Blog Retrospectiva 2011

Em 2008 participei do Desafio 21 Dias, proposto pelo Blosque. Uma das propostas do Desafio foi fazer uma retrospectiva do blog. Gostei muito da idéia, que já estava na cabeça há tempos, que resolvi fazer a edição 2009, fiz outra em 2010 e agora farei a edição 2011. Já virou tradição.

Para cada mês do ano eu escolhi um texto para recordar.

Retrospectiva 2011

Janeiro

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (Stieg Larsson): A resenha do primeiro livro da série recente que me encantou e me viciou!

Fevereiro

Buenos Aires: meu primeiro destino internacional: O título já diz tudo! Uma “resenha” sobre a capital da Argentina.

Março

2001: Uma odisséia no espaço: resenha despretensiosa de um dos melhores filmes que eu já vi!

Abril

Doctor Who: um texto de apresentação de uma das melhores séries já produzidas.

Maio

Doctor Who – 6×01 – The Impossible Astronaut: a primeira resenha de episódio de Doctor Who no blog.

Junho

Meet Starbuck.: a chegada do novo membro da família não poderia ficar de fora!

Julho

Harry Potter, the end.: o fim de uma era.

Agosto

Como escolho minhas leituras?: escolher o próximo livro para ler não é uma ciência exata.

Setembro

Minha primeira vez na terra da garoa: outro diário de viagem.

Outubro

Dia D. Dia de Drummond: uma das experiências mais bacanas do ano, um vídeo, um poema e oito pessoas.

Novembro

O Sol Também se Levanta, de Ernest Hemingway: um novo mergulho em Hemingway.

Dezembro

Doctor Who 07×00: The Doctor, the Widow and the Wardrobe: o tão aguardado especial de Natal de Doctor Who.

Para escolher os textos da retrospectiva eu tentei levar em conta os comentários, o número de visitas e tudo, mas no final, o que acabou pesando mais foi o carinho e o gosto pessoal mesmo.

Agora que eu já listei um post publicado para cada mês do ano dou por encerrada essa retrospectiva, mas não deixe de navegar nos textos relacionados, deixar sua opinião sobre os textos e experimentar fazer uma retrospectiva própria.

Um ótimo 2012 para todos!

A Rainha do Castelo de Ar, Stieg Larsson

A Rainha do Castelo de Ar, Stieg Larsson

Para dar continuidade à leitura da Trilogia Millennium, li o terceiro volume da série: A Rainha do Castelo de Ar. Mais uma vez as expectativas foram superadas.

Nesse livro Larsson narra os acontecimentos imediatamente posteriores ao final do segundo volume da trilogia. As primeiras 150 páginas possuem uma narrativa mais lenta em relação ao restante da série e do próprio livro em função exatamente da natureza dos acontecimentos. Lisbeth vai para o hospital e sofre algumas cirurgias, a mais complicada delas consistia em retirar um projétil alojado em seu cérebro. A partir de então ela fica incomunicável, detida na sala de recuperação pela polícia. As únicas pessoas com as quais ela tem contato são da equipe do hospital que são responsáveis pelo seu estado de saúde, sua advogada e a polícia.

Enquanto isso Mikael continua sua investigação paralela à da polícia para provar a inocência de Lisbeth. Na busca por informações ele próprio passa a ser alvo da organização secreta do governo a qual ele investiga e privou Salander de sua liberdade constitucional. Mais uma vez Larsson me surpreendeu com sua narrativa, o livro parecia um imã, pois não conseguia ficar longe dele até terminada a leitura. A parte final é ainda mais instigante e a narrativa é tão fluida que li muitas páginas tão rápido que quando vi já tinha terminado o livro.

O mistério em torno de Salander é revelado por completo, o que poderia fazer com que a personagem perdesse o encanto. Todavia, ocorre o contrário, fiquei ainda mais apaixonada por Lisbeth. É uma personagem tão interessante, complexa, admirável, forte e frágil ao mesmo tempo, anarquista e independente que faz ter vontade de mudar vários aspectos de nossas vidas. E não é apenas a dupla Mikael-Lisbeth que são personagens incríveis, cativantes e cheio de nuances. Muitos outros nos são apresentados ou retomados ao longo do livro.

Uma narrativa clara, concisa, de tirar o fôlego e de uma evolução surpreendente, A Rainha do Castelo de Ar é o mais longo dos livros da Trilogia Millennium e pode até intimidar alguns leitores pelo tamanho, mas certamente conquistou minha admiração. Sua leitura despertou em mim, além de um sentimento agradável que se apoderou do meu ânimo ao ler um livro extraordinário, uma angustiosa e deliciosa expectativa sobre o que poderia acontecer. Cada palavra, cada frase, tinha um porquê e levava a um questionamento sobre os caminhos e decisões a serem tomados pelos personagens.

