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Desafio Literário 2013: participação não-oficial

Desafio Literário 2013

Minha lista foi feita hoje, 04 de Janeiro de 2012. Atrasada, eu sei, como sempre. Mas eu não vou fazer uma participação oficial, não quero me prender muito esse ano, pois falhei miseravelmente em 2012. Pelo menos a vida pessoal foi muito bem obrigada, com uma porção de novas atividades (emprego novo, pós, casa nova, gatos novos etc.etc.etc.). Mas de qualquer forma eu quis fazer leituras baseadas nos temas do Desafio Literário de 2013. Primeiro porque eu participo desde a primeira edição. Depois porque eu participei (escassamente, diga-se de passagem) da organização em duas edições anteriores. e ainda porque considero um desafio muito bacana e que merece ser prestigiado. Além disso, os temas esse ano estão muito bons.

Como eu organizei a lista de livros?

Eu olhei os temas e fui percorrendo minha estante e vendo o que eu tenho e ainda não li que se encaixa no tema X. Eu também priorizei livros que já tinham sido eleitos nas edições anteriores e que por um motivo ou outro eu não consegui ler (nem durante o desafio, nem depois). Eu escolhi apenas um título por tema, pois minha experiência de escolher mais de um livro por mês mostrou que eu não consegui vencer a empreitada. É claro que alguns dos temas eu não consegui encontrar na estante e eu tive de roubar um pouco na regra que eu mesma criei.

E então, vamos a lista per se?

Janeiro – Tema Livre

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós! O tema mais difícil? Quase. Acabei optando por um livro que está há muito tempo na lista de necessidades literárias e catei na estante do Ju (olha a Daniela roubando já no primeiro mês) A Invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares.

Fevereiro – Livros que nos façam rir

Optei por um livro que está na estante desde a Feira do Livro de Porto Alegre de 2010: Coisa de Louco, de John O’Farrel. Tiro no escuro, a compra e a escolha.

Março – Animais protagonistas

A escolha óbvia seria A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Mas eu já li duas vezes, então não vale. E não é que olhando mais atentamente para a estante eu vi A Vez do Bola de Neve, do John Reed, uma espécie de continuação de A Revolução dos Bichos, que uma amiga muito querida me presenteou. Escolha feita.

Abril – Uma ou mais das quatro estações no título

Eu – e muitas outras pessoas – escolhi O Rei do Inverno (As Crônicas de Artur #1). Ganhei de presente do Ju ano passado (2012) e já tem data marcada para leitura. E é o único da estante com estação do ano no título, eu acho.

Maio – Livros citados em filmes

Mais uma compra da Feira do Livro de Porto Alegre (dessa vez a de 2011). Única leitura em inglês do desafio, o que será um verdadeiro desafio: The Adventures of Tom Sawyer, de Mark Twain, citado em Dogville.

Junho – Romance Psicológico

Esse tema foi difícil. Todos os romances psicológicos que eu tenho eu já li. Acabei escolhendo um que não tenho e terei de comprar (o único!): Solar, de Ian McEwan.

Julho – Cor ou cores no título

Eu tinha dois vermelhos na estante. escolhi A Virgem Vermelha, do Fernando Arrabal. Arrabal faz parte da estática do absurdo, então tenho que me preparar para viajar com esse livro.

Agosto – Vingança

Olha o desfile de obviedades começando. O único com a temática que tem na minha estante (juro!!!) é V de Vingança, de Alan Moore e David Lloyd. E já passou da hora de ler.

