26.09.08

A Narrativa do Romance Policial

Daniela     4:57 pm Arquivado em: Na Estante Tags: , , , , 382 palavras no texto.

Depois de escrever um pouco sobre o surgimento do Romance Policial, é hora de falar da forma que a narrativa assume. A narrativa policialesca diz respeito a uma inclinação humana já existente, e busca a mais completa verossimilhança com a realidade. Os aspectos poéticos são abandonados em prol do exercício da racionalidade. O leitor interage através do medo. E busca compreender crime e criminoso em conjunto com a figura do detetive, responsável pelo desenrolar da história. O detetive representa a polícia, e ele é o herói. Em contrapartida o criminoso assume um papel de aberração.

Com o romance policial de segunda geração há uma inversão do papel do detetive e do lugar do crime na sociedade. Se nos romances de primeira geração eles eram aberrações e não faziam parte da ordem social, nos romances escritos a partir das décadas de 1920 e 1930, eles passam a fazer parte de um esquema social que é por inteiro abominável. Ambos estão inseridos na urbe, mas é a com a hard-boiled novel que a cidade passa a ser retratada como verdadeiras ruínas modernas aprisionadas pelo senso de mercadoria e pela multidão. São nas grandes cidades que os grandes crimes aparecem. O terror agora passa a estar escondido em qualquer beco ou ruela. O criminoso pode estar em qualquer lugar, e a vítima pode ser qualquer um.

O detetive agora faz parte do submundo, mas ainda representa o herói, pois ele não se deixa contaminar por essa doença social em que a cidade está imersa. O gênero não se extinguiu, pelo contrário, ganha cada vez mais força expandindo seus braços para outras mídias. Um exemplo clássico são os seriados de televisão que surgem na década 1960 e perduram até hoje. O mesmo pode-se dizer acerca das metrópoles contemporâneas. Não é por acaso que as cidades de onde saem os novos autores da literatura policial (no caso do Brasil) são Rio de Janeiro e São Paulo, duas grandes metrópoles. Mas esse é um tema para outro texto. Quem sabe.

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16.08.08

História, literatura e crime.

Daniela     10:36 pm Arquivado em: Na Estante, Profissão Historiadora Tags: , , , , 433 palavras no texto.

É sabido que a História hoje assume um papel diferente daquele que Aristóteles anunciava em sua Poética. Em nosso tempo existe um diálogo entre os diversos campos do saber. Chamamos esse diálogo de interdisciplinaridade. História e Literatura compartilham de longa data a narrativa e o contar, escrever e descrever, interpretar, reinterpretar, construir, reconstruir por meio da escrita. Determinados eventos “reais” ou “imaginários” são relatados como garantia de se perpetrarem através do tempo. Em especial, é claro aqueles considerados dignos de memória. As narrativas estão ligadas a uma dupla capacidade: cristalizar e ao mesmo tempo dar vida a determinadas idéias e sentimentos a serem compartilhados¹.

Ambas as disciplinas são formas de contar o “real”. E o fazem através de signos constituídos por palavras e imagens. As formas da narrativa literária já foram utilizadas pela História, mas é claro que ambas possuem métodos distintos, e seus objetivos são diferentes. Literatura não é História, e vice-versa. No entanto, o Historiador pode, em sua busca de conhecimento sobre o mundo do passado, resgatar certas sensibilidades e a maneira como o homem representava realidade e a si mesmo recorrendo ao texto literário. Nele está contido sentimentos, emoções, jeitos de falar e pensar o mundo, códigos de conduta, ações sociais e sensibilidades de outro tempo. Do tempo em que determinada narrativa fora escrita.

Um estilo de Literatura específico, o Romance Policial é “um objeto privilegiado para investigar as relações da literatura e da cultura com a vida urbana e com os tempos contemporâneos. Nessa modalidade de narrativa, talvez como em nenhum outro conjunto específico de formas literárias, a subjetividade problemática do homem e a feição fragmentária da urbe se encontram, se alimentam e se completam“.

Traços destes romances são frutos de determinadas maneiras de ver o crime, o criminoso e a polícia em seu tempo. Influenciados pelo cientificismo do século XIX e a cristalização do gênero no século XX, fez destes romances a expressão dos anseios e medos de uma época.

Quando Edgar Allan Poe escreve Assassinatos na Rua Morgue, ele inaugura o estilo.

1. NAXARA, Maria Regina Capelari. Historiadores e textos literários: alguns apontamentos. In: História: Questões & Debates, Curitiba, n. 44, p. 37-48, 2006. Editora UFPR.

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05.05.08

Você conhece Andréa Fátima dos Santos?

Daniela     10:47 am Arquivado em: Na Estante Tags: , , , , 440 palavras no texto.

Andréa, a Del Fuego escritora usa o nome pela sonoridade. Dora, a Del Fuego bailarina, tirou o nome de uma marca de batom argentino.Uma dica: quando criança fazia anotações nos caderninhos escolares, ouvia conversas por detrás das portas, adorava os papos de elevadores e ficava muda nas reuniões de mulheres adultas para que não a notassem. Andréa Fátima dos Santos adotou em homenagem à Luz Del Fuego (dançarina famosa nos anos 50 e que, na verdade, se chamava Dora) o nome Andréa Del Fuego. A sugestão mais do que perfeita veio de sua sogra (e há quem diga que as sogras só atrapalham).

A moça que não é filha de intelectuais e chegou a afirmar em uma (pequena, singela e de belas palavras) autobiografia: “livro em casa nem o de receita. Eu não tinha referências da escrita enquanto produção. Não tinha um espelho digno desta função”. Formada em publicidade trabalhou como produtora em cinema e revistas. Começou sua vida de escritora respondendo dúvidas sexuais de leitores de uma revista de rádio paulista.

Filha de mineiros ela comeu pelas bordas e já publicou quatro livros: “Sociedade da caveira de cristal”, “Engano seu”, “Nego Tudo” e “Minto Enquanto Posso”. Além disso, Andréa tem contos publicados em diversas antologias e mantém um blog onde publica contos e fotos, trechos de livros, mininovelas, alguns vídeos e dicas. O espaço virtual de autopublicação acumula mais de cem mil acessos, desde junho de 2005. E a autora retribui com dedicação e gentileza, respondendo todos os comentários feitos por leitores fiéis. Agora você já sabe quem é Andréa Fátima dos Santos, e também sabe que seu verdadeiro nome é Andréa Del Fuego.

*Texto meu, originalmente publicado no Estratégia e Análise.

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17.04.08

A Casa dos Pacheco - mininovela

Daniela     11:28 am Arquivado em: Na Estante, Na Web Tags: , , , 189 palavras no texto.

A escritora Andréa del Fuego começou no inicio deste mês mais uma mininovela. Vale a pena conferir por dois motivos. Primeiro porque a Andréa é uma ótima escritora e segundo porque ela usa como referência para seus capítulos as ilustrações de Norman Rockwell, grande artista do início das décas de ‘30, ‘40 e ‘50 do século XX.

No que consiste? Buenas, editar imagens para que a seqüência delas lhe dê uma história! Eu mesma fiz algo parecido dia desses: parecido porque usei apenas uma imagem e a partir dela criei um pequeno e insano diálogo entre um monstro azul e uma boneca alagoana (presentes de amigos queridos).

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Daniela Soares, 20 de Abril de 1984, habitante de Cachoeirinha/RS. Estudo História na UFRGS... É uma dessas gurias que vivem com o tal de 'roque em rou'... mais?

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