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fevereiro 2009

Posts em fevereiro 2009.

Comentando True Blood

O que eu fiz nesse feriadão de Carnaval além de ir ao Cevas & Blogs e ver a cerimônia do Oscar na Internet? Não, eu não saí em bloco nenhum, não vi desfile de nenhuma escola de samba ao vivo nem na televisão, não fui a nenhum baile de máscaras.

Eu vi a primeira temporada de True Blood, do começo ao fim (exceto o primeiro episódio que tinha visto um tempo atrás). O que não é muito complicado, pois a temporada é mais curta do que a maioria: tem doze episódios (comum para séries da HBO).

Eu gostei bastante da série. Porém não achei a melhor coisa desde  a tampa de rosca, diferente de muitos.

Criada por Alan Ball, o mesmo de Six Feet Under, o programa é baseado na série de livros de Charlaine Harris, em especial no primeiro livro Dead Until Dark. Uma série sobre vampiros que tentam viver entre os humanos e uma garçonete paranormal que se apaixona por um exemplar da fascinante e marginalizada espécie. Passa-se numa cidadezinha no sul dos Estados Unidos onde um assassinato misterioso ocorreu.

Quando vi o piloto pensei: nossa, tudo isso em uma série só? Parece tanta coisa, sei não. Teve gente que gostou demais, eu desconfiei. Dei um tempo para ver os outros episódios. Continue lendo →

Comentários sobre o Cevas & Blogs 8

Semana passada tive a honra de participar da oitava edição do Cevas & Blogs. Foi no Cavanhas de dois andares da Lima e Silva. E compareceram também o Juliano Cavalcante, Piero Barcellos, Thiago “James”, Ferronatto, Rodrigo, Dias, Cler, Dea Balle e seu excelentíssimo, Thiago Hickmann, Karla Nazareth e seu excelentíssimo, Maite Mendonça, Fanny, Nathalia Grün e seu excelentíssimo, Varejão.

A noite foi muito engraçada, como sempre. Muitas fotos, de muitas máquinas. Foi ótimo rever os amigos blogueiros e conhecer outros tantos. A conversa passou em torno de novelas, Oscar, Battlestar Galactica, Lost, Star Treck entre tantos outros assuntos nerds.

Aproveita pra ver as fotos e se inspirar para participar das próximas edições.

Filmes do Oscar 2009 – parte 2

O Oscar 2009 é hoje à noite, não será transmitido na TV aberta devido ao desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro (que desperdício!). Já comentei sobre os filmes que concorrem a categoria de Melhor Direção e Melhor Filme (que são os mesmos). Agora é hora de comentar os outros filmes que eu vi e que concorrem a outras categorias.

Outras indicações

Na Mira do Chefe

(In Bruges; Dir: Martin McDonagh; UK/EUA; 2008)

O filme é muito bom, mas a tradução do nome é horrível. Sinceramente, se eu soubesse do nome em português antes de ver eu teria os dois pés atrás. Menos mal que eu só descobri o a tradução tosca depois de ter visto e adorado o filme. Uma pena ter sido indicado apenas para Melhor Roteiro Original. E com certeza o roteiro é uma das melhores coisas do filme. Pena a Academia ter preconceito com comédias, porque esse merecia mais indicações.

Vicky Cristina Barcelona

(idem; Dir: Woody Allen; Espanha/EUA; 2008)

A única indicação do filme é para Atriz Coadjuvante (Penélope Cruz está impecavelmente insana). É a Academia esnobando Allen depois de tanto ser esnobada por ele.

WALL-E

(idem; Dir: Andrew Stanton; EUA; 2008)

Mereceu TODAS as indicações que ganhou, e ainda mais. Merecia ser indicado por melhor filme, mas a Academia é muito conservadora para indicar uma animação, mesmo que tenha sido o melhor filme de 2008. Disparado.

Rio Congelado

(Frozen River; Dir: Courtney Hunt; EUA; 2008)

Me surpreendi com esse filme. Não tinha ouvido falar nada a respeito. e quando termino de ver eu penso: bah, tri bom. Melissa Leo merece a indicação para Melhor Atriz, só não sei se ganha, porque o páreo é duro. Uma produção simples e honesta, mas muito bem feita. A trama foi escrita pela própria Courtney Hunt (diretora) e trata de um tema espinhudo nos Estados Unidos: imigrantes ilegais. Mas a fronteira é diferente: trata-se da fronteira com o Canadá e não a fronteira com o México, a que estamos acostumados.

O Visitante

(The Visitor; Dir: Thomas McCarthy; EUA; 2007)

A indicação de Richard Jenkins para Melhor Ator é muito merecida. Ele está muito bem no papel do professor universitário medíocre que descobre um sentido maior para sua existência ao encontrar um casal de imigrantes ilegais (tema recorrente) morando em seu apartamento de Nova York. A relação que ele cria com a percussão é bastante interessante e o liberta do piano tão amado por sua falecida mulher – e apara o qual ele não tinha o menor talento. Um filme pós 11 de Setembro sobre xenofobia, procedimentos atuais para com imigrantes (principalmente muçulmanos) e indignações sociais. Uma narrativa gostosa, um filme simples e honesto.

