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Livro velho ou livro antigo?

Old Books

Old Books Por Morten Jess Nielsen

No início desse ano eu fiz uma capa para o meu Kindle a partir da capa de um livro. E ainda não sei se digo que o livro que usei é antigo ou velho. Porque as duas palavras podem parecer a mesma coisa (uma até aparece como definição da outra no dicionário), mas no fundo existe uma grande diferença.

velho | adj. | s. m. | s. m. pl.
ve·lho |é|
adjetivo
1. Avançado em idade.
2. Obsoleto.
3. Antigo.
4. Muito usado; antiquado.
substantivo masculino
5. Homem velho.
6. [Informal] Pai (ex.: Que idade tem o teu velho?).
7. [Brasil] Nome de um peixe que parece gemer quando o apanham.
velhos
substantivo masculino plural
8. [Informal] O pai e a mãe (ex.: Os meus velhos viajam imenso).
9. Aquilo que é antigo, que não constitui novidade (ex.: a autora mistura velho e novo, criando um estilo muito próprio). ? NOVO
dançar de velho
• Brigar.
• Jogar capoeira.
de velho
• [Agricultura] Em descanso (ex.: o terreno ficou de velho).
velho de guerra
• Homem experimentado, valente, perito em algum mister.
velho e relho
• Muito antigo.
“velho”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/velho [consultado em 16-11-2013].

A diferença está no uso. Se eu digo que determinado carro é velho, eu estou afirmando que ele não tem mais (ou tem muito pouco) condições de uso. Se eu digo que ele é antigo, eu estou atribuindo um valor a ele, afirmando que ele é um objeto do passado que ainda possui utilidade, seja ela a mesma que originalmente foi pensada para ele (no caso do carro, a de se locomover) ou estética, ou quem sabe ainda atribuindo uma nova função (como, por exemplo, a de objeto de coleção).

Pensando dessa forma, um livro velho seria aquele que não tem mais condições de ser lido? Nesse caso, uma grande parte das coleções de arquivos e bibliotecas de raridades espalhadas pelo mundo seria apenas uma porção de entulho que não serve para mais nada. Porém, acontece exatamente o contrário: as coleções de raridades já não podem ser manuseadas com frequência, pois podem danificar o objeto livro, mas seu conteúdo – o texto que ele contém – possui um valor inestimável para a história.

Sendo assim, um livro velho não é aquele que não possui mais condições de ser utilizado, pois, como disse anteriormente, não é seu uso que determina seu valor, mas o que ele contém: o texto. Esse  seria, portanto, um livro antigo. Então, o que é um livro velho? Essa pergunta é bem espinhosa. Ao meu ver não tem uma única resposta correta. Entretanto, acredito que um livro velho é aquele que já foi publicado há muito tempo, que está desgastado pelo uso  e que, no entanto, possui uma quantidade razoável de novas edições que repõem seu conteúdo nas livrarias e bibliotecas (públicas ou particulares). E que, talvez o mais importante, não tenha valor sentimental: não tenha aquela dedicatória linda de alguém especial, ou não é presente de uma pessoa importante, não representa nenhum momento marcante de sua vida.

Nesse sentido, o que fazer com os livros velhos que invariavelmente aparecem na nossa vida? Primeiro,doá-lo para alguém que precise mais ou tentar recuperá-lo, afinal de contas a maioria das pessoas não tem dinheiro para repôr livros na prateleira. Mas e se eu não conseguir/puder/quiser? Pensando racionalmente (o que é bastante difícil para quem tem um apego aos livros como eu e muitos outros leitores espalhados por aí), o ideal seria reciclar. Afinal tudo que é velho ou vira lixo, ou ainda melhor, pode ser reaproveitado. Amantes de livros ficam com brotoejas quando um livro é utilizado para um fim que não seja a leitura, no entanto, voltando a pensar racionalmente, se o que interessa é o seu conteúdo, o texto, não é necessário se apegar tanto a um objeto que pode facilmente ser encontrado em qualquer livraria, biblioteca ou sebo em melhores condições e com o mesmíssimo conteúdo (às vezes atualizado, com uma nova revisão ou tradução, ou ambos).

Então, não é preciso entrar em pânico quando eu disser que fiz uma capa para meu Kindle a partir de um livro que pode ser chamado, agora sim, de velho. Nem quando aquela bolsa linda feita com uma capa de livro aparecer em algum blog ou rede social. No meu caso, foi bem difícil encontrar um livro com as dimensões necessárias para o meu propósito, e quando encontrei, fiquei com os dois pés atrás para utilizá-lo. Afinal, é uma edição dos anos 50 de uma compilação de contos de Machado de Assis, que faz parte de uma coleção estilo Biblioteca Folha de hoje em dia, bastante comum na época e que hoje não possui valor comercial para colecionadores, pois não é raridade, e nem teria porque ser guardada em um Museu ou Biblioteca de livros raros ou antigos. Mas mesmo assim, uma compilação de contos de Machado de Assis. Ponderei muito antes de colocar em prática o projeto “Proteja Seu Kindle Com Estilo” justamente por se tratar de uma obra do Machadão.

