vento #1)
Erico Verissimo
Companhia das Letras
440 páginas
Skoob | Goodreads | Submarino

Rating: ★★★★★ 

Não leu ainda O Continente volume 2? Que tal começar pela resenha do primeiro volume?

1. O Continente vol. 1 (O Tempo e o Vento #1), de Erico Verissimo

Mr. Postman #28

Bem vind@ ao Mr. Postman!

Esse é um meme criado pela Kristi, do The Story Siren, no qual mostrarei tudo o que recebi, comprei ou ganhei durante a semana.

O primeiro vídeo do ano!!! Mais uma vez eu desejo um ótimo 2012, cheio de boas leituras e bons momentos. Espero que gostem do vídeo, ficou meio corrido e sem uma despedida decente, mas foi feito com muito carinho. Deixe seu comentário com sugestões, dicas e otras cositas más, que são sempre bem vindos e faça essa blogueira muito feliz.:)

Link Direto

Trocas:

O Senhor Embaixador, de Erico Verissimo
Bombons Chineses, de Mian-Mian

Compras:

Julie & Julia, de Julie Powel
Leite Derramado, de Chico Buarque
Fim da Eternidade, de Isaac Asimov

O Continente vol. 1 (O Tempo e o Vento #1), de Erico Verissimo

O Continente, volume 1, de Erico Verissimo

O primeiro volume de O Continente é a abertura da obra prima de Erico Verissimo, O Tempo e o Vento (publicado em três romances: O Continente, O Retrato e O Arquipélago – os dois primeiros possuem dois volumes, enquanto o terceiro foi dividido em três). Publicado em 1949, a intenção de Erico era escrever apenas O Continente, mas a história tão grandiosa da saga familiar que é também um microcosmo da História do Rio Grande do Sul pedia mais. E Erico nos deu de presente, alguns anos mais tarde, os dois volumes de O Retrato e os três volumes de O Arquipélago.

Reeditado inúmeras vezes pela Editora Globo, hoje as obras de Erico são publicadas pela magnífica Companhia das Letras. E eu tive o prazer de ler na primeira e segunda vez, há muitos anos, essa primeira parte de O Tempo e o Vento numa publicação da editora Globo e agora li numa edição linda que integra o box de O Tempo e o Vento da Companhia das Letras. E nas três vezes que li fiquei encantada com cada palavra que Erico escreveu.

É muito difícil escrever resenha de um livro como esse, tão bom, tão clássico, tão importante. Eu só tenho elogios. Mas vamos lá. Por que esse livro é muito bom? Em primeiro lugar por conta da história que é narrada. O Continente fala das origens do processo de formação do estado do Rio Grande do Sul, da formação do povo gaúcho. E para isso Erico criou um romance histórico perfeito, que mistura sua ficção tão bem trabalhada com dados e personagens históricos que são integrados ao enredo de tal forma que é natural pensar que aquilo tudo realmente aconteceu. É um romance, e também uma aula de História. E que aula. Confesso que eu não sou muito conhecedora da História de meu próprio Estado – uma vergonha, eu sei, tanto por ter nascido e vivido a vida toda aqui, quanto por ser formada em História – mas muito do que aprendi sobre ela veio da literatura e em especial desse livro (e do segundo volume também, é claro). E é uma ótima maneira de entender os processos que levaram o povo gaúcho a ser da maneira que é.  Continue lendo →

Balanço Desafio Literário 2011

Desafio Literário 2011 E o ano está bem no finalzinho, falta um único dia para começar um ano todinho novo. E em 2011 eu participei mais uma vez do Desafio Literário. Dessa vez eu fui convidada para fazer parte da equipe do Desafio junto com a @vivi, @danihaendchen e a @queromorarlivr. Não preciso dizer o quanto eu fiquei feliz com isso. Infelizmente eu não participei tão ativamente quanto gostaria, mas como no próximo ano eu continuo na equipe, fica a promessa de ano novo de ser mais ativa nesse equipe.

