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As Brumas De Avalon Livro 2 – A Grande Rainha, de Marion Zimmer Bradley

As Brumas de Avalon - A Grande Rainha

A Grande Rainha, segundo livro da série As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley, continua a saga das mulheres da corte da Bretanha, já então do Rei Artur. Ao contrário do primeiro livro, neste temos a presença contínua da cristã Gwenhwyfar (Guinevere), a Rainha, como o próprio título já indica. As outras personagens, com exceção de Morgana aparecem muito pouco e são mencionadas poucas vezes também. A Senhora do Lago, Viviane, é praticamente deixada de lado e Igraine possui um capítulo dedicado à ela.

Infelizmente, até mesmo Morgana é deixada um pouco de lado na trama. Com isto, quero dizer que ela até aparece bastante, mas seu papel é secundário, pois a narrativa está mais preocupada em narrar o desenvolvimento de Gwenhwyfar de frágil e amedrontada menina que foi desposada contra sua vontade, à Rainha de fato, que impõem sua vontade ao marido e exige inclusive que ele quebre seu juramento para com Avalon. Além disso, ela precisa lutar contra a tentação que Lancelot representa, sendo ele o amor que ela tanto deseja e não pode tê-lo, afinal ela é casada, e como boa cristã não pode entregar-se a outro homem, pois além de traição seria também pecado.

Em meio aos acontecimentos envolvendo o futuro do reino, há um reencontro entre Morgana e Lancelot, bruscamente interrompido. Acompanhamos, mesmo que em segundo plano, a trajetória de Morgana depois dos acontecimentos do final do primeiro livro. Temos a belíssima e intensa descrição do parto, onde Morgana da a luz ao filho indesejado. Segue-se a isso a ida de Morgana para a corte do Rei Artur, seu irmão, e sua permanência por lá como dama de Gwenhwyfar. Depois de alguns anos toma a decisão de voltar para Avalon. O capítulo que narra o encontro de Morgana com o País das Fadas e os dias que por lá passou é muito bonito. Marion descreveu com uma veracidade bastante interessante, além de utilizar o jogo de palavras para fazer o leitor sentir como se também estivesse por lá e passasse pela mesma confusão temporal pela qual a personagem passou.

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As Brumas De Avalon Livro 1 – A Senhora Da Magia, de Marion Zimmer Bradley

As Brumas de Avalon Livro 1 - A Senhora da Magia

Acabo de ler o primeiro livro da quadrilogia As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley que o Ju comprou pra mim no submarino (por R$ 29,90, um preço justo para uma edição tão pobrezinha e com uma diagramação from hell).

Eu tinha vontade de ler As Brumas de Avalon desde os meus 15 anos, quando comecei a me interessar por religiões pagãs, celtas e até cheguei a ler alguns livros sobre Wicca (alguém lembra da modinha Wicca do final dos anos 90?). O tempo passou e por diversos motivos adiava a leitura. Agora que comecei a quadrilogia não posso mais parar. Fiquei realmente encantada com a beleza do livro e das personagens.

A leitura não foi muito rápida pois li ao mesmo tempo outras coisas e em alguns momentos – infelizmente – tive de priorizar outros textos ao de Marion. Mas todas as vezes que pegava o livro para ler o fazia com imenso prazer e devorava suas páginas.

A lenda que envolve o Rei Arthur me é muito cara desde a infância. Desde lá eu tenho uma fascinação por histórias da Idade Média. Não o medievo dominado pela Igreja Católica, mas aquele das contradições entre paganismo e cristianismo, aquele das tribos que ainda seguiam as religiões antigas e faziam seus rituais nas florestas pedindo por coisas como fertilidade da terra. E como quase todas as crianças, tinha (e ainda tenho) fascinação pelo mágico: por fadas, gnomos, duendes, magos, bruxas, e todo ser mágico das florestas, mesmo tendo dificuldade para definir cada um deles na época (e ainda hoje confundo um pouco as categorias dos fascinantes espécimes).

Nesse primeiro livro, A Senhora da Magia, temos os primeiros acontecimentos que levaram à coroação de Arthur como Rei. E todos eles apresentados através da narração de Morgana e, portanto, a partir de uma perspectiva feminina, o que me encantou ainda mais. Em um universo machista, imposto pelo cristianismo à grupos humanos antes guiados pela Grande Deusa, as mulheres desempenharam um papel importantíssimo tanto para garantir (ou não) a permanência de Avalon, quanto para unir os povos da Bretanha.

Marion Zimmer Bradley reconstrói a partir de estudos da história e da lenda, da fantasia, uma Bretanha no início da Idade Média e faz muito bem. A verossimilhança é impressionante (verossimilhança porque é impossível para a História reconstruir o passado tal como era) e dá ainda mais vivacidade à narrativa. Não só os acontecimentos são extremamente realistas e baseados na história como a descrição das paisagens e principalmente dos rituais são fascinantes.

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