Juliana Russo – ilustradora

Todos temos algum artista que admiramos. Na música, no cinema, nas artes plásticas. Sempre tem aquele que fisga nosso olhar direto para sua obra sem deixar explicação.

Eu, particularmente tenho sido bastante fisgada ultimamente, por isso resolvi escrever pelo menos uma vez por semana sobre os artistas que atiraram o anzol no mundo e me pegaram de jeito e puxaram com toda a força.

Duas semanas atrás escrevi sobre a grafiteira Jana Joana, uma dessas artistas boa de pesca. Hoje quero contar sobre a Juliana Russo, uma ilustradora de mão cheia.

A guria tem uma linguagem própria, ela tem sua marca. Paulista, já fez trabalhos para muitas revistas e participou de diversas exposições aqui e no exterior. Gosta de ilustração? Então da uma olhada no trabalho dela e me diz se é ou não é dos bons!

Caderninho de Juliana Russo
Photo Credit: Juliana Russo

Seus traços são únicos e inspiradores. Contemplem. Inspirem-se.


Photo Credit: Juliana Russo

Diário de Bordo #2: Curitibanos – SC

Chegando de viagem, depois de oito dias maravilhosos no interior de Santa Catarina, mais precisamente em Curitibanos. Uma cidade com paisagens lindas e muita história para contar. E nada mais apropriado para uma estudante de História do que uma cidade com muitas histórias.

Passeio foi o que não faltou por lá. E com uma guia de mão cheia (que também nos abrigou em sua casa) eu e o Juliano conhecemos lugares fantásticos.

Sítio João de Barro

Como quase toda cidade do interior, a zona rural é bem ampla. No caso de Curitibanos, tivemos a oportunidade de conhecer bastante o interior (do interior). Nossa guia possui um sítio no Rapa do Bocó, mais ou menos 30 kilômetros do centro da cidade em uma estrada de terra.

Plantação de feijão, barracão de alho recém colhido, milho e algumas ovelhas. Cães, gatos e insetos, MUITOS insetos. Silêncio, colírio para os olhos, para onde quer que se olhe se vê verde, Araucária e mais verde.

Capão da Mortandade

Local histórico onde ocorreu uma batalha da Guerra dos Farrapos (ou Revolução Farroupilha) e Anita Garibaldi foi presa. O Capão da Mortandade fica dentro de uma fazenda enorme, e o capão está preservado intacto, com a mata nativa e um monumento aos mortos da batalha que ainda estão enterrados por lá.

A sensação de descer do carro no meio do mato (o capão) e ver uma cruz branca e uma pedra cercada por uma corrente é arrepiante. O cenário parece de filme de terror (e dizem as más línguas que os espíritos dos mortos vagueiam por ali à noite).

A História:

No dia 12 de janeiro de 1840 os farrapos liderados pelo Giuseppe Garibaldi que marchavam com destino ao Rio Grande do Sul foram surpreendidos ao se depararem com o exército imperial. Depois de um intenso combate na Fazenda da Forquilha a 18 km da cidade, os Farrapos foram derrotados com elevadas baixas, tiveram que bater em retirada. Os mortos desse combate foram sepultados em cova comum no lugar que ficou conhecido como “Capão da Mortandade”.
Fonte: Prefeitura Municipal de Curitibanos.

Sino da Paz

O único lugar que visitamos que fica fora da cidade de Curitibanos. Mas é bem na divisa com Frei Rogério. Fica no Núcleo Celso Ramos, comunidade de colonização japonesa. O Parque Sino da Paz foi construído para relembrar o acontecimento da bomba atômica lançada sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki na 2ª Guerra Mundial e homenageia às vítimas e seus sobreviventes de Explosões de Bombas Atômicas.

O monumento é muito bonito, e tem as formas de um Tsuro, o pássaro de origami que simboliza a paz para os japoneses.

E no mesmo terreno do parque tem um sítio com os primeiros pés de maçã Fuji plantados no Brasil, em 1968. Pegamos uma maçã no pé e provamos a maçã histórica. Veredito: deliciosa.

O Museu

A cidade de Curitibanos tem um museu que fica na antiga prefeitura, um prédio construído em 1929. Fica ao lado da Igreja Matriz da cidade e em frente a praça. Descrição perfeita do centro de alguma cidade pequena. O museu é pequeno, mas guarda um acervo muito rico da história da cidade. Armas usadas na Guerra do Contestado, munições, fotografias, mapas, objetos pessoais que foram doados por famílias antigas na cidade.

A Volta pra Casa

O centro é pequeno, e não tem NENHUMA loja de lembranças . Rodamos por um bom tempo procurando e nada. Trouxe para casa de lembrança quase dois quilos de alho. Afinal, o cultivo do alho é o principal da cidade e acabou se tornando símbolo para a região.

Depois dessa viagem maravilhosa, onde nenhum momento foi em vão, fica a vonte de de voltar. E de sair por aí, conhecendo lugares diferentes todos os dias.

Para ver mais fotografias da viagem, basta acessar meu flickr.

Você cuida bem dos livros?

Não é novidade nehuma que sou fã de Tolkien. E como fã, eu participo do Fórum Valinor. E em um dos tópicos perguntava se os membros cuidavam bem de seus livros. E eu respondi com todo o prazer, pois esse é um assunto que me interessa.

A seguir eu reproduzo algumas partes da colaboração que dei lá no fórum.

Eu trabalho em um museu de Porto Alegre e temos um acervo bibliográfico que conta com uma técnica em biblioteconomia. Eu, ela e mais alguns colegas do setor pedagógico (onde eu trabalho) criamos uma oficina de conservação de livros para crianças, e como material elaboramos o Biblos, um livro que conta sua própria história. Conta como ele fora mal tratado durante sua vida, jogado, rasgado, rabiscado e como ele chegou finalmente ao museu e está aguardando a recuperação pela técnica em biblioteconomia.

