Ah, como eu adoro Peanuts! Dos desenhos, das tirinhas, do humor doce-amargo-negro. Tem algo de encantador nas tiras de Charlie Brown, Snoopy e de todo o elenco de personagens adoráveis. Na verdade é difícil escolher qual deles eu gosto mais. Tenho uma afeição muito grande pelo Charlie Brown, pelo Snoopy. Mas não posso deixar de mencionar o quanto gosto de Linus van Pelt e seu cobertor azul, fiel companheiro.
As tiras quase sessentonas são tão contemporâneas, e são responsáveis por frases tão clássicas como essas do Linus: “Há três coisas que aprendi a nunca a discutir com as pessoas: Religião, Política e a Grande Abóbora” (e a frase vai para o Grande Abóbora, por motivos óbvios), ou ainda “Como você pode dizer que estou gordo? Estou apenas com estômago musculoso” (feita sob medida para esta que vos escreve), ou ainda “Não falei que tô apaixonado por ela, simplesmente disse que gosto muito do chão que ela pisa…” (invertendo o gênero do enunciado…)
Não há busca de sentido nos pequenos balões das tiras criadas por Schulz lá em 1950. Há sim uma desconstrução de signos, um abalo que beira ao cataclisma com apenas algumas igênuas palavras dos personagens. Tanto as tiras, quanto os desenhos carregam em si uma simplicidade aterradora, pois dessa simplicidade saem palavras tão sábias, silêncios tão esclarecedores e gestos tão encantadores.
Daniela Soares, 20 de Abril de 1984, habitante de Cachoeirinha/RS. Estudo História na UFRGS... É uma dessas gurias que vivem com o tal de 'roque em rou'... mais?