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Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky

Areia nos Dentes

Livro de faroeste com zumbis. Sim, para impressionar já de antemão. Como o Daniel Galera falou na primeira linha da orelha do livro: “Se tem zumbi no meio, só pode ser bom”. Acho essa frase muito verdadeira, com raríssimas exceções. E Areia nos Dentes definitivamente não é uma excessão. O livro está aí para confirmar que história com zumbi é boa de ver, de ler e de contar. Xerxenesky usa e abusa das referências cinematográficas para compor seu cenário inusitado: o oeste, aquele velho oeste de filme americano (seja ele filmado na Itália ou na Espanha, ou não). Confesso que o gênero de filmes nunca foi meu forte, que vi apenas o primeiro dos filmes da trilogia dos dólares e, que apesar da paixão pela trilha sonora, eu tive de revê-lo, pois da primeira vez eu dormi. Sim, eu gostei muito do filme, mas ainda não criei coragem para retomá-los (segundo o @cavalca isso é um pecado sem tamanho, ele sim, um fã de Clintão).

Mas nem só de referência cinematográfica vive o primeiro romance de Xerxenesky. No romance tem também uma pequena referência à obra Romeu e Julieta de Shakespeare. A eterna briga entre duas famílias e o moço de um lado se apaixona pela moça da outra família. Mas esse não é o principal argumento. A história, ou as histórias, giram em torno da família Ramírez. Uma no passado. Outra no presente (2007). No presente o velho Juan Ramírez, na Cidade do México, resolve contar a história dos seus antepassados sem saber muito bem o porque de tal resolução repentina. No passado, os antepassados de Juan, uma família Ramírez cravada no meio de Mavrak, um lugar que bem poderia ser uma cidade-fantasma, se não fosse pelo fato de ser habitada (conforme ficamos sabendo durante a narrativa). O narrador, Juan Ramírez do presente enfrenta seus próprios medos e anseios enquanto escreve sua história sobre a rivalidade entre os Ramírez e os Marlowes.

A briga entre as duas famílias é antiga e começou nem se sabe como, de tanto tempo que faz. Miguel Ramírez, o patriarca, incumbe seu filho Martin de invadir a mansão dos Marlowe e descobrir o que eles estão armando no porão. Acontece que na manhã seguinte em que ele esteve lá (e não cumpriu sua missão), é encontrado morto em sua própria casa. o mistério está instalado no povoado. Quem matou Martín? Para Miguel isso é óbvio, foram os malditos Marlowes. Mas o que ninguém esperava era a chegada de um Xerife na cidade para resolver o mistério. O outro filho de Miguel, Juan (de onde vem o nome de nosso narrador) não é bem o tipo vingativo, cowboy ou herói, sequer sabe manejar uma pistola. Mas o foco narrativo paira sobre ele. Ele é o Romeu de uma Julieta Marlowe, ele quer ser aceito pelo pai, quer merecer o lugar do falecido irmão, quer honrar a morte de seu irmão, e aceita as ordens do pai de procurar um xamã no meio do deserto para pôr em prática uma vingança terrível contra a família rival.  Continue lendo →

Por Quem os Sinos Dobram (Ernest Hemingway)

Por Quem os Sinos Dobram - Ernest Hemingway

Por Quem os Sinos Dobram - Ernest Hemingway

Trata-se de um romance, escrito a partir das experiências pessoais de Hemingway durante sua participação no conflito ocorrido de 1936 a 1939 na Espanha, conhecido como Guerra Civil Espanhola.

O romance conta a trajetória de Robert Jordan, um americano que luta na Espanha como miliciano, coisa bastante comum (o próprio autor participou assim da guerra). O período de tempo que compreende a narrativa é de apenas quatro dias. Jordan parte em uma missão para o território dominado pelos fascistas a fim de explodir uma ponte. O objetivo era atrasar as tropas inimigas quando da ofensiva dos republicanos. Nesse ínterim, ele encontra um bando de guerrilheiros republicanos que vivem em uma caverna em pleno território inimigo e que a bastante tempo não pratica nenhum ato de guerrilha e estão acomodados com a situação.

O bando é liderado por Pablo, que não gosta nem um pouco da idéia de explodir a tal ponte, pois isso significaria a necessária saída de todos daquele lugar. A paz momentânea seria quebrada e ele teria de voltar a lutar. Esse empecilho não impediu Jordan de tentar a todo custo convencer a todos da importância de sua missão para a República. Durante esse tempo ele se apaixona por Maria, uma moça que havia sido encontrada em estado de loucura depois do último ataque que o bando de Pablo havia desferido contra as tropas fascistas (também com a ajuda de um estrangeiro).

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Dica para o dia dos namorados de quem passou o diabo para descobrir o que fazer

Amanhã é dia dos namorados, e no meio de tantas tarefas e leituras precisei encontrar um tempo e preparar algo para comemorar como o Juliano. Foi bem complicado, porque além do tempo escasso lutei contra a falta de dinheiro.

