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On the Road

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Viajar: uma necessidade.

Viajar é uma das coisas que eu mais gosto de fazer. Infelizmente durante muito tempo eu não consegui sequer sair da região metropolitana do meu estado, mas isso mudou. Não porque eu fiquei rica ou viajar de repente se tornou super barato. Não. Eu mudei minha atitude. deixei de ter pena de mim porque não tinha dinheiro, deixei de ter pena de mim porque não tinha tempo. Quer saber de uma coisa? Isso são apenas desculpas. Desculpas que eu e mais um montão de gente arranja todos os dias para adiar aquilo que tem vontade de fazer mas, ou tem medo, ou não quer de verdade, ou está tão preso aos velhos costumes que não consegue escapar do mundinho particular. Poderia acrescentar mais um monte de OUs ainda, mas vou parar por aqui.

É claro que algumas dessas desculpas podem ser bem reais e muitas vezes podem nos imobilizar. A mais comum delas é a falta de dinheiro. Muitas pessoas, muitas mesmo, ganham menos do que o suficiente para garantir uma vida razoável para si e para sua família (quando é o caso). A insegurança de colocar o pé na estrada é algo que preocupa muita gente (seja por não saber a língua do lugar, ou por não achar um lugar seguro para ir) e ainda mais as mulheres, porque além de enfrentar a violência (roubos, assaltos, arrastão, etc. sem contar os inúmeros casos de homofobia e racismo) que infelizmente tem se tornado a cada dia mais corriqueira, o machismo nosso de casa dia torna viajar algo ainda mais perigoso para as mulheres, principalmente aquelas que viajam sozinhas. Exatamente por isso eu não uso o meu exemplo para julgar alguém que não viaja ou viaja menos do que gostaria.

Comigo aconteceu assim: deixei de lado essas desculpas. Eu continuo sem dinheiro sobrando, continuo sem tempo e mesmo assim eu já realizei alguns sonhos de viagem. Comecei por perto. E aos poucos fui expandindo os meus horizontes, seja na escolha dos destinos, seja na forma como eu escolhi conhecer esses lugares. Comecei me agarrando em oportunidades que apareceram na faculdade (congressos de estudantes, saídas de campo, etc.) e mesmo assim me arrependo de não ter aproveitado mais oportunidades para bater perna por aí. Mas a segunda faculdade está aí, quem sabe não volto às raízes e embarco em um ônibus cheio de estudantes rumo a qualquer lugar…

Depois disso comecei a me aventurar por outros lugares por conta própria. Aprendendo fazendo, que é o melhor jeito de aprender. Fui no Tim Festival em Curitiba com excursão. Fui para Curitibanos em Santa Catarina (e foi incrível), fui para São Paulo (duas vezes e me apaixonei pela cidade!), fui para Buenos Aires, meu primeiro e inesquecível destino internacional. Fui para o Chile (mais tarde falo dessa viagem em um post só sobre ela, mas já adianto, quero voltar e explorar ainda mais esse país tão lindo). Fui para o Rio de Janeiro. MostardasSão Francisco de PaulaFloripa. E finalmente tive a oportunidade de passar 20 dias maravilhosos explorando o Peru (outra viagem que ganhará post especial, ou uma série deles…) e finalmente fui para o Caribe, na ilha de Curação, que antes fazia parte das Antilhas Holandesas (outra experiência maravilhosa).

Atualmente já estou pensando nos próximos destinos. O dinheiro? Continua pouco, o tempo tem que ser driblado, mas o que importa é fazer o que se ama. E se eu amo viajar e amo tudo o que uma viagem pode me ensinar, então eu tenho que fazer sacrifícios. Para falar bem a verdade, não são exatamente sacrifícios. São escolhas, que ficam cada vez mais fáceis de se fazer a medida que vou amadurecendo e aprendendo o que realmente importa na vida (pelo menos para a minha vida). Canso de ouvir pessoas dizendo que queriam ter tempo, dinheiro, disposição para viajarem tanto quanto eu. O que eu imediatamente rebato com: eu queria ter tempo, dinheiro, disposição para viajar mais e mais, porque eu nem viajo tanto assim.

