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Sonho bom, sonho de infância

Quando eu era criança eu tinha um sonho. Desses de querer realizar a qualquer custo. Mudei de sonho na adolescência, pois como todo jovem desorientado eu me perdi pelo caminho e comecei a almejar outras coisas. Fui fazer teatro e acabei redescobrindo o sonho de infância. E não, eu não queria ser atriz, nunca quis. O teatro foi um meio, um caminho muito importante que tomei e que ajudou muito a me encontrar, trouxe possibilidades mil. E eu aproveitei todas elas, menos a de seguir nos tablados da vida. Escolhi um palco diferente, aquele que eu passava as aulas da quinta série sonhando: ser professora. Desde que eu entrei em uma sala de aula pela primeira vez, lá na antiga primeira série, no iniciozinho dos anos 90, aquele espaço e a figura da professora Eni, lá no Colégio Estadual Imigrante em Caxias do Sul me fascinaram de tal maneira que eu sempre me imaginei ali, naquele palco de mentirinha.

Entrar na faculdade também foi realizar um sonho, entrar na Universidade Federal depois de dois anos na universidade privada foi ainda mais importante. A formatura foi um marco na minha vida. Mas nada se comparou ao primeiro dia como professora. Depois de muitos concursos (nos quais, confesso, não estudei para realizar, com exceção de um cursinho preparatório para o concurso do Estado do RS que eu acabei não fazendo por achar o edital uma piada de muito mal gosto) e muitas aprovações em colocações não tão favoráveis, eu finalmente consegui realizar o sonho de estar em uma sala de aula (antes eu fiz estágio na faculdade, dois semestres, mas não é a mesma coisa). Em um dos muitos concursos que realizei, já desanimada com algumas reprovações, a quantidade de aprovações que não dariam em nada e com a possibilidade de uma reprovação, eu fiquei bastante surpresa com o resultado. Fiquei entre os 21 aprovados para a prova prática e fui MUITO bem no teste, ficando em 4 º lugar na colocação final. Bom, se eram sete vagas previstas no edital eu não precisei me preocupar com nada: meu nome no diário oficial estava garantido em breve.

O problema foi esperar ele finalmente aparecer na lista dos chamados. Na primeira convocação dos aprovados para o meu cargo, apenas os três primeiros estavam na lista. Fiquei muito triste, mas como eu sabia que minha vaga era garantida, continuei aguardando. A tristeza deu lugar à ansiedade e passei os primeiros meses de 2012 comendo todos os dedos das mãos de tanto nervosismo. Até que uma semana depois do meu aniversário, em abril, meu nome finalmente estava no Diário Oficial da cidade e eu finalmente comecei uma nova etapa do processo: teste psicotécnico. Felizmente nada de mais, tudo normal com minha cabecinha (ou eles não perceberam nada de errado). Na verdade o teste psicotécnico avalia a capacidade da pessoa para exercer o cargo, mas para aliviar a tensão eu brincava com todos colocando em xeque minha sanidade mental.

Todas as etapas necessárias para a nomeação e para a posse concluídas e aqui estou eu, oficialmente uma professora empregada há quase três semanas, com salário, plano de carreira (não entrarei no mérito aqui, afinal este é um texto comemorativo), lotada em duas escolas, com carga horária semanal de 40 horas e muitos, muitos alunos. Estou feliz, claro que sim. Existem problemas? Com certeza. Um deles é ter de dar aula de uma disciplina para a qual não tenho formação em cinco das dezesseis turmas. A falta de costume com a carga horária de trabalho e até mesmo a tristeza por ter de abandonar (espero que temporariamente) o curso de Letras que eu estava amando. Além disso, preciso me acostumar com o meu novo tempo disponível e aprender a me organizar! A realidade dos alunos é um problema social que reflete na escola, e é bastante triste. A indisciplina e a falta de limites está presente no dia a dia das aulas e eu tenho que aprender a lidar com isso da melhor maneira possível. A insegurança que eu ainda carrego cada vez que entro na escola é normal, mas atrapalha um pouco para lidar com casos mais extremos.

No entanto, nada disso tira minha alegria, meu sorriso e meu brilho nos olhos por estar realizando o meu sonho e de ver o interesse (mesmo que momentâneo) nas minhas aulas. Ao contrário do que os professores das escolas e amigos professores me recomendaram, não consigo entrar com cara fechada nas aulas, minha felicidade é tanta e minha vontade de aprender com os alunos e de ensinar com amor é tão grande que fica impossível. Mas já tive momentos nos quais não me reconheci: gritei, briguei, xinguei, dei sermão e quase fiquei sem voz. Mas faz parte. Estou aprendendo um dia de cada vez a beleza e os dissabores de ser professora e carregando anos de sala de aula nas costas como aluna para tentar ser a melhor professora de História que eu conseguir.

