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abril 2009

Posts em abril 2009.

Que livro eu sou?

Seria incrível se pudéssemos sintetizar nossa existência em um livro. Um romance ou poema.

A tentativa foi lançada. Essa semana diversas pessoas postaram no Twitter sobre o teste Que livro é você?. Onde uma série de perguntas em que você seleciona uma das alternativas como resposta te levam para um título de livro que tenta sintetizar tua personalidade. A proposta, como está escrito na página do teste, é:

Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra.

Mesmo que as alternativas para responder tenham um caráter bastante estereotipado achei o teste bacaninha. E o meu resultado foi o seguinte:

Morte e vida severina“, de João Cabral de Melo Neto

Às vezes você tem uma séria vontade de estapear as pessoas, só para fazê-las acordarem e perceberem as injustiças deste mundo. Como podem viver em seus mundinhos banais, quando há quem passe fome e totalmente à margem de qualquer conforto ou assistência? Esta talvez seja a sua maior revolta. Por isso, você tenta fazer a sua parte. Talvez por meio de um trabalho voluntário, participando de movimentos populares ou somente se exaltando em rodas de amigos menos engajados. De qualquer maneira, você consegue de fato comover pessoas com seu discurso apaixonado e, ao mesmo tempo, baseado numa lógica de compaixão e igualdade que ninguém pode negar.

Essa missão é mais do que cumprida pelo belo “Morte e vida severina” (1966), poema dramático escrito pelo pernambucano Melo Neto que se tornou símbolo para uma geração em conflito com as consequências sociais geradas pelo capitalismo selvagem.

Gostei do resultado, quem me conhece que decida se condiz com quem eu realmente sou. E se quiser saber qual livro resume sua personalidade basta entrar na página Educar para Crescer.

Para adquirir Morte e vida severina basta clicar na imagem da capa ou em todas as vezes que o nome do livro aparece e comprar através do submarino. Assim você lê um belo exemplar da literatura brasileira e ainda ajuda o trecos & trapos a continuar existindo.

Mad About You

Nos últimos dias tive a oportunidade de apreciar o box da Coleção Mad About You, uma sitcom transmitida pela NBC de 23 de Setembro de 1992 a 24 de Maio de 1999.

Eu já havia visto alguns episódios soltos de Mad About You na televisão alguns atrás. Sempre fui simpática à série e ao casal protagonista Paul Buchman e Jamie Stemple Buchman, interpretados pelos talentosíssimos Paul Reiser e Helen Hunt.

Neste box temos episódios seminais da série escolhidos pessoalmente por Hunt e Reiser além dos comentários de ambos sobre cada um deles e muitos extras (Erros de gravação, Comentários, Trailers, Seleção de episódios, Paul e Helen são loucos por participações especiais e Paul e Helen são loucos pelo tema).

Com um argumento singelo e original o show durou sete temporadas. Criada pelo próprio Reiser e Danny Jacobson, a série contava o dia-a-dia de um casal  depois do casamento. A rotina do casamento, com todos os problemas, alegrias, dificuldades e surpresas é retratado com esse casal de Nova Iorque, um documentarista e uma especialista em relações públicas. Helen comenta no DVD que geralmente o casamento é o final para uma história de amor. A proposta era exatamente mostrar o que acontece depois desse final feliz e desmistificar a idéia do viveram felizes para sempre. Continue lendo →

Customização

Eu tenho uma paixão muito grande por All Star. Desde meus 15 anos eu uso todos os dias um par desses tênis. Já cheguei a ter 10 pares de cores e modelos variados. Hoje sou mais modesta, afinal eles foram se desmanchando com o tempo.

Apesar de uma pequena reclamação em relação aos últimos que adquiri eu continuo gostando muito da marca e do modelo – eles rasgaram ou descolaram em um tempo muito menor do que os mais velhos, aliás os pares mais antigos ainda estão inteirinhos e os novos precisando urgente ir para a UTI dos tênis.

Mas melhor do que possuir um All Star é possuir um bem exclusivo. No maior estilo Do It Your Self,eu era campeã de desenhar, pintar, inserir fitas e bordados nos tênis, blusas e bolsas durante minha adolescência. Isso já faz bastante tempo.