Setembro – Autores Portugueses Contemporâneos

Ai ai ai. A dúvida mortal. De autores contemporâneos eu fico devendo leitura. Que vergonha. Não tenho nada na estante e vou apelar para os ebooks. O Problema é que não encontro nenhum arquivo de Livro, do José Luis Peixoto. Nem de Cemitério de Pianos (do mesmo autor) que são os livros que eu gostaria de ler para esse mês. Então, se alguém tiver ou souber de um arquivo .mobi dando sopa (ou um e-pub mesmo, porque o Calibre tem a força e eu posso converter) eu agradeço. :)

Outubro – Histórias de superação

Mais um probleminha. Estante não tem nada com o tema, Aliás, tenho Julie & Julia, mas eu já li. Então eu escolhi um que eu não tenho: Um Otimista Incorrigível, do Michael J. Fox. Um livro que eu fiquei bem a fim de ler na época que todos comentaram e que não deu por uma série de motivos. Então eu resolvi ler no Kindle. O problema: também não acho o ebook. Alguém tem ou sabe onde conseguir?

Novembro – Livros que foram banidos

Apesar de não achar que Ponte para Terabítia (Katherine Paterson) mereça realmente estar nessa categoria, foi minha escolha por ser o único não lido na minha estante que atendia aos requisitos mínimos.

Dezembro – Natal

A escolha óbvia: Um Conto de Natal, de Charles Dickens. Para ler no Kindle.

E então, animação total com as leituras em 2013 que, eu espero, sejam muito mais do que em 2012 (ano magro em leituras e gordo em tantas outras coisas). Alguém mais vai participar do DL 2013? Vale participação oficial e não oficial como a minha. Deixa nos comentários a opinião sobre o desafio, sobre a minha lista e sobre a vida, o universo e tudo mais que eu adoro ler.

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Teatro dos Lírios, de Lulu Wang

Teatro dos Lírios é o livro de estreia da escritora chinesa radicada na Holanda Lili Wang. Não conheço a fundo a biografia da autora para afirmar (como alguns fizeram em suas resenhas) que ela conta sua história através do olhar Lian Shui, a menina de 12 anos que protagoniza o livro. Fato é que a história narrada por Wang é rica em detalhes e ganha muita força pelo seu plano de fundo histórico. Lian Shui é filha de uma professora de História e de um médico e ambos sofrem com as arbitrariedades da Revolução Cultural Chinesa. O pai é banido para uma província distante e a mãe vai para um campo de reeducação para burgueses (um campo de trabalhos forçados). Lian descobre que tem vitiligo e sua mãe a leva para o campo para que a menina não ficasse sozinha e sofrendo preconceito por sua doença no internato para o qual foi mandada depois da punição de seus pais ser executada.

O livro é dividido em quatro partes nas quais as duas primeiras narram a vida de Lian no campo ao lado de sua mãe e de outras centenas de professores, médicos, psicólogos e outros diversos profissionais considerados intelectuais e, portanto, perigosos para o regime de Mao Tsé-Tung e o momento imediatamente anterior a esse, quando ela conhece e tenta desesperadamente ajudar e ser amiga de uma menina da última casta (a mais baixa de todas). A narrativa é um pouco diferente, eu nunca tinha lido nada de um autor oriental antes e fiquei bastante surpresa com a delicadeza e todas as sutilezas que uma autora chinesa pode trazer para o texto. No entanto, a leitura acabou sendo diferente, mais lenta para ser sincera. Falta de costume, talvez, mas tenho que admitir que a leitura não fluiu tanto quanto eu gostaria e demorei muito mais do que o normal para ler o livro. Esse estranhamento inicial não se dissipou conforme a leitura transcorria apesar da quantidade de páginas e do tempo que fiquei com o livro nas mãos, infelizmente.

As duas primeiras partes narram uma história contínua e que faz o leitor refletir junto com Lian sobre as transformações pelas quais ela está passando, sobre tabus da sociedade chinesa e sobre a política, a corrupção, a dominação e o sentido do contexto histórico que vivia. As aulas de história que Lian teve no campo com um dos professores que lá trabalhavam foi uma das coisas que mais gostei do livro, pois essas aulas não repetiam os ensinamentos que ela teve desde que nasceu e olhava para a história da China de maneira crítica, sem idealizar um país e um partido que suprisse todas as necessidades físicas e espirituais da população como era ensinado para todos na escola durante o regime de Mao. Puxando brasa para o meu assado, as aulas de história são realmente um dos pontos altos do livro, principalmente porque elas falavam muito de teoria da história e do raciocínio histórico e não de um empilhado de fatos de milênios de história chinesa.