Trovão Tropical

(Tropic Thunder; Dir: Ben Stiller; EUA/Alemanha; 2008)

Não sou fã de comédias do gênero, mas essa até que não é das piores. Mas não encontrei motivos suficientemente bons para a indicação de Robert Downey Jr. para Melhor ator Coadjuvante. Explica?

Hellboy II – O Exército Dourado

(Hellboy II: The Golden Army; Dir: Guillermo del Toro; EUA/Alemanha; 2008)

O filme é maravilhoso. Merecia mais indicações? Merecia! Melhor Maquiagem é só uma das inúmeras qualidades da película. E na minha opinião, é o merecedor da estatueta no quesito.

Batman – O Cavaleiro das Trevas

(The Dark Knight; Dir: Christopher Nolan; EUA; 2008)

Outro injustiçado. Não foi indicado para melhor filme por preconceito da Academia com filmes de super-heróis. O filme é ótimo, não te como negar. e causou frisson em todos em meados de 2008, quando da estréia. E o prêmio mais certeiro é para Heath Ledger como Melhor Ator Coadjuvante desde a estréia – antes até.

A Troca

(Changeling; Dir: Clint Eastwood; EUA; 2008)

É Clint Eastwood, então não precisa dizer muito. Esperei o pior pelo trailer, superou minhas expectativas. Angelina Jolie está ok. Não maravilhosa, mas ok. A indicação para Melhor Atriz não faz jus, portanto o Oscar não vai para ela. O filme é bom, apesar da grande salada de frutas de gêneros (policial/investigação, corrupção, julgamento, sequestro, manicómio).

Ainda faltam alguns filmes para ver. Como o Oscar é hoje, fico devendo.

Filmes do Oscar 2009

Como já é do conhecimento de todos, amanhã é dia de tapete vermelho e carequinhas por todo o lado.

Infelizmente a TV aberta optou por transmitir o maravilhoso e imperdível [/ironia] desfile de carnaval ao invés da premiação, deixando pessoas como eu na mão.

E só para que o Oscar 2009 não passe em branco aqui no blog também, eu escrevi algumas coisas sobre alguns dos filmes concorrentes.

Infelizmente não pude ver todos que disputam as estatuetas ainda, mas posso dizer que já vi boa parte. Segue os comentários para os filmes que vi dessa safra do Oscar.

Melhor Filme e Diretor

O Curioso Caso de Benjamin Button

(The Curious Case of Benjamin Button; Dir: David Fincher; EUA; 2008)

Não é um filme péssimo. Mas também não é um filme bom. Atuações medianas em um roteiro interessante. Tudo bem que foi adaptado de um conto do Fitzgerald, mas isso não é etiqueta de qualidade. E a comparação com Forrest Gump que alguns ousaram fazer é puramente inaceitável. Para Sessão da Tarde, ok. Mas ainda assim um filme esquecível. As 13 indicações não fazem jus a qualidade da película. E quem já viu Se7en e Clube da Luta sabe que esse não é o melhor trabalho de David Fincher e que ele tem capacidade pra fazer algo  muito melhor do que Benjamin Button.

Frost Contra Nixon – A Luta Pela Democracia

(Frost/Nixon; Dir: Ron Howard; EUA; 2008)

Filme bom mesmo. Roteiro bom, boas atuações e temática interessantíssima. Ron Howard, que nunca foi de fazer filme difícil, continuou na mesma linha e nos presenteia com um filme simples, esquemático até, mas muito bem feito. Frank Langella arrasa.

Milk – A Voz da Igualdade

(Milk; Dir: Gus Van Sant; EUA; 2008)

Para quem já dirigiu filmes nada convencionais como Gus Van Sant, esse pode ser considerado até quadrado. Adjetivo que não exclui todas as qualidades que a obra carrega. O Sean Penn está maravilhoso. E o argumento da trama é ótimo. A indicação para Melhor Figurino é bem merecida também.

Quem Quer Ser Um Milionário?

(Slumdog Millionaire, Dir: Danny Boyle; UK; 2008)

Outro dos favoritos desse Oscar é a produção de Danny Boyle. Ele, que está sempre se aventurando em produções de diferentes estilos (já fez até filme de zumbi, o que conta muitos pontos pra mim) traz mais um trabalho brilhante., apesar de ser bastante discreto. As outras indicações que recebeu são bastante merecidas, mesmo que eu torça para Wall-e nas indicações compartilhadas.

