Arquivo

terror

Posts em terror.

Ficção de Polpa – Volume 1

Ficção de Polpa Volume 1

No primeiro volume do Ficção de Polpa da Não Editora vários escritores brasileiros foram convidados para formar a coletânea com a proposta de criar um conto de ficção científica, fantasia ou horror com completa liberdade temática. A ideia é super bacana, tanto que já rendeu quatro volumes da coleção. Mas até agora eu li apenas o primeiro, e posso falar que a ideia, além de bacana, deu super certo.

Fiquei muito surpresa com a qualidade dos contos. Todos muito bons. Claro que alguns se destacam, são incríveis e deixaram aguçada a vontade de ler mais coisas dos seus autores. E o mais bacana de tudo foi que todos os autores aproveitaram a liberdade para criar e conseguiram mesclar essa tradição atribuída aos norte americanos de criar terror e fantasia (o que eles fazem muito bem, sem sombra de dúvidas) com uma brasilidade que não parecia forçada.

Os contos fluíam muito bem, e não foi preciso inserir elementos fantásticos da cultura brasileira como o Saci Pererê ou a Mula Sem Cabeça para que eles fossem genuinamente brasileiros. A prosa se encarregou de tudo. Ficou claro que ficção feita no Brasil não precisa ser uma forma de apresentar o Brasil. Os autores souberam usar a prosa em favor do conto e não para mostrar que, bem, esse é um conto de ficção fantástico feito no Brasil. Continue lendo →

Doctor Who 06×09: Night Terrors

Doctor Who - Night Terrors

Monstros são reais! E, às vezes, quando o chamado por ajuda é forte o bastante, o querido doutor faz um atendimento domiciliar. Nessa história de Mark Gatiss temos a volta, depois de muito tempo (creio que desde “The Curse of the Black Spot“) uma história sem qualquer ligação com a mitologia da temporada – who is River Song? – (será?).

Ouvi por aí que muita gente não gostou do episódio. Eu gostei, já estava com saudade das histórias isoladas do Doutor e seus companions. Achei a sinopse muito interessante e o episódio me lembrou o da segunda temporada “Fear Her“, em que o 10º Doutor também vai ajudar uma criança e acaba encontrando um alienígena perdido e em busca de um lar – no caso do episódio que se passa as vésperas da abertura das Olimpíadas de 2012, o alienígena “possuiu” a criança, e em “Night Terrors” ele era a criança. Mas acredito que o episódio mais bem sucedido no que diz respeito a criança que projeta seus medos foi mesmo “Night Terrors” – apesar da inesquecível cena de David Tennant correndo com a tocha olímpica na abertura das Olimpíadas…

No nono episódio da sexta temporada o Doutor recebe oum chamado por ajuda,  no seu papel psíquico, do pequeno George. E ele vem à Terra à procura do que poderia estar assustando tanto um menino de oito anos de idade. Ele tem medo de tudo. Sombras se tornam objetos assustadores, sons, formas e vizinhos fazem o garoto tremer e se esconder embaixo do cobertor. Acredite, aos olhos de uma criança tudo pode ser assustador (eu mesma tinha medo de tudo e hoje ainda tenho alguns medos infantis). E o lugar mais assustador do mundo é seu próprio quarto.

Os medos das crianças são poderosos, mas se a criança em questão não é deste planeta, os medos podem se transformar em um risco para todos ao seu redor. Esta é a idéia central por trás do episódio. Uma clássica história de terror que têm tudo que precisa para o expectador: suspense, aquela sensação de apreensão com cada movimento dos personagens, com cada porta aberta ou com o que tem do outro lado da parede.  O episódio foi assustador (talvez não tanto quanto os figurados pelos terríveis Weeping Angels) e os tais monstros são do tipo que botam medo mesmo. Imagine bonecas assustadoras andando por aí querendo brincar contigo e te transformando em bonecas também. Manifestações dos medos de George. Todos os medos dele ganhavam manifestações dentro do armário.

A história é bem simples, mas o clima certo fez com que o episódio fosse realmente muito interessante. A ideia de por os monstros dentro do armário foi simples mas genial, pois esse é o universo infantil. E mais uma vez a química de Amy e Rory renderam momentos maravilhosos. O medo deles era o meu medo a cada topada com as assustadoras bonecas. Eles formam um time e juntos possuem um ótimo tempo para comédia. E Matt Smith é maravilhoso, sempre, mas quando o Doutor está lidando com humanos ele é ainda mais fantástico. O episódio foi muito bom, com tudo na medida certa: humor, medo, atuações e história. Claro que não está no nível dos episódios do Moffat, mas seria exigir demais de um pobre mortal.

