A Pedra da Lua, de Wilkie Collins

A Pedra da Lua, de Wilkie Collins

A Pedra da Lua - Wilkie Collins

Para quem gosta de literatura policial A Pedra da Lua é uma boa pedida. Não só pela qualidade da obra, que é inegável, mas pelo seu caráter de obra fundadora de um gênero. Wilkie Collins escreveu esse romance no formato de folhetim – hábito muito comum no século XIX – na revista ll Year Round, de Charles Dickens, entre janeiro e agosto de 1968.

Sinopse: Um enorme diamante – a pedra da lua – traz uma maldição ligada à sua apropriação indevida de um templo na Índia. Ela vai parar nas mãos de uma bela jovem no dia de seu aniversário de 18 anos e acaba desaparecendo na mesma noite.

O mais bacana do romance é o formato. São diversos narradores que também são personagens na trama. Com exceção da Srta. Clack – irritantemente cristã e evangelizadora – todos os personagens são cativantes.

Precursor do gênero policial, Collins reuniu neste livro diversos elementos que dão base para o Romance Policial Moderno e fez pela primeira vez a “ponte” entre a aventura de folhetim e o que hoje denominamos Novela ou Romance Policial, sem saber ele estava criando um gênero.

Essencialmente um livro de mistério. Precisamos descobrir o que aconteceu com o diamante: ele foi roubado, perdido? As respostas são fornecidas aos poucos conforme os narradores cedem seus relatos para um dos personagens que solicita-os a fim de esclarecer o sumiço da pedra amaldiçoada.

Um dos pontos culminantes do livro diz respeito a uma experiência do próprio autor: o consumo de ópio (Collins sentia fortes dores e teve de usar ópio para aliviá-las, e usou da experiência na obra). Mas não falarei sobre isso, pois estragarei a surpresa para quem quiser aventurar nas 685 páginas da nova edição publicada pela Record. Aventura essa que eu recomendo.

É preciso lembrar que A Pedra da Lua não é um exemplo completo de Romance Policial, a estrutura clássica do policial é de Arthur Conan Doyle. Mas Doyle bebeu nos escritos de Collins e buscou inspiração nos elementos que muito antes já haviam sido explorados por ele.

No livro existe um detetive (Sr. Cuff, figura simpática e inteligentíssima) que busca juntar os pedaços da história e decifrar o mistério, mas ele não é peça chave no mistério e fica um bom tempo sem aparecer nas narrativas.

A obra foi muito bem escrita, relata de forma brilhante a sociedade inglesa de meados do século XIX, com suas complexas relações sociais (em todas as suas camadas e entre elas). Além disso, continua encantando e sendo constantemente redescoberta, com foi meu caso.

Alguns dados biográficos do autor:

William Wilkie Collins nasceu em janeiro de 1824 e morreu no dia 3 de setembro de 1889. O autor desfrutou de grande popularidade em seu tempo: escreveu 27 romances, mais de 50 contos, pelo menos 15 peças teatrais e mais 100 peças de não-ficção. (fonte: wikipédia)

Nota: 4

(de 0 a 5, sendo: 0 – Péssimo; 1 – Ruim; 2 – Regular; 3 – Bom; 4 – Muito bom; 5 – Excelente)

Esta resenha faz parte do projeto Desafio Literário 2010 proposto pelo blog Romance Gracinha e corresponde ao mês de Agosto, cujo objetivo é ler um Romance Policial.

Confira no blog do desafio as resenhas dos outros participantes para este mês.

E confira também os livros que li até agora para o desafio:

JaneiroQuincas Borba (Machado de Assis)

FevereiroAs Crônicas de Nárnia – Volúme Único (C. S. Lewis)

MarçoOrgulho e preconceito (Jane Austen)

AbrilConfesso Que Vivi (Pablo Neruda)

MaioMelancia (Marian Keyes)

JunhoDivã (Martha Medeiros)

JulhoPor Quem os Sinos Dobram (Ernest Hemingway)