Leia os textos para os dois primeiros volumes da Trilogia Millennium publicados aqui no blog:

  1. Os homens que não amavam as mulheres
  2. A menina que brincava com fogo

A Rainha do Castelo de Ar
Trilogia Millennium Volume 3
Autor: Stieg Larsson
Editora: Companhia das Letras
688 páginas
Skoob | Submarino
[xrr rating=5/5]

Casablanca (1942)

CasablancaCasablanca aparece constantemente em listas de melhores filmes de todos os tempos de muitos cinéfilos pelo mundo. Eu, ao contrário, sequer tinha visto o filme até ontem (08/03/2011). Uma vergonha, eu sei. Milhares de desculpas podem ser colocadas aqui, no entanto, usarei este espeço para algo tanto melhor: falar sobre a experiência de ver esse filme maravilhoso e concordar que sim, ele é um dos melhores filmes já feitos. Afinal, existem filmes que todos sabem que são clássicos e que por vários motivos acabamos deixando para depois.

Com uma rica atmosfera que envolve a cidade de Casablanca no Marrocos Francês, personagens complexos e magníficos – até mesmo os personagens coadjuvantes na história ajudam na composição da atmosfera da cidade e do filme – com todas as nacionalidades ali representadas na fuga em massa do povo europeu do nazi-fascismo que estava em expansão durante a II Guerra Mundial e em busca da liberdade das Américas. Um dos filmes com os melhores e mais memoráveis diálogos da história do cinema, como “We‘ll Always Have Paris“, pronunciado nos últimos minutos da película e inesquecível. E muitos deles com um leve toque de cinismo.

Casablanca

A trama gira em torno de dois vistos roubados de oficiais nazistas encontrados mortos pela polícia local. Um alto oficial alemão chega à Casablanca para impedir que eles cheguem às mãos de um famoso refugiado da resistência, e no drama romântico do triângulo que se forma entre o americano Rick Blaine (Humphrey Bogart), a sueca Ilsa Lund (Ingrid Bergman) e seu marido, procurado pela Gestapo e fugitivo de um campo de concentração, Victor Laszlo (Paul Henreid). Ademais, constitui-se um libelo anti-nazista, uma história falando de Segunda Guerra enquanto ela ainda ocorria, capaz de apresentar momentos lindos e memoráveis como o duelo entre hinos que ocorre no restaurante/café/bar de Ricky: os nazistas tomam o piano de Sam para cantar uma canção exaltando o III Reich e Laszlo imediatamente encoraja a banda a entoar a Marselhesa, a permissão de Ricy para tal afronta aos soldados nazistas dá início à batalha musical que culmina com todo o bar cantando o hino francês e gritando Vive la France! Essa é, para mim, a melhor cena do filme, apesar do final magnífico.

Casablanca - duelo de hinos

O ambiente do bar é uma representação da França ocupada, onde franceses e nazistas se toleram por interesses, mas a tensão e o ódio são latentes. O forasteiro americano (Ricky) que nutre a imagem de neutralidade demonstra uma antipatia pelos nazistas (sentimento que é recíproco).

Dirigido pelo húngaro Michael Curtiz, feito para ser um filme comum, mais um romance entre tantos outros. No entanto, o filme move-se rapidamente através de um enredo surpreendentemente bem construído. O roteiro, baseado na peça teatral de Murray Burnett e Joan Alison, foi escrito às pressas, enquanto as filmagens ocorriam, e ninguém sabia como seria a cena final – quem, afinal, usaria os dois vistos de saída? Ilsa iria com Ricky, seu amante em Paris, ou com seu marido Victor, líder do movimento de resistência? O romance entre Ricky e Ilsa é revelado aos poucos, assim como a relação entre ela e Victor. A evolução dos acontecimentos é perfeita, os mistérios e revelações do triângulo amoroso são encaixados perfeitamente e deixam o espectador envolvido do início ao fim da trama. Bem, a essa altura o final não é mais novidade.

Uma belí­ssima obra cinematográfica, um divisor de águas nas carreiras de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, vencedor das categorias de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro no Oscar de 1943, um filme, sem sombra de dúvidas, espetácular.

Sussurros de Uma Garota Apaixonada, de Mandy Porto

Sussurros de Uma Garota Apaixonada, Mandy Porto

Sussurros de Uma Garota Apaixonada, da gaúcha Mandy Porto, narra a história de Brooke Watson e Danny Garcia – um casal de jovens estudantes de medicina que se conhecem e se apaixonam sob circunstâncias nada comuns. Danny foi assassinado e seu fantasma pode ser visto apenas por Brooke. Da convivência entre eles surge um amor romântico e clichê.

Não sou o público alvo do livro e talvez por isso não tenha gostado do argumento. No entanto, outros motivos me levam a afirmar que não se trata de um livro bom. Apesar da belíssima apresentação da edição – o capricho da editora é fantástico e todos os detalhes das páginas e da capa são muito bonitos – após algumas páginas já estava entediada.

A história demora muito para se desenvolver, e Mandy se prende em detalhes que não agregam nada no desenrolar dos acontecimentos. Uma das obsessões (pelo menos assim me pareceu) é com as características físicas da protagonista: loira, de olhos azuis, uma frágil moça que tem um grande desafio pela frente. Perdi as contas de quantas vezes isso foi repetido ao longo do livro. Parece que a autora retrata uma espécie de personagem que ela mesma gostaria de ser (pelas características físicas e de personalidade) e não é. Eu mesma já tive minha fase (na infância) em que imaginava como seria bom se eu fosse loira e de olhos azuis, mas durou pouco e eu não escrevi um livro sobre isso!