Não fosse a ajuda valiosa de amigas queridas eu estaria hoje totalmente desesperada com o que fazer. Acabei optando por algo simples e relativamente barato. Saí ontem acompanhada de uma amiga super disposta a ajudar e fomos ao mercado público comprar queijos e um vinho. Ela foi para me ajudar a escolher, porque apesar do paladar refinado (O.o) eu desconheço um pouco os preços e me deixo enganar facilmente.

Minha opção foi por uma noite descomplicada, com pouca variedade nos queijos (pelo quesito economia mesmo) e apenas um tipo de vinho. O importante é que os queijos combinem com o vinho. Se você quiser preparar algo mais elaborado existem muitos (mas muitos mesmo) blogs especializados e pessoas que entendem do assunto que publicam dicas valiosas sobre a preparação, a combinação e ajudam bastante na escolha dos queijos e dos vinhos.

Algumas páginas que podem ajudar:

O melhor de tudo é que a noite de amanhã sairá por menos de R$ 40,00 e teremos três variedades de queijos e um vinho chileno delicioso. Agora é só encontrar velas cheirosas e fazer uma seleção musical que o clima romântico estará pronto para uma noite queijos e vinho.

Então fica a dica: queijos e vinhos são sempre uma boa pedida para momentos de desespero financeiro total e são sempre românticos. Mas um conselho, pesquise preço e opte por mercados públicos e feiras que sempre possuem variedade e preços muito menores que as redes de supermercado.

Queijos e vinhosFonte da imagem: Madame Excêntrica

Buffy the Vampire Slayer

Buffy the Vampire Slayer

Buffy the Vampire Slayer

Depois que fiquei órfã de Dollhouse, nada mais natural do que procurar outra série do mesmo criador para tentar aplacar a tristeza. Então o Ju me iniciou no mundo de Buffy. A cultuada série de vampiros dos anos 90 e início dos 2000 fez minha cabeça. Estou completamente viciada – percebeu como eu sempre me vicio em tudo que Joss Whedon coloca seus dedinhos mágicos?

É bacana ver esse universo vampiresco de antes da super explosão de Crepúsculo e afins (neste grupo não está inserida a série True Blood da qual eu sou fã e possui uma qualidade infinitamente superior aos livros e filmes das crepusculetes). E mais bacana ainda é ver, em alguns episódios argumentos de séries atuais. Séries inteiras feitas a partir de coisas que rolaram em apenas um episódio de Buffy.

E é inevitável comparar Buffy com True Blood, afinal em ambas temos uma garota que se apaixona por um vampiro. Porém, as séries não são meras cópias ou um punhado de semelhanças. Em True Blood o romance entre Bill e Sookie é tórrido, cheio de cenas picantes. Ao passo que em Buffy o romance corre o risco de acabar (como acontece em um dado momento) se chegar “aos finalmente”.

É delicioso ver um episódio atrás do outro e ainda mais com personagens tão maravilhosos e únicos. Já sou apaixonada por Xander e Willow, os colegas de escola de Buffy que passam a ajudar na caçada.

Buenas, para resumir, a série trata da vida de Buffy, que foi escolhida como a caça vampiros e vai morar em Sunnydale, uma cidadezinha pacata que esconde grandes segredos (rá!) – ela fica na boca do inferno. Ou seja, todos os demônios, vampiros e seres sobrenaturais vão para lá fazer piquenique. Lá ela encontra em dois dos seus colegas de escola os seus mais fiéis aliados e o bibliotecário é seus guardião, enviado da Inglaterra para protegê-la, ensiná-la e ajudá-la na árdua tarefa de se livrar de todos tipo de demônio.

Enfim, mais um vício, mais um drama daqui alguns meses (ou quem sabe semanas) quando eu terminar de assistir a season finale.

Orgulho e preconceito, de Jane Austen

Orgulho e preconceito - Jane Austen

Orgulho e preconceito - Jane Austen

Orgulho e Preconceito é considerada a obra que inaugura o romance moderno na Inglaterra. E coube a uma mulher, em uma sociedade conservadora onde o poder de escolha e direitos que hoje são considerados inalienáveis ao gênero eram limitadíssimos, escrever tal romance.

Por se tratar de um clássico, pressupõe-se que a grande maioria das pessoas conheça. Creio que não se possa fazer tal generalização, pois quando falamos em Brasil o número de leitores é muito pequeno e menor ainda é o número de leitores que se interessam pelo gênero. Eu mesma, que sempre gostei muito de literatura e estou sempre em busca de novos títulos para devorar fui conhecer a obra pouco tempo atrás. Graças ao cinema. E não tenho vergonha de afirmar isso, pois um dos papéis que as adaptações cumprem é o de divulgação de obras literárias (mesmo os clássicos).