O terror de Sam Raimi

Sam Raimi está na boca do povo com seu novo longa de terror Arraste-me Para o Inferno (Drag Me to Hell; EUA; 2009) Que estreou em terras tupiniquins apenas na última sexta-feira – lá pelas bandas do Tio Sam a estréia foi em Maio. Eu ainda não pude ver o tão comentado filme, mas óbviamente já vi o trailer e fiquei bastante interessada.

E em um dos trailers uma frase me chamou a atenção: “do mesmo diretor de Homem Aranha“. Tudo bem que Homem Aranha (pelo menos os dois primeiros) são bem bacanas e tal, mas porque diabos este anúncio? Homem Aranha não é o tipo de filme que creditaria alguém para fazer um bom filme de terror. Por que não anunciar assim: “do mesmo diretor de Uma Noite Alucinante“? Seria mais apropriado.

E como a primeira trilogia eu vi (não, não foi Homem Aranha), vou falar sobre os filmes que credenciam Sam Raimi para fazer filmes de terror.

A Morte do Demônio / Uma Noite Alucinante – Parte 1 – Onde Tudo Começou

(The Evil Dead; Dir: Sam Raimi; EUA; 1981) ****/*****

Uma Noite Alucinante é o primeiro filme da trilogia dirigida por Sam Raimi e é um dos maiores representantes de um dos sub-gêneros do cinema de horror, os filmes de “violência explícita”, ou seja, filmes cujos roteiros procuram mostrar o horror de forma mais crua e direta ao invés de usar da sugestão para assustar o espectador. O objetivo não é apenas assustar, é também enojar o público. Cheio de clichês (jovens que vão para um lugar isolado na floresta, instalando-se em uma casa aparentemente abandonada que acidentalmente invocam o demônio) e muito sangue falso, tripas e partes do corpo decepadas, este é o mais assustador dos três filmes.

Continue lendo →

[REC]

Três semanas atrás tive uma experiência aterrorizante. Finalmente vi [REC], uma produção espanhola de terror dos diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza. Ainda não me recuperei. Desde então não consigo mais dormir com a luz apagada quando estou sozinha no quarto, porque o medo do escuro ficou ainda mais forte (não mais do que já fora, isso é verdade).

Este texto contém spoilers, recomendo a leitura após ter visto o filme.

Uma produção simples, barata bem dirigida. A prova real de que saber contar uma história é suficiente para se fazer um bom filme. Por mais que seja tão batida, como é o caso das histórias de zumbis. O filme não assusta pela quantidade de sangue ou por efeitos especiais miraculosos. O filme assusta pela maneira como a história é contada.

A idéia do filme é fazer cinema-verdade, de mentirinha, como em A Bruxa de Blair. A câmera do filme é “a mesma” do cinegrafista do programa “Enquanto você dorme”, Pablo, que junto com a apresentadora do programa, Angela Vidal, vão para o corpo de bombeiros para mostrar a rotina desses trabalhadores durante a noite. O cinegrafista não aparece em nenhum momento do filme, apenas sua voz.

Para a narrativa parecer ainda mais crível diante dos olhos dos espectadores, o filme não tem trilha sonora, inicia sem mostrar créditos, direto com Angela fazendo a chamada do programa. E ela erra muitas vezes, para que o público acredite mesmo na veracidade da ‘fita’.

E a surpresa com o tédio é decepcionante, que a apresentadora chega a torcer por uma tragédia. Finalmente o alarme, pelo menos o programa não seria um fracasso. Um prédio comum. Os bombeiros chegam junto com a diminuta equipe de TV para atender o chamado dos moradores que ouviram gritos do apartamento de uma senhora (a velha dos gatos!).

É interessante perceber a presença de elementos clássicos de filmes de zumbis, a película é dividida em três atos: a apresentação, a infecção e a sobrevivência (tentativa). Chegando ao prédio os moradores estão quase todos no térreo ansiosos. Uma viatura com dois policiais já estava lá.

Elementos surpresas aparecem a todo o momento. Tanto para nós, que estamos assistindo, quanto para os atores. Eles não receberam o roteiro inteiro para ler, a filmagem foi realizada em ordem cronológica dos acontecimentos, assim como nos é apresentada. Os atores recebiam apenas uma sinopse da cena que iriam filmar, e não sabiam o que aconteceria depois. E na cena em que um corpo cai lá do alto eles ficaram tão surpresos quanto o público, eles não sabiam que aquilo iria ocorrer.