O cenário também não convence. A história se passa em uma Universidade nos Estados Unidos (uma escolha curiosa, eu diria, para uma brasileira). E pareceu-me que faltou um pouco de pesquisa a respeito do funcionamento das universidades norte-americanas: Brooke é uma caloura que já tem aulas específicas de medicina no primeiro ano de curso. Acredito que teria sido melhor escrever sobre algo que lhe fosse familiar para que não cometesse erros como esse.

Ademais, a narrativa engrena apenas nos últimos capítulos, quando as coisas começam realmente a acontecer. É apenas na segunda metade do livro que a história mostra um motivo para ser contada: Danny, o fantasma, se interessa na busca por seu assassino, que faz novas vítimas pelo Campus. E mesmo durante a investigação de Danny e Brooke o clima é morno. Não me despertou interesse descobrir quem era o assassino, tudo era tão monótono que a verdade a ser revelada também seria – e foi.

Outro ponto negativo do livro são os incontáveis erros de digitação, ortografia, concordância, repetição de palavras em excesso – quase não utilização de pronomes demonstrativos -, inadequação de pronomes, o tempo verbal muda algumas vezes e em alguns momentos (em menor grau, ainda bem) falta de coerência nas afirmações e até um ou outro erro de continuidade. Não sou perita, erro muitas vezes e não gosto de ser chata com a língua portuguesa, mas tudo tem limite.

Mandy Porto é uma autora jovem, em início de carreira e precisa, do meu ponto de vista, amadurecer bastante. Sussurros de Uma Garota Apaixonada é um livro que eu não recomendaria para meus amigos.

Recebi e resenhei esse livro para o Book Tour da Editora Underworld, do qual participo.

Book Tour da Editora Underworld

Sussurros de Uma Garota Apaixonada
Mandy Porto
Editora Underworld
244 páginas
[xrr rating=1/5]

A menina que brincava com fogo, Stieg Larsson

A menina que brincava com fogo, Stieg Larsson

Para dar continuidade à leitura da Trilogia Millennium, li o segundo livro da série: A menina que brincava com fogo. A expectativa era grande, tendo em vista o quanto gostei do primeiro livro. E eu gostei muito desse também.

Dois anos depois dos acontecimentos traumáticos narrados em Os Homens que não amavam as mulheres, a revista Millenium encontra um novo colaborador que está prester a publicar um artigo e um livro sobre o tráfico de mulheres. Esse colaborador e sua companheira pesquisam o tema há anos e procuram a revista para publicar e denunciar os envolvidos – que vão desde policias do serviço secreto sueco à jornalistas conhecidos.

Somos apresentados aos novos personagens na primeira parte do livro enquanto a rotina no exterior da protagonista Lisbeth Salander é narrada também. Muito embora Larsson demore bastante para engrenar o cenário no qual o desenrolar a história se passará (quase 200 páginas), essa primeira parte do livro é deliciosa e conseguiu me prender por horas a fio. E o cenário é bastante complicado. Dag Svenson e Mia Bergman são assassinados no apartamento em que moravam e a suspeita recai sobre Lisbeth. A situação para ela piora ainda mais quando seu tutor também é encontrado morto.

Mikail e Lisbeth não se viam desde os eventos na Ilha de Hedeby. Ele acredita na inocência da mulher que outrora salvou sua vida e resolve realizar uma investigação paralela ao cerco que a polícia montou para prendê-la. Acontece que Salander não é uma mulher fácil de ser localizada e é muito mais inteligente do que seus perseguidores.

Entretanto, uma das melhores coisas do primeiro livro se perde na narrativa: o mistério em torno de Salander. Todo o passado da heroína é desvendado, pois mesmo que Mikail acredite na inocência dela, Lisbeth está envolvida com tudo o que aconteceu. Mesmo que eu já soubesse o desfecho da história quando li (afinal, eu já tinha visto o filme, que é fantástico, por sinal) eu não contarei se ela é inocente ou não.

Mesmo que a vida de Salander seja destrinchada com as pesquisas que Mikail, a polícia e ela mesma fazem para desvendar o mistério dos assassinatos, a personagem desaparece da narrativa por um bom trecho na metade do livro. Esse sumiço compromete um pouco a história, afinal ela é a minha personagem preferida e eu fiquei o tempo todo muito curiosa para saber o que Lisbeth andava aprontado no seu esconderijo.

A citação que eu destaco do livro é a seguinte:

 Lisbeth Salander era a mulher que odiava os homens que não gostavam de mulheres. (p.560)

Apesar desses dois problemas (a enrolação inicial e o sumiço da protagonista – acompanhada do fim do mistério que a cercava) o livro é muito bom, me cativou desde o princípio e a melhor definição para minha leitura é o verbo devorar. Eu devorei as 608 páginas em três dias e com muita excitação.

A menina que brincava com fogo
Trilogia Millennium Volume 2
Autor: Stieg Larsson
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 608
Compre: Submarino
[xrr rating=5/5]