O livro é bastante simples, um trabalho coletivo que está sendo catalogado pela Biblioteca Nacional e será distribuido nas escolas daqui. Foi muito bom escrever um livro infantil.

E com esse trabalho eu descobri e melhorei algumas técnicas para cuidar bem de um livro. E elas são bem simples.

01. Limpá-los regularmente (sem panos úmidos ou produtos de limpeza – um pano seco na capa e se estiver muito sujo, use um pincel para lmpar as páginas. Acredite, isso prolonga em muitos anos a vida de um livro).

02. Guardá-los em local seco, sem úmidade, de preferência deixando que eles “respirem”.

03. Não rabiscar (e se for o caso, usar lápis 6B, mais macio e não marca).

04. Não guardar coisas no meio do livro: marca páginas, plantas (flores é costume para muitas meninas), embalagens etc.

05. Não se apoiar no livro durante a leitura.

06. Não abri-lo demais – isso prejudica as costuras que ligam as páginas.

07. Nunca, jamais usar durex ou cola branca – elas contém produtos químicos que mancham as páginas irreverssívelmente.

08. Se for colocá-los em pilhas, não as faça muito grande, o peso prejudica a estrutura do livro.

09. Não dobrar as páginas ou fazer ‘orelhas’.

10. Não comer ou beber sobre o livro.

11. Baús não são recomendados, eles são escuros e úmidos, não tem como respirar em um lugar assim, não é mesmo?

12. Não usar clipes – o metal enferruja, mancha e torna as folhas quebradiças nos locais de exposição.

Cuidar de um livro não é deixá-lo em uma vitrine, intacto, ele certamente terá sinais de uso com o tempo, mas cuidar de um livro prolonga a vida dele em muito anos, e é isso que interessa.

Não deixe o teu livro ficar assim, cuide bem dele.

Ilustração para Biblos: Luciano Thomé.

Vicky Cristina Barcelona

Photo Credit: Victor Bello/Weinstein Company
Photo Credit: Victor Bello/Weinstein Company

É um bom filme, terminou e fiquei com um sorriso no rosto.

Achei as locações fantásticas. A narração é boa. Gostei de ver a Scarlett/Cristina tendo um momento Woody Allen no avião quando voltavam de Oviedo. Ali, segundo o Juliano e eu assino embaixo, ela era o Woody Allen no filme.

Gostei muito das referências artísticas e principalmente do Javier/Juan pintor. A Penélope/Maria Elena estava sensacional (era a psicopta, vamos combinar).

Rececca Hall/Vicky estava ótima e seu dilema (será que eu caso ou compro uma bicicleta?) marcou bastante a tranformação da personagem ao longo do filme.

E as transformações são interessantes. Vicky é transformada,  Cristina é transformada. No final das contas é isso que acontece quando viajamos,  quando conhecemos novas pessoas, lemos algum livro, vemos algum filme: nos transformamos. Elas foram para Barcelona e ganharam uma viagem de auto conhecimento.

Outro ponto interessante o questionamento sobre a completude de um casal. Dois são mesmo suficientes? Eu não sei, mas o filme aborda de forma bem interessante esse tópico (que ainda é bem polêmico – e quando não o é, é puro fetiche).

Na minha modesta opinião o filme merece um 7,5 de 10. Ou um 3,5 de 5.

Livros lidos – 2008

A primeira lista de 2009 é sobre 2008.

Eu tenho o hábito de anotar cada livro lido e cada filme visto, antes em um adorável bloco ou caderno, agora em arquivos txt no computador. Esse hábito é interessante para contabilizar a quantidade de coisas que eu vejo e leio em um ano e tentar superar no ano seguinte, mas é também uma boa maneira de exercitar a parte do cérebro responsável pela memória. Escrever, ler e guardar em algum lugar especial determinado tipo de informação é um exercício que muito me agrada e que eu recomendo.

Então, no ano passado eu listei os livros lidos. Não foram tantos, tenho que admitir. Não chegam nem perto dos 100 livros que o Alex Castro leu ano passado. No entanto, não foram as únicas palavras que li: não contei as dezenas (talvez mais do que isso) de artigos e capítulos avulsos de livros que tive de ler para a faculdade, portanto esses livros são os que li inteiros, inteirinhos, por lazer ou não, durante o último ano.

01. Como e Por que ler (Harold Bloom)
02. A Divina Comédia dos Mutantes (Carlos Calado)
03. As Bruxas: noivas de Satã (Jean-Michel Sallmann)
04. A Conquista da América: a questão do outro (Tzvetan Todorov)
05. Diários da descoberta da América: as quatro viagens e o testamento (Cristóvão Colombo)
06. O Diário de Bridjet Jones (Helen Fulding)
07. A Última Esperança Sobre a Terra (Richard Matteson)
08. Sangue Ruim (Joe Coleman)
09. O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald)
10. TAZ zona autônoma temporária (Hakim Bey)
11. Cães da Província (Luiz Antônio de Assis Brasil)
12. Aventuras da Memória (Patricia Engel Secco)
13. Museu Vivo (Patricia Engel Secco)
14. Londres e Paris no Século XIX: O espetáculo da pobreza (Maria Stella M. Bresciani)
15. Estrychnina (Mário Totta, Paulino Azurenha e Souza Lobo)
16. A História Devorada No rastro dos crimes da Rua do Arvoredo (Cláudio Pereira Elmir)
17. A Máquina do Tempo (H. G. Wells)
18. Os Anarquistas na Revolução Mexicana (Pier Francesco Zarcone)

Com uma biblioteca dessas eu não sairia de casa até terminar de ler tudo!
Photo Credit: Pilustrika