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Literatura

Posts on Literatura.

Leituras de Janeiro + TBR de Fevereiro

Devido a problemas técnicos, demorei para postar aqui no blog o último vídeo postado no canal do trecos & trapos (e também para postar qualquer coisa… hehehehe) Então, com um certo atraso: os livros lidos em janeiro, o que estou lendo e o que pretendo ler em fevereiro de 2015. Não esqueçam de comentar e dizer o que vocês estão lendo e o que gostariam de ler. E se vocês já eram algum desses livros, deixe sua opinião nos comentários.

Abraços e boa leitura. 😉

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Resoluções literárias para 2015

Em 2015 eu pretendo voltar com os posts e com o canal com uma certa regularidade. Espero que eu consiga. E para começar, eu postei essa semana lá no canal do blog as minhas resoluções acerca das leituras do ano. Espero que vocês gostem. Deixem nos comentários sobre o que acharam e as resoluções de vocês. Espero que gostem. Até logo.

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Pelo fim da polícia literária

Eu estava em uma aula de estudos literários no semestre passado, lá no Instituto de Letras da UFRGS, e além de sair pensando muito sobre o tema da aula – uma discussão sobre valor estético e cânone literário – também refleti bastante sobre a fala de uma colega durante a aula.

Estávamos no momento do debate em que uma espécie de jogo foi instituído e alguns colegas precisaram “convencer” o professor a ler um livro, qualquer livro. As respostas eram então listadas em forma de tópicos no quadro e os argumentos seriam utilizados ao lado de outros pré selecionados pelo professor para refletir e compreender um pouco melhor o tema da aula, ou seja, o que constitui o cânone. Pois então, para contrapor uma visão de que muitas pessoas selecionam suas leituras dentro do cânone pela satisfação, para sentir-se bem, para experienciar uma certa catarse, relaxar, ou seja, um certo sentido místico da leitura em si, a colega em questão prontamente falou: – “Eu acho que esse tipo de pessoa não iria ler literatura para relaxar, para sentir-se bem. Ela leria Zíbia Gasparetto”. Depois da resposta do professor a guria ainda não estava contente e ainda citou Bridget Jones para reforçar seu argumento: – “Esse tipo de pessoa não lê literatura pra isso, vai escolher no máximo Bridget Jones”.

O professor então pergunta: “Bridget Jones não é literatura?” – “Não”. – Responde ela. – “Zíbia Gasparetto também não?” – “Não”. Como bom provocador, o professor cita que, uma pessoa pode chegar em casa e relaxar lendo fernando pessoa. Prontamente a colega diz que não. Que é preciso ter um esforço para ler, para entender, que com essa atitude de leitura não é possível captar a obra. Esse tipo de ato de leitura, segundo ela, só é valido para alguns livros, outros podem ser lidos de qualquer forma, e de preferência que não sejam lidos, por que não são literatura. Historinha finalizada, Isso me deixou profundamente incomodada.

Motivos:

Não é de hoje que muitos leitores acreditam estar um patamar acima dos pobres mortais que não compartilham o “gosto pela leitura”.E isso é um problema, porque ao invés de aproximar as pessoas dos livros, as afasta ainda mais. Quem gostaria de ser um arrogante “sabe tudo”? É obvio que ler é maravilhoso e possuir esse hábito traz muitos benefícios para o indivíduo e cria inúmeras possibilidades de ver/ler/enfrentar/compreender/opinar sobre/transformar a vida. Mas esse hábito não existe na mesma proporção, nem é igual ou tem os mesmo significados para todo mundo. É preciso ter algo em mente: todos nós lemos. São o que lemos, como lemos, por que lemos que variam de pessoa para pessoa. “O problema” é que as pessoas não leem o que alguns acham/definem que elas devem ler, nesse caso, quem precisa de mais leitura (de mundo) são esses alguns!

Sujeitos com “pouca instrução formal” não são incapazes de ler Crime e Castigo, por exemplo. Pelo contrário, elas terão uma leitura completamente diferente daquela feita por um Doutor em Literatura, um médico, um professor, ou um russo! E isso é maravilhoso! De um anúncio de jornal ou um post no Facebook ao cânone literário, tudo é passível de ser lido por qualquer pessoa. Somos livres para escolher o que precisamos ou desejamos ler. E, principalmente, qual será a finalidade dessa leitura. Nesse sentido, o que esses seres iluminados desejam não são mais pessoas lendo ou que leiam mais (se é que eles realmente querem deixar de fazer parte de um restrito grupo de prestígio) e sim que elas leiam as coisas “certas”.

