Segunda-feira eu fui ao cinema especialmente para ver Juno com minhas amigas, saí da sala com uma sensação de filme bom e trilha perfeita. Um filme leve, simples, muito bonito, com pitadas deliciosas de cultura pop para torná-lo ainda mais irresistível.
Adquiri a trilha original e já escutei mais de sete vezes o disco todo, e sempre lembrando de cada cena. Aposto comigo mesma que volto no cinema para rever! Passo o dia cantarolando as canções.
Já no início eu tive a sensação de uma viagem musical. A abertura do filme é linda, e acompanhar a trajetória de Juno é tão acolhedor. Com personagens cativantes o filme atravessa as quatro estações do ano em um ambiente descontraído e convidativo. Sorri, chorei e me senti tão feliz de ter visto esse filme.
O Biajoni deixou uma valiosa dica para os amantes da sétima arte, em especial os aficcionados nas películas de terror: uma boa lista dos 50 melhores filmes do gênero. Vale a pena. Apesar de deixar de lado alguns filmes que eu considero muito bons e incluir outros que creio estarem deslocados na classificação. Muitos eu não tive a oportunidade de ver e outros estão na minha listinha também.
Embora cheios de obviedades, esse tipo de cinema arrebata muitas pessoas para as sessões na telona e na telinha fazendo com que alguns se tornem fãs incondicionais. Não sou um bom exemplo da última categoria, entretanto não perco uma oportunidade de ver e sentir calafrios. Mesmo que a maioria repita fórmulas eles ainda dão muito certo comigo.
Uma espécie de catarse do medo que me paralisa por duas horas enquanto as cenas ocorrem bem ali, na minha frente. Os apelos são cada vez maiores, ou não (alguns filmes ‘B’s de antigamente corriam pelo mesmo trilho). Sangue e membros para todos os lados, formas cada vez mais cruéis de matança, ou os velhos zumbis de sempre arrasando cidades interias (e esses, confesso, são os meus favoritos), vampiros sedentos por um belo e frágil pescocinho, monstros de todos os tipos e de diversas origens. Ai que medo!!!
Acho que hoje tem sessão de arrepio aqui em casa, fiquei inspirada!
Ontem à noite, em um momento de ócio nada cirativo, ligo a televisão e me deparo com um filme nauseante: Bad Boys 2. Filme ruim, preconceituoso, xenófobo (os traficantes do filme são todos cubanos, haitianos ou russos). Em linhas gerais, o que Bad Boys 2 promove é um assalto à sensibilidade do espectador. Para piorar, os roteiristas ainda tentam incluir uma mensagem política rasteira e fora de propósito ao citarem que o vilão da história, um cubano, apóia o regime de Fidel Castro. Um absurdo foi dizer que até o exército cubano protegia o traficante, foi um desrespeito total para com os cubanos e isso é inaceitável. Não que eu seja uma comunista defensora de Fidel, mas tenhamos um pouco de bom senso, um traficante fornecendo drogas e dinheiro lavado nos Estados Unidos para Fidel, parecia filme de 007 em época de guerra fria: fazer chacota para descarecterizar o governo de Cuba. Um total desfavor à população.
Tudo isto por quê? Quando o filme chega no seu clímax, as coisas começam a ficar mais claras. É aí que a máscara de filme de guerra urbano que Bay, o péssimo diretor, havia imposto cai e percebemos que estamos mesmo num filme de guerra. A meia hora final explica todo o fascismo e xenofobia que acompanharam o bombardeio visual das duas horas anteriores. Estamos mesmo diante de uma grande peça de propaganda: uma apologia do direito americano de invadir quem quiser para eliminar o mal (com direito a cena que justifica a falta de utilidade das saídas diplomáticas). O clímax do filme é uma invasão de Cuba (onde os heróis enfrentam inclusive o exército daquele país, com o máximo de explosões e destrução possível). O final inclui a cena mais impressionante do filme pela forma calhorda que ela se apresenta: os heróis Will Smith e Martin Lawrence destróem toda uma favela no meio de uma perseguição de carro. A imagem que vemos é a de um bando de barracos sendo prontamente destruídos. “Só isso”. Imaginamos que as pessoas levando suas vidas ali dentro estão sendo sumariamente destruídas junto com os barracos. Sobre isso, o filme não se pronuncia. O pior é que a seqüência é construída entre a alternância de planos externos, do carro destruindo a favela, e internos, onde Smith e Lawrence parecem estar se divertindo muito com aquilo tudo. É tudo uma grande piada. Há uma cena razoavelmente similar em Police Story de Jackie Chan. Mas as diferenças entre elas diz muito sobre o projeto de Michael Bay. Lá também temos uma favela sendo destruída numa perseguição de carros, mas Chan alterna planos de cima (como todos de Bay) com outros filmados debaixo. Temos a noção ali da correria das pessoas que habitam aquele lugar, temos o senso de destruição que afeta o humano, algo que não pode sequer ser considerado num filme como Bad Boys 2.
Os filmes anteriores de Bay eram frágeis e mal resolvidos, mas nada neles prepara para a visão de uma obra tão repugnante e medonha como esta. E sobre o tal vilão cubano, vale dizer que ele possui uma filha pequena, a quem ama loucamente. Porém, se você acha que a criança foi incluída na trama para conferir dimensão dramática ao bandido, esqueça: por incrível que pareça, ela só aparece para que o filme possa fazer piada com seu excesso de peso. Sem contar o atropelamento de corpos mortos e as piadas terríveis. Em suma, quase tive um infarto ontem à noite… Preciso me livrar das cenas terríveis que vi e das coisas abomináveis que ouvi!
Daniela Soares, 20 de Abril de 1984, habitante de Cachoeirinha/RS. Estudo História na UFRGS... É uma dessas gurias que vivem com o tal de 'roque em rou'... mais?