Arquivo

agosto 2006

Posts em agosto 2006.

tudo vai mudar

Incrível o quanto a gente realmente vai perdendo a empolgação de antes. não é mentira quando dizem que à medida que o tempo passa, mais preguiça de sair de casa temos.

velhice, say hello!

Palma, palma, não priemos cânico. Eu não morri, nem fiquei paraplégica, foi só o computador lá de casa, o Asdrubal, que pifou. E uma das desvantagens de se estudar em universidade pública federal é que para conseguir um computador só na base do tapa e do facão. Exageros a parte, estava morrendo de saudades de postar por aqui, mas como já expliquei, estou sem computador e com muuuuuuuuuuuuitas coisas da faculdade pra fazer, além de estar estudando nas cadeiras regularmente matrículadas estou fazendo outra como ouvinte e trabalhando com a professora Adriana Dias voluntariamente para auxiliar na catalogação dos artefatos encontrados na escavação feita por ela e colegas em julho. Muitos filmes vistos nesse sumiço, mas fica pra outra hora. Beijos e até breve, espero!

Fase

As aulas estão legais, na medida do possí­vel, pois ainda há burocracias a serem resolvidas. É o que se paga por estudar em universidade Federal! E todos dizem: “Mas isso é normal, faz parte”.

Estou adorando estudar arqueologia num dia, Pré-história Brasileira em outro, tudo de graça, com qualidade. Comer no R.U. por apenas 1,30 sem suco.

E estou com um misto de sentimentos absurdo: amor excessivo, empolgação aliada à  preguicinha, uma melancolia atroz, nostalgia além do normal, uma coisa esquisita. No fritar dos ovos, o resultado é uma tranquilidade muito absurda que faz com que eu me sinta bem e feliz. Finalmente estou satisfeita com o rumo que a minha vida está tomando, tudo agora tem sentido, tudo agora tem uma razão, para tudo crio um motivo.

Imagine que hoje pela manhã descubro que não poderei mais estagiar no Museu em que trabalho desde o iní­cio do ano porque consta na minha matrícula da UFRGS que estou no primeiro semestre, apesar dos créditos cursados na UNI$UINO$. Toda uma burocracia do cão para avaliar o pedido de dispensa, que provavelmente ficará pronto só no fim do semestre, e isso tinha que colidir justo com a renovação do estágio! E mesmo assim estou achando que minha vida está tomando rumo! Acho que vou buscar uns remedinhos com o pessoal da Psiquiatria.

Como disse, estou vendo um mundo mais algodão doce. E acabei de ser convidada a integrar o Núcleo de Pesquisas Arqueológicas pela Professora Adriana Dias! Trabalhar de graça um pouquinho, com a esperança de ganhar uma bolsa de iniciação Cientí­fica: feliz é meu nome!

Espero que essa fase só passe para se tornar ainda melhor. Estou no primeiro acerto advindo do erro alheio da minha vida, acho foda.

Lais de Maria de França

Primeiro eu vou tentar explicar o que é um “lai”. Esses textos denominados  “lai” têm a sua origem na palavra celta “laid” que significa “canto”. Portanto, essas composições na sua origem provavelmente foram cantadas, acompanhadas do alaúde e das flautas, e foram compostas por uma mulher da qual, pouco se conhece da sua biografia (a hipótese mais provável é que foi mais-irmã do rei Henrique II da Inglaterra).

Esses lais carregam em suas linhas elementos importantes para o estudo da cultura e da sociedade celta. E o texto a seguir é um resumo feito por mim a partir da aula expositiva de Estudos Medievais que tive no ano passado. O texto já estava pronto, eu só corrigi alguns erros mais visí­veis.

O Lai em questão fala sobre a história de Lanval: Lanval está triste por não ter ganho riquezas e terras de seu suserano, Rei Artur, como havia feito com todos os outros vassalos da Távola Redonda. Vagando pela floresta ele encontra uma dama muito bela e rica, que lhe dá muitas riquezas e também o seu amor. A dama pede segredo sobre os dois e avisa que se ele contar para alguém o amor morreria.

Um dia na corte do rei, a rainha arma para que Lanval e ela fiquem sozinhos. Ela pede o amor de Lanval e ele nega. Ela furiosa quer saber porque e ele não conta. A rainha ofende lanval duvidando inclusive que ele seja homem de verdade. Ele ofendido lhe revela o amor e diz que sua dama é muito mais bela que a rainha. Ela fica ainda mais furiosa e sai a procura do rei, conta-lhe tudo trocado fazendo com que o rei fique indignado com o pobre do Lanval que a essa altura está triste por ter perdido seu amor.

O rei pede aos barões de sua corte para julgar lanval e ele conta toda a verdade. Eles sem saber em quem acreditar pedem para que Lanval traga sua dama para confirmar sua história. Ele não atende ao pedido e é condenado. Um dia chega a corte a dama acompanhada de suas donzelas e confirma a história de Lanval, ele então é solto e quando a dama estava indo embora ele pula em cima do cavalo que puxava a carruagem de sua dama e leva-a para Avalon. Não se ouve mais falar dos dois.

Essa história é muito bonita, me apaixonei por esse tipo de literatura.  Os LAIS fazem parte da literatura cortês, característica da Idade Média. Até logo, porque tenho muito que ler sobre o assunto. E sobre outras coisas também, porque essa semana começaram as minhas aulas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (sonho que realizei… feliz mode on!).

Da série Raí­zes do Brasil

“Estereotipadas por longos anos de vida rural, a mentalidade da casa-grande invadiu assim as cidades e conquistou todas as profissões sem exclusão das mais humildes.” (HOLANDA, Sérgio Buarque. Raí­zes do Brasil, p. 55-56).

Raí­zes do Brasil é um pequeno livro de mais ou menos 150 páginas, depende da edição que o leitor escolhe, e não serve para uma leitura descompromissada. É o tipo de livro que necessita de uma leitura lenta, saboreada, para que todos os fios e teias de argumentos não se percam, e a magnitude das palavras de Sérgio Buarque de Holanda não confundam a cabeça de um leitor desavisado.

Raí­zes do Brasil trata de entender um processo de transição sociopolí­tica que Sérgio Buarque presenciava, onde pretendia identificar o passado a ser superado para entender qual seria nosso futuro histórico contido no presente.

O livro não é uma narrativa de fatos ou seqüência de eventos, é uma tentativa de reconstruir os fragmentos das várias formas de vida social , dessas instituições e mentalidades que tiveram suas origens no passado e que ainda eram parte da identidade nacional a ser superada.

O autor queria reconstruir a identidade brasileira tradicional enquanto um dos pilares de tensão do presente. Assim, a identidade brasileira está em devir, em processo de construção e também era problemática e fraturada. E em cada momento dessa construção a sociedade não deixa de ser portadora de ambiguidades, de ser nova, fruto da colonização européia, mas que não se amolda a sua herança. Em cada capí­tulo do livro ele identifica os pilares desse devir e tenta reconstituí­-los.

Raízes do Brasil