Retrospectiva Literária 2011

Retrospectiva Literário 2011

A Angélica do blog Pensamento Tangencial propôs mais uma vez a blogagem coletiva Retrospectiva Literária e eu resolvi aderir. Uma boa maneira de refletir sobre as leituras feitas ao longo do ano. Então, vamos às respostas:

O livro infanto-juvenil que mais gostei: Coraline, de Neil Gaiman. Ainda me encanto com essa história cada vez que me lembro.

A aventura que me tirou o fôlego: Ilíada (volume 1 e 2), de Homero. Não imaginei que leria tão rápido os dois volumes, foram necessárias apenas três tardes para dar conta dos grossos volumes. A história é super conhecida, mas ler é tão incrível. Estou devendo resenha, quem sabe em 2012 não sai uma.

O terror que me deixou sem dormir: o conto A queda da casa de Usher, de Edgar Allan Poe. Minha incursão por Poe começou com seus contos. Li quatro contos do autor e preciso mergulhar mais a fundo, porque pela amostra grátis deu para perceber que é terrivelmente bom.

O suspense mais eletrizante: os dois últimos livros da Trilogia Millennium (o primeiro li em 2010, por isso não está incluso): A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar. Não tem como não amar essa saga.

O romance que me fez suspirar: Razão e Sentimento, de Jane Austen (o título mais comum é Razão e Sensibilidade, mas o tradutor da edição que encontrei optou por esse título). Li para o Book Club que participava no primeiro semestre e ainda não fiz resenha, mas eu simplesmente amei esse livro e suspiro pelos dois casais. Acabei me comprometendo com um desafio sobre Jane Austen e li o livro mas não fiz resenha.

A saga que me conquistou: Não tem nem o que titubear, Trilogia Millennium.

O clássico que me marcou: Ilíada me marcou muito, e não sei se li nada mais clássico do que isso, mas para essa categoria eu escolho Otelo, de Shakespeare. A obra do bardo é outro clássico indiscutível e fiquei realmente feliz em ler mais uma de suas obras.

O livro que me fez refletir: Eu escolho três livros nessa categoria. O primeiro deles é elvis & madona [uma novela lilás], de Luiz Biajoni. A leitura rápida não deixa de ser profunda e de abrir caminho para uma reflexão sobre o temas abordado no livro: o amor, a amizade verdadeira e a tolerância às diferenças. O segundo foi O último dia de um condenado, de Victor Hugo. Um livro que me fez refleir muito sobre prisão, pena de morte, condição humana. Cada página é recheada de crítica e uma bela cutucada na sociedade. E por último, mas não menos importante, A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Não foi a primeira vez que li, e a cada releitura esse livro se torna melhor e melhor. Uma verdadeira aula de política, de História, sobre o ser humano.

O livro que me fez rir: Foi uma saga inteira: O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams. Eu reli os dois primeiros volumes da série e finalmente li os três últimos da trilogia de quatro que na verdade são cinco (e o sexto já foi lançado, mas esse eu não li). Gargalhadas garantidas or conta do enredo quase insólito, das piadas inteligentes e algumas até mesmo herméticas, que só entende quem se esforça um tantinho. Recomendo sempre.

O livro que me fez chorar: eu choro, muito, lendo, vendo série, filme, me emociono com muitas coisas. Mas uma das coisas que mais me emocionam são histórias de amor entre pai e filho e mãe e filho. Então eu escolho para esta categoria Adivinha quanto eu te amo, de Sam McBratney. Um livro infantil bem pequenino, mas muito tocante.

O melhor livro de fantasia: essa é uma categoria muito difícil, viu. Eu fico dividida entre duas séries, uma que eu li completa (e ficção científica pode ser fantasia) que O Guia do Mochileiro das Galáxias e a que li pela metade (porque faltou tempo), As Brumas de Avalon.