Driblar as dificuldades para viajar faz parte da viagem. Tempo é relativo. Se tem pouco tempo, escolha um destino próximo. Um dia, um final de semana ou um feriadão podem render viagens incríveis. Férias estão aí para aproveitar para conhecer destinos mais distantes. Mas é preciso ter sempre em mente: não é o lugar que faz a viagem, é a atitude do viajante. Na hora de colocar o pé na estrada não adianta nada ficar contando moedas para economizar se isso mais atrapalhar do que ajudar. O mesmo vale para o oposto: de nada vale esbanjar tudo o que pode e o que não pode apenas para mostrar no facebook que viajou. Para mim, viagem que só percorre ponto turístico para fotografar não é viagem (mas vai do gosto de cada um).

Viagem pode ser para descansar ou para espairecer, com certeza, mas ela pode ser muito mais do que isso. Viagem tem que ser uma jornada física e também interior. Ela é o início de uma história que está repleta de possibilidades. Para isso é preciso estar aberto para novas experiências, para olhar e ver o novo e o diferente, experimentar, se permitir sair da rotina, sair do lugar comum, compartilhar, compreender e se dar o direito de viver como o outro, nem que seja por um breve período de tempo. Ela também pode ser um interlúdio na vida real, um momento para se colocar em outro tempo e espaço, em outro mundo. Sendo assim, viajar não é apenas chegar em um destino. Viajar é conhecer o outro, aprender com o outro e se conhecer, permitir se transformar.

Viagem boa é aquela que quando volto para casa já sou outra pessoa, com narrativas e enredos novos que estarão sempre presentes na minha memória, que farão parte da minha história. Por tudo isso, viajar e uma necessidade. E eu estou sempre pensando na próxima vez que colocarei o pé na estrada e em todas as possibilidades que virão na mala.

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Floripa, inspiração

Em setembro de 2013 eu fui pela primeira vez para a capital catarinense. Sim, parece bobagem escrever sobre uma viagem que tanta gente já fez (falo daqueles gaúchos que veraneiam todos os anos ou já foram muitas vezes na vida no litoral paradisíaco do estado vizinho), mas eu fiquei realmente encantada com a ilha.

E quem não ficaria? Isso que o feriadão mais importante para o povo gaúcho segundo a valorosa Zero Hora (SQN) foi um final de semana chuvoso em todo os sul do país. Nem a chuva torrencial tirou a beleza da ilha. Nem os engarrafamentos mil tiraram os mistérios da ilha. Percorri toda ela de carro com um casal de amigos e o namorado. Visitei todos os points badalados de Floripa e fiquei com aquele gostinho de quero mais.

Quero no verão, quero no inverno, quero aprender a nadar para aprender a surfar. Sim, eu cogitei até essa possibilidade, tamanha admiração que garrei desse povo que pega onda. Claro que essa vontade deu e passou, mas cada vez que vejo o mar eu penso que seria uma possibilidade bastante interessante (a gordinha aqui já aprendeu a nadar, mais ou menos, mas a coragem de subir numa prancha ainda está bem longe de se materializar). Sobre aprender a nadar aos 29 anos, sobre essa vontade repentina e maluca e sobre o apreço ao esporte e seus praticantes eu posso escrever em outra oportunidade, se for vontade de vocês, claro.

Floripa me deixou com vontade de largar tudo e morar lá. Viver uma vida simples, na praia, sem muita preocupação. Por vários motivos, dentre eles o fato de ser uma cidade grande, com todos os confortos de uma vida moderna, mas com a possibilidade de viver no mato, na beira da praia, vivendo devagar, em conexão com a natureza. Essa possibilidade não só me encantou, mas me transformou de tal forma que agradeço todos os dias por ter ido pra lá no momento que fui. Estava precisando. E esse tipo de viagem, que te transforma, que te faz ver o outro como possibilidade e não com estranhamento puro e simples (lembra dos surfistas?) é a mais gostosa de se fazer. E como disse Olivia Maia em uma de suas newsletters (a propósito, já assinou a newsletter dela, é incrível, assina logo!) a viagem e a literatura tem muito em comum. Em ambas eu posso conhecer outros mundos, outras formas de viver (n)o mundo e criar empatia com elas. Lindo isso, né? Eu concordo plenamente.