Crédito: baby.c

Mas esses dias eu estava passeando pelo Flickrquando deparei com o perfil da Bárbara Malagoli, ou simplesmente baby.c. Ela faz desenhos em tênis, camisetas e em tudo mais que lhe der na telha. Continue lendo →

Ronald D. Moore te despreza

Sim, isso mesmo. Ronald D. Moore te despreza. No gif acima, creditado para o blog Galactica Sitrep, tem uma das melhores cenas da semana, e talvez até de todos os C.S.I.s da vida!

Eu não acompanho C.S.I., apenas vi alguns episódios soltos na televisão. Nesse fim de semana o Juliano baixou o episódio 20 – A Space Oddity – da nona temporada, em outras palavras, o da semana passada, para que assistíssemos.

O motivo? Porque foi escrito por Naren Shankar (roteirista de Star Trek: Generations, “Star Trek: Deep Space Nine” – 2 episódios,  “Star Trek: Voyager” – 1 episódio, Star Trek: The Next Generation – A Final Unity, “Star Trek: The Next Generation” – 9 episódios), produzido por Bradley Thompson (que produzia e co-produzia Battlestar Galactica), David Weddle (que também produzia e co-produzia Battlestar Galactica) e dirigido por Michael Nankin (que também dirigiu alguns episódios de Battlestar Galactica).

E como se isso não bastasse, quando começamos a ver o episódio tivemos ótimas surpresas. Além de todas as referências a Star Treck (sabidas de antemão) vemos pequenas participações de tirar o fôlego. Uma rápida aparição de Grace Park (Sharon Valerii, Boomer e as números oito de Battlestar Galactica) e a melhor cena de todas, quando do nada Ronald D. Moore levanta e grita You Suck! Morri com essa cena.

Então está lançada a campanha:

Ronald D. Moore te despreza!

Edit: Acabei esquecendo de comentar sobre a corrente no pescoço de Ronald D. Moore. Se prestar bastante atenção, dá pra perceber que ele usa a corrente com o anel que a Starbuck usava em BSG.

O Guia do Mochileiro das Galáxias, Episódio 6

Chegando ao último episódio da série O Guia do Mochileiro das Galáxias de Douglas Adams. Bom proveito.

Episódio 6

Exibido no dia 09 de Fevereiro de 1981.

Artur e Ford ne Terra | Crédito: BBC

Nesse episódio temos a continuação da tensa situação que se apresentou no episódio anterior, quando os viajantes estavam prestes a serem jogados contra um Sol e Marvin, é apontado como voluntário para o sacrifício de fazer uma espécie de tele transporte funcionar. O resto do grupo consegue escapar do destino fatal. No caminho, porém, Arthur e Ford se separam de Zaphod e Trillian e foram mandados para uma nave totalmente estranha que partiu de Golgafrincham e estava programado para bater em um planeta desconhecido. Continue lendo →

Entre os Muros da Escola (2008)

Entre os Muros da Escola (Entre les murs; Dir: Laurent Cantet; França; 2008)

O filme Entre os Muros da Escola possui uma direção seca e carrega uma linguagem direta, quase documental, do cotidiano de uma turma em uma escola localizada na periferia de Paris, na França. Todos aqueles com um mínimo de preocupação com o cenário mundial atual e que acompanham regularmente alguma fonte de notícia tem conhecimento dos recentes conflitos nas periferias francesas e de como estes lugares são pólos de imigrantes de mundo todo no país. Bem, entre os muros das escolas francesas essas tensões também se fazem presente.

As aulas apresentadas para o espectador são as ministradas pelo professor François Marin, de língua francesa, a língua materna. A ausência de trilha sonora de qualquer tipo confere um tom ainda mais realista à película. O único som que ouvimos é o som da escola, embora alguns silêncios sejam bastante relevantes. Os estudantes foram interpretados por estudantes de um liceu de Paris, que se preparam para as filmagens através de workshops dramáticos e foram encorajados a improvisar durante as filmagens. Os nomes usados pelos estudantes e foram os próprios nomes dos que os interpretaram.

