6 em 6 – junho 2017

Esses dias estava lembrando da primeira vez que fui ao Peru (em 2013/2014) e de tudo que vi, vivi e aprendi lá. Foi uma das melhores viagens que já fiz na minha vida. E eu quase perdi todos os registros fotográficos. Estava tentando recuperar as imagens e os vídeos e eis que encontro uma sequência de fotos muito bacana. Estava em Paracas, na fila para a embarcação que nos levaria a conhecer as Islas Guaneras, um conjunto de formações nas quais vivem muitos, mas muitos animais marinhos e aves que deixam kilos e kilos de guano nas rochas, cocô mesmo. Esse guano é utilizado como fertilizante e tal, mas a ilha virou atração turística pela sua beleza e diversidade biológica. Voltando à fila: um senhor estava alimentando aves gigantescas (eu acho que eram pelicanos, quem souber avisa nos comentários) e elas estavam bem pertinho mesmo.Este senhor estava alimentando as aves para ser fotografado pelos turistas e em troca pedia alguns trocados. Foi um momento tão bacana e que rendeu fotos tão legais que resolvi compartilhar.

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6 em 6 – Setembro de 2015

Finalmente eu voltei com o projeto 6 em 6. Apesar da simplicidade que é postar seis fotos no blog todo dia 6 do mês, sem tema nem nada, eu estou há mais de um ano sem conseguir postar fotos no dia 6. Como estou tentando voltar com força total para o universo blogueiro, quero essa pauta fixa daqui por diante.

Então lá vai. Esse mês resolvi postar algumas fotos das minhas últimas viagens para dar um gostinho do que vem por aí: posts recheados de dicas e experiências de viagem.

Casa Rosada em Buenos Aires
Paranapiacaba, São Paulo
La Sebastiana, uma das casas museu de Pablo Neruda, em Valparaíso, Chile
Macchu Picchu no Peru
Farol de Klein Curaçao em Curaçao
Vista de cima do Pão de Açúcar, Rio de Janeiro

Então, um destino, uma foto. Internacionais, nacionais, não importa, o que importa é viajar! Até mais, e não esqueça de deixar seu comentário. 😉

Neurose de blogueira e viajante

Andei viajando. Vagando pela América Latina.

Quanta pretensão!

Vagando por dois países da América Latina.

Acontece que Chile e Peru foram duas viagens maravilhosas. De verdade. Não há dúvidas que tenho muita vontade de compartilhar com os parcos leitores desse blog e, quem sabe, inspirar e ajudar alguns outros viajantes por terras latinas a conhecer estes países.

No entanto minha neurose é tamanha que não sei se consigo escrever sobre o Peru (viagem mais recente) antes de falar sobre o Chile (viagem que fiz há mias tempo e não escrevi uma linha sequer sobre isso no blog – foi em tempos de total abandono da blogosfera). Daí que preciso de ajuda. Para superar a neurose e para decidir: escrevo em ordem, primeiro sobre o Chile, e depois sobre o Peru? Chuto o pau da barraca e escrevo sobre a viagem mais recente primeiro ou ainda escrevo concomitantemente sobre as duas viagens?

Comentários disponíveis para possíveis soluções ao meu dilema e para sugestões de terapias para superar essa e outras mil neuroses que convivo todos os dias.

Abril rojo, de Santiago Roncagliolo

O livro de Santiago Roncagliolo é sobre um serial killer, mas é um thriller político antes de tudo. O mistério que é relatado é assustador e ao mesmo tempo cativante, pois vai além dos crimes em série e retrata a vida política e cultural do Peru do início do século XXI. Esse foi o primeiro livro de autor peruano que eu li e também o primeiro ambientado no Peru que eu tive o prazer de ter em mãos. Foi muito interessante entrar em contato com uma realidade completamente diferente, na qual a cultura indígena ainda é bastante presente no dia a dia da população e rituais católicos convivem com rituais indígenas, embora não tão pacificamente, mas lado a lado e influenciando fortemente a vida de todos.

A narrativa toma lugar em uma pequena cidade peruana, Ayacucho, nos meses de Março e Abril de 2000 e centra-se na busca por um assassino em série. O investigador é um homem comum, Félix Chacaltana Saldívar, um promotor distrital adjunto que recentemente retornou à sua cidade natal depois de mais de vinte anos de trabalho em Lima (capital do Peru). Ao se deparar com um crime terrível, precisa escrever seu relatório e mandar para outro departamento que se nega a receber o documento ao mesmo tempo que o departamento responsável por fornecer as informações necessárias dificulta a vida do procurador que acaba se transformando portanto em investigador. Nesse processo Félix acaba descobrindo algumas verdades sobre a realidade política de seu país e sobre si. O promotor descobre, entre tantos outros segredos de Estado, que o grupo Sendero Luminoso (considerado terrorista pelas Forças Armadas de seu país) ainda está em atividade, contrariando todos os pronunciamentos oficiais.