Vamos ao que interessa: a narrativa de Jane Austen se passa no mundo em que ela mesma vive, a Inglaterra do século XVIII, e trata da trajetória de uma família comum e bastante peculiar ao mesmo tempo. A família Bennet é composta por cinco filhas criadas com o único propósito de se casar, fato comum para a época. Entretanto, essas cinco moças tinham outros atributos além da beleza: podemos falar na inteligência para ver e compreender o caráter por trás das palavras e do rígido código de cordialidade imposta pela política dos bons costumes.

Com a chegada de moços ricos e socialmente bem colocados à região de Longburn (onde os Bennet residem) cria-se certo clima de expectativa. As irmãs, ávidas por casamento (algumas mais do que outras), comparecem a recepção preparada. Em apneas um baile uma série de relações são criadas, Mr. Bingley cai nas graças de Miss Jane enquanto que Mr. Darcy se mostra orgulhoso demais para cair no agrado das famílias que vivem na região, o que gera um clima de intriga entre as famílias locais (em especial os Bennet) e o “forasteiro”.

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Quincas Borba (Machado de Assis)

Quincas Borba (Machado de Assis)

É muito complicado falar de um livro de Machado de Assis. Falar bem, todo mundo fala. Falar mal é correr o risco de ser apedrejada. Buenas, o livro é bom. Isso é fato. Mas fato é que eu já li muito outros que são muito melhores. Gosto da maneira como Machado brinca com as palavras, construindo imagens bem bacanas.

Sinopse: Este livro conta a história do ingênuo professor Rubião, mineiro de Barbacena, que recebe como herança todos os bens do filósofo Quincas Borba, mais a incumbência de tomar conta de seu cão – também denominado Quincas Borba -, e divulgar a filosofia conhecida como Humanitismo.

Comecei a ler Quincas Borba (romance de banca, daqueles da Coleção ZH, comprado por R$ 2,50 + a zero hora de domingo lá pelos idos de 2001) para o Desafio Literário e tive de parar para ler o Memórias Póstumas de Brás Cubas, porque o narrador do Quincas Borba comentou que o personagem já havia aparecido no Memórias Póstumas. Então que eu larguei um para ler o outro achando ser necessário. Não foi. Exceto por algumas pequenas referências ao livro, Quincas Borba é independente do outro livro. Foram dois natimortos a menos na estante.

A partir daí a história do livro começa. e fica a questão, quem é o Quincas Borba do título do livro? O homem ou o cachorro? Pois a história não narra a trajetória deles, e sim do novo dono de Quincas Borba, Rubião, que vai para a corte e por lá conhece o casal Sofia e Palha. Ao longo da narrativa vemos Rubião ficar perdidamente apaixonado por Sofia, gastar muito dinheiro com presente e empréstimos os quais se recusa a receber o pagamento.

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A Estrada (Cormac Mccarthy)

A Estrada (Cormac Mccarthy)

A Estrada (Cormac Mccarthy)

O cenário por trás da belíssima história de Cormac Mccarthy é o mundo alguns anos depois de uma tragédia, depois de seu fim. Não há lugar em que a morte não esteja presente, seja em milhares de corpos espalhados pelas cidades totalmente destruídas ou pela natureza, que perdeu sua cartela de cores para o cinza. A escuridão total durante a noite e o dia coberto por nuvens de fumaça e cinzas. Não se houve mais o canto dos pássaros, o barulho que persiste é ínfimo. E os poucos homens que sobreviveram lutam para continuar vivos e muitos deles tornaram-se canibais. Mas em nenhum momento do livro descobrimos como isso aconteceu.

Como se passaram muitos anos desde a tragédia, o que restava de alimentos nas lojas e casas destruídas já tinha acabado. Esse cenário desolador, que mesmo aterrorizante, não chega a compor um ponto de extrema importância para o que o autor pretende com seu romance. Mas fazer o que se eu gosto tanto desse cenário nas histórias de ficção.

Mccarthy desenvolve uma narrativa sobre dois sobreviventes, o pai e seu filho, que nem chegou a conhecer o mundo como ele era antes da tragédia. Sem nomes, os personagens seguem pela estrada que dá nome ao livro em busca de algo que nem mesmo eles sabem o que seria. Apenas querem fugir da desolação e do frio que vem chegando, caminham em direção à costa. São poucos os diálogos entre os dois, não há muito o que falar nessa situação. São dois seres em farrapos, com rostos cobertos de panos para fugir da fuligem que preenche o ar e o torna quase irrespirável. O pai mantém uma bala no revólver que carrega para, em último caso, dar cabo do filho (a própria esposa optou pela morte, e o diálogo que a antecede seu “desaparecimento”, recordado pelo marido, é um dos grandes momentos de A estrada) ou protegê-lo em alguma situação extrema que se apresente.

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