O livro que me decepcionou: Morgan: O único, de Douglas Eralldo. Porque eu esperava muito de um livro sobre zumbis, e o livro não alcançou nenhuma das expectativas, e mais, não atingiu alguns dos limites mínimos do que considero bom em um livro.

O livro que me surpreendeu: A Última Trincheira, de  Fábio Pannunzi. Eu li pensando que não seria bom. Estava na minha estante e resolvi colocá-lo na lista do Desafio Literário 2011 para depois doá-lo sem culpa, pois não gosto de me desfazer de livros sem ter lido antes. Aliás eu não gosto de me desfazer de livros, mas isso é outra história. Mas me surpreendi muito, o livro é incrível e a ideia da doação ficou para trás.

O(a) personagem do ano: Lisbeth Salander, trilogia Millennium.

O(a) autor(a) revelação: para mim é a Cristiane Lisbôa. Fui no lançamento do livro dela e ganhei o pequerruho (Nunca fui a garota papo-firme que o Roberto falou). Li de um fôlego só e me emocionei muito. A guria entende do riscado e fiquei muito feliz em conhecê-la.

O melhor livro nacional: Difícil também. Mas resolvi colocar mais um critério para facilitar minha escolha: o melhor livro nacional de autores contemporâneos, pois nesse ano li muitos autores nacionais maravilhosos (Erico Veríssimo, Lima Barreto, Auguto dos Anjos, Simçoes Lopes Neto) e escolher entre apenas um deles é meio que injustiça… Então eu escolho entre os autores mais recentes. E o eleito foi: Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky. Livro de faroeste com zumbis. Livro bom pra caramba.

O melhor livro que li em 2011: Essa categoria é a mais difícil de todas, com certeza. Vou elencar mais de um, pode? Pode, ué, afinal sou eu que estou montando a lista! Os meus cinco estrelas no Goodreads:

  • A menina que brincava com fogo (Millennium, #2), de Stieg Larsson
  • A rainha do castelo de ar (Millennium #3), de, Stieg Larsson
  • A Revolução dos Bichos, de George Orwell
  • Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky
  • Coraline, de Neil Gaiman
  • Édipo Rei, de Sófocles
  • elvis & madona [uma novela lilás], de Luiz Biajoni
  • Gota D’Água: Uma Tragédia Carioca, de Chico Buarque
  • Ilíada de Homero – Vol. 1, de Homero
  • Ilíada de Homero – Vol. 2, de Homero
  • O Guia do mochileiro das galáxias (The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy #1), de Douglas Adams
  • O Restaurante no Fim do Universo (The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, #2), de Douglas Adams
  • Até Mais, e Obrigado pelos Peixes! (The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy #4), de Douglas Adams
  • Otelo, de William Shakespeare
  • Razão e Sentimento, de Jane Austen

Li até hoje em 2011 60 livros.

A minha meta literária para 2012 é: ler todo O Tempo e o Vento de Erico Veríssimo, ler os 12 livros escolhidos para o Desafio Literário 2012 e os seis livros para o zombie chalenge. E sem excluir essas metas, pretendo ler 100 livros em 2012.

O Meme Literário de Um Mês 2011 – Dia 31

Qual o livro que você leu esse ano que mais gostou?
(Fale sobre ele)

A Rainha do Castelo de Ar, Stieg Larsson

Nesse ano eu li muito livro bom. Fica difícil escolher um só. Mas como é preciso, vou ficar com um que devorei em poucos dias, que marcou o final de uma trilogia que eu simplesmente me apaixonei e com a personagem mais marcante do ano: A rainha do castelo de ar (Millennium #3), de Stieg Larsson. Uma narrativa clara, concisa, de tirar o fôlego e de uma evolução surpreendente, A Rainha do Castelo de Ar é o mais longo dos livros da Trilogia Millennium e pode até intimidar alguns leitores pelo tamanho, mas certamente conquistou minha admiração. Sua leitura despertou em mim, além de um sentimento agradável que se apoderou do meu ânimo ao ler um livro extraordinário, uma angustiosa e deliciosa expectativa sobre o que poderia acontecer. Cada palavra, cada frase, tinha um porquê e levava a um questionamento sobre os caminhos e decisões a serem tomados pelos personagens.