Depois do primeiro assassinato demora um pouco para que outros crimes relacionados aconteçam, o que me deixou um tanto ansiosa. A espera pelos crimes não prejudicou em absoluto o andamento da narrativa, mas no meu caso quebrou um pouco o clima da leitura, pois minha expectativa era de que o livro tratasse de assassinatos em série. E foi apenas depois da metade do livro que a expectativa se concretizou e muito sangue e membros começaram a rolar. É claro que a maneira como os acontecimentos foram narrados foi muito sofisticada e com uma trama muito bem amarrada, nada de cenas escatológicas. A tensão que o autor me deixou a cada nova descoberta e a cada novo retrocesso na investigação foi incrível, deixando a leitura mais frenética a cada página, sem, é claro, descolar o ritmo enérgico da trama política muito bem amarrada que acompanhava a busca por novas pistas.

Com sua narrativa, Santiago Roncagliolo faz uma análise da violência em muitos aspectos: a violência com que os crimes eram cometidos, a violência dos grupos Senderistas, a violência do governo, a violência das desigualdades, a violência da dominação cultural e política… A investigação leva Félix a se embrenhar cada vez mais fundo nas contradições do governo e ele precisa a todo momento enfrentar a negação do governo da violência existente no país que ele próprio testemunha. Um dos pontos interessantes da narrativa é a intersecção feita entre os crimes e as datas cristãs que antecedem a Páscoa, um tempo de morte e ressurreição para a cultura católica. A violência cometida está o tempo todo ligada e contrastando com essas celebrações que são muito tradicionais e de presença forte no calendário peruano (coisa que eu nao fazia ideia), e há uma forte conexão entre a forma como os assassinatos são realizados e o simbolismo religioso.

O protagonista Félix Chacaltana não é menos interessante do que a história que vive. No início ele parece monótono e metódico, mas conforme os fatos se apresentam para ele, é preciso reagir e tomar atitudes que não combinam com sua personalidade. Com isso ele sofre uma transformação muito interessante e mesmo sendo o investigador, deixa dúvidas de sua honestidade a respeito de suas conclusões sobre os crimes. É difícil ignorar suas peculiaridades ao mesmo tempo em que é difícil acreditar nele. Ele começa sua investigação não porque quer fazer justiça, mas porque é empurrado por uma obrigação que beira um transtorno obsessivo-compulsivo. Além disso, ele tem um fascínio bizarro por sua falecida mãe (reconstruiu o quarto dela exatamente como era antes de mudar-se para Lima, fala com as fotos e se comporta como se ela ainda estivesse viva – perturbador, não?). É terrivelmente ingênuo quando se trata do funcionamento das autoridades locais e também faz o tipo obstinado, os obstáculos colocados pelo exército para barrarem sua investigação não o impedem de seguir adiante e ele

Além do protagonista, vários personagens são introduzidos ao longo do romance e figuram a lista prováveis assassinos, colaborando para aumentar a tensão. Embora alguns desses personagens possam parecer estereotipados num primeiro momento, as circunstâncias os tornam mais profundos à medida que o narrativa avança. Uma personagem importante é Edith, uma garçonete com a qual Félix acaba se envolvendo amorosamente. A relação entre eles não é simples e a tensão do romance entre eles acompanha a investigação do promotor e culmina com cenas bastante fortes. Só o qe posso dizer é que Chacaltana sucumbe à violência que o rodeia.

O final é bastante surpreendente, mas um tanto decepcionante. Não completamente, é claro, mas o suficiente para que eu não o avaliasse melhor nas redes sociais para leitores. O livro não é uma obra prima da ficção de mistério justamente pelo final, pois a narratia como um todo é bastante metódica e cheia de amarras que garantem o estado de tensão até o final. E o que o torna um romance acima da média são as questões que emergem da narrativa: a conexão da busca pela responsabilidade moral do governo, dos indivíduos, da sociedade, a escolha entre o menor dos males e os temas históricos, políticos e religiosos com o abuso de poder e a repercussão que isso tem na vida das pessoas.

Abril Rojo
Santiago Roncagliolo
328 páginas
Editora Alfaguara (Espanha)
Goodreads
[xrr rating=3.5/5]

Desafio Literário 2012

A resenha mais atrasada de todas, mas a leitura foi feita em dia. Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Desafio Literário 2012. A resenha corresponde ao mês de Março, cujo objetivo é ler um livro sobre um Serial Killer.

Confira no blog do desafio as resenhas dos outros participantes para este mês. Ou descubra quais foram as minhas escolhas.

Participe, comente, leia. Gostou da ideia? Siga o @DL_2012 no twitter. Aproveita e segue a equipe do Desafio Literário 2012 no twitter também: @vivi@danihaendchen@queromorarlivr e eu, @clandestini.

Confira as leituras feitas para o Desafio Literário 2012:

Janeiro – Literatura Gastronômica: Julie & Julia: 365 dias, 524 receitas e 1 cozinha apertada, de Julie Powell.

Fevereiro – Nome Próprio: Frankenstein, de Mary Shelley

Março – Serial Killer: Abril rojo, de Santiago Roncagliolo