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Bienal do Mercosul

Posts em Bienal do Mercosul.

Estratégia e Análise #7

Mais uma republicação da nota semanal do Estratégia & Análise.


Red Composition “TTG”, 1952; Oil on wood; 15 1/2 x 19 1/4 in; 40 x 49 cm.

Matto, o uruguaio que resgatou as culturas ameríndias

Buenas, depois do recesso de final de ano estou de volta com a nota. Retornando com a euforia típica da época, convoco a todos para conhecer junto comigo o trabalho do artista Francisco Matto (1911 -1995).

Ele constitui seu trabalho por uma fusão entre a arte das tradições pré-colombianas e a abstração geométrica. Nascido em Montevidéu, Uruguai teve problemas com sua proposta, isso porque na Banda Oriental não há uma cultura pré-colombiana como no Peru, Bolívia ou México, que constitua em grandes arquiteturas ou em sociedades complexas. Pode se dizer então que sua obraé produto de uma reflexão para além da sua realidade local. Combinando a tradição de outras regiões com modernidade nos leva a questionar o significado da palavra e do conjunto de elementos que compõe o conceito: “tradição“.

O ponto mais marcante de sua carreira aconteceu em 1939, quando conheceu Joaquín Torres García, com quem criou, em 1942, o Taller Torres-García. E no ano seguinte, escreveu Carta Pictórica, La Geometría en el arte moderno, livro não publicado que predizia uma importante mudança em sua obra. Matto começou a pintar obras em tábuas de formato irregular, sobre temas religiosos, que seriam uma constante ao longo de sua vida.

O diálogo proposto pelo artista compõe a tradição como principal elemento integrador. Discutir questões regionais, locais e para além do lugar onde e vive como parte da formação de um grupo ou indivíduo. Do papel desses artefatos, buscando no passado e na etnografia das sociedades tradicionais elementos constituidores de sua obra.

Se não conseguimos as formas elementares, nunca chegaremos ao mistério“. (Matto)

Artista guatemalteco, artista latino-americano

Buenas, o clima de férias pode ser ótimo, mas a vida anda, a vida anda em mim. Por isso sigo com as velhas e agradáveis rotinas (as rotinas ruins são aos poucos descartadas). E nada melhor para começar esse 2008 do que com a republicação da última nota do ano de 2007 no já citado inúmeras vezes Estratégia & Análise. É só ler e comentar, nada de mais. Não dói não.

O artista participou da sexta edição da Bienal de Artes Visuais do Mercosul

Artista guatemalteco, artista latino-americano

Aníbal López recentemente adotou o pseudônimo A-1 53167 (número do documento de identidade do artista) nasceu e vive na Guatemala. O ato de assinar com um número de identificação constitui um protesto contra a desigualdade e o preconceito racial existente em seu país, tornando-o apenas “mais um cidadão Guatemalteco”.

Como artista latino-americano ele apresenta pela Guatemala, sua terra natal, sua área de interesse e ação do trabalho artístico. Ele a cita constantemente, colocando-a em questionamentos e mapeamentos de suas peleias e conflitos. Seus projetos conectam-se com roubos, assaltos, contrabando e seqüestros, com a maneira com que as regras das Forças Armadas e de segurança contribuem na definição da alma e do espírito da urbe, com as enormes possibilidades oferecidas pelos espaços públicos do país.

A Guatemala é um país abalado por desastres naturais e tragédias humanas. Violência e conflitos políticos originam-se de uma das mais desiguais distribuições de renda na América Latina. Apesar desses problemas, a região tem como característica possuir multidões de pessoas em suas praças e alamedas. Nesses espaços, os habitantes da cidade realizam a parte mais importante de suas atividades fundamentais. É nas ruas que os moradores compram e vendem, conversam, se alimentam, matam a sede, caminham ou descansam apesar das regras ditadas pelas autoridades urbanas. As ruas da Guatemala compõem uma inesperada mescla de mercado e palco. Aníbal López é um ator nas polifônicas tragédias vividas pelas ruas de seu país.

É conhecido internacionalmente por esse forte enfoque sócio-político presente em suas obras. Geralmente abordando as relações e as tensões estabelecidas entre os militares, o Estado e o povo de seu país. Motivado por uma nova interpretação, uma nova significação de idéias em seus distintos contextos e tempos, o trabalho de A-1 53167 transita pelas performances, vídeo documentário e intervenções no espaço público.

Estratégia & Análise #5

Mais uma quarta-feira, a última do ano. E mais uma nota do Estratégia & Análise republicada aqui.

Arte-ativismo, a sabotagem de Minerva Cuevas.

Minerva Cuevas nasceu em 1975 na Cidade do México, lugar onde vive e trabalha até hoje. Ingressou na Escuela Nacional de Bellas Artes em 1993. É conhecida pelo humor ácido e provocador de seu trabalho, o qual chega mesmo a confundir-se com uma forma de ativismo político. O intento é fazer a obra refletir sua desconformidade e luta contra as relações capitalistas. Partindo desse pensamento ela cria, em 1998, a “Mejor Vida Corp” (MVC) composta por ela mesma.