Quanto aos livros, esse ano foi bem mais produtivo. Se no ano passado eu escolhi um livro por mês e li 10 de 12, nesse ano eu escolhi três por mês e li 26 de 36. Ou seja, li quase o triplo de livros só para o Desafio. Dos 26 livros lidos eu atrasei alguns, lendo eles depois do praso. Mas o único que ficou sem resenha foi um livro do primeiro mês (Literatura Infantil): Histórias do Mundo para Crianças, de Monteiro Lobato. O motivo? Eu comecei a ler e o formato favoreceu uma leitura mais lenta, aos poucos, pois apesar de ser uma história única ela é narrada em episódios, seguindo episódios da História Mundial, então eu terminei ele agora em dezembro, pois além de ler aos poucos eu demorava um tempão para retomar a leitura. Mas eu farei resenha dele ainda em Jeneiro de 2012, outra promessa de ano novo.

Além disso, eu falhei um mês. Para o tema de Dezembro – lançamento do ano – eu não li nada, pois não comprei nenhum lançamento e optei por passar sem completar esse mês. As leituras realizadas para o Desafio foram muito interessantes, nem todos os livros foram maravilhosos, é fato, mas a experiência foi muito bacana.

Então segue a lista de livros lidos para o Desafio Literário 2011:

 Janeiro:
Coraline, Neil Gaiman
Memórias da Emília e Peter Pan, de Monteiro Lobato
Histórias do Mundo Para Crianças, de Monteiro Lobato (sem resenha ainda)

Fevereiro
Che Guevara – a vida em vermelho, de Jorge G. Castañeda
O que é isso, companheiro?, de Fernando Gabeira

Março
As Brumas De Avalon Livro 1 – A Senhora Da Magia, de Marion Zimmer Bradley
As Brumas De Avalon Livro 2 – A Grande Rainha, de Marion Zimmer Bradley

Abril
O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams
O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams
A Vida, o Universo e Tudo Mais, de Douglas Adams
Até mais, e obrigado pelos peixes!, de Douglas Adams
Praticamente Inofensiva, de Douglas Adams

Maio
A Última Trincheira, de Fábio Pannunzio
Esqueleto na lagoa verde, de Antonio Callado

Junho
Calabar – o elogio da traição, de Chico Buarque e Ruy Guerra
Gota D’água, Chico Buarque e Paulo Pontes
As Relações Naturias: três comédias, Qorpo Santo

Julho
Nunca fui a garota papo-firme que o Roberto falou, de Cristiane Lisbôa
Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky
elvis & madona [uma novela lilás], de Luiz Biajoni

Agosto
Olhai os lírios do campo, de Erico Veríssimo
Morte e vida severina e outros poemas para vozes, de João Cabral de Melo Neto
Contos Gauchescos & Lendas do Sul, de Simões Lopes Neto

Setembro
Todas as Histórias do Analista de Bagé, de Luis Fernando Veríssimo

Outubro
O Sol Também se Levanta, de Ernest Hemingway

Novembro
Ficção de Polpa – Volume 1, organizado por Samir Machado de Machado

E em 2012 tem mais Desafio Literário. Já fez tua lista? A minha já está pronta, só esperando para começar…

Retrospectiva Literária 2011

Retrospectiva Literário 2011

A Angélica do blog Pensamento Tangencial propôs mais uma vez a blogagem coletiva Retrospectiva Literária e eu resolvi aderir. Uma boa maneira de refletir sobre as leituras feitas ao longo do ano. Então, vamos às respostas:

O livro infanto-juvenil que mais gostei: Coraline, de Neil Gaiman. Ainda me encanto com essa história cada vez que me lembro.

A aventura que me tirou o fôlego: Ilíada (volume 1 e 2), de Homero. Não imaginei que leria tão rápido os dois volumes, foram necessárias apenas três tardes para dar conta dos grossos volumes. A história é super conhecida, mas ler é tão incrível. Estou devendo resenha, quem sabe em 2012 não sai uma.

O terror que me deixou sem dormir: o conto A queda da casa de Usher, de Edgar Allan Poe. Minha incursão por Poe começou com seus contos. Li quatro contos do autor e preciso mergulhar mais a fundo, porque pela amostra grátis deu para perceber que é terrivelmente bom.

O suspense mais eletrizante: os dois últimos livros da Trilogia Millennium (o primeiro li em 2010, por isso não está incluso): A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar. Não tem como não amar essa saga.

