Goodbye Graveyard Zombie: Bill Hinzman (1936-2012)

Bill Hinzman em cena no filme A Noite dos Mortos Vivos
Bill Hinzman em cena no filme A Noite dos Mortos Vivos

Bill Hinzman morreu de câncer na noite de domingo dia 5, aos 75 anos. O ator ficou conhecido como o ‘zumbi nº 1? no clássico absoluto de filmes de zumbis do mestre George Romero “Night of the Living Dead (A noite dos mortos vivos)” de 1968.

Bill Hinzman, nascido Samuel William Hinzman, era uma figura notável no circuito de convenções de horror e dentro dos círculos de zumbis por seu papel como o primeiro zumbi a aparecer no filme “Night of the Living Dead” em um cemitério na Pensilvânia. Hinzman sempre se orgulhou de seu papel, e os fãs de horror sempre o viram em convenções andando com traje de gala e maquiagem tirando fotos com os fãs e entusiastas dos zumbis.

Em homenagem a Bill Hinzman, o zumbi nº 1, a sequência de abertura de “A Noite dos Mortos Vivos”:

[youtube1]XdkIokv0f3E[/youtube1] Link direto para o vídeo no Youtube

Saiba mais em Ministry of Zombie Walk.

O Meme Literário de Um Mês 2011 – Dia 17

Cite um livro que você achou que iria gostar e acabou não gostando. (Fale sobre ele)

Um livro que eu queria muito ler, estava sempre procurando informações sobre ele e tinha muitas expectativas sobre foi Morgan: O Único, de Douglas Eralldo. Pela sinopse eu esperava um livro incrível, afinal como um livro sobre zumbis poderia ser ruim? Pois a decepção foi muito grande. Apesar do assunto que me fascina, eu não apreciei o livro como gostaria. Como fã de zumbis, achei a história mal contada, sem motivação e sem a adrenalina típica das histórias de mortos-vivos. O livro tem seus méritos e suas desculpas, mas mesmo assim foi uma decepção para mim. Eu entendo que é o primeiro livro do autor e ressalto a originalidade e a potencialidade dele, mas acho que faltou maturar um pouco mais a ideia e o próprio texto.

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Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky

Areia nos Dentes

Livro de faroeste com zumbis. Sim, para impressionar já de antemão. Como o Daniel Galera falou na primeira linha da orelha do livro: “Se tem zumbi no meio, só pode ser bom”. Acho essa frase muito verdadeira, com raríssimas exceções. E Areia nos Dentes definitivamente não é uma excessão. O livro está aí para confirmar que história com zumbi é boa de ver, de ler e de contar. Xerxenesky usa e abusa das referências cinematográficas para compor seu cenário inusitado: o oeste, aquele velho oeste de filme americano (seja ele filmado na Itália ou na Espanha, ou não). Confesso que o gênero de filmes nunca foi meu forte, que vi apenas o primeiro dos filmes da trilogia dos dólares e, que apesar da paixão pela trilha sonora, eu tive de revê-lo, pois da primeira vez eu dormi. Sim, eu gostei muito do filme, mas ainda não criei coragem para retomá-los (segundo o @cavalca isso é um pecado sem tamanho, ele sim, um fã de Clintão).

Mas nem só de referência cinematográfica vive o primeiro romance de Xerxenesky. No romance tem também uma pequena referência à obra Romeu e Julieta de Shakespeare. A eterna briga entre duas famílias e o moço de um lado se apaixona pela moça da outra família. Mas esse não é o principal argumento. A história, ou as histórias, giram em torno da família Ramírez. Uma no passado. Outra no presente (2007). No presente o velho Juan Ramírez, na Cidade do México, resolve contar a história dos seus antepassados sem saber muito bem o porque de tal resolução repentina. No passado, os antepassados de Juan, uma família Ramírez cravada no meio de Mavrak, um lugar que bem poderia ser uma cidade-fantasma, se não fosse pelo fato de ser habitada (conforme ficamos sabendo durante a narrativa). O narrador, Juan Ramírez do presente enfrenta seus próprios medos e anseios enquanto escreve sua história sobre a rivalidade entre os Ramírez e os Marlowes.