O Continente vol. 2 (O Tempo e o Vento #1), de Erico Verissimo

O Continente, vol. 2No segundo volume de O Continente a saga das famílias Terra e Terra Cambará continua. Os capítulos abrangem os períodos de 1850 a 1895. Bem menos do que no primeiro tomo, que vai de 1750 a 1836 mais o ano de 1895 com O Sobrado. A estrutura do livro é a mesma do primeiro volume, trechos de O Sobrado intercalam os capítulos A Teinaguá, A Guerra e Ismália Caré. Três grandes capítulos que, ao contrário dos integrantes da primeira parte da obra, não são tão independentes e, portanto, não dariam muito certo como publicações avulsas (lembra que Ana Terra e Um Certo Capitão Rodrigo foram lançados como livros?). O tom épico ainda é marcante, porém diferente do primeiro tomo, em que a atmosfera da narrativa era mais vibrante e vigorosa, o segundo volume possui um ritmo mais vagaroso e marcado por perfis e guerras psicológicas. No entanto, mesmo com ritmos distintos, ambos são livros incríveis e completam um ao outro perfeitamente.

O Sobrado continua relatando os dias de junho de 1895, em pleno cerco ao sobrado de Licurgo Cambará, onde seus aliados e sua família passam a base de laranja e farinha, sua esposa agoniza depois de um parto complicado, seus dois filhos ainda crianças vivem como podem, ouvindo as histórias de Laurinda – empregada, escrava liberta – e Fandango, Maria Valéria tenta esconder seu amor pelo cunhado Licurgo e se divide entre cuidar dos sobrinhos e da irmã. A velha Bibiana fica no quarto, ouvindo o vento e esperando, como sempre fez em sua vida. Os outros, moradores e “hóspedes” do sobrado esperam que os federalistas se entreguem, pois a guerra está ganha em quase todo o Estado. Os conflitos da família, a personalidade de Licurgo e as relações entre eles são elevadas a um grau extremo, devido ao confinamento. A tensão domina toda a narrativa nesses trechos. E como leitora, também aguardava ansiosa pelo fim do cerco, queria respirar aliviada junto com aqueles personagens, e o último trecho é de arrepiar, muito comovente tanto pelos acontecimentos que ele narra como pela reação a eles por parte dos diferentes personagens e suas personalidades tão distintas.

No capítulo A Teinaguá, a narrativa conta a origem da misteriosa mulher que casou com Bolívar Cambará, filho de Bibiana e do Capitão Rodrigo. Luzia Cambará é uma figura atormentada, angustiada torturada pela vida que leva e ao mesmo tempo intimida seu marido, que muito pouco lembra o pai, pois Bolívar é um homem titubeante e fechado ao contrário da personalidade valente e espontânea de seu pai. E é aqui que se descobre como o Sobrado foi construído e por quem, e como ele foi parar nas mãos da família Terra Cambará. A narrativa é pontuada por um observador de fora, o médico Carl Winter, um alemão que chegou a Santa Fé de passagem e foi ficando, ficando, ficando, até não conseguir mais ir embora. Um sujeito bem diferente dos outros moradores de Santa Fé. É através dos olhos desse médico, intelectual e viajante que muitos dos acontecimentos são narrados. Inclusive algumas questões da História do Rio Grande do Sul e dos moradores do Sobrado são relatadas em cartas que ele envia para um amigo, também alemão, que se instalou na colônia alemã de São Leopoldo. Além disso, é o médico que faz a relação entre a mulher que gera discussões infindáveis em Santa Fé a respeito de seu caráter e personalidade e a figura lendária da Teinaguá. Através de seu olhar estrangeiro o médico traça um perfil dos personagens e das situações apresentadas por quase todo o livro.