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Abril rojo, de Santiago Roncagliolo

O livro de Santiago Roncagliolo é sobre um serial killer, mas é um thriller político antes de tudo. O mistério que é relatado é assustador e ao mesmo tempo cativante, pois vai além dos crimes em série e retrata a vida política e cultural do Peru do início do século XXI. Esse foi o primeiro livro de autor peruano que eu li e também o primeiro ambientado no Peru que eu tive o prazer de ter em mãos. Foi muito interessante entrar em contato com uma realidade completamente diferente, na qual a cultura indígena ainda é bastante presente no dia a dia da população e rituais católicos convivem com rituais indígenas, embora não tão pacificamente, mas lado a lado e influenciando fortemente a vida de todos.

A narrativa toma lugar em uma pequena cidade peruana, Ayacucho, nos meses de Março e Abril de 2000 e centra-se na busca por um assassino em série. O investigador é um homem comum, Félix Chacaltana Saldívar, um promotor distrital adjunto que recentemente retornou à sua cidade natal depois de mais de vinte anos de trabalho em Lima (capital do Peru). Ao se deparar com um crime terrível, precisa escrever seu relatório e mandar para outro departamento que se nega a receber o documento ao mesmo tempo que o departamento responsável por fornecer as informações necessárias dificulta a vida do procurador que acaba se transformando portanto em investigador. Nesse processo Félix acaba descobrindo algumas verdades sobre a realidade política de seu país e sobre si. O promotor descobre, entre tantos outros segredos de Estado, que o grupo Sendero Luminoso (considerado terrorista pelas Forças Armadas de seu país) ainda está em atividade, contrariando todos os pronunciamentos oficiais.

Depois do primeiro assassinato demora um pouco para que outros crimes relacionados aconteçam, o que me deixou um tanto ansiosa. A espera pelos crimes não prejudicou em absoluto o andamento da narrativa, mas no meu caso quebrou um pouco o clima da leitura, pois minha expectativa era de que o livro tratasse de assassinatos em série. E foi apenas depois da metade do livro que a expectativa se concretizou e muito sangue e membros começaram a rolar. É claro que a maneira como os acontecimentos foram narrados foi muito sofisticada e com uma trama muito bem amarrada, nada de cenas escatológicas. A tensão que o autor me deixou a cada nova descoberta e a cada novo retrocesso na investigação foi incrível, deixando a leitura mais frenética a cada página, sem, é claro, descolar o ritmo enérgico da trama política muito bem amarrada que acompanhava a busca por novas pistas.

Com sua narrativa, Santiago Roncagliolo faz uma análise da violência em muitos aspectos: a violência com que os crimes eram cometidos, a violência dos grupos Senderistas, a violência do governo, a violência das desigualdades, a violência da dominação cultural e política… A investigação leva Félix a se embrenhar cada vez mais fundo nas contradições do governo e ele precisa a todo momento enfrentar a negação do governo da violência existente no país que ele próprio testemunha. Um dos pontos interessantes da narrativa é a intersecção feita entre os crimes e as datas cristãs que antecedem a Páscoa, um tempo de morte e ressurreição para a cultura católica. A violência cometida está o tempo todo ligada e contrastando com essas celebrações que são muito tradicionais e de presença forte no calendário peruano (coisa que eu nao fazia ideia), e há uma forte conexão entre a forma como os assassinatos são realizados e o simbolismo religioso.