Para ver as respostas dos outros dias, clique aqui.

O Meme Literário de Um Mês 2011 – Dia 13

Se você pudesse trocar de lugar com o personagem de um livro, qual seria? (Que história dessa personagem você gostaria de viver?)

Lisbeth Salander no filme suéco

Já começo com uma pergunta difícil. Pensei em todas as histórias que sou apaixonada e considerei ser uma personagem de Harry Potter, de O Senhor dos Anéis, de Doctor Who (tem livros!), de As Crônicas de Nárnia, de Jane AustenO Tempo e o Vento. Mas aí eu lembrei da trilogia Millennium, do suéco  Stieg Larsson, e de como Lisbeth Salander me impressionou. Acredito que se pudesse trocar de lugar com uma personagem da literatura seria com ela. Lisbeth é MUITO inteligente, característica que eu prezo por demais nas pessoas, tem memória visual – algo que eu acho interessantíssimo -, não tem medo de nada, é durona e além de fazer de tudo com o computador (desejo) ela quer acabar com o sistema. Rola uma identificação muito forte. Mesmo que ela tenha sofrido de um tudo nos livros, ela não deixou nada barato, foi atrás e se vingou bonito. Eu adoraria ser durona, desvendar grandes esquemas e investigar a fundo crimes do governo como ela.

Para ver as respostas dos outros dias, clique aqui.

A Rainha do Castelo de Ar, Stieg Larsson

A Rainha do Castelo de Ar, Stieg Larsson

Para dar continuidade à leitura da Trilogia Millennium, li o terceiro volume da série: A Rainha do Castelo de Ar. Mais uma vez as expectativas foram superadas.

Nesse livro Larsson narra os acontecimentos imediatamente posteriores ao final do segundo volume da trilogia. As primeiras 150 páginas possuem uma narrativa mais lenta em relação ao restante da série e do próprio livro em função exatamente da natureza dos acontecimentos. Lisbeth vai para o hospital e sofre algumas cirurgias, a mais complicada delas consistia em retirar um projétil alojado em seu cérebro. A partir de então ela fica incomunicável, detida na sala de recuperação pela polícia. As únicas pessoas com as quais ela tem contato são da equipe do hospital que são responsáveis pelo seu estado de saúde, sua advogada e a polícia.

Enquanto isso Mikael continua sua investigação paralela à da polícia para provar a inocência de Lisbeth. Na busca por informações ele próprio passa a ser alvo da organização secreta do governo a qual ele investiga e privou Salander de sua liberdade constitucional. Mais uma vez Larsson me surpreendeu com sua narrativa, o livro parecia um imã, pois não conseguia ficar longe dele até terminada a leitura. A parte final é ainda mais instigante e a narrativa é tão fluida que li muitas páginas tão rápido que quando vi já tinha terminado o livro.

O mistério em torno de Salander é revelado por completo, o que poderia fazer com que a personagem perdesse o encanto. Todavia, ocorre o contrário, fiquei ainda mais apaixonada por Lisbeth. É uma personagem tão interessante, complexa, admirável, forte e frágil ao mesmo tempo, anarquista e independente que faz ter vontade de mudar vários aspectos de nossas vidas. E não é apenas a dupla Mikael-Lisbeth que são personagens incríveis, cativantes e cheio de nuances. Muitos outros nos são apresentados ou retomados ao longo do livro.

