Na noite de ontem, no programa “Fantástico” da TV Globo, uma matéria chamou muito a minha atenção, a disputa entre os criminosos do latifúndio, os ambientalistas do Greenpeace e os moradores do Pará.
Me intrigou muito o espaço destinado a esse tipo de matéria. As imagens são chocantes. A disputa vem de tempos, e apesar de a ONG Greenpeace, ter deixado o lado ONG pra trás e ter se transformado em empresa, eu admiro o trabalho dos seus militantes e em especial o trabalho que fazem no Pará em prol da Floresta Amazônica. Eu fico indignada com esses latifundiários com seus argumentos estúpidos para justificar o desmatamento da floresta. Um deles inclusive chegou a afirmar que desmatar não é crime. O argumento principal desses criminosos diz respeito à produção do soja. Eles afirmama que desmatam para alimentar o país e diminuir a fome. Ora, se a produção fosse feita realmente para o país, mas é produto para exportação, e como bem disse uma das moradoras, o dinheiro não fica para a comunidade, fica tudo no bolso dos fazendeiros ricos. O pior é que esses latifunndiários são dos Sul e Sudeste do país, na sua maioria, e vão pra lá justamnete para ganhar mais dinheiro, pois são terras federais, irregulares.
Os criminosos do latifúndio querem que o governo regularize suas terras, o IBAMA fica quase sem ação, pois de um lado há a pressão dos fazendeiros, que matam pra conseguir o que querem (lembre-se da irmã americana assassinada ano passado), de outro os ambientalistas que exigem a expulsão desses que matam e desmatam, e os moradores que cada vez mais são excluídos e obrigados a migrarem de seus locais de origem. Ao manifestarem-se, os militantes ecológicos são ameaçados e presos, como foi o caso do porto de 20 milhões de dólares construído para facilitar a exportação desses produtos plantados ilegalmente. Os ecologistas foram barrados pelos seguranças e tiveram seu navio destruído pelos fazendeiros. Quem foi preso pela Polícia Federal? Os militantes, é claro, levando em consideração que a polícia só existe para um único fim, proteger, mas não a população em geral, e sim a classe e burguesa e sua propriedade.
A imagem que ficou como símbolo dessa luta foi a enorme faixa amarela, com a escrita “100% CRIME” estendida em uma das plantações, logo após destruída pelo fazendeiro e seu carro (o mesmo que afirmou: “desmatar não é crime”). Essa é uma luta que deve ser incorporada ao nosso cotidiano. Em pequenos atos, em militância ou apoio às entidades ou organizações ambientais. Essa luta é nossa, e não deles. Estamos distantes geográficamente, mas isso não pode impedir de nos solidarizarmos com nossos companheiros, a Amazônia é de todos.
Daniela Soares, 20 de Abril de 1984, habitante de Cachoeirinha/RS. Estudo História na UFRGS... É uma dessas gurias que vivem com o tal de 'roque em rou'... mais?