Existe uma tensão criada pela atmosfera claustrofóbica – ninguém entra e ninguém sai do prédio, estão cercados por todos os lados pela polícia, em uma espécie de quarentena – e pela ignorância em relação ao que exatamente está acontecendo – assim como os personagens, nós não temos idéia do que levou a infecção.

Tudo o que vemos no filme é captado pela câmera do cinegrafista de “Enquanto você dorme”. E é muito interessante ver a câmera chacoalhando, ficando sem som, batendo nas coisas. Iluminando locais escuros. O filme nos dá muitos sustos e cumpre seu propósito como filme de terror. E o final é surpreendente e assustador. Eu fique bastante impressionada. E quem avisa amigo é: cuidado com a Menina Medeiros!

No You Tube tem o trailer do filme, a reação do público nos cinemas e uma brincadeirinha que fizeram sobre o desaparecimento de Angela Vidal e Pablo.

“Pablo, graba lo todo. Por tu puta madre.”

Sabe que dia é hoje?

É dia de filmes de terror[bb], superstição, gatos pretos, bruxas e maldições. Hoje é sexta-feira 13! E não há nada mais lembrado em sextas-feiras que tenham o número 13 no calendário do que os filmes assustadores. E esse gênero cinematográfico me agrada bastante. Além disso o número em si e a data carregam consigo uma série de lendas urbanas. Uma Sexta-feira no dia 13 de qualquer mês é considerada popularmente como um dia de azar.

E de onde vem essa espécie de tradição mundial? Uma das origens prováveis está no dia 13 de Outubro de 1307, sexta-feira, quando a Ordem dos Templários[bb] foi declarada ilegal pelo rei Filipe IV de França. Os membros da ordem teriam sido presos simultaneamente em todo o país e alguns torturados e, mais tarde, executados por heresia.

Existem outras versões para a origem desse dia tão odiado e tão amado em todo mundo, uma história cristã, outra judaica e outra nórdica. Na wikipédia tem um resumo de todas, basta escolher com a qual se identifica mais.

Bom, se é um dia de azar eu não sei. Eu pessoalmente não tenho problema nenhum com isto, quero é ver gatos pretos, partir espelhos e passar por baixo de escadas. Mas o clima desse dia é extremamente atrativo para pessoas que como eu não dispensam uma noite de terror. Hoje à noite não poderei ir em nenhuma maratona de terror, pois desconheço qualquer atividade do gênero em Porto Alegre (aliás, se alguém souber me avisa), mas farei a minha própria maratona, em casa mesmo. São muitos títulos, filmes e Arquivo X[bb], ainda não decidi. Sintam-se convidados!

Ai que susto guria!

O Biajoni deixou uma valiosa dica para os amantes da sétima arte, em especial os aficcionados nas películas de terror: uma boa lista dos 50 melhores filmes do gênero. Vale a pena. Apesar de deixar de lado alguns filmes que eu considero muito bons e incluir outros que creio estarem deslocados na classificação. Muitos eu não tive a oportunidade de ver e outros estão na minha listinha também.

Embora cheios de obviedades, esse tipo de cinema arrebata muitas pessoas para as sessões na telona e na telinha fazendo com que alguns se tornem fãs incondicionais. Não sou um bom exemplo da última categoria, entretanto não perco uma oportunidade de ver e sentir calafrios. Mesmo que a maioria repita fórmulas eles ainda dão muito certo comigo.

Uma espécie de catarse do medo que me paralisa por duas horas enquanto as cenas ocorrem bem ali, na minha frente. Os apelos são cada vez maiores, ou não (alguns filmes ‘B’s de antigamente corriam pelo mesmo trilho). Sangue e membros para todos os lados, formas cada vez mais cruéis de matança, ou os velhos zumbis de sempre arrasando cidades interias (e esses, confesso, são os meus favoritos), vampiros sedentos por um belo e frágil pescocinho, monstros de todos os tipos e de diversas origens. Ai que medo!!!

Acho que hoje tem sessão de arrepio aqui em casa, fiquei inspirada!

Help Me!

O medo tem seus encantos e suas formas de enfeitiçar quem o procura e quem não quer nem saber dele também, e ele é importante para podermos estabelecer limites próprios dentro da sociedade. Medo de altura faz com que não nos arricamos pular de um prédio de 10 andares sem equipamentos próprios para isso.

Os filmes de horror são considerados, por muitos, coisas terrí­veis que propagam um medo desnecessário e uma violência absurda, mas acredito serem eles uma espécie de válvula de escape. Com eles podemos transpor para uma tela desejos escondidos ao invés de materializarmos. Será que se o Sr. Presidente dos Estados Unidos não precisa de uma sessão bem reforçada de filmes de terror?