A briga entre as duas famílias é antiga e começou nem se sabe como, de tanto tempo que faz. Miguel Ramírez, o patriarca, incumbe seu filho Martin de invadir a mansão dos Marlowe e descobrir o que eles estão armando no porão. Acontece que na manhã seguinte em que ele esteve lá (e não cumpriu sua missão), é encontrado morto em sua própria casa. o mistério está instalado no povoado. Quem matou Martín? Para Miguel isso é óbvio, foram os malditos Marlowes. Mas o que ninguém esperava era a chegada de um Xerife na cidade para resolver o mistério. O outro filho de Miguel, Juan (de onde vem o nome de nosso narrador) não é bem o tipo vingativo, cowboy ou herói, sequer sabe manejar uma pistola. Mas o foco narrativo paira sobre ele. Ele é o Romeu de uma Julieta Marlowe, ele quer ser aceito pelo pai, quer merecer o lugar do falecido irmão, quer honrar a morte de seu irmão, e aceita as ordens do pai de procurar um xamã no meio do deserto para pôr em prática uma vingança terrível contra a família rival.  Read More

Morgan: O único, de Douglas Eralldo

Morgan: O únicoMorgan: O único é o livro de estréia de Douglas Eralldo. Morgan, o protagonista, é um zumbi que conta sua história. Ele narra como foi se transformar em zumbi e como foi encontrar a pequena cidade (que fica claro ser do Rio Grande do Sul) em que vivia e tudo que aconteceu depois de ter levantado da própria tumba. Uma ideia interessante e o maior mérito do livro, e apesar de não ser o primeiro defunto a narrar sua história na literatura nacional, é o primeiro a narrar os post morten (pelo que tenho conhecimento). Morgan é um zumbi diferente, aliás, bastante diferentes dos zumbis a que estamos habituados.

Morgan tem consciência do que é e do que faz. Ele consegue pensar e articular estratégias tanto para encontrar sua cidade, quanto para fugir ou procurar certas pessoas. No entanto, o próprio Morgan/narrador afirma o tempo todo como os zumbis são burros e não pensam: ele tem cérebro, ao passo que os zumbis criados por ele ao se deliciar com o cérebro alheio não o tem, apesar do clichê de filme de comédia sobre zumbis, faria sentido se ele não se incluísse entre os zumbis com falta de uma inteligência mínima. O que acaba tirando muito da credibilidade da própria narração. Se o autor suprimisse essas passagens acredito que esse problema estaria resolvido.

No entanto, as reflexões de Morgan conseguem ser bastante pertinentes em muitas passagens do livro, mostrando uma reflexão sobre o mundo em que vivia. Muitas delas dedicadas à paixão de infância, uma jovem que, descrita fisicamente em demasia, some em determinado ponto e ficamos sem saber o que ocorreu com ela. Talvez o mistério seja interessante, mas fato é que o sumiço pareceu uma falha no texto e não uma questão de estilo ou parte da trama.

Apesar do assunto que me fascina, eu não apreciei o livro como gostaria. Como fã de zumbis, achei a história mal contada, sem motivação e sem a adrenalina típica das histórias de mortos-vivos. Além da percepção de gosto pessoal, acredito que faltou revisão no texto, não de gramática ou ortografia, mas da própria construção textual. A obra possui incoerências e erros de continuidade (como a descrição e uso dos dentes do personagem que muda conforme a situação em que Morgan se encontra) que prejudicaram a narrativa e a suspensão da realidade necessária para prender o leitor na história. E a inserção de algumas passagens foi totalmente desnecessária e mais atrapalhou do que ajudou no texto de Eralldo, como por exemplo uma explanação sobre o motivo de não gostar de horário de verão jogada no meio do texto. Apesar de prometer uma história muito bacana, não convence devido a falta de concretude em alguns pontos da narrativa.

Eu entendo que é o primeiro livro do autor e ressalto a originalidade e a potencialidade dele, mas acho que faltou maturar um pouco mais a ideia e o próprio texto.

Morgan: O único
Autor: Douglas Eralldo
Editora Literata
Skoob
Páginas: 160
Ano: 2011

Esta resenha faz parte do projeto Zumbi Errante, o Book Tour promovido por Douglas Eralldo para divulgar seu livro.