No capítulo A Guerra o foco narrativo está no dia a dia de Bolívar, Luzia e Bibiana no Sobrado. Como pano de fundo a Guerra do Paraguai, apesar dessa não ser a única guerra narrada, pois existe uma disputa surda entre Luzia e Bibiana por Bolívar, pelo Sobrado e pelo neto, Licurgo Cambará – que representa para Bibiana a expressão máxima da continuação de sua família e, por conseguinte de seu amado e falecido Rodrigo Cambará. Nessa guerra íntima eu tomei o partido de Bibiana, pois Luzia não é uma pessoa fácil de conviver, além de ser racista e de possuir uma visão de mundo que não me agrada nem um pouco. Porém, tenho de admitir que em muitas de suas falas eu tive de concordar com ela. Luzia odiava a vida naquele lugar, pois ela era o contraste de tudo aquilo que Santa Fé representava, o que não é de todo ruim (ou de todo bom, depende do ponto de vista), mas uma das questões mais marcantes que ela levanta é o machismo e o papel da mulher naquela sociedade. E nisso eu tenho de dar o braço a torcer, já que o Rio Grande do Sul tem uma História de machismo e submissão da mulher que infelizmente perdura em alguns lares gaúchos. A figura de Luzia é contraditória e gera ódio dos moradores e dos leitores (pelo menos no meu caso), mas ainda assim tem um papel fundamental para a narrativa e também para lembrar que mesmo narrado sob uma perspectiva feminina O Continente retrata uma sociedade machista.

Em Ismália Caré o salto no tempo é um pouco maior. O filho de Bolívar e Luzia, Licurgo Cambará, já cresceu e vive com a mãe e a avó no Sobrado, no meio do fogo cruzado. A disputa segue e o adolescente Licurgo sente na pele as faíscas que elas soltam. Ele vive dividido entre a vida no Sobrado e a vida no Angico, as terras da família no interior da cidade. E dividido entre e avó e a mãe, Licurgo cresce e se envolve com uma moça de nome Ismália Caré, filha dos empregados do Angico. A relação entre eles é bastante complicada, Bibiana não aceita o envolvimento de seu neto com a menina, ele próprio sabe que precisa casar com uma “moça de família”, mas o romance proibido entre eles dura até mesmo depois do casamento com a prima Alice Terra.

Maria Valéria, irmã de Alice é apaixonada por Licurgo, mas reprime o sentimento por respeito à irmã e à tia Bibiana, a grande figura de todo o livro. Se no primeiro volume Bibiana é apresentada como mulher submissa ao marido, sofrida e apaixonada, nesse tomo ela está mais madura, endurecida pela vida, passando a demonstrar sua personalidade forte e dominante, onde se tornam claras sua semelhança e afinidade com a avó Ana Terra. E Bibiana também se mostrou misteriosa, mordaz, cáustica, ferina e manipuladora quando necessário, e fez de tudo para defender a continuidade dos Terra Cambará. Na difícil decisão entre ela e Ana Terra, elejo as duas como minhas personagens preferidas nessa primeira parte da saga familiar de Erico, duas das personagens mais fascinantes da Literatura Brasileira.

O Continente vol. 2 (O Tempo e o Vento #1)
Erico Verissimo
Companhia das Letras
440 páginas
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Rating: ★★★★★ 

Não leu ainda O Continente volume 2? Que tal começar pela resenha do primeiro volume?

1. O Continente vol. 1 (O Tempo e o Vento #1), de Erico Verissimo

O Continente vol. 1 (O Tempo e o Vento #1), de Erico Verissimo

O Continente, volume 1, de Erico Verissimo

O primeiro volume de O Continente é a abertura da obra prima de Erico Verissimo, O Tempo e o Vento (publicado em três romances: O Continente, O Retrato e O Arquipélago – os dois primeiros possuem dois volumes, enquanto o terceiro foi dividido em três). Publicado em 1949, a intenção de Erico era escrever apenas O Continente, mas a história tão grandiosa da saga familiar que é também um microcosmo da História do Rio Grande do Sul pedia mais. E Erico nos deu de presente, alguns anos mais tarde, os dois volumes de O Retrato e os três volumes de O Arquipélago.

Reeditado inúmeras vezes pela Editora Globo, hoje as obras de Erico são publicadas pela magnífica Companhia das Letras. E eu tive o prazer de ler na primeira e segunda vez, há muitos anos, essa primeira parte de O Tempo e o Vento numa publicação da editora Globo e agora li numa edição linda que integra o box de O Tempo e o Vento da Companhia das Letras. E nas três vezes que li fiquei encantada com cada palavra que Erico escreveu.