Não bastasse a atribuição de valor àqueles que leem e aos que “não leem”, existe uma tendência entre certos grupos, de defender ferrenhamente a ideia de que só possuem valor aqueles que compartilham do mesmo gosto (não só pela literatura, mas pela música, pelo cinema, etc.) que o deles. Se é funk, é ruim e quem gosta é (para sermos delicados) idiota, ignorante, pobre, incapaz intelectualmente. Se é rock (não qualquer rock, é claro) é bom. Se é sertanejo, é ruim, se é MPB é bom. A moda agora é desqualificar os livros ditos para adolescentes. Mas já foi moda (e ainda tem bastante gente que faz isso) desqualificar autoajuda, livros espiritas, best seller, entre outros. Isso nada mais é do que um preconceito tão besta que chega a dar nojo.Esse tipo de atitude tem nome, é preconceito literário. Tem um vídeo ótimo do canal Capitu Já Leu (saudade dos vídeos…) que fala sobre isso. Aliás, tem muita gente bacana falando sobre o assunto no Youtube.

Preconceito é um fenômeno social tão antigo quanto a humanidade. Temos a tendência de julgar os outros (seus atos e preferências) de acordo com nossos padrões, nossas verdades. E para alguns, as próprias verdades precisam ser, obrigatoriamente, veneradas pelos outros. O preconceito, de qualquer tipo, é extremamente perigoso, pois exclui e violenta quem não segue (ou não se enquadra em) determinados padrões estabelecidos por determinados grupos sociais. Criticar uma obra por seus méritos ou problemas (de qualquer espécie, sejam eles estruturais, formais, etc.) não é a mesma coisa que julgar quem lê essa obra. Eu tenho todo o direito de gostar ou não gostar de alguma coisa, e meu gosto não me faz melhor do que ninguém. Não tenho direito de julgar as pessoas que gostam daquilo que eu não gosto como seres inferiores, e nem de colocar em xeque a inteligência delas. Nossos padrões, valores e verdades não são únicos e nem são melhores que os padrões, valores e verdades dos outros. Temos que parar de achar que só o que a gente gosta é cultura.

E se não bastasse o grupo dos que dizem o que eu tenho que ler, agora me aparece essa, querem ditar como eu devo ler. Está instituída de vez a Polícia da Leitura. E ela está a solta. Ela tem a tarefa de proteger o “bom leitor” e combater o “mau uso da literatura”. Nada de ler por diversão. Isso só é permitido com “baixa literatura”, aquela que está no limiar, que quase não pode ser chamada de literatura. Ler é tarefa árdua, feita apenas para enobrecer o espírito, de forma compenetrada e com muito esforço. Apenas para adicionar ainda mais conhecimento nas mentes brilhantes dos leitores. Não está permitido se misturar com a “gentalha que não lê”. Não está permitido sentir prazer lendo Proust ou aprender lendo Harry Potter. Parece piada, mas e o que muita gente anda pensando por aí. Estou cansada do argumento de que as pessoas não leem, cansada de ver julgamentos de valor baseados naquilo que as pessoas leem. Apenas parem! Cuidem de suas leituras, incentivem outros a ler, mas sem emitir juízos de valor das pessoas e/ou dos livros.

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O evangelho segundo a serpente, de Faíza Hayat

Faíza Hayat, O Evangelho Segundo a SerpenteA edição muito bem feita, com todo zelo e cuidado da Língua Geral encanta qualquer amante de livros: parece um moleskine, com direito a elástico para prender as páginas, corte roxo, páginas creme, fonte com o espaçamento ideal e páginas pretas para separar as partes do pequeno livro de 142 páginas da escritora de família portuguesa e católica pelo lado da mãe e indiana e muçulmana pelo lado do pai. Além disso, a orelha tem a indicação de Mia Couto. Quem não gostaria de levar um livro assim para casa.

No entanto, minha consciência sempre me diz: não leve um livro apenas pela capa. Ok, não foi isso que eu fiz. Fiquei curiosa pelas palavras de Faíza Hayat depois da indicação de Juliana Gervason, em um de seus Tudo Junto e Misturado (aqui e aqui) e saí procurando no Estante Virtual. O livro chegou aqui em casa e foi para a estante, e lá permanceu por quase um ano sem que eu sequer tocasse nele. Um sacrilégio, pois ele deveria ter sido devorado na mesma hora que adentrou minha porta. Infelizmente a vida adulta chegou e eu não estava (e continuo não estando) preparada para ela, e fui consumida pela minha desorganização monumental e a consequente falta de tempo para respirar.

