Um poema aos Domingos #2

Bertold BrechtPerguntas de um Operário Letrado
(Bertold Brecht)

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

Conhece a Pipa? A amiga da Tina.

A infância de muita gente bacana por aí foi marcada pelas histórias de uma turma pra lá de espcial. Eu me incluo na lista. A dos que foram marcados, não a dos bacanas (essa fica por tua conta). A turminha em questão é a famosa Turma da Mônica. Me criei lendo gibis da Mônica, do Cebolinha, Cascão, Magali e Chico Bento.

Mas hoje quero falar sobre uma turma paralela, os jovens do pedaço. Muito antes da Mônica crescer outra garota arrancava suspiros nas histórias de Maurício de Souza. Estou falando da turma que acompanhava a Tina.

Pois é, mesmo criança eu adorava ler o que aquele pessoal aprontava. Rolo, Tina e Pipa eram inseparáveis, super amigos. Tina colecionava namorados, Rolo era mulherengo que só vendo e Pipa, a gordinha mais bacanuda que eu conhecia quando criança, era romântica e sonhava em casar com o namorado. Read More

Obituário: Michael Jackson

Eu nunca pensei que esse dia pudesse chegar. Ainda não consigo acreditar. Mas é verdade, Michael Jackson morreu hoje no hospital de Los Angeles após uma parada cardíaca. Fiquei sabendo da notícia quando minha mãe me ligou meia hora antes que eu chegasse em casa. Fiquei pasma, sem palavras.

O Rei do Pop se foi, passou dessa para uma melhor (ou não). De herança ficaram sua obra musical sem precedentes e que dificilmente será superada. E por falar nisso, quem será seu sucessor? Eu não arrisco palpite. Para mim ,alguém que possa chegar aos pés de Michael ainda não existe. Read More

Top 5 – Episódios de Comédia e Drama: Temporada 2008/2009

Desde março deste ano o trecos&trapos faz parte da Sociedade dos Blogs de Séries. Este não é um blog de nicho, as séries de televisão não são a pauta principal do blog, até porque eu falo sobre muita coisa. Como falo sobre tudo aquilo que gosto, as séries estão presentes, e muito.

Buenas, para participar da sociedade eu preciso realizar o Ranking Mensal dos episódios. E acima de tudo participar da votação do Jerry (um prêmio que elege os melhores em diversas categorias). E antes da votação eu preciso eleger os melhores episódios da temporada nas categorias drama e comédia (segundo minha opinião, é claro). Então aí está minha lista: Read More

Um poema aos Domingos #1

O trecos & trapos está passando por algumas reformulações, dentre elas a criação desta coluna: Um poema aos Domingos.

Sempre aos Domingos, em quase todos, publicarei um poema do qual eu goste ou uma indicação tua. Por quê? Simplesmente porque a poesia nunca foi meu forte. Nem na leitura, muito menos na escrita. E eu quero descobrir um pouco mais sobre poetas e suas obras e sensibilizar-me um pouco mais a partir desse formato de literatura.

No começo vou colocando os poemas que gosto. E para começar bem resolvi colocar um poema de Heiner Müller. O poema é uma homenagem à Pina Bausch.

Sangue na Sapatilha ou Enigma da Liberdade

Heiner Müller – 1981 (para Pina Bausch)

De criança brincávamos de esconde esconde.
Ainda se lembra de nossos jogos?
Todos se escondem, um espera
O rosto contra uma árvore ou parede
As mãos sobre os olhos, até que o último
encontre seu lugar, e quem for descoberto
Tem que correr do pegador.
Se chegar primeiro na árvore, está livre.
Se não fica parado no lugar
Como se bater a mão em uma árvore ou parede
O pregasse ao chão como pedra sepulcral
ele não pode se mover até que o último
Seja encontrado. e às vezes o último
Por estar tão bem escondido, não é encontrado.
então todos esperam petrificados
cada qual seu próprio monumento, pelo último
e às vezes acontece morrer um
Seu esconderijo não é encontrado, não há
Fome que o faça escapar de sua morte
Aquela que o encontrou fora da fila
Os mortos não tem mais fome.
Então não há ressurreição. O pegador
Revirou cada pedra quatro vezes.
Agora só pode esperar, o rosto
Contra a árvore ou parede
as mãos sobre os olhos, até que o mundo
Tenha passado por ele.
Ponha suas mãos sobre os olhos irmão.
Os outros, que o pegador pregou ao chão
Ao bater a mão em uma árvore ou parede não correram
Depressa de seu esconderijo que não era bem seguro,
Eles agora não tem mais sobre seus olhos as mãos,
Não mais podem se mover e também os olhos não podem fechar
de acordo com a regra do jogo.
Como pedras no cemitério esperam eles
Com os olhos abertos para o último olhar.