O romance que me fez suspirar: Razão e Sentimento, de Jane Austen (o título mais comum é Razão e Sensibilidade, mas o tradutor da edição que encontrei optou por esse título). Li para o Book Club que participava no primeiro semestre e ainda não fiz resenha, mas eu simplesmente amei esse livro e suspiro pelos dois casais. Acabei me comprometendo com um desafio sobre Jane Austen e li o livro mas não fiz resenha.

A saga que me conquistou: Não tem nem o que titubear, Trilogia Millennium.

O clássico que me marcou: Ilíada me marcou muito, e não sei se li nada mais clássico do que isso, mas para essa categoria eu escolho Otelo, de Shakespeare. A obra do bardo é outro clássico indiscutível e fiquei realmente feliz em ler mais uma de suas obras.

O livro que me fez refletir: Eu escolho três livros nessa categoria. O primeiro deles é elvis & madona [uma novela lilás], de Luiz Biajoni. A leitura rápida não deixa de ser profunda e de abrir caminho para uma reflexão sobre o temas abordado no livro: o amor, a amizade verdadeira e a tolerância às diferenças. O segundo foi O último dia de um condenado, de Victor Hugo. Um livro que me fez refleir muito sobre prisão, pena de morte, condição humana. Cada página é recheada de crítica e uma bela cutucada na sociedade. E por último, mas não menos importante, A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Não foi a primeira vez que li, e a cada releitura esse livro se torna melhor e melhor. Uma verdadeira aula de política, de História, sobre o ser humano.

O livro que me fez rir: Foi uma saga inteira: O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams. Eu reli os dois primeiros volumes da série e finalmente li os três últimos da trilogia de quatro que na verdade são cinco (e o sexto já foi lançado, mas esse eu não li). Gargalhadas garantidas or conta do enredo quase insólito, das piadas inteligentes e algumas até mesmo herméticas, que só entende quem se esforça um tantinho. Recomendo sempre.

O livro que me fez chorar: eu choro, muito, lendo, vendo série, filme, me emociono com muitas coisas. Mas uma das coisas que mais me emocionam são histórias de amor entre pai e filho e mãe e filho. Então eu escolho para esta categoria Adivinha quanto eu te amo, de Sam McBratney. Um livro infantil bem pequenino, mas muito tocante.

O melhor livro de fantasia: essa é uma categoria muito difícil, viu. Eu fico dividida entre duas séries, uma que eu li completa (e ficção científica pode ser fantasia) que O Guia do Mochileiro das Galáxias e a que li pela metade (porque faltou tempo), As Brumas de Avalon.

O livro que me decepcionou: Morgan: O único, de Douglas Eralldo. Porque eu esperava muito de um livro sobre zumbis, e o livro não alcançou nenhuma das expectativas, e mais, não atingiu alguns dos limites mínimos do que considero bom em um livro.

O livro que me surpreendeu: A Última Trincheira, de  Fábio Pannunzi. Eu li pensando que não seria bom. Estava na minha estante e resolvi colocá-lo na lista do Desafio Literário 2011 para depois doá-lo sem culpa, pois não gosto de me desfazer de livros sem ter lido antes. Aliás eu não gosto de me desfazer de livros, mas isso é outra história. Mas me surpreendi muito, o livro é incrível e a ideia da doação ficou para trás.

O(a) personagem do ano: Lisbeth Salander, trilogia Millennium.

O(a) autor(a) revelação: para mim é a Cristiane Lisbôa. Fui no lançamento do livro dela e ganhei o pequerruho (Nunca fui a garota papo-firme que o Roberto falou). Li de um fôlego só e me emocionei muito. A guria entende do riscado e fiquei muito feliz em conhecê-la.

O melhor livro nacional: Difícil também. Mas resolvi colocar mais um critério para facilitar minha escolha: o melhor livro nacional de autores contemporâneos, pois nesse ano li muitos autores nacionais maravilhosos (Erico Veríssimo, Lima Barreto, Auguto dos Anjos, Simçoes Lopes Neto) e escolher entre apenas um deles é meio que injustiça… Então eu escolho entre os autores mais recentes. E o eleito foi: Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky. Livro de faroeste com zumbis. Livro bom pra caramba.

