De quando terminei Gilmore Girls

Eu comecei a ver Gilmore Girls ainda esse ano. Graças ao Juliano (sempre) eu tive a oportunidade de ver uma das melhores séries já feitas. Quando passava no SBT eu me recusava a ver. Preconceito besta, sabe? Achava que era coisa de mulherzinha, e eu sempre achando que era melhor do que isso – que ser mulherzinha era ser fraca, fresca e fútil.

Ledo engano. Acabei por descobrir que essa de ser mulherzinha não tem nada a ver com a série, e de quebra entender como ser mulher é bacana. Entendi que sou mulher, com todas as letras, com todas as fraquezas, com toda a força e toda a complexidade.

Gilmore Girls é uma série inteligente, bem feita, cheia de referências e muito bonita. As mulheres, garotas Gilmore, são fortes, indepedentes, bonitas, elegantes, inteligentes, espertas. Elas sofrem e choram, mas também dão risada e sabem aproveitar cada momento de suas vidas. Se elas brigam ou ficam de bico, elas também sabem reconhecer seus erros (algumas vezes, né Lorelai?), voltar atrás e entender a outra. E eu me refiro às três garotas Gilmore.

Eu me idenfiquei de cara com Rory, estudiosa, leitora compulsiva e muito inteligente. Com um sonho muito próximo do meu na infância e adolescência, guardada as devidas proporções – ela queria Harvard, eu queria UFRGS.Realizamos nosso sonho.

Lorelai é independente, inteligente e mãezona. Sofre, e muito, por amor. Seus relacionamentos são sempre perturbados. E é amiga, muito amiga. Faz de tudo por Rory, e por Sookie, Lane e qualquer um da charmosa Stars Hollow. Chorei e sorri com ela muitas vezes. Às vezes ela me irritou, sempre que achava estar certa nas muitas brigas com a mãe.

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Professora Daniela? – O que aprendi e o que espero da (e na) sala de aula.

Foram alguns anos esperando até que chegasse finalmente a hora derradeira. Pode parecer exagero, mas desde o momento em que decidi o curso que faria na universidade eu sabia que a hora de dar aula seria esperada com ansiedade. Agora, mais perto do que nunca de pisar em uma sala de aula experimentando o outro lado, uma série de perguntas afloram incessantemente. O que fazer? Como fazer? Será que eu consigo? Será que eu tenho competência para ser professora? Para ser professora de História? O ensino de história na escola serve para que, afinal? São tantas perguntas e poucas respostas.

Ensinar História é uma tarefa de grande responsabilidade. A história na escola não pode ser definida da mesma maneira como na academia. Ela tem propósitos e metodologias próprias. A dinâmica da sala de aula de um professor do ensino básico é muito diferente da dinâmica de um professor em uma sala de aula universitária. E aqui não existe nenhuma tentativa de qualificar mais um ou outro, são apenas distintos. A história na escola tem um propósito diferente. Read More

Blog Retrospectiva 2008

Em outro desafio lançado no blosque fui convocada a fazer a retrospectiva 2008 aqui do blog. E curiosamente essa já era minha intenção desde muito tempo. O bom do desafio foi dar as bases para tal retrospectiva. A seguir, então, escolhi um post de cada mês de 2008 para recordar.

Janeiro:

Permacultura – um texto introdutório à prática da permacultura, em tempos de aquecimento global é muito importante pensar em alternativas naturais e saudáveis para cuidar de si e do planeta.

Fevereiro:

Visita de Peso – neste texto eu mesclei um pouco de experiência pessoal (ter conhecido o Lucio) com uma dica de documentário (Lucio, de 2007). Um pouco da história de vida desse senhor que pode passar despercebido pelas ruas hoje em dia, mas que durante muitos anos teve uma militância política muito forte na Europa.

Março:

A última esperança sobre a Terra – depois de ter lido o livro homônimo resolvi escrever sobre minhas impressões acerca da obra, e não pude deixar de estabelecer relação com suas versões cinematográficas. Vale também como dica de livro e cinema.

Abril:

Um pouco sobre a História do Cinema de Animação nas terras Tupiniquins – o próprio título já esclarece o assunto. Uma pequena introdução ao assunto, é claro. Acho que o texto vale a pena para quem tem curiosidade e gosta de animação, e também para descobrir alguns títulos emblemáticos da animação brasileira.

Maio:

O Maio de 1968 – este ano foi comemorado em todo o mundo os 40 anos dos eventos que ocorreram na França e em muitos outros lugares do mundo (inclusive no Brasil) em maio de 1968. Neste post eu tento fazer o exercício de recordar esses acontecimentos e opinar sobre alguns pontos divergentes.

Junho:

MyMoleskine – quem ainda não conhece o tal do moleskine pode ter uma idéia, e quem já conhece pode ver alguns dos desenhos que eu fiz no meu 1º moleskine através do vídeo que eu postei.

Julho:

1984 de George Orwell – alguns comentários sobre as duas vezes que li o livro. E também sobre a relação que tenho com ele. Vale como dica de leitura e de cinema.

