Balanço Desafio Literário 2011

Balanço Desafio Literário 2011

Desafio Literário 2011 E o ano está bem no finalzinho, falta um único dia para começar um ano todinho novo. E em 2011 eu participei mais uma vez do Desafio Literário. Dessa vez eu fui convidada para fazer parte da equipe do Desafio junto com a @vivi, @danihaendchen e a @queromorarlivr. Não preciso dizer o quanto eu fiquei feliz com isso. Infelizmente eu não participei tão ativamente quanto gostaria, mas como no próximo ano eu continuo na equipe, fica a promessa de ano novo de ser mais ativa nesse equipe.

Quanto aos livros, esse ano foi bem mais produtivo. Se no ano passado eu escolhi um livro por mês e li 10 de 12, nesse ano eu escolhi três por mês e li 26 de 36. Ou seja, li quase o triplo de livros só para o Desafio. Dos 26 livros lidos eu atrasei alguns, lendo eles depois do praso. Mas o único que ficou sem resenha foi um livro do primeiro mês (Literatura Infantil): Histórias do Mundo para Crianças, de Monteiro Lobato. O motivo? Eu comecei a ler e o formato favoreceu uma leitura mais lenta, aos poucos, pois apesar de ser uma história única ela é narrada em episódios, seguindo episódios da História Mundial, então eu terminei ele agora em dezembro, pois além de ler aos poucos eu demorava um tempão para retomar a leitura. Mas eu farei resenha dele ainda em Jeneiro de 2012, outra promessa de ano novo.

Além disso, eu falhei um mês. Para o tema de Dezembro – lançamento do ano – eu não li nada, pois não comprei nenhum lançamento e optei por passar sem completar esse mês. As leituras realizadas para o Desafio foram muito interessantes, nem todos os livros foram maravilhosos, é fato, mas a experiência foi muito bacana.

Então segue a lista de livros lidos para o Desafio Literário 2011:

 Janeiro:
Coraline, Neil Gaiman
Memórias da Emília e Peter Pan, de Monteiro Lobato
Histórias do Mundo Para Crianças, de Monteiro Lobato (sem resenha ainda)

Fevereiro
Che Guevara – a vida em vermelho, de Jorge G. Castañeda
O que é isso, companheiro?, de Fernando Gabeira

Março
As Brumas De Avalon Livro 1 – A Senhora Da Magia, de Marion Zimmer Bradley
As Brumas De Avalon Livro 2 – A Grande Rainha, de Marion Zimmer Bradley

Abril
O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams
O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams
A Vida, o Universo e Tudo Mais, de Douglas Adams
Até mais, e obrigado pelos peixes!, de Douglas Adams
Praticamente Inofensiva, de Douglas Adams

Maio
A Última Trincheira, de Fábio Pannunzio
Esqueleto na lagoa verde, de Antonio Callado

Junho
Calabar – o elogio da traição, de Chico Buarque e Ruy Guerra
Gota D’água, Chico Buarque e Paulo Pontes
As Relações Naturias: três comédias, Qorpo Santo

Julho
Nunca fui a garota papo-firme que o Roberto falou, de Cristiane Lisbôa
Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky
elvis & madona [uma novela lilás], de Luiz Biajoni

Agosto
Olhai os lírios do campo, de Erico Veríssimo
Morte e vida severina e outros poemas para vozes, de João Cabral de Melo Neto
Contos Gauchescos & Lendas do Sul, de Simões Lopes Neto

Setembro
Todas as Histórias do Analista de Bagé, de Luis Fernando Veríssimo

Outubro
O Sol Também se Levanta, de Ernest Hemingway

Novembro
Ficção de Polpa – Volume 1, organizado por Samir Machado de Machado

E em 2012 tem mais Desafio Literário. Já fez tua lista? A minha já está pronta, só esperando para começar…

Calabar – o elogio da traição

Calabar – o elogio da traição

Calabar

Calabar – o elogio da traição foi escrita no início dos anos 70 e foi liberada para ser encenada apenas muitos anos depois. Em 1973 Chico Buarque e Ruy Guerra procuram Fernando Peixoto para encenar a peça que eles acabaram de escrever. Muitas tentativas e ensaios depois, a peça só foi liberada (ou anistiado, como diz o próprio Fernando no texto de abertura da peça) pela censura em 1980. Um texto que foi escrito durante um ano, passou por muitas revisões, recomeços e pesquisas. Por se tratar de um tema histórico – a guerra entre Holandeses e Portugueses no Nordeste brasileiro no século XVII – os autores careciam de muito trabalho de investigação histórica. E um diferencial importante foi o trabalho de parceria, Chico e Ruy escreveram e pesquisaram juntos.