O melhor livro que li em 2011: Essa categoria é a mais difícil de todas, com certeza. Vou elencar mais de um, pode? Pode, ué, afinal sou eu que estou montando a lista! Os meus cinco estrelas no Goodreads:

  • A menina que brincava com fogo (Millennium, #2), de Stieg Larsson
  • A rainha do castelo de ar (Millennium #3), de, Stieg Larsson
  • A Revolução dos Bichos, de George Orwell
  • Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky
  • Coraline, de Neil Gaiman
  • Édipo Rei, de Sófocles
  • elvis & madona [uma novela lilás], de Luiz Biajoni
  • Gota D’Água: Uma Tragédia Carioca, de Chico Buarque
  • Ilíada de Homero – Vol. 1, de Homero
  • Ilíada de Homero – Vol. 2, de Homero
  • O Guia do mochileiro das galáxias (The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy #1), de Douglas Adams
  • O Restaurante no Fim do Universo (The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, #2), de Douglas Adams
  • Até Mais, e Obrigado pelos Peixes! (The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy #4), de Douglas Adams
  • Otelo, de William Shakespeare
  • Razão e Sentimento, de Jane Austen

Li até hoje em 2011 60 livros.

A minha meta literária para 2012 é: ler todo O Tempo e o Vento de Erico Veríssimo, ler os 12 livros escolhidos para o Desafio Literário 2012 e os seis livros para o zombie chalenge. E sem excluir essas metas, pretendo ler 100 livros em 2012.

Que tal um Desafio Literário também em 2012?

Desafio Literário 2012

O Desafio Literário já faz parte do meu calendário de leituras –  e de muitos outros blogueiros e blogueiras pela rede afora. E a proposta é que ele continue firme e forte em 2012. Então quem quiser participar é só visitar o blog do desafio, ler as regras (e nesse ano tem algumas mudanças importantes) e se inscrever. Na verdade o prazo para inscrição terminou ontem, mas quem quiser pode falar com a Vivi ou se inscrever no mês que vem. Não desanima que ainda tem tempo.

Pois é, minha lista saiu com atraso. O que é uma vergonha, pois eu continuo na equipe do Desafio Literário em 2012. Só tenho a agradecer a Vivi por essa maravilhosa oportunidade e pedir desculpa pelo atraso. Mas agora que as férias da faculdade chegaram eu posso me dedicar mais aos projetos…

Então chega de papo furado e vamos a lista!

JaneiroLiteratura Gastronômica

  • Julie & Julia, de Julie Powel (Skoob) – esse eu terei de comprar, não tenho nenhum romance que envolva comida na estante. E quando vi o tema pensei direto nesse livro. É muito amor.

Fevereiro – Nome Próprio (de pessoas)

  • Frankenstein, de Mary Shelley (Skoob) – esse tema deu o que falar, mas acabei escolhendo uma leitura que estou devendo há tempos.

Março – Serial Killer

  • Abril Rojo, de Santiago Roncagliolo (Skoob) – uma das compras que fiz em Buenos Aires, por isso vou ler em espanhol mesmo.

Abril – Escritor(a) oriental

  • Teatro dos Lírios, de Lulu Wang – China (Skoob) – Comprei na Feira do Livro de POA em 2009 e está na estante desde então aguardando a oportunidade de ser lido. Pronto, não precisa mais esperar.

Maio – Fatos Históricos

  • A condição humana, de André Malraux – Guerra Civil Chinesa (Skoob) – eu me surpreendi muito com a falta de romances que tratem de fatos históricos na minha estante, os poucos que tem ou eu já li ou é autor que pretendo ler para outros fins… Bem, acabei escolhendo o Malraux, pois foi meu objeto de pesquisa na monografia de final de curso. Agora com outro livro, é claro.

Junho – Viagem no Tempo

  • O fim da eternidade, de Isaac Asimov (Skoob) – mais uma vez terei de comprar o livro, pois tudo que tenho sobre viagem no tempo na estante eu já li. E também não tenho muita coisa, fato, mas esse tema me interessa muito (lembra que eu amo Doctor Who?).

Julho – Prêmio Jabuti

  • O senhor Embaixador, de Erico Veríssimo (Skoob) – ganhador do prêmio de melhor Romance em 1966. Outro que terei de comprar. Incrível que não tenho nenhum dos livros que já ganharam o prêmio Jabuti na categoria Romance. As outras categorias eu ainda não tive tempo de ver. E li pouquíssimos deles também.