Uma pena não ter levado máquina fotográfica e depender das fotos podrinhas do celular. Mas ficou registrado na memória.

Vista da ponte Hercilio Luz

Vista do Mirante do Morro da Cruz

Surfista de pedra

 

Veja mais fotos no álbum do Flickr.

Adorei conhecer as praias, tomar banho de mar em um dos pouquíssimos momentos em que a chuva deu sossego, admirar a paisagem magnífica da ilha, visitar prainhas de pescadores e praias super badaladas pela juventude bonita e festeira, adorei conhecer Santo Antônio de Lisboa, um dos pontos altos da viagem, sem dúvida. Adorei a aventura, a loucura da cidade, adorei a comida. Adorei tanta coisa, adorei tudo que vi e vivi por lá. Espero voltar muitas outras vezes e conhecer amigos virtuais que moram por lá.

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Neurose de blogueira e viajante

Andei viajando. Vagando pela América Latina.

Quanta pretensão!

Vagando por dois países da América Latina.

Acontece que Chile e Peru foram duas viagens maravilhosas. De verdade. Não há dúvidas que tenho muita vontade de compartilhar com os parcos leitores desse blog e, quem sabe, inspirar e ajudar alguns outros viajantes por terras latinas a conhecer estes países.

No entanto minha neurose é tamanha que não sei se consigo escrever sobre o Peru (viagem mais recente) antes de falar sobre o Chile (viagem que fiz há mias tempo e não escrevi uma linha sequer sobre isso no blog – foi em tempos de total abandono da blogosfera). Daí que preciso de ajuda. Para superar a neurose e para decidir: escrevo em ordem, primeiro sobre o Chile, e depois sobre o Peru? Chuto o pau da barraca e escrevo sobre a viagem mais recente primeiro ou ainda escrevo concomitantemente sobre as duas viagens?

Comentários disponíveis para possíveis soluções ao meu dilema e para sugestões de terapias para superar essa e outras mil neuroses que convivo todos os dias.

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Um findi em São Chico – é para repetir a dose

Sou do tipo que tem coceira no pé, não posso ficar muito tempo em um lugar só que a coceira começa. Viajar é indispensável. Na maior parte das vezes viajar é difícil devido ao grande empecilho financeiro, mas sempre que posso eu ponho o pé na estrada.

E, às vezes, a viajem rende mais de um lugar. Foi assim com o retorno de São Paulo. Nem bem eu e o Ju chegamos em casa já estávamos arrumando as malas para embarcar rumo a São Chico (apelido carinhoso para São Francisco de Paula), uma cidade do interior do Rio Grande do Sul. Foi apenas um fim de semana, mas muito bom.

São Chico não pareceu ter muito a oferecer quando se fala da cidade em si, ou nós que não tivemos tempo pra conhecê-la melhor (uma possibilidade bem grande, visto que dois dias é sempre muito pouco). A parte urbanizada é bem pequena, mas ainda assim guarda pequenos tesouros, como a Livraria Miragem e os restaurantes – dos quais almoçamos em apenas um, uma casa de massas com jeitinho de casa antiga e com comida excelente. Típica cidade pequena, o cento é uma avenida e a cidade cresce em torno.

O mais bacana de São Chico é o interior, a natureza. Realmente muito lindo, cheio de campos e araucárias. Não tivemos oportunidade de explorar tudo que a cidade tem para oferecer, mas tivemos uma experiência encantadora com a natureza local. Ficamos afastados da área urbana e pudemos contemplar as belezas rurais, aproveitar o frio e ler lagarteando debaixo de uma árvore. Deixando o tempo passar sem preocupação. Coisas que só a vida no campo pode oferecer. Me senti dentro de O Continente, com o vento batendo no rosto e admirando a paisagem campestre como as personagens de Veríssimo.

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Minha primeira vez na terra da garoa

São Paulo

Então que duas semana atrás eu fiz minha primeira viagem para São Paulo, capital. Sair de Porto Alegre em direção ao centro do país pode ser rotina para muitos, mas para mim não. Antes eu tinha visitado apenas Campinas, e mais abaixo no mapa (ou acima, dependendo da posição do seu mapa) Curitiba. E eu que nunca tinha demonstrado interesse em visitar a maior cidade do país, pois eu tenho certa fobia de gente – multidões, para ser específica – voltei de lá com a certeza de que é destino certo para muitas outras viagens.