Agosto:

De onde surgiu o Romance Policial? – um texto com intenção de introduzir o leitor leigo no assunto e incitar curiosidade. Mas é também uma síntese que serve para consulta para quem já é entendido.

Setembro:

Viagem no tempo – um texto que explora de forma bem básica algumas das teorias da viagem no tempo exploradas na ficção científica.

Outubro:

O Maravilhoso Mundo das Séries – alguns dos meus personagens favoritos das séries que tenho visto. E eu gostaria de saber quais são os teus.

Novembro:

Peanuts, como eu gosto. – Algumas das minhas apreciações sobre essa turma maravilhosa que encanta crianças e adultos desde os anos 50.

Dezembro:

5 coisas que aprendi sobre blogs em 2008 – para compartilhar meu aprendizado, e desejo que compartilhe o seu.

Agora que eu já listei um post publicado para cada mês do ano dou por encerrada essa retrospectiva, mas não deixe de navegar nos textos relacionados, deixar sua opinião sobre os textos e experimentar fazer uma retrospectiva própria.

Você conhece Andréa Fátima dos Santos?

Andréa, a Del Fuego escritora usa o nome pela sonoridade. Dora, a Del Fuego bailarina, tirou o nome de uma marca de batom argentino.Uma dica: quando criança fazia anotações nos caderninhos escolares, ouvia conversas por detrás das portas, adorava os papos de elevadores e ficava muda nas reuniões de mulheres adultas para que não a notassem. Andréa Fátima dos Santos adotou em homenagem à Luz Del Fuego (dançarina famosa nos anos 50 e que, na verdade, se chamava Dora) o nome Andréa Del Fuego. A sugestão mais do que perfeita veio de sua sogra (e há quem diga que as sogras só atrapalham).

A moça que não é filha de intelectuais e chegou a afirmar em uma (pequena, singela e de belas palavras) autobiografia: “livro em casa nem o de receita. Eu não tinha referências da escrita enquanto produção. Não tinha um espelho digno desta função”. Formada em publicidade trabalhou como produtora em cinema e revistas. Começou sua vida de escritora respondendo dúvidas sexuais de leitores de uma revista de rádio paulista.

Filha de mineiros ela comeu pelas bordas e já publicou quatro livros: “Sociedade da caveira de cristal”, “Engano seu”, “Nego Tudo” e “Minto Enquanto Posso”. Além disso, Andréa tem contos publicados em diversas antologias e mantém um blog onde publica contos e fotos, trechos de livros, mininovelas, alguns vídeos e dicas. O espaço virtual de autopublicação acumula mais de cem mil acessos, desde junho de 2005. E a autora retribui com dedicação e gentileza, respondendo todos os comentários feitos por leitores fiéis. Agora você já sabe quem é Andréa Fátima dos Santos, e também sabe que seu verdadeiro nome é Andréa Del Fuego.

*Texto meu, originalmente publicado no Estratégia e Análise.

Visita de peso

Nesse último fim de semana tive a oportunidade de conhecer pessoalmente alguém que merece todo o respeito por sua história e pela história que ele ajudou a construir. Tive a oportunidade de conversar inúmeras vezes e sobre assuntos diversos com um homem, um senhor, que viveu e fez muitas coisas das quais sempre tive vontade de ter vivido. Que agora fazem parte da História, que só posso acompanhar pelas leituras, pelo curso na universidade, pela viagem temporal que faço na minha mente.

Ele participou do famoso Maio de 68 na França (que completa 40 anos agora em 2008), conheceu Che, foi um ferrenho militante anti-franquista e pegou os últimos anos da Guerra Civil Espanhola. Mas antes de tudo ele era pedreiro. Conheci pessoalmente, abracei, comemorei seu aniversário, fiz bolo para ele, cantamos canções libertárias. Nada mais, nada menos que Lucio Urtubia. O anarquista irredutível fez sua primeira visita ao Brasil aos 77 anos de idade.

Festa surpresa para Lucio (de preto).

Sua vida virou documentário, e tive o prazer de conhecer também um dos diretores, José María Goenaga. Foram momentos inesquecíveis para mim e para todos os que comigo desfrutaram da mais bela e inspiradora companhia. No filme, intitulado Lucio, se recordam os apoios que ele concedeu a Quico Sabaté, um dos máximos expoentes da guerrilha urbana na Catalunha; a Eldridge Cleaver, o líder dos Panteras Negras, e vários grupos revolucionários da época. Também se traz à memória os encontros que manteve com André Breton e Albert Camus.

Lucio, com um sorriso estampado em seu rosto, prometeu voltar. Para nos falarmos mais, para rever os novos amigos. Ganhei um amigo, um companheiro de ideais. Fiquei muito emocionada com sua presença, e mais ainda com sua partida. Foram três dias convivendo, conversando e sobretudo aprendendo.

Trailer do filme:

[youtube1]ozof4jz8j7w[/youtube1]