É muito difícil escrever resenha de um livro como esse, tão bom, tão clássico, tão importante. Eu só tenho elogios. Mas vamos lá. Por que esse livro é muito bom? Em primeiro lugar por conta da história que é narrada. O Continente fala das origens do processo de formação do estado do Rio Grande do Sul, da formação do povo gaúcho. E para isso Erico criou um romance histórico perfeito, que mistura sua ficção tão bem trabalhada com dados e personagens históricos que são integrados ao enredo de tal forma que é natural pensar que aquilo tudo realmente aconteceu. É um romance, e também uma aula de História. E que aula. Confesso que eu não sou muito conhecedora da História de meu próprio Estado – uma vergonha, eu sei, tanto por ter nascido e vivido a vida toda aqui, quanto por ser formada em História – mas muito do que aprendi sobre ela veio da literatura e em especial desse livro (e do segundo volume também, é claro). E é uma ótima maneira de entender os processos que levaram o povo gaúcho a ser da maneira que é.  Continue lendo →

Histórias do mundo para crianças, de Monteiro Lobato

Histórias do mundo para crianças, de Monteiro LobatoHistórias do Mundo para as Crianças
Monteiro Lobato
Editora: Brasiliense
Páginas: 184
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Rating: ★★★★☆ 

Em Histórias do mundo para crianças, Dona Benta conta para os netos e para a boneca Emília toda a História do mundo até a II Guerra Mundial (já que o livro foi escrito logo depois de seu término). O formato é de contação de histórias, ela conta um pouquinho dos fatos e dos personagens importantes da nossa História um pouquinho por noite, com algumas interrupções de Emília e diálogos com Narizinho e Pedrinho.

A leitura do livro ocorreu aos poucos, eu lia aos poucos, um pouquinho de História sempre que sobrava tempo. A narrativa é leve e fácil, pois Dona Benta está falando de algo bastante complexo de forma que as crianças entendam, tanto as personagens do livro quanto aquelas que lerão o livro. Eu já não sou mais criança, mas nem por isso deixei de aproveitar o livro, de curtir as piadas de Emília, de entender os questionamentos das duas crianças e das posições de Dona Benta. E isso é uma das melhores coisas do livro: a História não é tratada como algo estático, único e imparcial. Fica muito claro no discurso de Dona Benta que a História é contada por alguém e que, portanto, ela narra a partir do ponto de vista de quem narra.

Além de ser um excelente livro para quem gosta de História, eu acredito que ele deveria ser lido por todas as crianças, seja para conhecer a História, seja para tirar aquela marca de que estudar essa disciplina é muito chato, fato é que é um livro importante para a formação intelectual de todas as crianças. Uma pena que eu não o li quando era criança. Mas antes tarde do que nunca.

Além disso, como sou formada em História eu prestei bastante atenção em trechos que eu poderia usar em sala de aula. Sou uma entusiasta do uso da Literatura na aula de História e muitas das histórias de Dona Benta são ótimas para usar com alunos dos 6º e 7º anos. Pensei em muitos usos didáticos para o livro de Lobato. A própria definição de História dada por Dona Benta é muito boa, ela faz uma interessante metáfora que explica porque a História Universal é na verdade a História do Ocidente.

Esse livro me agradou de muitas maneiras: por ser uma narrativa gostosa de ler, por trazer questões importantes para reflexão, por possuir uma versatilidade que permite diversos usos de seu texto (a sala de aula é apenas um deles, que eu me apeguei devido as minhas escolhas pessoais). E não importa se o leitor não é mais criança, Monteiro Lobato é leitura obrigatória.

Che Guevara – A vida em vermelho, de Jorge G. Castañeda

Che Guevara - a vida em vermelho, de Jorge G. Castañeda

Escolher uma biografia é escolher ler sobre um personagem real do qual queremos conhecer mais sobre sua vida. Nesse sentido, a escolha recai mais sobre o personagem em si do que ao livro que poderemos ler, visto que um mesmo sujeito pode ter sua vida biografada por mais de um autor. Eu não li muitas biografias ao longo de minha vida, e não estou acostumada com a linguagem utilizada (se é que existe um padrão no gênero), e me deparar com uma biografia de um personagem tão enigmático quanto mitológico para a juventude do século XX foi uma bela surpresa.

Na verdade eu comecei a ler Che Guevara – A Vida em Vermelho, de Jorge G. Castañeda, em 2000, e no auge dos meus 16 anos não tive maturidade e conhecimento histórico suficientes para aguentar a densa leitura que a biografia requer. Retomando uma leitura abandonada há mais de dez anos pude finalmente compreender isso. Não que hoje eu seja um exemplo de maturidade e sabedoria, mas minha experiência de vida permitiu uma compreensão maior do texto de Castañeda, e, porque não, da vida de Che.