No entanto, mesmo se tratando de um texto que toca em um tema histórico, ele não se pretende uma reconstituição minuciosa de um acontecimento histórico. A História é utilizada como matéria para um reflexão em torno de uma tema que dá o argumento do texto: a traição de Calabar (que troca de lado no meio da guerra e passa a apoiar os Holandeses) e as outras tantas traições que ocorrem no texto. Os personagens e fatos históricos são usados para refletir sobre o problema e o significado de traição. Nesse sentido, a própria traição de Calabar (fato histórico) é questionada e a figura dele remete também ao homem que foi transformado em herói pelos holandeses. O que se apresenta ao espectador/leitor é a opção de Calabar em apoiar os holandeses, pois ele acreditava que eles poderiam trazer ao Brasil um governo mais livre, humano, menos opressor e escravista que os portugueses. Ele acreditou e seguiu sua crença até o fim, quando foi assassinado, esquartejado em praça pública para servir de exemplo ao restante das tropas portugueses.

É importante notar a estrutura do texto teatral, dividido em dois atos, que foge da dramaturgia bem comportada apresentada até então por diversos dramaturgos e companhias teatrais, pois o relato é descontínuo e as cenas ocorrem livremente, independente umas das outras. Porém o texto completo apresenta uma unidade lógica e objetiva. Entretanto, o que considero mais importante e o maior mérito da peça enquanto texto, mas principalmente enquanto espetáculo, é a maneira como os conflitos são resolvidos cenicamente. Ele é popular e desmistificador da História e de seu tema central, e usa a comédia e a música para falar com seu espectador (no caso da leitura isso é um pouco menos forte, é preciso imaginar o espetáculo no palco, arena, sala, rua, para ter uma noção dessas resoluções cênicas). Mesmo com o tom de comédia e musical, existem momentos de intimismo e de exposição da alma dos personagens.

Todas as falas, sejam de comédia, música, diálogo ou monólogo, são fortes e ásperas, revelam um realismo e um distanciamento crítico que permite observar e refletir tanto o fato histórico colocado em cena quanto a sociedade em que o o texto nasceu e, até mesmo, o mundo em que vivemos hoje. A leitura, por ser diferenciada no sentido de ser uma apresentação diferente e não usual para a maioria dos leitores, pode não fluir muito bem, o que não foi meu caso Estou acostumada a ler texto teatral, pois já me aventurei no teatro e até encenei alguns espetáculos. A leitura, para mim, foi muito rápida e fluida. Achei o texto muito bem escrito e seu argumento muito importante. É um texto que recomendo para quem se interessa na reflexão e crítica de nossa sociedade – e penso que todos deveriam se interessar. Mesmo assim achei que o texto não surgiu todas as minhas expectativas em relação ao enredo e aos personagens.

Calabar – o elogio da traição
Chico Buarque e Ruy Guerra
Editora civilização brasileira
149 páginas
Skoob | Submarino
[xrr rating=3/5]

Desafio Literário 2011

Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Desafio Literário 2011, proposto pelo blog Romance Gracinha. A resenha corresponde ao mês de Junho, cujo objetivo é ler uma Peça Teatral.

Confira no blog do desafio as resenhas dos outros participantes para este mês. Ou descubra quais foram as minhas escolhas.

Participe, comente, leia.

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@vivi, @danihaendchen, @queromorarlivr e eu, @clandestini.

Confira as outras leituras feitas para o Desafio Literário 2011:

Janeiro:
Coraline, Neil Gaiman
Memórias da Emília e Peter Pan, de Monteiro Lobato

Fevereiro
Che Guevara – a vida em vermelho, de Jorge G. Castañeda
O que é isso, companheiro?, de Fernando Gabeira

Março
As Brumas De Avalon Livro 1 – A Senhora Da Magia, de Marion Zimmer Bradley
As Brumas De Avalon Livro 2 – A Grande Rainha, de Marion Zimmer Bradley

Abril
O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams
O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams
A Vida, o Universo e Tudo Mais, de Douglas Adams
Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes!, de Douglas Adams

Maio
A Última Trincheira, de Fábio Pannunzio
Esqueleto na lagoa verde, de Antonio Callado