Twice upon a time: me despedindo do 12º Doutor

Eu sou apaixonada por Doctor Who, e não é de hoje. Tem muitas tentativas de resenha aqui no blog para provar. Mas como tanta coisa aconteceu e o blog passou por muitas fases e abandonos, acabai não falando mais sobre uma das minhas séries preferidas da vida por aqui. Isso até agora, porque nesse Natal o especial foi exibido no cinema e eu fui conferir, porque foi especial também por ser uma regeneração, a do Capaldão (apelido carinhoso que utilizo para me referir ao Peter Capaldi, o 12º Doutor). Disclaimer feito, vamos ao que interessa.

Nossa, como chorei. Aliás, no documentário exibido antes do episódio de fato começar eu já estava chorando. Chorei não apenas por ser uma regeneração, que sempre é muito emocionante, mas todo o clima do episódio, todas as falas, tudo foi tão maravilhosamente e cuidadosamente feito que me atingiram em um nível que nem sei explicar.

Logo no início do episódio Rachel Talalay inseriu o ator David Bradley como 1º Doctor de uma maneira muito bacana. A forma como ela inseriu na tela o primeiro Doutor foi incrível, uma mistura de imagens da época com imagens refeitas em cima das que já existiam. Perfeito! Eu já adorava a ideia de David interpretar o primeiro Doutor desde An Adventure in Space and Time, um telefilme britânico de 2013 escrito por Mark Gatiss especialmente para o aniversário de 50 anos de Doctor Who, que  dramatiza a forma como Doctor Who foi criado e produzido. Mas eu fiquei impressionada com foi uma excelente escolha! Bradley arrasou, de verdade. E ver todo o conflito entre a primeira e a última versão do mesmo Doutor foi mesmo muito especial.

Nesse episódio o Doutor, em suas duas versões, questiona sua regeneração. Cada um com seus motivos, eles não querem regenerar. E durante o episódio o amadurecimento dos personagens em torno dessa questão é muito bem trabalhado. Cada fala dos dois leva ao final do episódio. E que falas. Todas, eu disse todas as falas do episódio são absolutamente bem trabalhadas e fazem parte de algo maior, a regeneração que está por vir.

O enredo do episódio é também fantástico. A criatura nova que é apresentada, um problema na linha do tempo, o retorno de personagens queridas, tudo é ao mesmo tempo novo e nostálgico. Foi um episódio para os fãs e para a equipe envolvida (que também é fã). O amor dos atores e atrizes, da diretora, do Moffat pela série era palpável na tela.

O conflito, o medo de seguir em frente, os desfechos, cada coisa muito bem trabalhada para que a despedida de Capaldi fosse triste, mas um triste melancólico, um triste nostálgico, não só de Capaldi, mas de todos os doutores.

E o desfecho para Bill e Nardole, que coisa mais linda! E Clara, ah Clara, foi tão bom te rever, tão maravilhoso o que Moffat nos presenteou, a forma como sua história foi encerrada. Mark Gatiss estava espetacular também. Um oficial da primeira guerra que ficou preso numa intrincada ruptura na linha do tempo que interpretou de forma maravilhosa a confusão e maravilhamento de estar na TARDIS e viajar para outros tempos e lugares, conhecer pessoas diferentes e conhecer dois doutores.

Alias, um dos pontos altos (que foram muitos!) do episódio foi acena do Armistício de Natal nas trincheiras em 1914. Que cena arrepiante. Como muitas outras, chorei muito. Aliás, eu chorei o tempo todo. Mas também ri. Muitas referências engraçadas e muitas piadas, todas muito bem colocadas na hora certa. Mas as melhores piadas foram aquelas que faziam referência ao conflito de gerações entre os doutores e como Bill lidou com isso. Alias, Bill, parabéns, você entrou para o roll das melhores companions por tudo que fez nessa temporada, mas nesse especial você estava sensacional.

Sentirei muita falta do 12º Doutor, de Bill e de Moffat, mas estou tão ansiosa pela nova fase, ver como tudo vai ser sem o Moffat e com a Jodie Whittaker como Doutora que estou com meu coração dividido. O gostinho de Jodie como nossa 13º Doutora na TARDIS já me deixou bem ansiosa.

Long story short: amei demais a experiência de voltar a ver Doctor Who no cinema (já tinha visto o especial de 50 anos), chorei muito, ri bastante, fiquei nostálgica com personagens que amo, ansiosa pela nova doutora e já quero a nova temporada para logo.

Alguém mais assistiu? Me conta o que achou.