Não foi uma leitura fácil: a vida de alguém como Che é difícil de ser sintetizada e suavizada. Pelo contrário, não há palavras que definam a intensidade e a paixão pela revolução do filho da Dona Célia. O Argentino que percorreu o mundo, participou de uma das mais emblemáticas Revoluções do século XX, tentou repetir o feito na África e iniciar a Revolução por toda a América Latina a partir da Bolívia deixou como herança aos povos subjugados pelo Imperialismo, aos jovens rebeldes, aos que lutam por uma sociedade mais justa, a esperança. Foi transformado em mito antes mesmo de sua morte, mas foi ela quem trouxe à juventude dos anos sessenta (os anos da rebeldia, dos Beatles, da luta pela paz) um símbolo que não morreu jamais.

O calhamaço de 536 páginas é dividido em 11 capítulos mais as notas e referências no final. E como toda em toda obra, seja ela biografia ou não, o autor precisou priorizar alguns pontos para aprofundamento. Nesse caso, foram priorizados os últimos dez anos de vida do Comandante Ernesto Che Guevara. Os anos em que conheceu o caudilho Fidel Castro, fez a Revolução em Cuba e por lá viveu e foi funcionário do governo, suas excursões pela URSS – e sua progressiva desilusão para com ela -, sua passagem pela África e sua tentativa de iniciar a Revolução por toda a América Latina pela Bolívia, e sua morte, por execução em La Higuera.

O trabalho de Castañeda é primoroso. O autor utilizou fontes documentais e bibliográficas, entrevistas, relatos de amigos, companheiros, familiares, os relatos do próprio Che e outras biografias já escritas, para escrever sua obra. Em várias passagens confrontou as fontes para demonstrar as diversas versões para a vida do mito. Ele ainda comentou sobre a versão oficial defendida por Cuba e da impossibilidade (pelo menos até a escritura de seu livro) de se consultar a documentação cubana, bem guardada em seus arquivos secretos (o que me lembra os nossos arquivos da Ditadura, tão bem fechados mesmo depois de duas décadas de “democracia”). E todas as passagens da vida de Che são muito bem contextualizadas histórica, econômica e socialmente.

Não há como não se encantar com a dedicação e a obstinação de Guevara. Depois de ler essa biografia a admiração que sentia pelo homem que sonhou um mundo melhor e tentou, repetidas vezes, tornar seu sonho realidade, cresceu muito. Esse livro é para todos que gostam de História, que admiram Che e também para todos que sonham um mundo mais justo.

Che Guevara imortalizado por Alberto Korda

Che Guevara – A vida em vermelho
Jorge G. Castañeda
Editora Companhia das Letras
536 páginas
Skoob | Submarino

Rating: ★★★★☆ 

Desafio Literário 2011

Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Desafio Literário 2011, proposto pelo blog Romance Gracinha. A resenha corresponde ao mês de Fevereiro, cujo objetivo é ler uma biografia.

Confira no blog do desafio as resenhas dos outros participantes para este mês.

Participe, comente, leia.

Siga o @DL_2011 no twitter.

Aproveita e segue a equipe do Desafio Literário 2011 no twitter também:

@vivi, @danihaendchen, @queromorarlivr e eu, @clandestini.

Confira as outras leituras feitas para o Desafio Literário 2011:

Janeiro:
Coraline, Neil Gaiman
Memórias da Emília e Peter Pan, de Monteiro Lobato

Trajetória universitária

– Eu passei no vestibular da UFRGS para Letras Bacharelado!

– Como assim? Tu não estava te formando em História Licenciatura pela UFRGS?

– Sim. Minha formatura é dia 17 de fevereiro.

– Então?

Acontece que eu adoro ler, adoro estudar, me preparei para o vestibular de novo e consegui entrar para um curso que eu sempre tive vontade de fazer e até já tinha tentado entrar alguns anos atrás.

Exercerei a profissão de professora de História, é isso que quero. O Bacharelado em Letras é um complemento de estudos, uma vontade de aprender mais e uma possibilidade de ganhos extras com a tradução (todos sabemos que a profissão de professora não é a mais gratificante financeiramente).

Depois de sete anos de estudo, entre UNISINOS e UFRGS, eu finalmente me formarei. Isso é inigualável. Maravilhoso. Gratificante. Mas passar no vestibular depois de tantos anos longe dessa correria que é a preparação e terminando Trabalho de Conclusão foi muito gratificante também. Principalmente porque fiquei em décimo lugar. Não esperava ir tão bem.

Então é isso. Sou professora de História (desempregada, alguém tem uma vaga de emprego?) e a partir de março serei estudante de Letras. Não precisa dizer que estou muito feliz.

E quem achou o meu nome no listão?

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