O passeio foi corrido, apenas três dias, mas, apesar do banho de chuva e da gripe decorrente, pude visitar muitos lugares bacanas. Então eu resolvi partilhar a experiência contando os passeios mais legais que fiz e os lugares que mais gostei de visitar.

Choperia na Liberdade: Logo na primeira noite eu o Ju fomos guiados por um amigo e paramos na Liberdade em plena terça à noite para comer comida japonesa e cantar no Karaokê. O lugar tem um clima super interesante e uma decoração super over japa neon, mas adorável. Eu não consegui me soltar muito e cantei duas músicas quase me escondendo no palco. Já o Sr. Cavalca arrasou no microfone e foi elogiado até pelo cantor alfa do lugar. Me diverti vendo os outros cantar e até senti um pouco por não termos Karaokês por aqui. Se alguém de Porto Alegre, São Leopoldo ou região souber de algum, avise que eu e o Cavalca estamos dispostos a conhecer.

MASP: esse era um dos destinos mais cobiçados. Fiz questão de visitar esse museu e incluí no roteiro na mesma hora que fui comunicada da viagem. E que acervo, uma das vantagens de visitar um museu da cidade mais rica do país é poder ver Renoir, Picasso, Monet e outros tantos artistas magníficos. Mas o melhor de tudo mesmo foi poder ver pela primeira vez, de pertinho, um Van Gogh, aliás um não, quatro! Quatro de uma única vez. In-crí-vel! É impossível descrever a emoção de ver uma pintura ao vivo de uma dos maiores artistas e um dos meus favoritos, quase certo que é o favorito. Depois ainda tinham outras exposições bacanas e uma de street art fantástica com instalações maravilhosas que eu simplesmente adorei.

Museu da Língua Portuguesa: outro destino certo. Mas infelizmente, tanto o Museu da Língua Portuguesa enquanto a Pinacoteca estavam entre exposições. No Museu da Língua Portuguesa visitamos então a exposição de longa duração que é super bacana, mas o mais legal mesmo foi o filme e a sala interativa com o sarau eletrônico, um espetáculo de luz e som onde trechos de poemas são projetados nas paredes e no teto e recitados por grandes vozes da dramaturgia brasileira. Um barato mesmo.

Além desses três lugares especiais eu também visitei a Pinacoteca que tinha pouquíssima coisa em exposição, a 25 de março (que eu não achei tudo o que falam, talvez por estar morrendo de gripe no dia ou porque em Porto Alegre tem uma rua muito parecida, apesar de bem menor), a Santa Ifigênia, onde comprei meu HD externo, a Livraria Cultura (enorme) lá no Conjunto Nacional, o Mercado Municipal, o Rocket’s e alguns passeios pela Paulista acompanhados sempre do maravilhoso suco de laranja que o cavalca tanto gostou e de um pavê de uma padaria escondidinha numa esquina da Augusta. E o metrô foi uma atração à parte. Eu e o Cavalca temos uma simpatia muito grande por essa maravilha do mundo moderno e de cidades evoluídas que ainda não chegou em Porto Alegre.

Além disso,  tenho só que agradecer ao Guga o guia que nos levou a já citada Chopperia na Liberdade, e ter topado um ir ao cinema na quinta, juntamente com o Diego Maia, ambos amigos do fórum Cinema Sem Cena que o Cavalca participa, e ao Vidoni que também foi guia, nos levou ao Mercado Municipal e nos aturou na 25 de março e na Santa Ifigênia na busca pelo meu HD, além de nos apresentar ao pavê delicioso que eu já comentei.

Faltou visitar muitos lugares, claro. Não deu tempo de conhecer mais de uma cidade tão grande. Aliás, essa foi a primeira impressão, tudo é muito grande por lá. Me senti tão pequenininha – mais do que já sou. E o pior foi a chegada, deu um pavor descer no meio da cidade, em Congonhas, com todos aqueles prédios e a sensação de que a qualquer momento bateríamos em um deles. O passeio foi curto, proveitoso, mas um retorno só pelo aeroporto de Guarulhos, certamente.

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