O protagonista Félix Chacaltana não é menos interessante do que a história que vive. No início ele parece monótono e metódico, mas conforme os fatos se apresentam para ele, é preciso reagir e tomar atitudes que não combinam com sua personalidade. Com isso ele sofre uma transformação muito interessante e mesmo sendo o investigador, deixa dúvidas de sua honestidade a respeito de suas conclusões sobre os crimes. É difícil ignorar suas peculiaridades ao mesmo tempo em que é difícil acreditar nele. Ele começa sua investigação não porque quer fazer justiça, mas porque é empurrado por uma obrigação que beira um transtorno obsessivo-compulsivo. Além disso, ele tem um fascínio bizarro por sua falecida mãe (reconstruiu o quarto dela exatamente como era antes de mudar-se para Lima, fala com as fotos e se comporta como se ela ainda estivesse viva – perturbador, não?). É terrivelmente ingênuo quando se trata do funcionamento das autoridades locais e também faz o tipo obstinado, os obstáculos colocados pelo exército para barrarem sua investigação não o impedem de seguir adiante e ele

Além do protagonista, vários personagens são introduzidos ao longo do romance e figuram a lista prováveis assassinos, colaborando para aumentar a tensão. Embora alguns desses personagens possam parecer estereotipados num primeiro momento, as circunstâncias os tornam mais profundos à medida que o narrativa avança. Uma personagem importante é Edith, uma garçonete com a qual Félix acaba se envolvendo amorosamente. A relação entre eles não é simples e a tensão do romance entre eles acompanha a investigação do promotor e culmina com cenas bastante fortes. Só o qe posso dizer é que Chacaltana sucumbe à violência que o rodeia.

O final é bastante surpreendente, mas um tanto decepcionante. Não completamente, é claro, mas o suficiente para que eu não o avaliasse melhor nas redes sociais para leitores. O livro não é uma obra prima da ficção de mistério justamente pelo final, pois a narratia como um todo é bastante metódica e cheia de amarras que garantem o estado de tensão até o final. E o que o torna um romance acima da média são as questões que emergem da narrativa: a conexão da busca pela responsabilidade moral do governo, dos indivíduos, da sociedade, a escolha entre o menor dos males e os temas históricos, políticos e religiosos com o abuso de poder e a repercussão que isso tem na vida das pessoas.

Abril Rojo
Santiago Roncagliolo
328 páginas
Editora Alfaguara (Espanha)
Goodreads

Rating: ★★★½☆ 

Desafio Literário 2012

A resenha mais atrasada de todas, mas a leitura foi feita em dia. Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Desafio Literário 2012. A resenha corresponde ao mês de Março, cujo objetivo é ler um livro sobre um Serial Killer.

Confira no blog do desafio as resenhas dos outros participantes para este mês. Ou descubra quais foram as minhas escolhas.

Participe, comente, leia. Gostou da ideia? Siga o @DL_2012 no twitter. Aproveita e segue a equipe do Desafio Literário 2012 no twitter também: @vivi@danihaendchen@queromorarlivr e eu, @clandestini.

Confira as leituras feitas para o Desafio Literário 2012:

Janeiro - Literatura Gastronômica: Julie & Julia: 365 dias, 524 receitas e 1 cozinha apertada, de Julie Powell.

Fevereiro – Nome Próprio: Frankenstein, de Mary Shelley

Março – Serial Killer: Abril rojo, de Santiago Roncagliolo

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It’s Alive! Frankenstein, de Mary Shelley

Frankenstein, de Mary ShelleyFrankenstein é um clássico da literatura, não apenas por ter sido concebido por uma mulher de apenas 19 anos em pleno século XVII, mas por sua inovação. E para falar francamente, a leitura foi muito diferente do que eu esperava. Muito diferente inclusive do que eu imaginava da própria história. E é claro que a fala mais famosa do cinema quando o assunto é Frankenstein, “It’s Alive!”, não está presente no livro. Eu nunca vi um filme baseado na obra, apenas vi referências à películas antigas em produções mais recentes do cinema e da televisão. Talvez por isso a história da criatura criada por Frankenstein fosse uma grande nuvem de fumaça na minha cabeça, cheia de referências confusas sem ponto de apoio.

