Por Daniela em 23/01/08 às 20:40 | Publicado em: Extra Extra

Nota da semana passada, escrita por mim na página Estratégia e Análise.

Tarsila do Amaral tornou-se o símbolo de um acontecimento do qual esteve ausente.

A frase que dá título a esta nota é do crítico de arte Jacob Klintowitz e refere-se à ausência de Tarsila do Amaral na Semana da Arte Moderna de 1922. Na época a artista que se tornou referência na arte moderna brasileira estava na Europa, estudando na Academia Julian (1921 – 1922). Tarsila participou ativamente da renovação da arte brasileira que se processou na década de 1920. Integrou-se ao movimento modernista e ligou-se com a questão da brasilidade. Mesmo que não tenha participado efetivamente da Semana de Arte Moderna, foi responsável pela criação de uma nova linguagem para a pintura brasileira.

De volta ao Brasil, após a Semana de 22, ao ser apresentada por Anita Malfatti, aos modernistas paulistas ela passa a integrar o ‘Grupo dos Cinco’. O grupo não durou muito, devido à ida de Tarsila e Oswald de Andrade à Paris, no ano de 1923. Fizeram uma parceria intelectual poderosa em que um alimentava a arte do outro. É a partir desa época que a artista passaria a conviver nos ateliês dos mestres cubistas André Lhote, Albert Gleizes e Fernand Léger.

Suas telas eram então, nitidamente influenciadas pelo cubismo, mas impregnadas de uma brasilidade que se manifesta, sobretudo nas cores. Mais tarde sua devoção pelas paisagens da infância revela-se tanto em sua fase Pau-Brasil (1924) registrando cidades, paisagens e tipos comoventemente brasileiros, como nas estranhas figuras da chamada fase Antropofágica (1928). Esta última é resultado de um presente ao seu marido, Oswald de Andrade. Pintou o Abaporu, uma figura de cabeça pequena, braço fino e pernas enormes, tendo ao lado um cactus cuja flor se assemelha a um sol. O nome da obra vem do dicionário de Tupi-Guarany de Montoya: Abapuru em língua indígena significa “antropófago; homem que come carne humana”. Oswald elabora o Movimento Antropofágico e a pintura de Tarsila evolui. As formas volumosas, as cores exuberantes passam a ser a marca registrada da artista.

As últimas obras de Tarsila resultaram de sua viagem à União Soviética em 1931. Voltou marcada pelo que viu. Marcada o drama operário e a miséria das multidões. Ë desse período as obras-primas: Operários e 2a Classe. Chegou a ser presa por divulgar seus ideais políticos durante o período Getulista. Os quadros de sua chamada fase social registram dores imensas, estampadas em figuras miseráveis, injustiçadas. Sua brasilidade re-significa o chamado Realismo Socialista.

Posteriormente Tarsila limitou-se a revisitar suas fases anteriores, concentrando-se em temas como folclore e religião Tarsila do Amaral falece em São Paulo no dia 17 de Janeiro de 1973 com um legado deixado por poucos: a caminhada que buscava uma arte nacional.

Veja Também:

  1. Estratégia & Análise #9
  2. Estratégia & Análise #4
  3. Estratégia e Análise
  4. Estratégia & Análise # 3
  5. Estratégia & Análise #5



5 comentários para “Estratégia & Análise # 8”

  1. Biel Souza comentou:

    Achei muito 10 o blog, parabéns!

  2. Joana comentou:

    me senti de volta as aulas de literatura e história ao ler seu post :)

  3. Carol M. comentou:

    acho que a única obra da Tarsila que gosto é Operários :)

    legal o texto.

  4. leticia comentou:

    Que demais amei vc é d *+

  5. Luana comentou:

    Haiim ameiii parabéns ..
    ficOu muito legal as misturas de pinturas

Comentar





2006 - 2009 - trecos&trapos.org