O Leitor

(The Reader; Dir: Stephen Daldry; EUA/Alemanha; 2008)

Eu gostei muito do filme, na verdade o meu preferido entre os indicados à melhor filme. Gostei das atuações, Kate está discreta, mas muito bem. Expressão facial e coragem. O segredo de Hanna é descoberto já no início da trama pelo espectador, no entanto isso não atrapalha o desenrolar da história. Quando [b]o leitor[/b] se dá conta é impressionante. Gostei do enfoque dado à participação de Hanna no exército nazista. Com a revelação de tal fato apenas depois de ter simpatizado com a personagem, tornado assim mais difícil emitir um julgamento de valor rápido em demasia a respeito de seus atos do passado. Stephen Daldry já fez outros trabalho maravilhosos e O Leitor é na minha opinião o merecedor da estatueta de melhor filme, mas melhor direção eu ainda estou em dúvida.

Lost S05E06 – “316”

Esse não é um blog de séries, e eu não sou especialista no assunto. Mas eu gosto, e muito. E Lost é uma das minhas séries favoritas, e acompanho fielmente!

No último episódio, exibido quarta-feira passada nos Estados Unidos, uma série de novos acontecimentos confundem ainda mais e inserem novos mistérios à trama. A narrativa assumiu um formato linear, o que dá um diferencial ao episódio.

Spoiler Alert!

Depois dos dois primeiros episódios bombásticos, esse foi o melhor. Muito interessante as analogias com passagens bíblicas (as explicitadas em diálogos como a crença de Tomé e as metafóricas, como o lava pés indicado na troca de sapatos de Locke por Jack).

A transformação de Jack em alguém que acredita não foi completa (e talvez nem venha a ser), mas a chance para o misticismo e a religião foi dada. E mesmo que ele ainda não acredite, ele fez tudo que precisava. E Locke deseja que ele acredite realmente, mas isso só o tempo dirá.

E a ilha? Personagem principal da série ficou praticamente de fora do episódio. Em que tempo eles foram parar? Estão todos no mesmo lapso de tempo?

A missão ainda não foi cumprida, pois não bastou voltar para a ilha, aparentemente eles ainda tem de realizar alguma tarefa para normalizar a situação. Encontrar todo mundo que ficou preso, quem sabe.

Novos mistérios adicionados à trama. Oh God. O que aconteceu com o avião? Lapidus, WTF? Como Hurley e Sayde foram parar no voo?

Jack Shephard  e John Locke

O próximo episódio será focado em John Locke e chama “The Life and Death of Jeremy Bentham

Só para constar, a primeira coisa que pensei quando o episódio terminou: Tudo isso já aconteceu antes; tudo isso já aconteceu antes e vai acontecer novamente.

Cevas e Blogs 8

Pois bem, a véspera do feriadão de carnaval será bem especial para os blogueiros gaúchos, pois a oitava edição do Cevas & Blogs já está marcada. A Luisa deu um golpe e está organizando pela segunda vez consecutiva o evento alcoólico mais Nerd da cidade.

O Cevas & Blogs 8 ocorre no dia 20 de fevereiro, às 19 horas na Pinacoteca no Cavanhas de 2 andares (Lima e Silva). A Luisa estará lá a partir das 18h30 para os que chegarem mais cedo.

Se não tem planos para o dia, se odeia o carnaval, se tem que trabalhar em pleno feriadão, essa é uma oportunidade única para se divertir entre iguais.

No final do meu primeiro Cevas & Blogs

No final do meu primeiro Cevas & Blogs

Na praia – Ian McEwan

Na Inglaterra, em 1962 um casal acaba de casar e tem pela frente sua noite de núpcias. ela, uma menina de família rica, formada em música e apaixonada pelo que faz. ele um garoto de família pobre, formado em Oxford – História.

Antes da revolução sexual que assolou o mundo na segunda metade da década de 1960, este casal tem pela frente uma noite cheia de medos, angústias e ansiedades. Ela tem medo do que vai acontecer, e ela sabe o que vai acontecer. ele está ansioso, se guardou para aquele momento e etem tantas expectativas. São jovens, apaixonados, amam-se verdadeiramente. Porém a noite de núpcias será uma noite de provações para ambos.

Um narrativa impecável e um estilo fluido. Na Praia superou todas as minhas expectativas. Ian McEwan consegue retratar diversos aspectos morais e sociais da geração pré 1968. Ele transcende o registro particular ao tratar o drama do casal atingindo o retrato de uma época inteira. Das contradições entre o novo e o antigo, entre a maturidade e a inocência.

Trata-se de uma obra  sobre o exato momento em que a perda da inocência está em jogo. Sobre as condições e as consequências dos atos de cada inivíduo perante este momento que viria a se diluir da vida dos jovens pós 68. A narrativa possui uma excelência digna de um dos maires escritores ingleses da atualidade. Uma história comovente ao mesmo tempo que espinha a moralidade remanscente.