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Rio de Janeiro

Posts em Rio de Janeiro.

6 em 6 – Setembro de 2015

Finalmente eu voltei com o projeto 6 em 6. Apesar da simplicidade que é postar seis fotos no blog todo dia 6 do mês, sem tema nem nada, eu estou há mais de um ano sem conseguir postar fotos no dia 6. Como estou tentando voltar com força total para o universo blogueiro, quero essa pauta fixa daqui por diante.

Então lá vai. Esse mês resolvi postar algumas fotos das minhas últimas viagens para dar um gostinho do que vem por aí: posts recheados de dicas e experiências de viagem.

Casa Rosada em Buenos Aires

Paranapiacaba, São Paulo

La Sebastiana, uma das casas museu de Pablo Neruda, em Valparaíso, Chile

Macchu Picchu no Peru

Farol de Klein Curaçao em Curaçao

Vista de cima do Pão de Açúcar, Rio de Janeiro

Então, um destino, uma foto. Internacionais, nacionais, não importa, o que importa é viajar! Até mais, e não esqueça de deixar seu comentário. 😉

Gota D’água – uma tragédia carioca

Gota D'água

Gota D’água é uma releitura da Tragédia Grega de Eurípedes escrita por Paulo Pontes e Chico Buarque durante a Ditadura Militar no Brasil. A tragédia de Chico e Paulo sai da Grécia e chega nos morros cariocas. É a história de Joana e Jasão. E da vizinhança da Vila do Meio-Dia. Jasão trocou Joana para casar-se com Alma, filha do rico Creonte. A história se desenrola aos moldes do original grego, mas ambientado no Rio de Janeiro e ganhando contornos modernos, personagens novos e novas motivações. Joana sente-se traída, grita, chora, faz o diabo.

Mas Joana não é Medéia, e no Rio ela é macumbeira. Promete desgraçar a vida de Jasão, de Alma e de Creonte, que não só é o pai de Alma como construiu o conjunto habitacional popular onde Joana e seus vizinhos moram e cobra preços absurdos pelas casas. Cada uma já pagou o preço inicial, mas os juros mais do que dobraram o valor do imóvel. Solidários com Joana e indignados com a situação de devedores em que se encontram, seguem para um boicote ao pagamento das prestações. Muito interessante como a relação de classes e os motivos pontuais narrados na peça são universais e representam a realidade social do país nos anos 70, e, porque não, nesse início de século XXI.

Ao contrário da tragédia grega, que sempre possui três atos, Gota D’água possui dois atos e os sets retratam um botequim – local de encontro dos homens -, o set das lavadeiras -onde as personagens femininas conversam. No set da oficina, está o velho Egeu, comunista, onde passam alguns amigos. Egeu é um personagem importante para o desenrolar da peça e leva o mesmo nome do personagem que auxilia Medéia na peça de Eurípedes. Ele tenta apaziguar Joana ao mesmo tempo em que incita os moradores a transformarem a revolta silenciosa contra os abusos de Creonte em manifestação de cunho social.

Outra característica importante que vi nesse texto foi a permanência de um coro, elemento fundamental da tragédia grega, que no texto de Chico e Paulo está colocado pelas amigas de Joana, que contracenam com ela também como personagens individuais, mas que assumem o coro quando necessário. As cenas e os diálogos são fortes e poéticos (aliás, a peça é escrita em verso, ao exemplo dos textos gregos) e me encantou o ritual de macumba que é realizado em determinado momento do espetáculo (e não pensem que uso macumba como uma expressão pejorativa, muito pelo contrário, essa é a expressão usada no texto para referenciar a religiosidade o o ritual de Joana).

Ao contrário do texto grego, que as cenas fortes e violentas ocorrem atrás da cortina, ou sejam, elas são apenas referenciadas e nunca são encenadas para o espectador, em Gota D’água o texto prevê a encenação da morte das crianças e do suicídio de Joana. E é um momento muito bonito, lírico e carregado de significação para entender o contexto político-social da época. O texto usa uma história que é mito grego, virou tragédia pelas mãos de Eurípides, teve muitas releituras ao longo dos anos para falar sobre submissão feminina, preconceito contra a mulher, a mobilização popular baseada na condução das massas, efeitos da ascensão social,  e a exploração dos trabalhadores nesse sistema de conjuntos habitacionais onde se paga cada vez mais e mais juros.

Embalado musicalmente por muito samba (Jasão ascendeu socialmente pelo relacionamento com Alma e pelo sucesso de seu samba nas rádios) eu fiquei com vontade de assistir uma montagem desse espetáculo, pois possui dois aspectos importantes: o tom sério e que nos leva a reflexão está conciliado com a alegria, a música e a proximidade com a realidade brasileira.

Gota D’água – uma tragédia carioca
Chico Buarque e Paulo Pontes
192 páginas
Skoob | Submarino

Rating: ★★★★☆ 

Desafio Literário 2011

Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Desafio Literário 2011, proposto pelo blog Romance Gracinha. A resenha corresponde ao mês de Junho, cujo objetivo é ler uma Peça Teatral.

Confira no blog do desafio as resenhas dos outros participantes para este mês. Ou descubra quais foram as minhas escolhas.

Participe, comente, leia.

Gostou da ideia? Siga o @DL_2011 no twitter.

Aproveita e segue a equipe do Desafio Literário 2011 no twitter também:

@vivi, @danihaendchen, @queromorarlivr e eu, @clandestini.

Confira as outras leituras feitas para o Desafio Literário 2011:

Janeiro:
Coraline, Neil Gaiman
Memórias da Emília e Peter Pan, de Monteiro Lobato

Fevereiro
Che Guevara – a vida em vermelho, de Jorge G. Castañeda
O que é isso, companheiro?, de Fernando Gabeira

Março
As Brumas De Avalon Livro 1 – A Senhora Da Magia, de Marion Zimmer Bradley
As Brumas De Avalon Livro 2 – A Grande Rainha, de Marion Zimmer Bradley

Abril
O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams
O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams
A Vida, o Universo e Tudo Mais, de Douglas Adams
Até mais, e obrigado pelos peixes!, de Douglas Adams
Praticamente Inofensiva, de Douglas Adams

Maio
A Última Trincheira, de Fábio Pannunzio
Esqueleto na lagoa verde, de Antonio Callado

Junho
Calabar – o elogio da traição, de Chico Buarque Ruy Guerra