É bem verdade que eu não me entendi muito com o estilo do livro e o ritmo de leitura foi muito mais lento do que eu esperava. No entanto, o esqueleto da história é muito interessante. O Dr. Victor Frankenstein cria um monstro a partir de restos mortais que ele coleta por aí. Mas até chegar nesse ponto da história é um martírio. Primeiro tem um sujeito mandando cartas para a irmã contanto o quanto ele precisa viver uma aventura e como todas as outras pessoas são ignorantes, vulgares e sem um pingo de cultura, tornando impossível travar um diálogo no mínimo interessante com qualquer ser humano na face da Terra (eu conheço uma porção de gente assim!). Além do cara se achar a última bolachinha do pacote, ele está envolvido em uma viagem ao Pólo Norte, e conta como essa viagem de navio rumo ao desconhecido está correndo.


Não consegue ver? Acesse o vídeo diretamente no Youtube.

Até ele encontrar no meio do nada o Doutor Frankenstein demora uma era. E quando ele encontra o tal Doutor começa a contar sua vida desde a mais tenra infância. Entretanto, quando ela finalmente começa tudo fica muito melhor. Claro que a história continua prolixa e cheia de voltas que parecem inoportunas. Shelly não conta a história de uma maneira fluida, mas usa um mecanismo de enquadramento inteligente (história dentro da história, dentro da história) que faz o final muito mais pungente dando mais emoção para os momentos finais da obra, na reviravolta derradeira da narrativa. Nesse emaranhado de histórias tem um momento em que a palavra está com a criatura criada por Frankenstein, e mesmo sendo confuso (quem narra é o próprio Doutor como se fosse a criatura) é uma das mais belas passagens do livro.  Continue reading →

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Julie & Julia: 365 dias, 524 receitas e 1 cozinha apertada

Julie & Julia

Ontem à noite eu terminei de ler Julie & Julia: 365 dias, 524 receitas e 1 cozinha apertada, aos 45 do segundo tempo para o Desafio Literário 2012. Sabe aquele livro que antes mesmo de abrir tu tem certeza de que vai gostar. Pois Julie & Julia foi exatamente assim. Eu sabia que gostaria desse livro desde a primeira vez que ouvi falar dele, e depois de ver o filme maravilhoso, eu tive mais certeza ainda.

O livro escrito por Julie Powell conta sua própria história, quando ela resolveu encarar um projeto bem diferente: fazer todas as receitas do livro Mastering the Art of French Cooking (Vol. 1) do ícone culinário norte americano Julia Child. E mais, ela escreveu um blog sobre isso e o blog fez muito, mas muito sucesso. Tanto sucesso que virou livro. Esse livro que acabei de ler.

O projeto que pode parecer maluco começou como uma forma de distração do emprego maçante numa repartição do governo no qual não tem futuro, a possibilidade de não poder ter filhos e a falta de vontade de tê-los misturado com uma indecisão mortal sobre o assunto motivada pela insistência da chegada dos trinta e da sociedade, uma mudança recente para um apartamento horroroso e caindo aos pedaços. Em resumo, uma texana vivendo uma vida de merda em Nova York. A ideia em si foi do marido, retratado como um santo, o marido perfeito que todas as mulheres  do mundo já desejaram em certo ponto de sua vida, que a apóia em tudo e sabe lidar com as neuras de Julie.

E assim foi, por um ano. Cozinha a receita, grita, excomunga a todos quando algo não dá certo (e isso, no início, é quase sempre), se atrapalha, corre atrás de ingredientes por vezes bem difíceis de encontrar, afinal o livro de 1961 fala de uma cozinha bem diferente daquela de 2002, e como são receitas francesas, nem tudo é tão comum assim, mesmo para os padrões novaiorquinos. Na tentativa de encontrar algo que nem mesmo Julie sabe o que é, ela acaba se estressando muito, se divertindo muito e comendo muito. E se tem uma coisa que eu descobri sobre a culinária francesa é que não há manteiga que chegue. Continue reading →

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