Uma narrativa clara, concisa, de tirar o fôlego e de uma evolução surpreendente, A Rainha do Castelo de Ar é o mais longo dos livros da Trilogia Millennium e pode até intimidar alguns leitores pelo tamanho, mas certamente conquistou minha admiração. Sua leitura despertou em mim, além de um sentimento agradável que se apoderou do meu ânimo ao ler um livro extraordinário, uma angustiosa e deliciosa expectativa sobre o que poderia acontecer. Cada palavra, cada frase, tinha um porquê e levava a um questionamento sobre os caminhos e decisões a serem tomados pelos personagens.

Leia os textos para os dois primeiros volumes da Trilogia Millennium publicados aqui no blog:

  1. Os homens que não amavam as mulheres
  2. A menina que brincava com fogo

A Rainha do Castelo de Ar
Trilogia Millennium Volume 3
Autor: Stieg Larsson
Editora: Companhia das Letras
688 páginas
Skoob | Submarino
[xrr rating=5/5]

A menina que brincava com fogo, Stieg Larsson

A menina que brincava com fogo, Stieg Larsson

Para dar continuidade à leitura da Trilogia Millennium, li o segundo livro da série: A menina que brincava com fogo. A expectativa era grande, tendo em vista o quanto gostei do primeiro livro. E eu gostei muito desse também.

Dois anos depois dos acontecimentos traumáticos narrados em Os Homens que não amavam as mulheres, a revista Millenium encontra um novo colaborador que está prester a publicar um artigo e um livro sobre o tráfico de mulheres. Esse colaborador e sua companheira pesquisam o tema há anos e procuram a revista para publicar e denunciar os envolvidos – que vão desde policias do serviço secreto sueco à jornalistas conhecidos.

Somos apresentados aos novos personagens na primeira parte do livro enquanto a rotina no exterior da protagonista Lisbeth Salander é narrada também. Muito embora Larsson demore bastante para engrenar o cenário no qual o desenrolar a história se passará (quase 200 páginas), essa primeira parte do livro é deliciosa e conseguiu me prender por horas a fio. E o cenário é bastante complicado. Dag Svenson e Mia Bergman são assassinados no apartamento em que moravam e a suspeita recai sobre Lisbeth. A situação para ela piora ainda mais quando seu tutor também é encontrado morto.

Mikail e Lisbeth não se viam desde os eventos na Ilha de Hedeby. Ele acredita na inocência da mulher que outrora salvou sua vida e resolve realizar uma investigação paralela ao cerco que a polícia montou para prendê-la. Acontece que Salander não é uma mulher fácil de ser localizada e é muito mais inteligente do que seus perseguidores.

Entretanto, uma das melhores coisas do primeiro livro se perde na narrativa: o mistério em torno de Salander. Todo o passado da heroína é desvendado, pois mesmo que Mikail acredite na inocência dela, Lisbeth está envolvida com tudo o que aconteceu. Mesmo que eu já soubesse o desfecho da história quando li (afinal, eu já tinha visto o filme, que é fantástico, por sinal) eu não contarei se ela é inocente ou não.

Mesmo que a vida de Salander seja destrinchada com as pesquisas que Mikail, a polícia e ela mesma fazem para desvendar o mistério dos assassinatos, a personagem desaparece da narrativa por um bom trecho na metade do livro. Esse sumiço compromete um pouco a história, afinal ela é a minha personagem preferida e eu fiquei o tempo todo muito curiosa para saber o que Lisbeth andava aprontado no seu esconderijo.

A citação que eu destaco do livro é a seguinte:

 Lisbeth Salander era a mulher que odiava os homens que não gostavam de mulheres. (p.560)

Apesar desses dois problemas (a enrolação inicial e o sumiço da protagonista – acompanhada do fim do mistério que a cercava) o livro é muito bom, me cativou desde o princípio e a melhor definição para minha leitura é o verbo devorar. Eu devorei as 608 páginas em três dias e com muita excitação.

A menina que brincava com fogo
Trilogia Millennium Volume 2
Autor: Stieg Larsson
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 608
Compre: Submarino
[xrr rating=5/5]