Mantendo uma imagem simbólica de empresa privada ela oferece produtos e serviços de forma gratuita na página da corporação. Atos de generosidade que objetivam atender a demandas, pequenas necessidades, da população e contradizer as relações comerciais atuais. A artista realiza intervenções urbanas e virtuais, sob forma de micro políticas de ação social em campanhas pacíficas e declaradas contra o capitalismo. Minerva é particularmente a favor da sabotagem.Paralela às suas atividades da MVC, Cuevas participa de atos e campanhas sempre de forma criativa. Estetizando suas ações ela é hoje uma auto-intitulada artista-ativista. Sua arte é focada em aspectos sociais e com forte apelo afetivo, as obras da artista usam a mídia de massa, a performance, a intervenção pública e o próprio espaço museológico como difusores de mensagens simbólicas que buscam atentar o cidadão comum para as estruturas políticas e econômicas que participam seu cotidiano.

Parte do caráter irônico de seus projetos pode ser atribuída à apropriação que Cuevas faz dos códigos do sistema que critica, tomando-os como base para a criação e divulgação de seu ativismo artístico.

Estratégia & Análise #4

Mais uma semana se passou e já estamos na quarta-feira de novo. Buenas, para os desavisados, hoje é dia de republicar a minha nota semanal do Estratégia & Análise por esses pagos. Quinta pasada publiquei por lá a seguinte nota:

Alvaro Oyarzún, um nome da arte contemporânea chilena.

O artista plástico Alvaro Oyarzún organiza seu trabalho de forma bastante fragmentada. Formatos, assuntos e técnicas variados, que se dispersam e se acumulam na parede. Sua obra acaba por desconstruir a polaridade da pintura: superfície e representação. No entanto denota uma investigação rigorosa referente ao meio pictórico. Disseca seus diferentes aspectos. O gesto, a cor, a narração, o retrato, o desenho e, inclusive, a fotografia.

Em sua proximidade as pequenas histórias que ele cria e os cruzamentos entre elas articulam diminutos lotes que se ligam e formam um jogo com todo o seu material. Com as circunstâncias que ele propõe se abre a possibilidade tradicional para ser uma pintura, mas não é. Oyarzún faz um exame, como uma operação, da experiência humana. Percorre uma caminhada sem riscos pelos estilos e desta história do ficcional constrói seu trabalho.

Sua obra aparenta ser um anedotário, uma espécie de reinvenção do artístico banalizado. Um caderno de anotações, cheio de referências que podem passar pelas mais simplórias atividades humanas até as complexas relações entre o homem e as grandes demandas da humanidade. O humor de Oyarzún consiste supor esta alternativa errática e ingênua, produzindo um efeito geral da confusão no receptor onde a capacidade da arte gerar o sentido é hoje ironizada pelo relaxamento e pela distração da pintura como o lugar comum.

Teatro do Chat

Na sexta-feira 07 de setembro de 2007, o Maurício Corbalán (um dos arquitetos do coletivo m7red, autor da obra Teatro do Chat) conduziu uma espécie de oficina/mini-curso sobre o Teatro do Chat (integrante da mostra Zona Franca da 6ª Bienal do Mercosul). A oficina iniciou com um histórico da proposta e caminhou naturalmente para as questões tratadas nas “edições anteriores”. O Teatro do Chat é uma proposta de trocas de idéias virtual, uma arena pública de discussão acerca de temáticas urbanas. O elemento virtual é de extrema importância, nas duas primeiras vezes que a proposta foi realizada ela ocorreu virtualmente. Na primeira vez, em Amsterdã, a conversa girou em torno da questão da imigração islâmica para a cidade. Já na segunda edição, o cenário era Buenos Aires e a discussão girava em torno dos Piqueteiros e também do Porto da cidade. Em ambas as discussões, as pessoas envolvidas no debate virtual assumiam papéis pré-estabelecidos, baseados nos protagonistas dos problemas abordados.

O objetivo é pensar o espaço público e trocar cenários. E o novo cenário é, então, Porto Alegre e a discussão agora envolvem o centro da cidade e os projetos da Prefeitura de POA. Dentre os projetos da Prefeitura que serão alvo de discussões estão: os camelôs do centro e o Camelódromo, a Revitalização do Centro, os Portais da Cidade e a presença dos Catadores de Material Reciclável nas ruas. O processo que resultou no trabalho presente na Bienal foi construído coletivamente, diversas conversas a respeito dessas temáticas foram realizadas.