Entre os Muros da Escola surgiu da idéia que Laurent Cantet tinha de fazer um filme ficcional sobre o cotidiano em uma escola e propôs ao jornalista, escritor e professor François Bégaudeau a adaptação para o cinema de seu livro ENTRE LES MURS. Convidou Bégaudeau para co-escrever o argumento com ele e Robin Campillo, e lhe propôs ainda que interpretasse o papel principal, o do professor.

Durante o filme o público é levado por uma crônica que narra um ano letivo da escola e acompanha algumas situações que ocorrem na sala entre os alunos – todos na faixa dos treze aos quinze anos – e o professor. No entanto, em alguns momentos o público é levado a conhecer o pátio ou a sala dos professores. E nesses momentos algumas diferenças ficam bastante evidentes.

O pátio abriga o caldeirão étnico e as tensões veladas, disfarçadas e por vezes explícitas, nas brincadeiras dos estudantes. A sala dos professores revela as frustrações de um grupo de fora, que não vive o cotidiano da periferia do outro lado do muro. Os professores manifestam suas ansiedades intelectuais e pessoais em conversas e desabafos.

O professor protagonista possui características do idealista. Sua atitude em sala de aula no início do ano letivo busca sempre a inclusão daquele grupo de adolescentes, demonstrando um interesse em suas vidas, em seus sentimentos, medos e ansiedades. Porém, a realidade é dura e transforma aos poucos suas ações, que acabam entrando em conflito com suas próprias idealizações. Sem cair no discurso catastrófico Cantet descreve os intensos conflitos diários do microcosmo da uma sala de aula que se expande para todo o continente europeu, aonde os filhos dos imigrantes africanos, asiáticos e também europeus convivem, muitas vezes em conflitos.

Entre os Muros da Escola é mais do que um filme de professor. Deixa de lado a esfera “O Captain, my Captain” para mostrar uma narrativa da realidade dos estudantes e professores, de como eles carregam suas bagagens de vida e suas necessidades para dentro do ambiente escolar e de como isso faz a sala de aula.

O Guia do Mochileiro das Galáxias, Episódio 5

Retornando a série de textos sobre O Guia do Mochileiro das Galáxias na televisão.

Episódio 5

Exibido no dia 02 de Fevereiro de 1981.

No início do episódio Arthur, Ford e seus amigos acordam em um lugar totalmente estranho. No decorrer da cena acabam descobrindo se tratar do Restaurante no Fim do Universo.

Trillian, Arthur e o Maitre’d | Créditos: BBC

No decorrer do episódio eles descobrem que o Restaurante  foi construído nas ruínas de Magrathea e foram transportados no tempo para o dia em que o universo acaba através da explosão do computador em que refugiavam-se.

No restaurante, graças a juros compostos, os clientes podem desfrutar de uma ampla e cara refeição. O Guia dá uma explicação fantástica de como investir seu dinheiro e ter como pagar os serviços oferecidos pelo restaurante e assistir um dos mais belos espetáculos do universo: o seu próprio fim.

Durante o insólito diálogo com a refeição que lhes seria servida, o grupo descobre que Marvin está no restaurante esperando por eles. Foram muitos, mas muitos anos mesmo, esperando. ele trabalha no estacionamento do estabelecimento.

Ao encontrarem Marvin eles resolvem sair dali e sequestram outra nave. Uma pena que a tal nave pertence a um grupo musical que destrói naves ao mandá-las de encontro a sóis. E aquela é justamente uma das naves que seriam sacrificadas. Quando o eles descobrem que a nave está programada para um mergulho diretamente no sol o pavor toma conta de todos. O gancho para o episódio seguinte (e último) é o destino dos viajantes intergaláticos.

Sem cenas de ação dessa vez, o episódio ganhou minha admiração – mais uma vez – pelos diálogos que são impagáveis e pela criatividade dos cenários e figurinos.

Quem leu os livros da saga de Douglas Adams percebe que nesta parte da série o episódio encontra-se no segundo livro, O Restaurante no Fim do Universo. E a seqüência idem.

Não esqueça de ler o texto geral sobre a série e sobre os episódios 1, 2, 3 e 4!