Agosto – Terror

  • Celular, de Stephen King (Skoob) – outro que terei de comprar. Apesar de adorar o gênero, minha estante é bem pobre nesse quesito. O bom é que tive o universo de escolher e resolvi dar uma chance ao tão comentado Stephen King, que eu nunca li (VERGONHA).

Setembro – Mitologia universal

  • As Brumas De Avalon – Livro 3 – O Gamo Rei, de Marion Zimmer Bradley (Skoob) – esse ficou para trás no desafio em 2011.Mas gostei tanto da série que resolvi encaixar na lista nova.

Outubro – Graphic Novel

  • Persépolis, de Marjane Satrapi (Skoob) – mais uma leitura que estou devendo. E olha que eu comprei faz quase cinco anos. Faltou tempo e oportunidade. Mas a hora é agora.

Novembro – Escritor(a) africano

  • Infância, de J. M. Coetzee (Skoob) – compra recente e único exemplar do gênero na estante, não tive muita escolha. O que não deixa de ser bom, pois sempre tive vontade de ler Coetzee.

Dezembro – Poesia

  • Cosmogonía de la carne, de Juan Carlos Miranda – esse está na estante há anos. Ganhei de presente e nunca me interessei em ler. Até tinha outras possibilidades de leituras, mas eram todas coisas que eu pretendo ler de um jeito ou de outro, então melhor ler o que eu não leria em outra oportunidade e dar uma chance ao azar.

Para 2012 eu escolhi só um livro por tema porque em 2011 não foi possível cumprir a meta de três leituras por tema e muito provavelmente em 2012 a dificuldade se repetirá. Mas o desafio está lançado.

Olhai os lírios do campo, de Erico Veríssimo

Olhai os lírios do campo, Erico Veríssimo

Não li muitos dos livros do autor gaúcho, mas pretendo ler todas as suas publicações. Porém, é inegável que a narrativa de Erico Veríssimo é sempre muito gostosa de ler. Ele tem o domínio das palavras. Em Olhai os lírios do campo, o livro que o tornou um escritor de sucesso, ele narra a história de Eugênio e seu amor por Olívia. O livro é dividido em duas partes e há uma diferença bastante grande entre elas. Essa distinção ocorre tanto na estrutura narrativa quanto na cadência da narrativa em si e da leitura.

Na primeira parte somos apresentados ao casal Eugênio e Olívia, na verdade somos apresentados ao médico Eugênio Fontes que recebe a notícia por telefone de que ela está em seu leito de morte no Hospital. Eugênio, casado com Eunice, vai para o Hospital para ver pela última vez seu verdadeiro amor. A partir daí os capítulos retomam o passado de Eugênio, ou Genoca – seu apelido de infância – e se intercalam com o trajeto do médico até o Hospital. Nesse passado descobrimos a infância pobre e infeliz, dada à pobreza do pai alfaiate, e o desejo de tornar-se um homem rico e livrar a família de todas as vergonhas geradas pela miséria. Descobrimos também como ele cresceu desejando ser médico e ajudar as pessoas, como ele entrou para a faculdade de medicina, se formou e se apaixonou por Olívia, como ele passou a ser ganancioso, detestar a pobreza e casou-se por dinheiro com Eunice.

Acompanhamos as humilhações e agonias pelas quais ele passou na infância e na adolescência, pois não se sentia parte do mundo em que vivia. Se por um lado passara a odiar a miséria da qual viera e na qual vivia, tão pouco encontrava lugar na escola em que estudava com uma espécie de bolsa de estudos na qual os pais pagavam a mensalidade da escola com trabalhos de limpeza. Na faculdade ele continuava com o mesmo sentimento de não pertencimento. Todos ali eram ricos, e ele ainda vivendo uma vida de misérias e vergonhas, ele tinha vergonha de sua pobreza. Eugênio passa por uma transformação: do menino ingênuo e humilhado que deseja uma vida digna para seus pais e estudar para ter a possibilidade de ajudar outros na mesma situação que ele e sua família, no médico que quer o seu consultório e levar uma vida boa, distante das suas origens.  Continue lendo →