A partir da idéia de que os problemas locais são afetados também pelos problemas globais o m7red pensou em dividir o Teatro do Chat em quatro cenas distintas, independentes espacial e temporalmente para o cenário Porto Alegre. Nessas cenas as pessoas foram ou serão convidadas a saírem de suas confortáveis posições. Como em uma peça teatral, onde o ator interpreta um personagem (que não é seu igual, com idéias e opiniões diferentes das suas). Nesse Chat a pessoa assume as posições e argumentos de um dos seis personagens com distintas características e posições a respeito do tema que serão desvendadas anteriormente com o auxílio de vídeos tutoriais que se encontram ao lado da sala de conferências e de uma ficha dos mesmos.

Sem dispor de muita técnica teatral, essa encenação virtual ocorre, de acordo com a cena correspondente, em diferentes locais da cidade. A primeira cena ocorreu virtualmente no Boteco Odeon e se encontraram o personagem camelô e o intelectual e conversaram argumentos contrários às propostas da Prefeitura. A segunda cena se passou na própria Prefeitura Municipal com seu personagem representante e mais o personagem advogado, ambos a favor da proposta da mesma. A terceira cena, por sua vez, aconteceu no Cais do Porto com a fictícia representante do Fórum Social Mundial (FSM) e e um agente imobiliário também inventado discutindo a possibilidade ou não do retorno do FSM para a cidade. A quarta cena ocorrerá no final da Bienal com a reunião de todos os personagens (fictícios, mas baseados em cargos e pessoas reais) para um chat no espaço construído no Cais para a 6ª Bienal. Esse encontro será também uma coletiva de imprensa.

Até lá, o espaço poderá ser utilizado com hora marcada para encenações onde os atores serão pessoas do público. Diferente de Amsterdã e Buenos Aires, na Bienal do Mercosul em Porto Alegre é a primeira vez que há um espaço físico para que as discussões ocorram. Os computadores dispostos e uma mesma sala de conferência e a discussão ocorre pelo famoso programa de bate-papo, o Skype (já logado com o personagem). Um computador principal é utilizado pelo coordenador da sessão e é dele que a projeção na parede é capturada.

O Teatro do Chat é um exercício de imaginação, onde é necessário pensar coletivamente, compreender o personagem compreender o cenário para se compreender as relações complexas ali tecidas e para compreender os problemas apresentados. Um exercício de como representar o papel do outro e aprender a enxergar os diferentes pontos de vista sem preconceito. Numa espécie de BRAINSTORM coletivo os argumentos são, mais do que para convencer o outro, provocar os “atores”. Tirar-lhes o chão, a base dos argmentos. Mais do que formar opiniões, o Teatro do Chat vai desconstruir consensos.

Tive a oportunidade de acompanhar, junto de outros mediadores o Maurício numa sessão do Chat. Incorporei o personagem do camelô. Ficamos algumas horas conversando virtualmente, mesmo que na mesma sala. Em uma espécie de RPG onde a política é um teatro e o virtual é um caminho possível o grupo m7red trouxe à Bienal uma proposta que, segundo eles, não é arte, mas se caracteriza pela reflexão de temas pulsantes do século XXI. Assim é a arte contemporânea, instigante, nos convida a pensar, indagar, dialogar.

A próxima parada deles é Hong Kong, é esperar pra ver.

O papel do Museu e da Galeria no espaço da Arte

O segundo semestre de 2006 iniciou e inesperadamente a pergunta não veio do lugar comum. Numa disciplina acadêmica, quem geralmente questiona seus alunos são os professores. Porém não em Introdução à  Arte.

Surpreendentemente, eu, aluna do Departamento de História, me vi elaborando uma questão para colaborar nas discussções do semestre:

“Qual a importância do Museu e da Galeria enquanto espaços de arte?”

O objetivo seria responder a pergunta inicial, entretanto na tentativa de encontrar as respostas encontrei novos questionamentos.

A metodologia proposta era, então, responder a famosa pergunta através das diversas visitas, leituras e conversas durante os meses de aula. Fui em busca dos subsí­dios para a árdua tarefa de responder a questão feita por mim mesma.

Ao sugerir escolher um texto dos Cadernos da Bienal do Mercosul decidi-me por ler um texto de Brian O’Doherty. A partir disso acabei lendo o livro dele: No Interior do Cubo Branco: a ideologia do espaço da arte“. Após a leitura pude concluir que o autor, por ser um artista, sintetiza criticamente as principais premissas do espaço institucionalizado da arte modernista, o que ele nomeia de Cubo Branco.

É, portanto, uma ótima referência para se pensar o papel do museu e da galeria de arte na atualidade. Além deste livro utilizei como bibliografia o pequeno, no tamanho e não na importância, “O que é Arte?” de Jorge Coli, onde durante o texto confere ao espaço questões como discurso e público.

lém de perceber obras como a de Antoni Muntadas, que se encontra em uma galeria, não de arte, mas uma galeria comercial. A pergunta então tomou outra forma:

“Até que ponto é mesmo necessário o espaço especializado em salvaguardar obras artí­sticas?”