Algumas, poucas, leituras depois, eu resgato da estante o livro de título curioso e aparência belíssima. Comecei a ler despretensiosamente. As primeiras páginas possuem uma beleza incomparável, aliás, o livro todo é assim. Cheio de possíveis citações em livros, blogs, facebook e até tatuagem.

O que me sustenta é a beleza. Rezo ao deserto para que continue a receber-me; rezo ao mar, e em especial ao grande e sereno Oceano Índico, para que não deixe nunca de me consolar com a sua voz de espuma; rezo às papaias pela sua carne e às goiabas pelo seu perfume. Rezo ao deus indiferente dos gatos porque os fez magníficos e ao das baleias e das vacas pela sua mansidão. Sou mulher: rezo a tudo o que floresce e frutifica – nada que cante ou que dance me é indiferente. Nada que fira ou destrua me é semelhante. (Faíza Hayat)

Mas mesmo com a beleza da narrativa de Faíza, o livro não me prendeu logo de início. Porém as coisas começaram a mudar e a narrativa – que de início era mais reflexiva – começou a ganhar mais ação e quando a leitura passou para a segunda das seis partes da história eu não consegui mais largar o livro.

É surpreendente o que a mistura de arqueologia, religião, amor, escrita em línguas antigas, mistério e poesia pode fazer. Um livro que mesmo ao acelerar o ritmo da narrativa não perde a beleza e a delicadeza. Fiquei realmente emocionada com a escrita de Faíza e certamente quero ler outras coisas da autora. Esse foi seu romance de estreia, mas os próximos que virão estão na minha lista de espera para futuras ótimas leituras.

O evangelho segundo a serpente
Faíza Hayat
Editora Língua Geral
Coleção Ponta de Lança
144 páginas

Rating: ★★★☆☆ 

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Coisa de Louco, de John O’Farrell

Coisa de LoucoCoisa de Louco do escritor  britânico John O’Farrell tem uma premissa muito interessante: pais desesperados que fazem tudo por seus filhos. TU-DO. Escolhi ler esse livro para o Desafio Literário no tema comédia, porque as indicações da contracapa diziam que o livro é hilário. Infelizmente não foi bem essa a impressão que tive da obra.

Infelizmente a parte inicial da narrativa é bem monótona. Vale a leitura, é claro, principalmente por umas sacadas muito boas e em especial pelos três últimos capítulos que são realmente interessantes e fazem o livro todo valer a pena de ser lido – mesmo que a classificação de livro de humor não seja verdadeira, pelo menos no meu caso, que não achei o livro tão engraçado a ponto de dar gargalhadas, apenas alguns sorrisos em trechos esparsos. Eu gostei das personagens, achei a ideia maluca de assumir o lugar da filha para fazer uma prova sensacional, mas graça que é bom veio em doses homeopáticas.

O bacana do livro são as questões sociais que ele levanta: o comportamento de pais super protetores, a classe média se fechando cada vez mais em prisões particulares em casa, na escola, no carro blindado, a diferença gritante entre aqueles que podem pagar pelo seu bem estar e proteção e aqueles que vivem à margem desse mundo, sujeitos a violência, poucas chances de mudar de vida, etc. Mas uma das coisas mais interessantes e que me fez refletir foi a opção final dessa mãe surtada. Não vou contar para não dar spoilers, mas fiquei muito feliz com a imagem de escola pública que o autor descreve e principalmente com a reflexão sobre os motivos de se frequentar a escola, foram impecáveis.

Para ter uma ideia, demorei dois meses para terminá-lo, pois a cada capítulo lido eu ficava pelo menos uma semana sem tocar no livro simplesmente porque ele não me atraía. Já os três últimos capítulos me prenderam tanto que nem dei bola para o mundo acontecendo ao meu redor. E eu fiquei bem feliz com o final. Várias vezes durante a leitura fiquei me perguntando como poderia terminar um livro em que a mãe é capaz de se travestir de criança para fazer um exame de admissão no lugar da filha. Felizmente o final não decepciona, e apesar de não acontecer o mais esperado (o que seria também um desapontamento), o que acontece deixa uma sensação de acalento, um afago leve no leitor.

Coisa de Louco (May Contain Nuts)
John O’Farrell
Editora Record
382 páginas
Goodreads | Skoob

Rating: ★★★☆☆ 


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