Depois de muito pensar, cheguei a conclusão de que antologias de contos de Machado saem pelo ladrão em bibliotecas e livrarias, e que, portanto, esse exemplar não faria falta. E finalmente coloquei em prática meus dotes crafters e fiz a tal capa. Mas o coração ainda ficou apertado, o que me fez guardar as páginas do livro. Agora ele está na estante, sem capa, mas guardado para a posteridade. Essa questão da conservação e preservação de livros (e documentos, objetos, obras de arte, etc., de qualquer tipo) é muito importante para qualquer historiador (categoria na qual me encaixo) e deveria ser para qualquer cidadão do mundo. Afinal de contas, são através dessas fontes históricas, da qual o livro faz parte (seja como objeto, seja como texto), que podemos construir nossa história e nossa memória.

E o post que era para ser um Do It Yourself de como fazer uma capa bacana reciclando um livro virou um texto sobre questões linguísticas e, de certa forma, relativas a história, conservação, preservação de patrimônio material e cultural. Gostei. Espero que seja útil, no sentido de suscitar reflexão e questionamento. Se eu ainda vou fazer o DIY com a capa do Kindle? Sim,claro, mas essas são cenas do próximo capítulo. ;)

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Novidades antigas

Chegando de mansinho para compartilhar algumas novidades que deixei passar em branco aqui pelo blog.

Para quem ainda não viu meus comentários nas redes sociais, eu não sou mais frequentadora do curso de Letras da UFRGS, o que me deixa muito triste, mas com mais tempo e disposição (afinal acordar 5 horas da madrugada todos os dias não é lá muito agradável).

No entanto, apesar de ter trancado um curso que eu sempre quis muito fazer, eu iniciei uma nova etapa na vida. Em março começaram as aulas da pós-graduação no curso “O Ensino da Geografia e da História: Saberes e Fazeres na Contemporaneidade” que já está na sua quarta edição e é oferecido pela Faculdade de Educação da UFRGS. Estou gostando bastante das aulas e com muitas expectativas. As aulas vão até dezembro e depois vem mais uma monografia.

EGH

Pois essas não foram as únicas notícias que “esqueci” de compartilhar por aqui. Finalmente estou de CEP novo, a reforma no apartamento que eu e o @cavalca compramos ficou pronta e desde o dia 03 de Maio nós somos os mais novos moradores de Canoas/RS.

Felicidade é pouco para descrever esse momento da minha vida. :)

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Trajetória universitária

- Eu passei no vestibular da UFRGS para Letras Bacharelado!

- Como assim? Tu não estava te formando em História Licenciatura pela UFRGS?

- Sim. Minha formatura é dia 17 de fevereiro.

- Então?

Acontece que eu adoro ler, adoro estudar, me preparei para o vestibular de novo e consegui entrar para um curso que eu sempre tive vontade de fazer e até já tinha tentado entrar alguns anos atrás.

Exercerei a profissão de professora de História, é isso que quero. O Bacharelado em Letras é um complemento de estudos, uma vontade de aprender mais e uma possibilidade de ganhos extras com a tradução (todos sabemos que a profissão de professora não é a mais gratificante financeiramente).

Depois de sete anos de estudo, entre UNISINOS e UFRGS, eu finalmente me formarei. Isso é inigualável. Maravilhoso. Gratificante. Mas passar no vestibular depois de tantos anos longe dessa correria que é a preparação e terminando Trabalho de Conclusão foi muito gratificante também. Principalmente porque fiquei em décimo lugar. Não esperava ir tão bem.

Então é isso. Sou professora de História (desempregada, alguém tem uma vaga de emprego?) e a partir de março serei estudante de Letras. Não precisa dizer que estou muito feliz.

E quem achou o meu nome no listão?

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The end of an era, and the beginning of another

No último fim de semana finalizei o trabalho de conclusão de curso para obter o grau de licenciada em História na UFRGS. Pois bem, de agora até fevereiro de 2011, quando houver a cerimônia de colação de grau e finalmente ter obtido meu diploma de graduação, vivenciarei um período de transição, adaptação. Então, terei completado um ciclo que durou sete anos.

Sete anos desafios e escolhas. Sete anos, duas universidades, uma graduação e muitos amigos, aprendizados e experiências. Agora vivo a nostalgia. Todas as noites, antes de dormir, lembro dos momentos, bons e ruins, que vivi ao lado dos colegas e professores. Das provas, trabalhos, bolsas de pesquisa e estágios. Tudo isso fez parte da fase mais marcante da minha vida.

É o fim de uma era. Em fevereiro começa outra: com a procura por emprego, agora com o diploma (chega de estágio!), a vida adulta de verdade, sem a desculpa de ser estudante, novos desafios, novas escolhas, novos aprendizados, novas experiências.

Sobre o TCC, bom, finalizá-lo foi um alívio, uma alegria muito grande. Ver que eu produzi um trabalho sobre um assunto que gosto muito e que a partir dele muitos outros virão. Afinal esse é o primeiro de muitos, como diz meu orientador. Foi com muita satisfação e lágrimas nos olhos que apertei pela última vez (antes da revisão do orientador, é claro) o botão de salvar no Open Office.

Nessa noite terminei a revisão depois das correções do orientador. Agora é imprimir, mandar para banca e esperar até o dia 07 de dezembro, quando farei minha defesa.

Ficou o alívio, a saudade e um trabalho para a vida toda.

O TCC com as correções do orientador

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